Enquanto Ela Está Fora


Tá aí uma bela porcaria que nem precisamos assistir. Afinal, o genial departamento de marketing do filme conseguiu contar toda a história no trailer. Verdadeiros gênios. Não sei quem dirigiu, só sei que tem a Kim Basinger, e nem quero saber do resto pra não pegar raiva. Então, faça como eu: perca dois minutos de sua vida, e evite gastar duas horas e o preço da locação:

 

Um Beijo Roubado



Quem fez o elenco de Um Beijo Roubado merece um prêmio. Jude Law, Rachel Weisz, David Strathairn e Natalie Portman. Uau. Reunir quatro talentos tão distintos não deve ser tarefa fácil. Mas o elogio acaba aqui. Os quatro atores acima são coadjuvantes de Norah Jones. Nada contra a cantora, que claramente se esforça com sua personagem. Mas o papel exigia alguém com mais experiência.

Basta comparar qualquer cena de Norah com alguma das poucas vezes que Rachel Weisz aparece no longa. A inglesa praticamente apaga a cantora de cena. Aliás, é de Weisz e David Strathairn a história mais tocante e sensível do filme, e é realmente lamentável que a trágica história do casal seja tão pouco desenvolvido no filme. Pessoalmente, eu preferia que a históra se focasse mais no casal, que é muito mais interessante que o resto.

Aliás, o roteiro do filme por mais inspirado que seja (e de fato, é), acaba sendo um pouco ingênuo demais em alguns momentos e... bobinho em outros, isso principalmente quando a personagem de Natalie Portman entra em cena. Por mais que a atriz se esforce, sua história não convence e tem um desfecho realmente decepcionante.

Mas é nas cenas com Jude Law (e, como já disse, na história de Weisz e Strathairn) que o filme ganha sua inegável beleza. O diretor Wong Kar Wai mais uma vez demonstra sensibilidade e talento especial para a composição de quadros, principalmente no uso de cores (e a fotografia é maravilhosa). Mas no fim das contas, é preciso admitir que em si, o filme jamais supera os anteriores do diretor.

NOTA: 7,5

The Bad Lieutenant (Trailer)

Werner Herzog finalmente vem ganhando a atenção dos cinéfilos que merece, graças ao sucesso do documentário O Homem-Urso e seu primeiro filme americano, O Sobrevivente (PS: Cade o Encontros no Fim do Mundo? Alguém pretende lançar um dia?). Agora o cineasta ataca com um elenco de peso num filme policial. O trailer já dá uma adiantada no quanto o filme deve ser esquisito. Vale uma conferida e aguardar a estréia, que está marcada no Brasil para dia 21 de agosto:


A Doce Vida



Já li inúmeras teorias sobre o significado desse filme de Federico Fellini. Uns dizem que é sobre os sete pecados capitais, outros uma crítica ao forte catolicismo da época... Eu só consigo dizer que minha identificação com Marcello (Marcello Mastroianni) é total. Seu personagem, extremamente complexo, dividido entre o jornalismo (um trabalho simples e bem remunerado) e a devoção a sua verdadeira paixão, a literatura é a mesma pela qual eu me sinto dividido. O filme tem um roteiro fragmentado, com cenas sem início ou fim. Para Fellini, o público deve apenas reagir ao que Marcello está passando. Não interessa como ele chegou ali, ou como saíra dali.

Entre estes fragmentos de vida, estão a breve relação de Marcello com a atriz Sylvia (Anita Ekberg), o reencontro do protagonista com um velho amigo casado e pai de duas crianças, cujo desfecho impactante e surpreendente tem grande impacto em Marcello. Há também as curiosas relações do personagem com seu pai e com sua esposa; Em seu pai, Marcello busca afeto a todo momento, e o recebe, mas existe uma barreira invísivel entre o dois que é mostrada de maneira genial na cena em que seu pai sofre um ataque e decide voltar para casa. E em sua esposa, Marcello parece pressionado pelo excesso de afeto que recebe. Se diz sufocado pelo amor fraterno. Essas relações ainda seriam trabalhados na obra-prima que seguiu este filme, Fellini 8 e 1/2.

Fellini cria algumas das cenas mais célebres do cinema italiano nesta obra, como a declaração de amor de Marcello para Madalena e, é claro, Anita Ekberg na Fontana di Trevi, cena mais celebrada do filme. E Marcello Mastroianni está no auge de seu talento. Não apenas o considero o melhor ator europeu da história, como provavelmente, um dos melhores do mundo.

Complexo em sua simplicidade e claramente apaixonado por Roma, Federico Fellini criou um filme de ambiguidade tão grande que até mesmo hoje, ninguém sabe exatamente se o título A Doce Vida é irônico ou uma afirmação. Eu acredito que Fellini não pensou em si ao dar nome a obra: talvez caiba ao público passar pela experiência, e decidir o que o título significa.

NOTA: 10

Watchmen - Contos do Cargueiro Negro



Foi lançado a algum tempo o DVD que complementa a experiência do filme Watchmen (do qual, estou devendo um post, eu sei). O DVD contém a animação Contos do Cargueiro Negro, baseado na HQ dentro da HQ da história, e um documentário sobre o livro Sob o Capuz escrito pelo primeiro Coruja. Então analizemos os dois separadamente:

Contos do Cargueiro Negro: Sinceramente, eu esperava mais, mas não fiquei decepcionado com o resultado no geral. A animação é boa, mas para por aí. Não há nada visualmente fantástico, fora o próprio Cargueiro Negro. Gerard Butler mas um excelente trabalho na dublagem do personagem principal, e o roteiro é corajoso ao manter os diálogos mais complexos da história.

NOTA: 7,5

Sob o Capuz: Um genial mockumentary, que mostra a dedicação que os atores do filme tiveram. Principalmente Carla Gugino, que tem a chance de mostrar mais seu talento (já que foram tão poucas cenas no filme). Todos os diálogos foram improvisados pelos atores e o resultado é que até mesmo o relacionamento entre Sally Jupiter e seu empresário ganha complexidade.

NOTA: 9 

Scherlock Holmes (Trailer)

Não sei ainda se gostei do trailer de Sherlock Holmes... Por um lado, as gags envolvendo Robert Downey Jr. são bastante inspiradas. Mas não sei se o estilo de Guy Ritchie vai se encaixar bem em um filme de época... enfim... é esperar e ver. Mas que o trailer é divertido (principalmente a cena do martelo) ah, isso é.


Nossa Vida Sem Grace




Stanley Phillips é um dedicado trabalhador numa loja em uma pequena cidade do interior dos EUA. Também é um pai dedicado de duas pequenas garotas. Sua esposa, Grace é soldado no exército americano e está na guerra do Iraque. A relação dos dois se resume a telefonemas em que um mal consegue ouvir o outro. Então, quando num dia dois homens do exército batem na porta de Stanley, ele já sabe o que houve mesmo antes que os soldados digam: Grace morreu no combate. Apavorado com a notícia, e pior ainda, apavorado de contar as suas filhas que a mãe delas está morta, Stanley decide tomar uma decisão inusitada: resolve viajar com elas para longe de qualquer um que saiba da notícia e leva suas filhas para um parque onde elas sempre desejavam ir, tentando ganhar tempo para o inevitável momento em que terá que contar a verdade.

Com uma história simples e comovente como essa, o diretor novato James C. Strouse poderia muito bem fazer aquela salada de sempre com músicas melosas e típicas de dramas americanos, mas ele vai pelo caminho mais difícil durante todo o filme: passando pela crise do início de adolescência do filme, até duras críticas a guerra no Iraque (mesmo que homenageie a vida perdida dos soldados), Strouse ainda dá um curioso tom cômico e doce ao filme, contando com isso com a maravilhosa atuação de John Cusack, que interpreta Stanley como um sujeito atrapalhado e inconsequente, mas que em nenhum momento nos faça desconfiar da dedicação e amor pelas filhas e a esposa.

Inexplicavelmente, esta pequena obra-prima do cinema lançada nos cinemas americanos em 2007 (e premiado em vários festivais) passou em branco nos cinemas brasileiros. Só em abril desse ano, Nossa Vida Sem Grace foi lançado em DVD, e mesmo assim sem alarde. Uma pena, já que se trata de não apenas um dos melhores dramas dos últimos anos, como a melhor atuação de John Cusack em sua já brilhante carreira, que estava meio perdida desde que estrelou a excelente comédia Alta Fidelidade.


NOTA: 9

PS: Clint Eastwood (sim, O Clint Eastwood) gostou tanto do filme que compôs a trilha sonora do filme... e de graça! 

Presságio



Presságio é o filme-catástrofe mais corajoso que Hollywood já produziu. Ponto.

Dirigido por Alex Proyas e protagonizado por Nicolas Cage, o filme usa de uma história simples e intrigante para disparar perguntas complexas e desafiadoras ao público. Cage é um cientista que vai a uma celebração na escola do filho onde cápsulas do tempo serão desenterradas. Seu filho abre uma cápsula onde em vez de um desenho, há uma série de números. Algum tempo depois, com a ajuda do Google (merchandising mode off) ele percebe que os números fazem referência a grandes desastres ocorridos no planeta desde o dia em que a cápsula ocorreu. E não apenas as datas: os números revelam o número de mortos e alguns outros dados (evitemos spoilers, ok?).

A medida em que a narrativa prossegue, a história se revela cada vez mais intrigante. Se de início o filme apresenta a questão do Determinismo X Livre Arbítrio, o filme desenvolve a pergunta usando de referências religiosas e científicas. E não se assuste, pois Presságio desenvolve tudo com inteligência.

Alex Proyas dirige o filme com um visual muito mais discreto do que ele já havia apresentado em Cidade das Sombras e Eu, Robô por exemplo. Mas em seus momentos de visual forte, ele demonstra todo seu talento, como no sonho do menino e na magnífica cena envolvendo um avião.

Muitos reclamam do final do filme, que não apenas considero extremamente corajoso, tematicamente, principalmente, mas também corajoso em ir onde nenhum filme-catástrofe havia ousado: afinal, se é pra quebrar tudo, quebra tudo. Mas a esperança sempre fica.

NOTA: 9,5

The Road (Trailer)

Se tem um filme atualmente que já destruiu minhas unhas de ansiedade para assistir, este filme é The Road. Dirigido por John Hillcoat (do maravilhoso A Proposta) e protagonizado por Viggo Mortensen e Charlize Theron, The Road conta a história de um pai e seu filho tentando sobreviver ao caos que o mundo virou depois que um grande desastre aconteceu no planeta. A trilha sonora é do sempre genial Nick Cave e o filme é baseado no livro de Cormac McCarthy, que também escreveu Onde os Fracos Não Têm Vez e Meridiano Sangrento.

Sério... com um time desses... quem não fica ansioso assim? O filme estréia no final do ano. Confiram o trailer:


O Escafandro e a Borboleta





Em quase dez anos de carreira no cinema, Julian Schnabel tem apenas três filmes: Basquiat (do qual não sou muito fã) e Antes do Anoitecer que eu admiro muito. Mas nada no mundo me prepararia para esta obra-prima do cinema que é O Escafandro e a Borboleta. Baseado no livro homônimo escrito por Jean Dominique Bauby de uma situação nada convencional: O escritor sofreu um derrame que o provocou a rara Síndrome Locked-In, na qual a pessoa fica presa em seu corpo, sem poder mover nenhuma parte do corpo. Como ele escreveu o livro? A fonoaudióloga que cuidava de seu caso desenvolveu um alfabeto para ele enxergar, e através das piscadas de olho, ele ia "ditando".

Schnabel e o roteirista Ronald Harwood (que escreveu outra obra-prima, O Pianista) colocam o espectador dentro da mente de Jean Dominique. Filmado quase todo em plano subjetivo, o filme passa a sensação forte de claustrofobia, criando cenas extremamente angustiantes (como quando o olho de Jean é costurado). Mas essa sensação aos poucos é deixada de lado, quando o personagem decide parar de ter pena de si mesmo. E assim, nasce uma das lições de vida mais belas que já pude conferir no cinema (e acredito que nem mesmo Jean Dominique sabia da importância do que estava escrevendo, transformando seu rito de vida e morte em arte).

As atuações no filme são absolutamente incríveis, e até mesmo a musa e esposa de Roman Polanski, Emmanuele Seigner (normalmente, uma atriz regular) causa grande impacto. Mas é claro que o mérito principal cai em Mathieu Amalric, numa atuação brilhante, que merecia ter sido mais premiada do que foi. E é claro, é sempre bom rever Max Von Sydow. Quanto talento este homem possui! Em suas poucas cenas, o ator demonstra a inteligência e sensibilidade que marcaram toda a sua carreira.

Provavelmente, O Escafandro e a Borboleta vai ser muito lembrado assim que as listas de "melhores filmes da década" surgirem. E méritos para isso, não lhe faltam.

NOTA: 10

Real Time Web Analytics