Os Simpsons - O Filme



Convenhamos: Não tinha como dar errado. Claro que enquanto o primeiro longa-metragem baseado no desenho animado mais bem sucedido da história era produzido, os fãs se questionavam se a família Simpson funcionaria bem em um filme de cinema. Pergunta respondida nos primeiros e hilários trailers que brincavam com o desenho ser 2D e logo em sua primeira cena, em que Homer questiona porque vai ao cinema assistir algo que pode ver de graça na televisão (no caso, o filme de Comichão e Coçadinha).

Os Simpsons - O Filme não esconde o fato de ser um episódio de uma hora e meia do seriado. Ou seja, há um acúmulo de piadas não bem aproveitadas, como o já famoso Porco-Aranha que simplesmente desaparece da história. Mesmo assim, o filme cumpre exatamente a curiosa característica que o desenho possui: por mais humor negro que contenha, por mais alfinetadas que a família Simpson e sua galeria invejável de coadjuvantes espalhe na sociedade e até com o governo dos Estados Unidos, há um elemento claro de doçura que nos mantém conectados com seus personagens.

E talvez até por isso, sabendo que o filme tem seus altos e vários baixos, que seja tão difícil dar uma nota baixa para ele.

NOTA: 8,5

Sobre o Oscar...

Onde os Fracos Não Têm Vez e Sangue Negro me dividiram demais na minha escolha para quem eu torcia. Um dia antes do Oscar, porém eu decidi: Gostei mais de Sangue Negro. Bem, não posso dizer que estou triste pela sua derrota, mas bem... dá um amargo na boca... bem de leve... mas enfim.


2007 foi um ano maravilhoso para o cinema, e o melhor jeito de percebermos isso é observar quantos filmes excelentes estavam concorrendo, e principalmente, quantos filmes excelentes ficaram de fora da premiação, como Zodíaco, O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford ou Superbad - É Hoje. Sim, Superbad.

Enfim, fiquei feliz por Norbit e Transformers terem saído de mãos abanando da premiação (hahá! um dia quem sabe, Michael Bay!), por O Ultimato Bourne ter sido lembrado de forma tão calorosa (3 prêmios!) e Marion Cotillard ter vencido. Não assisti Piaf - Um Hino ao Amor, mas... confesso que... ah... que mulher linda, meu Deus... enfim.


Aí vai a lista de vencedores (devidamente reproduzida num Crtl+C e Ctrl+V). Aproveitem para comentar sobre o que acharam da festa:

MELHOR FILME
Onde os Fracos Não Têm Vez

MELHOR DIRETOR
Joel e Ethan Coen, Onde os Fracos Não Têm Vez

MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis, Sangue Negro
MELHOR ATRIZ
Marion Cotillard, Piaf – Um Hino ao Amor

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Javier Bardem, Onde os Fracos Não Têm Vez

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Tilda Swinton, Conduta de Risco

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Juno

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Onde os Fracos Não Têm Vez

MELHOR FOTOGRAFIA
Sangue Negro

MELHOR MONTAGEM
O Ultimato Bourne

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

MELHOR FIGURINO
Elizabeth: A Era de Ouro

MELHOR MAQUIAGEM
Piaf – Um Hino ao Amor


MELHORES EFEITOS VISUAIS
A Bússola de Ouro

MELHOR TRILHA SONORA
Desejo e Reparação

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Falling Slowly", Once

MELHOR SOM
O Ultimato Bourne

MELHOR EDIÇÃO DE EFEITOS SONOROS
O Ultimato Bourne

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
The Counterfeiters, Áustria

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Ratatouille

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Taxi to the Dark Side

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
Freeheld

MELHOR CURTA-METRAGEM
Le Mozart des Pickpockets (The Mozart of Pickpockets)

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
Peter & the Wolf

Juno






Pequena Miss Sunshine de 2007? Nunca... Na verdade, Juno remete ao trabalho anterior de Jason Reitman, o filme Obrigado Por Fumar: boa direção, roteiro mediano e atuações fantásticas. Apresentando a história da adolescente Juno (Ellen Page) que engravida do melhor amigo (Michael Cera), e sua consequente decisão de dar o bebê para um casal que não pode ter filhos (Jason Bateman e Jennifer Garner), o filme demora demais a engrenar, mas quando o faz, diverte como poucos.

Na verdade, Juno só funcionou realmente comigo quando o filme caminhava para seu final a partir de um incidente, que obviamente não vou revelar. O que salva o filme da artificialidade de seu roteiro são as atuações de seu excelente elenco: de Jennifer Garner na sua primeira grande atuação, passando por J.K. Simmons como o pai da garota, Michael Cera tão brilhante quanto em Superbad - É Hoje, o filme encontra sua razão de ser ao conseguir com que seus atores tirem leite de pedra.


Não que o roteiro vencedor do Oscar seja ruim, já que como citei, as reviravoltas presentes são muito interessantes, e o desenvolvimento que os personagens ganham com o desenrolar da história é bastante rico. O problema são os diálogos, às vezes, irritantemente artificiais, e cenas extremamente mal-construídas, como a cena em que Juno compra o teste de gravidez no início do filme. Fora isso, a narração em off é extremamente desnecessária e é usada tão esporadicamente que chega a irritar.

Mas como já citado por muitas pessoas, Juno é de Ellen Page, como Sangue Negro é de Daniel Day-Lewis. Demonstrando um equilibrio perfeito na construção da personagem, a jovem garota consegue demonstrar uma naturalidade brilhante mesmo nas falas mais cretinas que é obrigada à dizer em certos momentos. E o fato do roteiro ter ganho o Oscar, sendo que Ellen Page é que foi seu grande trunfo é apenas mais um dos mistérios que cercam esse estranho mundo chamado Hollywood.

PS: Mesmo com seus problemas, o final do filme me faz sorrir só de lembrar.

NOTA: 8,5

Senhores do Crime






David Cronenberg já tinha anunciado uma leve mudança em seu estilo único de cinema com o maravilhoso Marcas da Violência. Fazendo um estilo mais "comercial" (muita ênfase nas aspas), o diretor abordou, através de um enredo de certa forma convencional, todas as suas temáticas clássicas sobre a natureza violenta do ser humano e seus conflitos internos, sejam físicos ou mentais. Novamente, o cineasta trabalha com um filme de enredo convencional, embora suas temáticas clássicas tenham ficado um pouco de lado. O resultado porém, não é nada convecional em suas mãos.

Contando a história da parteira Ana (Naomi Watts) que na noite de natal ajuda uma criança a nascer, sendo que sua mãe de apenas 14 anos, morre no ato. Nos pertences da garota, Ana encontra um diário e através de um cartão dentro dele, acha o endereço de um restaurante russo onde se depara com um simpático senhor, Semyon (Armin Mueller-Stahl), que parece bastante interessado no diário e se dispõe para ajudá-la a traduzi-lo (já que está escrito em russo). O que Ana não sabe, é que o simpático senhor é chefe da organização criminosa russa Vory v Zakone, e que o conteúdo do diário pode revelar segredos sobre o filho do chefe, Kirill (Vincent Cassel), e logo o seu motorista e guarda-costas Nikolai entra no encalço da busca. Interpretado por Viggo Mortensen, Nikolai é o centro dramático de Senhores do Crime. Demonstrando o talento que Marcas da Violência já havia revelado, Mortensen cria um personagem inquietante, cuja simples presença é capaz de levar o espectador a temer pelo que pode acontecer (característica que divide com Javier Bardem como o assassino de Onde os Fracos Não Têm Vez).


David Cronenberg também demonstra a evolução que mostrou em seu filme anterior. Com a ajuda de Peter Suschitzky (seu habitual diretor de fotografia), o diretor mostar uma Londres sombria e cercada de fortes contrastes. Para os fãs mais ardorosos de Cronenberg (lista da qual me incluo) fica, porém, a sensação de que falta algo. Marcas da Violência, como já disse, era um filme de estúdio, mais comercial, sim, mas sua temática era instigante e provocativa. O roteiro de Steve Knight (que também escreveu Coisas Belas e Sujas) reserva surpresas e demonstra uma maravilhosa mensagem quanto ao que acontece com os imigrantes que vão para Londres. Cronenberg utiliza essa temática com sua inteligência habitual, e a violência bruta que é quase uma marca registrada de seus filmes também aparece aqui (aliás, a cena de luta que ocorre na sauna, é desde já uma das melhores já filmadas por ele).

Mas não liguem. Minha reclamação é a típica de fã chato. Tipo leitores de Harry Potter em fóruns da internet reclamando de trocas de vírgulas do livro para o roteiro. Nada que impeça Senhores do Crime de ser um dos grandes filmes de 2007, e mais uma prova do imenso talento de David Cronenberg e Viggo Mortensen.

NOTA: 9,5

Os Indomáveis



James Mangold parece ser um cara gente fina. Tá, estou falando de um diretor de cinema, poderia fazer um elogio mais coerente, mas quando leio o nome dele penso nisso. Por mais eficientes que sejam seus filmes, nenhum alcança a genialidade ou algo assim. Cop Land por exemplo, fez de Sylvester Stallone um ator de verdade, a ponto se destacar num filme que ainda conta com Robert DeNiro, Harvey Keitel e Ray Liotta. Garota, Interrompida lançou Angelina Jolie. Identidade e Johnny e June foram bem recebidos e tem seu público fiel. Mas... enfim... Nenhum destes é lembrado como um filme de James Mangold, entendem? Talvez seja falta de ousadia, falta de uma marca forte na direção... mas competência esse sujeito tem de sobra.

Em Os Indomáveis, somos apresentados a Dan Evans (Christian Bale), um fazendeiro falido, que vê perder respeito que tinha de sua família. Quando recebe a oportunidade de ganhar dinheiro levando o temido bandido Ben Wade (Russel Crowe) para pegar um trem que o levará ao presídio, não pensa duas vezes: Enxergando no ato a oportunidade tanto de salvar-se de suas dívidas, quanto de receber algum respeito, ele embarca no que se tornará uma perigosa jornada.

Nos mostrando mais uma interpretação inspirada, Christian Bale se mostra perfeito como o pobre fazendeiro, assim como Russel Crowe cria Ben Wade com uma perigosa mistura de carisma e violência. Criando cenas de ação muito bem filmadas, e bem realçadas pela trilha sonora (ou mesmo com a ausência dela), Os Indomáveis é um belo exemplar de faroeste, que se não se torna genial pelo excesso de diálogos no final (algo que Sergio Leone não perdoaria), funciona como belo exemplar de filme de ação graças a urgência da situação e a bela situação dramática que é desenvolvida.

NOTA: 8

Sangue Negro



Em português simples e claro: Paul Thomas Anderson é foda! Desculpem pela falta de boas maneiras mas não tem maneira melhor de apresentar minha admiração pelo talento desse diretor. Depois de passar por Las Vegas (Jogada de Risco), cinema pornô da década de 70 (Boogie Nights), coincidências e sapos (Magnólia) e a comédia romântica mais bizarra que já conferia (Embriagado de Amor), Anderson nos apresenta a Daniel Plainview, um sujeito ganancioso que ao descobrir petróleo junto com o filho numa região humilde da América no começo do século XX, começa uma jornada em busca de dinheiro com um objetivo simples: Isolar-se de um mundo que despreza e repleto de pessoas que não enxerga como nada menos que marionetes para seus próprios benefícios.

Utilizando algumas de suas principais marcas como diretor, como planos-sequências, o diretor utiliza brilhantemente a trilha sonora para reforçar o interior de Plainview. Demonstrando inteligência e criatividade em sua direção de cenas, criando momentos bizarros e até cômicos (como no batismo do personagem), P.T. Anderson acerta também ao manter o destaque da narrativa no relacionamento de Daniel com seu filho H.W..

Aliás, abrindo um parentêses gigantesco, Daniel Day Lewis está perfeito em Sangue Negro. Melhor, confesso que ele é meu ator favorito. Assim como Paul Thomas Anderson, Day Lewis tem anos e anos de carreira, porém não trabalha muito, e seleciona seus projetos cuidadosamente. Basta observar que entre seus projetos temos Em Nome do Pai, Meu Pé Esquerdo, As Bruxas de Salem, Minha Adorável Lavanderia... e mesmo quando seus filmes não são tão bons, caso de O Lutador e Gangues de Nova York, é inevitável perceber a dedicação do ator, e como sua simples presença engrandece a produção.

Demontrando também um grande domínio na sua narrativa, Anderson também destaca a curiosa rivalidade entre Daniel e Eli, um jovem que garante ser um profeta. E é esta rivalidade que funciona para mostrar o verdadeiro objetivo do filme. Sangue Negro não é um filme comum sobre a ganância destruindo o homem. Aliás, as comparações com Cidadão Kane também ajudam em sua compreensão. Se no clássico de Orson Welles víamos o apogeu e queda de um homem que quanto mais poder conseguia (através do império da informação), menos conseguia em sua vida pessoal, em Daniel Plainview temos a mesma consequência (e sua psicopatia começa a partir do momento em que não consegue mais se comunicar com o filho). A principal diferença entre Charles Foster Kane e Daniel Plainview vem em como seus objetivos são alcançados: Daniel ansiava pelo isolamento, porém seu objetivo só parece cumprido quando até mesmo Deus é expulso de sua vida. E sua tragédia é concluída no filme de maneira bizarra e cômica, o que realça o vazio de sua vida e acentua sua queda eminente.

NOTA: 10

Vivendo no Limite



Antes de O Aviador e Os Infiltrados, grande parte do público havia perdido a fé em Martin Scorsese. Pura bobagem de quem não viu qualidades em Cassino e neste Vivendo No Limite, filmes que mostram que Scorsese pode ter mudado, sim, mas jamais perdeu o talento. Se passando no começo da década de 90 em Nova York, conhecemos Frank Pierce (Nicolas Cage), um paramédico à beira da loucura. Durante três dias, vemos Frank caminhar mais perto do abismo da culpa, já que há tempos ele não consegue salvar alguém. Além disso, Frank ainda tem que lidar com a aparição do fantasma de Rose, uma garota asmática que morreu enquanto Frank a atendia numa rua.

Sem possuir um antagonista específico (o vilão do filme é a própria cidade), a trama acaba funcionando um estudo de personagens, todos no limite de suas forças, tentando sobreviver à uma Nova York repleta de melancolia, mortes e fantasmas. As longas corridas da ambulância são sempre repletas de angústia e sempre tememos pelo que os personagens terão que enfrentar. Nicolas Cage está em seu melhor momento desde Despedida em Las Vegas. Cria um Frank perfeito, melancólico, explosivo, cansado, capaz de emocionar qualquer um (basta ver a cena em que ele é obrigado por uma enfermeira a aplicar eletrochoque num paciente). Patricia Arquette está ótima, criando grande química com Cage. Ving Rhames, Tom Sizemore e John Goodman formam um time perfeito de coadjuvantes, e alguns dos melhores momentos do filme vem de seus personagens.

A montagem de Thelma Schoonmaker (colaboradora habitual do diretor) é impressionante e remete bastante ao estilo de Os Bons Companheiros, ou seja, a velocidade dos cortes remete ao estado de espírito do personagem no momento. Criando cenas que passam pelo grotesco e pelo lírico, Scorsese e o diretor de fotografia Robert Richardson dão um clima de pesadelo ao filme, como nas sequências do hospital, as ruas durante a noite e o "Oásis". Aliás, o uso da trilha sonora brilha num momento breve: Frank e outro médico fazem piadas sobre um paciente inconsciente. Ao olhar para o paciente, Frank o imagina gargalhando, enquanto a música ao fundo diz "It ain`t funny, it ain`t funny at all". Belíssimo. 


Apenas a duração excessiva acaba incomodando um pouco. Contando com um ato final absolutamente genial, infelizmente, não fez o mesmo com que os detratores voltassem a enxergar a qualidade desse genial cineasta. Algo que só um aviador doido e uma violenta trama em Boston que ganhou um Oscar conseguiram. Uma pena.


NOTA: 9

Dogma do Amor



É bom... ou não? Dogma do Amor é um fime difícil de analisar. Mesmo conseguindo passar bem sua mensagem inusitada e original, o filme tem tantos problemas de ritmo e de roteiro que é quase impossível saber o que pesa mais e o que pesa menos: originalidade ou qualidade. No filme, vemos John Marchevsky (Joaquin Phoenix) indo até Nova Yorque para entregar os papéis do divórcio para sua mulher, Elena (Claire Danes). Quando chega, porém, percebe que algo está incomodando Elena, e resolve ficar na cidade e descobrir o que aconteceu nos anos que ficou longe.

Um dos maiores problemas de Dogma do Amor já começa aí. Começando de maneira intrigante, o filme praticamente estaciona quando o amor de John e Elena renasce. O que vemos são apenas cenas de sexo e outras apenas curiosas (como o fato de nevar em várias cidades do mundo, durante o verão). Quando o filme volta ao ritmo normal, não estamos mais nos importando com os personagens, e o filme fica tão esquizofrênico, quanto chato. Por outro lado, Thomas Vinterberg (do belíssimo Festa de Família) acerta ao apostar em formas inusitadas de passar a mensagem do filme (o "Ugandense Voador" é o meu favorito).

A cena em que John senta e acompanha a edição de um programa de TV, mostrando cenas de pobreza enquanto Elena está sendo entrevistada é a prova disso. O personagem de Sean Penn revela-se uma bela metáfora da solidão do homem (além de ter as melhores falas do roteiro). Outro fato interessante do filme é a tal doença que toma conta do mundo: o coração de pessoas solitárias e tristes pára de bater. Assim, várias vezes, vemos diálogos com cadáveres ao fundo (idéia que remete a filmes de guerra, como O Pianista ou A Lista de Schindler).

Joaquin Phoenix tem uma belíssima atuação nesse filme. Basta ver sua reação à um fato inusitado que acontece quando quatro mulheres patinam. Sean Penn aparece pouco, mas demonstra que grandes atores não precisam de muito tempo em cena para mostrar talento. O destaque, porém fica para Douglas Henshall que interpreta Michael, irmão de Elena. Henshall cria uma figura ambígua, já que simpatizamos com seu personagem, mesmo sem sabermos de que lado está. Claire Danes é o porém. Antes de ter que interpretar mais de um personagem na trama, ela se mostra competente, mas depois, fica claro que ela não é bem uma atriz versátil.

Thomas Vinterberg é outro porém. Após o sucesso de Festa em Família era de se esperar um filme melhor. Ele, claramente tem dom para criar tramas inusitadas, o problema é que, dessa vez, ela não foi tão bem realizada. O excesso de efeitos especiais incomoda bastante. Já o clima noir cai como uma luva. Enfim, se você não conseguiu entender se eu gostei ou não de Dogma do Amor, não se incomode: Nem eu sei ainda.

NOTA: 6

Interpol - No I in Threesome



Comecei a ouvir Interpol recentemente, e fiquei maravilhado com o som da banda e, mais ainda, com a qualidade dos clipes. Este, por exemplo é um plano-seqüencia falso (cheio de raccords bem feitos) comparável ao monumental filme Arca Russa.

Posso e devo estar exagerando na comparação. Mas assistam o clipe, ouçam a música e observem sua letra e vejam como tudo se encaixa perfeitamente.

Cloverfield - Monstro



Filmes catástrofe ou de monstros estão bem longe de me interessarem. Alguns dos exemplares que mais gosto, por exemplo, são O Dia Depois de Amanhã ou O Inferno de Dante. E reconheço que só gosto desses filmes porque eles funcionam em seu maior propósito, ou seja, efeitos especiais, já que seus roteiros costuravam dramas piegas e ridículos com cenas mirabolantes que funcionavam graças a engenhosidade dos técnicos que trabalharam nos filmes.


Aguardava Cloverfield, portanto com receio. Não sou grande fã de JJ Abrams, e mesmo sendo grande fã de Lost, não dou todo o mérito da qualidade do seriado pra ele. Aliás, jamais gostei de suas outras investidas na TV (o seriado Felicity) ou no Cinema (Missão Impossível 3, bem melhor que o segundo, o que não é exatamente um elogio). Aliás, se reconheço uma grande qualidade em Abrams é o marketing. A campanha para vender o filme ao público foi genial. Porém, todos olhavam com desconfiança para o ambicioso projeto. Desconfiança que foi embora quando o filme chegou as telas. Cloverfield é um espetáculo visual, e surpreende com o tom humano. Deixando explicações sobre o monstro de lado, e prestando atenção na história de seus personagens e no terror da situação sobre a população de Nova York, Cloverfield se destaca em seu gênero graças a essas virtudes.



A história é simples: acompanhamos uma fita que mostra um rapaz que vai para o Japão e durante a sua festa de despedida, um monstro gigante invade Nova York. A sinopse ridícula que apresentei, porém, não faz juz ao que Cloverfield proporciona. O romance apresentado na história (e realçado pelo fato de que a fita foi gravada por cima de imagens do casal no dia em que passaram juntos) é interessante e mesmo que as vezes pise no melodrama, é eficiente e funciona muito bem como estrutura dramática (embora não possa dizer o mesmo do romance entre o câmera e outra garota).

Com efeitos especiais impressionantes, o filme atinge um tom de realismo absurdo, e a destruição em escala gigantesca realmente impressiona. A experiência de assistir Cloverfield no cinema é singular e catártica. O que me lembrou de quando assisti A Bruxa de Blair no cinema. Saí do cinema empolgado em todos os sentidos, porém, quando o revi na telinha, o filme perdeu muito do impacto original, algo que certamente vai acontecer com Cloverfield. Para quem já viu o filme, alguém acha que a cena do helicóptero vai passar a mesma sensação na TV que passou no cinema?

Nem sei se isso é um defeito. Sei apenas, que diversão que não ofenda o cérebro é cada vez mais raro no cinema, então o jeito é aproveitar.


NOTA: 8

Onde os Fracos Não Têm Vez



Humor Negro é meu gênero favorito de comédia. Filmes do Monty Python, Dogma do Kevin Smith são perfeitos exemplos. Mas humor negro, negro mesmo, aquele de rir com culpa, é com os Irmãos Coen. Lembram do moedor de carne de Fargo? Da reunião da KKK em E aí meu Irmão, Cadê Você?. Pois é. Os caras são gênios.

E é sempre uma grata surpresa ver que cineastas veteranos como eles (que já tem mais de 20 anos de carreira) ainda conseguem nos surpreender. Assistir a Onde os Fracos Não Têm Vez tem o mesmo sabor de assistir Match Point de Woody Allen, ou seja, é cinema de mestre, mas nos surpreendendo a todo instante.


O filme conta a história de um "cowboy moderno" (Josh Brolin) que encontra uma maleta com 2 milhões de dólares e decide ficar com o dinheiro. A história se desenvolve nas consequências disso, com um assassino (Javier Bardem) que é contratado para segui-lo e o um xerife (Tommy Lee Jones) que decide ajudar o pobre coitado, porém, com a certeza que está entrando numa batalha já perdida.

Adaptado do livro de Cormac McCarthy (que não conheço, erro que estou corrigindo), o filme é tenso a todo instante, e o fato de jamais usarem trilha sonora realça isso e faz com que qualquer cena tenha um tom quase insuportável (no melhor dos sentidos). Aliás, ainda está para ser criado um adjetivo para elogiar o roteiro, as atuações e a direção do filme. Os diálogos são perfeitos e os atores recitam suas falas com timing inpecável. Trabalho de gênio mesmo, sem brincadeira. Aliás, o humor presente no filme se equilibra bem com as cenas de violência, aliás, as mais chocantes já filmadas pelos cineastas.

Contando com um final abrupto e perfeito, Onde os Fracos Não Têm Vez, não é apenas o melhor filme dos Irmãos Coen, mas é uma aula de cinema como a muito tempo não havíamos recebido.

NOTA: 10

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