Superbad - É Hoje




Seth Rogen hoje, é O cara quando falamos sobre comédia. Escrito por ele e seu amigo, Evan Goldberg (e aparentemente, baseado em fatos reais...), Superbad não foi só a melhor comédia de 2007: foi também um dos melhores filmes do ano, e a melhor comédia da década. O talentoso Judd Apatow (que produziu o filme) vem realizando uma estratégia certeira que justifica a qualidade de seus filmes. Passar seus roteiros de humor sujo, e chamar diretores realmente bons e talentosos para assumí-los, algo que leva Superbad a outro nível, e a bola da vez foi Greg Mottola.

O filme conta a aventura dos três amigos Evan (Michael Cera), Seth (Jonah Hill) e Fogell (Christopher Mintz-Plasse, a grande revelação do projeto) para conseguir comprar bebidas para a última festa do colegial, e assim, conseguirem finalmente transar com as garotas que desejaram o ano inteiro.

Só que para conseguirem as bebidas, eles contam com a carteira de identidade falsa que Fogell consegue com o nome de... McLovin, havaiano de 25 anos (e doador de órgãos). Misture na história, os dois policiais mais incompetentes e divertidos da história do cinema (Seth Rogen e Bill Hader, apontando armas e organizando uma perseguição grandiosa... dentro de um bar, para pegar um bêbado...) e o resultado é uma comédia de deixar as bochechas de qualquer um doendo.

Contando com o mesmo senso de humor doentio de O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos, Superbad também divide outra importante característica com as duas obras anteriores da trupe: a parte dramática, bem construída que humaniza e torna seus personagens em verdadeiros camarados do espectador. Aqui temos a separação dos amigos Evan e Seth, que irão para faculdades diferentes, e que apesar de passarem o fime inteiro dizendo que não ligam para isso, o espectador sente como aquilo está sendo difícil para eles, e vale dizer que Michael Cera e Jonah Hill tem uma química maravilhosa, o que ajuda e muito. Aliás, química é o que não falta para todo o elenco, sendo até difícil destacar alguém em especial.

Superbad - É Hoje é um filme sobre camaradagem pura, e o sucesso da produção é que esse senso de camaradagem é compartilhado com o espectador. E é suprendente que numa produção com tantos palavrões e tanto sexo, o desfecho consiga ser feliz e melancólico ao mesmo tempo, deixando um sorriso em quem assiste que demora bastante para sair.

NOTA: 10

Na Captura dos Friedmans



É difícil recomendar Na Captura dos Friedmans. Assistir este documentário não é uma experiência prazerosa, aliás, muito pelo contrário: é um filme extremamente doloroso e quase surreal, tamanho o absurdo de sua triste história. Ao final, junto com as lágrimas, somos tomados por um sentimento de revolta e impotência, perante tantas atrocidades.

O documentário conta a história de Arnold Friedman, premiado professor que morava numa pequena cidade nos Estados Unidos, com sua esposa Elaine e seus três filhos, Seth, David e Jesse. Arnold era professor de piano e dava aulas de informática para crianças em sua casa, com seu filho mais novo Jesse. O problema, é que Arnold era consumidor de pornografia infantil, e quando foi pego pela polícia, esta logo suspeitou das aulas de computação que Arnold lecionava.

Com uma investigação escandalosa e a mídia (que sempre ajuda maravilhas nessas horas), uma onda de histeria cresce na cidade, e Arnold e seu filhos são presos, e condenados com fiança de 1 milhão de dólares.

E logo começam as perguntas desse maravilhoso documentário, conduzido com maestria por Andrew Jarecki: como os dois foram condenados por abuso sexual, sendo que não havia nenhuma prova física de estupro em nenhuma das crianças? Porque em quase 5 anos, nenhuma criança jamais relatou nada aos pais, ou ninguém desconfiou, sendo que as vezes, os pais chegavam de surpresa para pegar os filhos e sempre iam buscá-los? Perguntas tão básicas, por incrível que pareça, não foram feitas pela polícia ou pela mídia, e como resultado, a família Friedman é destruída emocionalmente. Aliás, um dos filhos, David começou a filmar as discussões que ocorriam em sua casa durante esse processo, e como resultado, vemos algumas das cenas mais dolorosas jamais imaginadas em nenhuma ficção.

O diretor Andrew Jarecki é discreto e jamais aparece no documentário, mas nas poucas vezes que o ouvimos, podemos notar um diretor de pulso firme e forte (observem como ele confronta uma das vítimas dos supostos abusos sexuais). Jarecki deixa que os personagens falem, e raramente interfere na narrativa, fazendo-o apenas quando absolutamente necessário, como nas legendas após cada entrevista com as vítimas.

Mas não se deixe enganar: o diretor em nenhum momento inocenta Arnold Friedman. Sim, ele era pedófilo, e detalhes mais sórdidos da sua vida não são escondidos, mas são debatidos com tanta importância quanto qualquer outro tema no filme. Mas é nisso que o documentário ganha força: Andrew Jarecki humaniza seus personagens, dá voz a eles. E por mais defeitos que surjam, não podemos deixar de reconhecer o absurdo da situação, e que mesmo com seus erros, Arnold (e muito menos Jesse, que passou 18 anos preso) não merecia o abusivo castigo de uma sentença jamais devidamente investigada.


Na Captura dos Friedmans merece ser objeto de estudo por pessoas de jornalismo para que façam a pergunta: até onde a mídia pode ir? Quando ela deixa de ser informativa, e passa a ser nociva? Afinal, porque justamente este julgamento foi o primeiro a ser transmitido pela televisão americana?

A resposta é fácil: jornalismo não é informação a muito tempo, é entretenimento. Preste atenção nas chamadas de jornais, impressos ou televisivos. Elas buscam o choque, para que você permaneça ali, tal como qualquer filme de ficção. E num drama tão complexo quanto o que é retratado nesse documentário, só podemos lamentar este fato.


NOTA: 10

Assassinos Por Natureza



Se JFK é o melhor filme de Oliver Stone, Assassinos Por Natureza é sua maior provocação. Um verdadeiro soco no estômago, violentíssimo, filmado e editado de maneira alucinógena, que só funciona graças ao talento do diretor, e do empenho do elenco. Aliás, me arrisco a dizer que foi o filme experimental mais caro bancado por um estúdio. Ou dizer que um filme que usa Beta, 16mm, 35mm, Super 8, VHS e até animação nas mesmas sequências não é experimentalismo?

Mickey e Mallory Knox (Woody Harrelson e Juliette Lewis) são um casal de serial killers que cruza os EUA protagonizando uma matança que chama a atenção da mídia. A cobertura da mídia é tão forte, que o casal ganha até mesmo fãs. Fãs? Assassinos com fãs? Sim, basta lembrar que Charles Manson é praticamente uma celebridade nos EUA (e babacas como o guitarrista do System Of A Down o veneram). Do lado da mídia, conhecemos Wayne Gale (Robert Downey Jr.), um apresentador egocêntrico, que conhece muito bem o seu público alvo ("você acha que aqueles zumbis vão notar que estamos reprisando algo?").

O casal acaba sendo pego por Jack Scagnetti (Tom Sizemore), um caçador de serial killers que sente atração por Mallory. Quando o diretor da prisão (Tommy Lee Jones, hilário) resolve matar as escondidas o casal com ajuda de Scagnetti, Wayne consegue uma entrevista exclusiva com Mickey um dia antes.

E a tal da entrevista é o ponto alto do filme, uma sequência de diálogos brilhante que resume perfeitamente todas as idéias do filme. Afinal, quem é mais perigoso? Mickey Knox, o assassino cruel que só encontra paz ao lado de Mallory (paz a sua maneira, claro), ou Wayne Gale, um dos responsáveis por transformar o casal em grades nomes da mídia? Se por um lado, as vítimas de Mickey tiveram simplesmente como motivo de sua morte, um azar tremendo (ou "destino", como afirma Mickey), Gale utilizando a mídia em seu pior lado, o da manipulação, do sensacionalismo, asteia uma enorme bandeira de irresponsabilidade (como grande parte da mídia, hoje em dia). Certamente, Wayne Gale (e muitos jornalistas hoje em dia) enxergam liberdade de expressão como "posso falar qualquer merda".

Mesmo exagerado, Assassinos Por Natureza é uma obra fundamental do cinema americano dos anos 90 e que, infelizmente, é muito mais atual hoje em dia, que na época de seu lançamento.

NOTA: 9

O Bom Pastor



Dirigido por Robert DeNiro, O Bom Pastor conta a história da origem da CIA, mostrando muita sujeira que normalmente é jogada para debaixo do tapete. Mas ao invés de apelar para um panfleto sensacionalista, DeNiro e o roteirista Eric Roth (também responsável por Munique) transformam o filme num drama intimista sobre Edward Wilson (Matt Damon) que, de jovem alegre e de futuro promissor, se transforma num filho da p... digo, um homem amargo e deprimido, afastando todos do seu redor.

Aliás, o filho da p... ali em cima teve um motivo. O filme (de maneira brilhante, diga-se de passagem) nos faz entender o sofrimento de Wilson, e a performance minimalista e genial de Damon causa grande empatia no espectador. Mas pare e pense no que o personagem fez durante o filme inteiro. Wilson nunca é o cara que aperta o gatinho, que mata, ou que faz todo tipo de atrocidade, mas é ele quem está por trás de tudo: de uma tortura brutal, até uma estratégica praga num campo de café, com gafanhotos sendo lançados de aviões.

Se houvesse Oscar de melhor elenco, não haveria nem indicados: a estatueta iria diretamente para O Bom Pastor. E se até Angelina Jolie está perfeita no filme (interpretando de verdade, e não posando para fotos) imagine o que esse filme faz com Alec Baldwin, Willian Hurt, Billy Crudup, Joe Pesci e, claro, o próprio DeNiro, que não apenas faz uma direção visualmente primorosa, como (principalmente) na maneira como conduz o elenco.

Injustamente esquecido pelas principais premiações do seu ano, O Bom Pastor é quase uma obra-prima, e se não fosse pela duração que acaba comprometendo o filme um pouco em seus minutos finais, seria realmente perfeito.

NOTA: 9

Brazil - O Filme



Obra-prima absoluta do talentoso Terry Gilliam, Brazil é uma mistura esquisita de ficção científica, fantasia e comédia que funciona perfeitamente. Neste filme, Gilliam ainda mostra suas influências do Monty Python ao falar sobre um futuro absurdo, fortemente baseado na obra 1984 de George Orwell.

Jonathan Pryce é Sam Lowry, um funcionário exemplar de um setor sem futuro do governo, que tem uma mãe influente e viciada em cirurgias plásticas que faz de tudo para ver o filhos subir na carreira. Sam, apesar de ser um burocrata dos mais malas, é um sonhador. Em seus sonhos, se imagina voando, e sempre salvando uma donzela. É então que Sam acaba vendo a tal donzela na vida real: ela se chama Jill Layton, e é uma "terrorista" procurada pelo governo.  Ele decide aceitar o emprego que relutava no Ministério das Informações para salvar Jill de ser interrogada (ou melhor, torturada) pelo seu melhor amigo, Jack (Michael Palin, outro ex-Python).

Gilliam fez o seu melhor trabalho na direção em Brazil, algo que não é pouco, se considerarmos que estamos falando do diretor de Os 12 Macacos ou O Pescador de Ilusões, por exemplo. Seu estilo anárquico cai como uma luva para o estilo visual exigido pelo roteiro. A abertura do filme, em que um programa de TV mostra a entrevista de um poderoso homem do governo falando sobre terrorismo é brilhante: o programa é exibido inicialmente numa loja que explode; depois numa TV que continuou funcionando no local da explosão; depois no escritório onde ocorre um erro num documento, que causa a cena seguinte; uma família assiste o programa de TV, as crianças vão dormir esperando Papai Noel, quando por causa do erro no documento, a polícia invade violentamente a casa e leva o pobre homem preso para um interrogatório.

As cenas fantasiosas, com Sam voando e enfrentando criaturas sombrias, são geniais e não soam intrusivas. Pelo contrário, acrescentam muito a narrativa, e principalmente ao personagem. Além disso, Gilliam equilibra bem o humor do filme com momentos dramáticos, e para notar isso, basta pensarmos no destino da personagem que faz pláticas através de ácido, mas talvez o momento dramático mais impactante seja a triste cena em que Sam visita a casa da Sra. Buttle. Já os momentos mais engraçados vem com Ian Holm, na divertidíssima caracterização do chefe de Sam.

Misturando vários elementos de maneira brilhante, que caminham para um final melancólico e apocalíptico, Brazil - O Filme é uma obra inesquecível, que merece ser conferida.

NOTA: 10

Enron - Os Mais Espertos da Sala



Um documentário sobre a falência de uma das maiores corporações americanas dos últimos anos pode ser uma coisa que não nos interesse imediatamente. Aliás, talvez nem o povo de lá. O diretor Alex Gibney provavelmente sabia disso, e surpreendeu no conteúdo do filme: sim, está ali as histórias burocráticas sobre fraudes, números e blablablas, mas o mais importante é que o diretor humaniza os principais culpados, e faz de Enron não só um documentário burocrático sobre uma empresa, mas também uma tragédia humana, com toques interessantes de humor negro.

A Enron foi uma empresa que surgiu nos anos 80, criada por Ken Lay, que dizia vender fontes alternativas de energia, como gás natural. Nos anos 90, o polêmico Jeff Skilling entra na empresa. Nerdão com gosto por aventuras perigosas, acreditava que ter uma idéia era tudo, e a partir de ter a idéia, era necessário colocá-la em prática no mesmo momento.

O problema era que a Enron nunca apresentou um balancete decente para seus investidores, ou para o próprio governo. Isso gerava dúvidas em muitas pessoas, mas como a empresa "lucrava", e trazia lucro para outras, ninguém questionava. As aspas no "lucrava" são por um motivo: a empresa estava falindo a anos, e seus balancetes eram manipulados, para parecer que a empresa tinha altos lucros (o que consequentemente, aumentava o número e o valor dos investimentos).

Foi com uma matéria simples na revista Fortune que a jornalista (e linda) Bethany McLean fez uma simples pergunta: Como a Enron consegue seu dinheiro? A pergunta nunca foi respondida, e foi lançada no início da rápida queda da empresa. Jeff Skilling vende 200 milhões em ações, e sai da empresa para surpresa de todos, já que a tempos, insistia para que os funcionários investissem seu próprio dinheiro na empresa. Resultado: poucos meses depois, todos os chefões da empresa venderam suas ações, a empresa faliu, e o dinheiro dos funcionários e de todos os investidores sumiu, gerando uma investigação da qual até hoje, ninguém foi realmente condenado.

Alex Gibney traz uma forte marca visual para o filme: seus enquadramentos frequentemente tratam da dualidade, apostando em reflexos, brincando com a temática do filme de maneira inteligente. E algumas cenas são realmente brilhantes, como a narração que fala da rápida queda da empresa, enquanto vemos um homem em queda livre em um desfiladeiro, numa imagem de tirar o fôlego. Mas o grande golpe do diretor é mostrar áudios nunca antes mostrados dos traders que trabalhavam na empresa, que sadicamente comprovam como a Enron causou uma crise no setor de energia elétrica na Califórnia apenas para criar um enorme lucro (e a discussão sobre o lado negro do ser humano que o filme propões se torna fascinante).

O filme só tem problemas em sua primeira metade, principalmente quando coloca em evidência um excêntrico funcionário japônes que era viciado em strippers, já que, apesar de divertido, não acrescenta nada ao filme. Aliás, é interessante como os personagens de Ken Lay e Jeff Skilling ganham uma brava complexidade ao longo do filme, mas o terceiro culpado (que hoje é testemunha chave), se torna quase uma caricatura.

Enron: Os Mais Espertos da Sala é surpreendente em sua denúncia e divertido. Divertido? Sim, ou você não ri de um cara como Ken Lay que tem coragem de dizer: "Minha esposa e eu estamos muito tristes com isso. Nossa fortuna de centenas de milhões se reduziu a algumas dezenas..."; ou da empresa fictícia M. Yass? (Em caso de dúvida, tire o ponto, separe o y do nome e junte com o m).

NOTA: 8,5

Ensaio Sobre a Cegueira



Qualquer um que tenha acompanhado o blog de Fernando Meirelles sobre Ensaio Sobre a Cegueira observou a insegurança que cercava o diretor em torno do filme. E não estou dizendo nada negativo sobre isso: acompanhei o blog e sua insegurança é perfeitamente natural, pela própria natureza da obra que ele trabalhou. E a preocupação gigantesca de respeitar a essência do texto de José Saramago, e principalmente, agradar ao próprio Saramago. E talvez seja nessa preocupação que esteja a única bola fora de Meirelles.

A idéia (citando o que li no blog) era manter o segundo ato dividido entre a personagem de Julianne Moore e o personagem de Danny Glover, que é visto como alter-ego do escritor português. Aí que a coisa se perdeu um pouco. Na versão que assistimos, a narrativa predomina na personagem de Moore, mas com interferências pontuais de Glover. O resultado é que quando essas interferências acontecem, elas quebram a narrativa do filme, como a cena em que Glover liga o rádio AM: sua explicação para o que aconteceu é interessante (mas podia ser mostrado só com imagens), mas a narração em off durante a música que segue quebra o impacto da belíssima cena. Felizmente, esses tropeços ficam no segundo ato do filme, que quando acerta (no primeiro e no ato final), se torna mais um maravilhoso exemplar do diretor brasileiro.

Ensaio Sobre a Cegueira mostra uma epidemia de cegueira que atinje uma grande metrópole. Conforme ela se espalha, os infectados são colocados em quarentena. Apenas uma pessoa não é contaminada, a Mulher do Médico (Julianne Moore) que acompanha o marido (Mark Ruffalo), pensando que tudo irá acabar cedo. Com o tempo, cada vez mais pessoas se infectam e o local de quarentena fica lotado, fazendo com que as pessoas se organizem em lideranças improvisadas que funcionam bem, até que o personagem de Gael Garcia Bernal se nomeie Rei da Ala 3 e, portando uma arma, dê início a uma ditadura opressora, que dá início a estupros coletivos.

O diretor de fotografia César Charlone (parceiro habitual de Meirelles) faz o seu melhor trabalho até hoje. Utilizando uma claridade que chega a ser desconfortável, a fotografia mantém uma lógica visual impecável para o filme, e Daniel Rezende, o montador, mostra mais uma vez seu talento, criando transições surpreendentes e um bom ritmo.

Julianne Moore e Mark Ruffalo estão brilhantes em suas atuações, e seu arco dramático é brilhantemente ilustrado, muito menos com diálogos e muito mais com olhares (o que é irônico nesse filme...). Gael Garcia Bernal exagera na dose em seu personagem em alguns momentos, mas isso acaba funcionando bem. E se Alice Braga e Danny Glover encontram espaço para brilhar mais no terceiro ato do filme (na bela cena da fogueira) é o casal interpretado por Yoshino Kimura Yusuke Iseya se destacam, com sua história simples e comovente. 

Demonstrando seu potencial para se tornar um dos grandes diretores da atualidade, Fernando Meirelles pode ter escorregado em alguns momentos em Ensaio Sobre a Cegueira, mas a força do filme consegue perdoar os pecadilhos, que se comparados a ousadia e o talento do filme, ficam triviais.

NOTA: 8,5

Trovão Tropical



O filme é uma brincadeira de luxo (e das caras...) de todos os atores envolvidos para cima do star-system hollywoodiano, e nada mais que isso. Para nossa sorte, a brincadeira não é só interna e Ben Stiller e sua trupe criaram uma das comédias mais engraçadas da década, ao lado de Superbad.

Contando a história do filme Trovão Tropical, que está sendo rodado por um diretor britânico inexperiente (Steve Coogan), que não consegue controlar o ego de seus atores principais e com isso atrasa toda a produção e encarece cada vez mais o já estourado orçamento. No elenco estão Tugg Speedman (Ben Stiller), ator de filmes de ação que depois de trabalhar no fracassado Simple Jack, onde interpretou um deficiente mental, virou motivo de piada, e através deste filme tenta ganhar o respeito do público como ator; Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.), vencedor de 5 Oscars (!), que de australiano loiro e de olhos azuis, usa um processo de pigmentação da cor da pele para interpretar um soldado negro (e seu sotaque, é uma das melhores piadas do filme) e Jeff Portnoy (Jack Black), um astro de filmes ao estilo Eddie  Murphy, que tem sérios problemas com heroína.

O problema começa quando o diretor resolve colocar aos atores em ação de verdade, com várias câmeras escondidas na selva. Enquanto os atores acham que tudo faz parte do filme, um grupo de traficantes começa a persegui-los de verdade.

Contando com uma fotografia surpreendente (chegando a rivalizar com a qualidade de filmes de guerra de "verdade"), Trovão Tropical é a maior amostra do talento de Ben Stiller até hoje. Sua direção é marcante e surpreendente, e reflete seu perfeito timing cômico. O elenco está excepcional, e se alguém merece ser destacado esse alguém é... Tom Cruise! Com um vocabulário "requintado" o chefe de estúdio Les Grossman rouba a cena sempre que aparece, e suas cenas de dança já estão entre as melhores piadas da década.

Surpreendente e divertido, Trovão Tropical pode não ser o filme mais relevante do mundo para falar de temas sérios como a guerra, mas a quanto tempo não víamos Hollywood dar uma risada tão boa de si mesma?

NOTA: 9,5

Hellboy II - O Exército Dourado



O maior acerto de Homem de Ferro, foi manter o bom humor dos quadrinhos em sua versão cinematográfica, mas sem desrespeitar seu personagem. Esse acerto pode ser dividido com Hellboy, lançado em 2004, mas com bem menos alarde. Mas, convenhamos, por mais divertido que fosse, Hellboy é um filme bastante falho, que tinha sua força no personagem título, vivido com grande personalidade por Ron Perlman, já que até mesmo a direção de Del Toro ocasionalmente falhasse (principalmente no uso de personagens digitais).

Mas os anos passaram, Guillermo del Toro foi aclamado merecidamente com O Labirinto do Fauno, e o diretor volta ao mundo de Hellboy para uma aventura bem mais ambiciosa, tanto do ponto de vista narrativo quanto estético. Hellboy 2 mostra o personagem título e sua trupe combatendo uma versão bizarra dos contos de fada. Através de um pacto milenar com os elfos e humanos, o príncipe Nuada, revoltado com o que os humanos fizeram com o planeta, decide invocar o exército dourado para acabar com o domínio humano no planeta e devolver a glória a seu povo.

Bem mais a vontade para viajar na maionese (no melhor dos sentidos, acredite!), Guillermo del Toro demonstra sua invejável criatividade em vários momentos, principalmente no mercado troll, uma cena de dar inveja a George Lucas e Peter Jackson. Também merece destaque a gigantesca criatura verde, que mostra grande beleza ao ser destruída e o Anjo da Morte (que nos lembra a condição maldita de Hellboy perante o mundo, e que, provavelmente, serve de deixa ao terceiro filme). E, claro, o Exército Dourado do título é impressionante, e a grande batalha do filme é impressionante.

Aliás, Hellboy 2 merece indicações ao Oscar de Direção de Arte e Maquiagem. Trabalhos esplêndidos. O roteiro melhorou bastante em comparação com o primeiro, e explora bem seus personagens. O relacionamento entre Hellboy e Liz é plausível, e se torna o coração do filme. Aliás, mesmo o vilão do filme é bem caracterizados, com motivações justificáveis (algo que leva  próprio Hellboy a questionar qual o lado certo da questão durante todo o filme). O humor negro também continua a toda, merecendo destaque a bebedeira de Abe com Hellboy, cantando Barry Manilow.

Hellboy 2 não é espetacular, assim como o primeiro, mas é suficientemente divertido e macabro para ser lembrado, e fico desde já, bastante ansioso para uma continuação.

NOTA: 8

O Operário



O Operário só apresenta um problema. Infelizmente, ele é grande e compromete toda a experiência de assistir ao filme. O problema é que o filme se apresenta como uma trama misteriosa, cheio de pistas e sub-tramas que, logo de cara, já demonstra suas aspirações lynchianas. Nada contra esse tipo de filme (aliás, muito pelo contrário) mas o excesso disso no primeiro ato, faz com que vejamos o filme de maneira intelctualizada, sem nos envolvermos com o drama de Trevor Reznic, o tal operário. E se o filme sobrevive, é graças a intrigante direção de Brad Anderson e, principalmente, a bela interpretação de Christian Bale.

Trevor é um esqueleto humano com cavanhaque que nãodorme a um ano. Sua rotina é trabalhar, transar com uma prostituta e flertar com a atendente de um café. Sua rotina vai por água abaixo quando misteriosos bilhetes começam a ser deixados na sua geladeira e um tal de Ivan começa a se aproximar dele. Ivan o distrai no serviço, e Trevor acaba causando um grave acidente. Quando vai se defender, a surpresa: ninguém conhece o tal Ivan. Tentando se livrar da culpa pelo acidente que decepou a mão do companheiro de trabalho, Trevor vai atrás de Ivan, acreditando que há uma grande conspiração contra ele, ao acobertarem Ivan (e não é a toa que O Idiota de Dostoieviski seja citado).

Bale se entrega (talvez até demais...) ao personagem, e apenas olhar para ele, se revela uma experiência incômoda. O diretor, Brad Anderson, ciente disso, não deixa de nos mostrar detalhes incômodos do corpo do personagem, e cria um ambiente terrivelmente claustrofóbico. Jennifer Jason Leigh como Stevie a "prostituta de bom coração" é outro grande destaque do elenco.

Caso se preocupasse mais com seu complexo estudo da culpa, e menos com a necessidade de criar o mistério logo nos primeiros minutos, O Operário seria um filme muito mais interessante (e garanto que se cortassem a primeira cena envolvendo o tapete no início, o filme já se beneficiaria). Mas mesmo assim, é um longa memorável e emocionalmente exaustivo, que envolve bem o espectador.

NOTA: 8

JFK - A Pergunta que não Quer Calar



Dirigido pelo excelente Oliver Stone, JFK apresenta problemas semelhantes ao documentário Fahrenheit 11 de Setembro. Ou seja, ocasionalmente, suas denúncias as vezes soam como meras especulações multiplicadas ao cubo. Por exemplo, na cena em que um determinado personagem morre de causas naturais, o promotor Jim Garrison anda em cena e sugere ao espectador que o personagem era hipertenso, e pergunta ao médico o que um determinado remédio causaria a um paciente com essa doença.

Felizmente, ao contrário de Fahrenheit (que é sim, um excelente documentário, apesar de ocasionalmente falho) JFK pode (e deve) ser assistido não como um filme que remonta passo-a-passo uma grande conspiração, num quase ipsis-literis. JFK deve ser encarado como um projeto que mostra a sensação de insegurança e medo que tomou conta dos EUA no início dos anos 60, e que teve como estopim o assassinato do Presidente Kennedy em circunstâncias extremamente duvidosas por Lee Oswald, seguido pelo assassinato do irmão do presidente, de Martin Luther King e o início da Guerra do Vietnã, tudo de uma vez só.

Sim, Oliver Stone ocasionalmente cai no planfetarismo, mas isso não diminui a força desse filme que em suas mais de três horas de duração, jamais deixa a peteca cair, sempre impressionando o espectador, e junto com sua montagem nervosa e precisa, nos deixa com as unhas bem roídas. Seu estilo único de filmagem, misturando diferentes formatos, cai como uma luva para o filme (e diga-se de passagem, teve seu melhor momento neste longa).

Kevin Costner como o promotor Jim Garrison está na melhor atuação de sua carreira. Demonstrando uma presença de tela marcante, ele se mostra bastante eficaz no climax do filme, que é praticamente um monólogo do seu personagem no julgamento (que aliás, deve ser a melhor cena já concebida por Stone).

Brilhante do início ao fim, JFK é marcante não por mostrar provas irrefutáveis sobre uma grande conspiração contra Kennedy, mas sim, por mostrar que, de fato, houve um tempo em que a população sentiu que seu governo mentia, que a verdade estava sendo escondida. E a importância do filme reside nisso: para que certas perguntas não deixem de ser respondidas, por mais que isso demore.

NOTA: 10

Boogie Nights - Prazer Sem Limites




Esta história sobre a ascenção e queda de um astro pornô foi a primeira obra a dar atenção e notoriedade ao cineasta Paul Thomas Anderson, que havia despontado com Jogada de Risco e em seguida nos brindou com Magnólia, Embriagado de Amor e Sangue Negro. Boogie Nights é o filme mais "scorsesiano" de Anderson, em vários sentidos: os longos planos-sequência e a montagem que fica cada vez mais frenética conforme a história avança, mostram o quanto Scorsese (e principalmente, Os Bons Companheiros) influenciou na direção desta obra-prima.


Nos anos 70, Eddie Adams (Mark Walhberg) é um zé-ninguém de 17 anos que trabalha numa boate, e em um dia de trabalho é visto por Jack Horner (Burt Reynolds), um diretor de filmes pornográficos (ou "filmes exóticos" como ele chama). Horner vê algo em Eddie, e resolve transformá-lo num astro de seus filmes. Logo o "Coronel", o financiador dos filmes, sugere que o rapaz pense num novo nome, e ele acata a sugestão se se rebatiza como Dirk Diggler. E o rapaz manda bem com seu membro de 30 cm... O estrelato logo chega, e Dirk se torna o grande astro do cinema pornô.

Junto com eles, conhecemos também Amber Waves (Julianne Moore), a melhor das atrizes de Jack, que é vista como uma figura materna por todos os jovens atores, e vive a ironia de ter ordem judicial proibindo-a de ver o filho; Roller-girl (Heather Graham) é outra atriz, que jamais (mesmo!) tira seus patins, e sonha em ter um diploma, embora nem ela saiba porque; Reet Rothchild (John C. Reilly) um ator meio bobão que adora exibir truques de mágica, e se torna o melhor amigo de Dirk; Buck Swope (Don Cheadle) outro ator, mas que sonha em abrir sua loja de sons "hi-fi", e parece estar sempre em busca de um visual novo; Little Bill (Willian H. Macy) o assistente de direção dos filmes, único que parece realmente interessado na parte técnica e artística do filme, e que convive com as infidelidades públicas da esposa; e Scotty (Phillip Seymour Hoffman) o assistente faz-tudo dos filmes, que é apaixonado por Dirk.

Todos eles vivem seu grande auge com drogas, música e sexo, numa fase de felicidade eterna, que tem fim no início dos anos 80, através de um marcante plano-sequência. É aí que chega o "video", que acaba com a magia da filmagem em película, reduz o dinheiro, o vício em drogas começa a atrapalhar as performances de Dirk, que briga com todos e é obrigado a se prostituir, enquanto o Coronel é preso por pedofilia e todas as desgraças possíveis começam a arrebatar os personagens: o sonho colorido apresentado no início, vira um pesadelo rápido e frenético.

Falar nas atuações do filme é complicado. É impossível fazer justiça a qualidade aqui apresentada por todos. Basta dizer que neste filmes temos as melhores atuações de Mark Walhberg, Burt Reynolds e Heather Graham (Reynolds concorreu ao Oscar de ator coadjuvante por esse filme).

Quanto a direção, Paul Thomas Anderson, a essa altura do campeonato deveria dispensar comentários, mas vamos lá. A segurança com que o diretor conduz o seu filme já pode ser visto nos minutos iniciais do filme: Um som instrumental que parece anunciar algo trágico é tocado em um fundo preto, sendo interrompido bruscamente por uma música disco, em um longo plano sequência que acompanha a entrada de uma boate; e nesse plano-sequência somos apresentados à os principais personagens do filme. Trabalho estupendo, que só viria a melhorar em Magnólia e (principalmente) Sangue Negro.

Com sua cena final (homenagem clara a outro filme de Martin Scorsese, Touro Indomável), Boogie Nights é a obra responsável por levar os olhos de milhões de amantas da sétima arte, a acompanhar aquele que é o melhor diretor dos últimos tempos. E a impressão que tenho é de que era essa a idéia de Paul Thomas Anderson. Nunca admirei tanto a falta de modéstia de uma pessoa.

NOTA: 10

O Nevoeiro



Adaptar Stephen King não parece ser tarefa fácil. Suas histórias embora sempre trabalhem com temas sobrenaturais, acabam utilizando esse elemento como um disfarce para o que o autor realmente quer dizer. Ocasionalmente, suas obras oferecem uma forte tendência ao absurdo e, ao adaptar esses absurdos (que normalmente vem no terceiro ato) o cineasta tem duas escolhas: disfarçar e criar seu próprio desfecho, como Stanley Kubrick em O Iluminado, ou abraçar a fidelidade a obra, mas achar a forma que o absurdo da situação se converta em um ponto a favor ao filme, como Frank Darabont fez em A Espera de um Milagre, e agora em O Nevoeiro.

Adaptado de um conto, o filme conta a simples história dos habitantes de uma pequena cidade nos Estados Unidos que acabam presos em um super-mercado quando uma forte névoa cobre a cidade. Nessa névoa, eles percebem que existe uma ameaça terrível.

Apesar de ser um pouco "veterano" ao adaptar Stephen King, Frank Darabont (que adaptou também Um Sonho de Liberdade) trabalha pela primeira vez com a faceta de suspense do autor, e não decepcionou: O Nevoeiro é tenso e assustador, e não se intimida em utilizar forte violência para mostrar o desespero da situação (algo que faltou a Spielberg no seu A Guerra dos Mundos, por exemplo).

Como em suas obras anteriores, arranca performances extraordinárias de seu elenco, destacando Marcia Gay Harden como o Edir Macedo de saias, e Thomas Jane, ator normalmente inexpressivo, mas que aqui carrega o filme com forte presença na tela, e exibindo forte segurança ao interpretar com o jovem Nathan Gamble, também extraordinário como o filho de Thomas Jane.

É claro que, como grande parte dos filmes baseados na obra de King, há coisas que nõ funcionam (especialmente quando se é fiel a obra): como o primeiro ataque no mercado (tentáculos? pfff...) ou o visual afeminado do militar (que, não dúvido, vem do conto original), mas o filme tem acertos suficientes para eclipsar isso: o ataque noturno, uma cena bagunçada (no bom sentido) que é aterrorizante, assim como a primeira saída de alguns personagens a farmácia, que fica logo ao lado do mercado.

Mas é no final que Frank Darabont e Stephen King elevam O Nevoeiro a última potência, criando um final muito mais apavorante do que poderíamos imaginar: numa obra que lida com monstros e fenômenos sobrenaturais, é incrível que o filme consiga trazer tantas discussõas éticas-religiosas-políticas e levar as pessoas a sair do filme com aquele gosto ruim na boca. Extremamente corajoso e bem mais aterrorizante do que qualquer um pode imaginar, o final de O Nevoeiro é provavelmente, um dos grandes momentos do cinema de terror contemporâneo.

NOTA: 8,5

O Profissional



Leon é um assassino profissional eficiente, que se dá ao luxo de cobrar $5.000 por cabeça. Ele mora num prédio, ao lado do apartamento de um pai de família que trabalha com drogas, e tem uma filha fumante e simpática de 12 anos, com quem conversa ocasionalmente nos corredores. Um dia, porém, alguns homens chegam junto com o assustador Stansfield (Gary Oldman) para um um massacre. A garota, porém, havia ido no mercado e ao ver a família morta, vai para a porta de Leon. Ele abre e os dois desenvolvem uma curiosa amizade.


O Profissional tem seus problemas: as vezes exagera demais no humor de algumas cenas (com a que envolve o fantoche), mas isso provavelmente é culpa de Luc Besson. Ele é um bom diretor, mas tem uma tendência natural ao exagero na direção de cena (só lembrar de O Quinto Elemento, por exemplo). E é curioso observar que esse é provavelmente seu filme mais discreto, e bem dirigido, tanto nas cenas de ação (a cena do massacre da família), quanto em diálogos, como o primeiro confronto entre Stansfield e o pai da garota.

Mas o filme tem força mesmo no trio de atores principais: Jean Reno, como Leon dá uma performance excelente. Criando um personagem inicialmente assustador, ele demonstra bem a quebra emocional do personagem quando a garota Mathilda entra em sua vida (e o diretor podia compreender isso e não ficar martelando a metáfora da planta criando raízes também). Natalie Portman novinha que só, demonstra o talento que conferimos hoje em dia em filmes como Closer: mesmo quando sua personagem é boicotada pelo roteiro, a atriz mantém uma seriedade impressionante e acaba nos convencendo de suas ações.

Mas é Gary Oldman como Stansfield que rouba a cena. Extremamente exagerado, Oldman não tem medo de atuar cheio de maneirismos, criando um personagem cuja presença na tela diverte, mas também nos mantém tensos. Por exemplo, sempre antes de se preparar para matar, ele toma uma pílula, e sua reação ao tomar a pílula é hilária, mas também assustadora.


O Profissional é uma pequena obra-prima do cinema de ação, que infelizmente é meio esquecida hoje em dia. Até eu já tinha esquecido, e só assisti porque passou na TV. Mas valeu a pena. Não sou grande fã de filmes de ação, mas as vezes saem alguns com um grande pitado de inteligência e emoção que nos surpreende. E esse, é definitivamente o caso desse filme, mesmo não sendo perfeito.

NOTA: 8

Real Time Web Analytics