Eu, Robô (Transformer, no caso...)


Não é porque o filme é uma bosta que a gente não pode se divertir, certo?


UPDATE: Meu filho em versão Transformers:


(Dica de Luiz Silveira)

Sob Controle



Filho de peixe, peixinho é... mas e filha de David Lynch? Jennifer Lynch já havia estreado no cinema no início dos anos 90 com o esquisito Encaixotando Helena (outro filme que até hoje, não sei se gostei). Na época, foi acusada de simplesmente abusar do nome do pai para fazer bizarrices. Acabou ficando quase 15 anos sem dirigir nada até este Sob Controle, do qual papai é produtor executivo. Só que ela não se distancia do cinema do pai, tanto assim. Os insuportáveis silêncios das obras de Lynch pai, por exemplo são muito bem usados aqui. Só parece acrescentar um pouco do cinema sobre cinema de Brian DePalma: o olhar de um personagem sobre uma cena já pode mudar todos os fatos.

Sob Controle merece ser assistido sem que o público não tenha a menor idéia do que está por vir, então nem sinopse eu vou escrever. Só vale dizer que não lembro de ter gostado tanto de Bill Pullman tanto em algum outro filme. Considero ele um ótimo ator, mas aqui ele está perfeito.

O filme é violento e cru, usando de um perverso humor negro que deve espantar algumas pessoas. E garanto que David Lynch deve estar orgulhosíssimo da filhota. E, dessa vez, ela merece.

NOTA: 9

Gomorra



Gomorra é uma espécie de Traffic, fazendo um panorama geral na máfia italiana, seguindo diversos personagens e suas ligações com o crime. Começa de maneira esplêndida, escancarando a vaidade e a violência, tradicionais elementos dos gângsters. Aqui porém, não há a força de Don Corleone e afins. Os Dons são quase comparáveis ao Zé Pequeno. Todos chefes de partes da cidade que só cuidam para que ninguém saia da linha.

Seu único defeito é demorar a estabelecer a história de seus personagens, e as vezes abandonar alguns deles por tempo demais. Mas quando chega no magnífico ato que encerra a projeção, o filme exibe toda sua força. O clímax é absolutamente forte e impactante. O estilo narrativo do filme, aplicado por seu diretor Matteo Garrone é perfeito, feito em maioria com câmera na mão e rodado em longos planos sem cortes. E seu final demonstra bem a coragem do realizador. Acaba sem qualquer glória ou redenção.

Gomorra, enfim, é um desses filmes que parece ecoar em nossa mente como um grito desesperado, algo como Terra de Ninguém ou Paradise Now. Não é agradável de assistir, mas é necessário.

NOTA: 10

Across the Universe



Um musical composto só por músicas dos Beatles já é uma grande idéia, mas a diretora Julie Taymour quis fazer mais, com resultados não tão grandiosos. O romance e a história dos personagens em nenhum momento se desenvolve de maneira interessante, então ninguém se importa com eles. Além disso, por mais bem feito que seja, chega uma hora que o filme cansa e parece não querer terminar nunca.

Pelo lado positivo, as versões das músicas se encaixam perfeitamente no visual desenvolvido pela diretora. Across the Universe é estonteante, lindamente fotografado e coreografado. Julie Taymour já havia dirigido o fraquinho Frida, e mostrado que seu forte é o visual, e não o emocional. Mas nesta obra, ela se aprimora, talvez por não depender apenas do roteiro, mas também de músicas, todas maravilhosas (com a exceção da chatinha versão de For Benefit of Mr. Kite).

O elenco está ok, mas não há como elogiá-los pelos poucos bons momentos isolados de cada um. As participações de Bono e Salma Hayek chamam muito mais a atenção, o que é uma pena. Mesmo assim, vale ser visto, afinal, não é sempre que vemos um filme com uma proposta tão boa e com um visual tão bonito.

NOTA: 7

O Sinal



O filme não é TÃO ruim. É claro que começar um texto dizendo isso não quer dizer coisa boa. De qualquer forma, O Sinal parece aquele curta feito por universitários para mostrar aos professores e colegas "Olha nossos enquadramentos!, olhem!". E como esses filmes, não tem muito a dizer. Começa com uma cena sem qualquer propósito numa cabana, para depois mostrar uma pandemia numa cidade causada por um sinal emitido por aparelhos eletrônicos. A mensagem é óbvia e bobinha. O resultado final parece um híbrido de Todo Mundo Quase Morto com Vídeodrome.

De início, se apresenta como um filme sério, caindo cada vez mais numa comédia, quase besteirol. E é nesses momentos que o filme atinge alguma graça. Infelizmente cai naquela coisa: Não é trash assumido, e se fosse, não tem gore o suficiente; é engraçado, mas não tem cara de comédia; é terror, mas não assusta. Mas enfim, tem seu charme.

NOTA: 6

Marley & Eu



Curioso... ontem assisti um filme que considerei um passatempo descartável (O Amor Não Tira Férias), e hoje assisti um filme que, mesmo sem ter assistido, já o considerara o mesmo. Enfim, Marley & Eu acaba surpreendendo quem gostaria apenas de um passatempo descartável, justamente por não ser apenas um filme sobre um cachorro: é, na verdade, um drama familiar instigante que, oras bolas, tem um cachorro no meio.

Owen Wilson e Jennifer Aniston carregam muito bem o filme com sua química invejável, mas o show mesmo é de Aniston, que cria uma personagem complexa por suas qualidades, e principalmente, por seus defeitos. E falando no elenco desse filme, indispensável dizer o quanto é um prazer ver Alan Arkin trabalhando. Que ator sensacional!

Enfim, o filme tem seus momentos de excesso na água-com-açúcar, mas sobrevive graças a boa estruturação dramática do roteiro. A montagem do filme também ajuda a desenvolver de maneira fascinante a narrativa, fazendo com que a passagem dos anos soe natural.

Contando com um final realmente emocionante, Marley & Eu pode não parecer mais do que uma comédia dramática convencional, mas tem o coração no lugar certo, e as vezes isso já é o suficiente.

NOTA: 8

O Amor Não Tira Férias



Perfeito exemplo de como uma atuação pode arruinar todo um filme. Cameron Diaz detona O Amor Não Tira Férias, um longa que já conta com um roteiro fraquíssimo, mas que ganha charme com Kate Winslet e Jude Law em excelentes interpretações. Aliás, até mesmo Jack Black se sai bem, evitando as caretas de sempre. O filme de Nancy Meyers é fraquinho que dói e conta com um momento ou outro mais inspirado, mas é sempre água-com-açúcar. Não ofende a inteligência, mas não acrescenta nada. A trama paralela vivida pelo ator Eli Wallach como um roteirista aposentado é o que há de melhor. Mas dá pra sobreviver sem assistir.

NOTA: 5

Medo e Delírio



Hunter S. Thompson foi um dos escritores mais importantes na época da contra cultura nos Estados Unidos, em meados da década de 70. Ao ser enviado pela revista Rolling Stone para escrever uma matéria sobre a Mint 400, uma corrida de motos patrocinados pelos ricaços de Las Vegas, Thompson resolveu usar de seu estilo único de escrita: misturando alucinações provocadas pelas drogas e narrando tudo a sua volta com seu olhar cínico e perturbador, Thompson, meio sem querer, na obra Medo e Delírio em Las Vegas acabou realizando o livro que descreveu perfeitamente a sensação de derrota nos Estados Unidos no início da década de 70. Estão lá a decadência, o fim do "Paz e Amor", a presença "maldita" de Nixon e, principalmente, o fantasma da Guerra do Vietnã.

A adaptação para o cinema de Terry Gilliam conserva todo esse clima durante a narrativa. O problema é que o público parece enxergar apenas a esquizofrenia do filme: as atuações afetadas de Johnny Depp e Benicio Del Toro, os cenários coloridíssimos e os movimentos de câmera inusitados de Gilliam.

Vale lembrar que Gilliam fazia parte do Monty Python, e a sombra dos filmes do grupo se mostra forte neste seu filme, já que até a narrativa episódica lembra o estilo de A Vida de Brian e O Sentido da Vida, por exemplo. Outra forte influência do diretor é Federico Fellini. Os enquadramentos e composições inusitadas do diretor italiano são claramente influência em Gilliam, e aqui se mostram fundamentais.

Johnny Depp está perfeito interpretando Thompson, e quem já havia visto esse filme antes de Piratas do Caribe, sabia que os tiques e exageros de suas interpretações funcionam muito bem. Benicio Del Toro, 18 quilos mais gordo no filme dá um show, em especial na inusitada cena em que pede ao amigo que jogue o rádio na banheira onde está.

O filme não foi muito bem recebido por crítica e público, mas vale a pena assistir, nem que seja só para conhecer o estranho mundo em que vivia Hunter S. Thompson, criador do saudoso Jornalismo Gonzo.

NOTA: 9,5

Hunter S. Thompson, Werner Herzog e Bill Maher

Acabo de assistir a Medo e Delírio de Terry Gilliam (amanhã publico o texto sobre o filme) e lembrei de uma coisa. O que fizeram com o filme Gonzo: The Life and Work of Sr. Hunter S. Thompson?

A dificuldade de documentários interessantes chegarem as telonas, e até nos dvd's está complicando. Com isso, acabei lembrando: e Encontros no Fim do Mundo de Werner Herzog (documentário lançado logo depois do sucesso de O Homem-Urso)? Ou Religulous estrelado pelo engraçadíssimo Bill Maher e dirigido por Larry Charles, que realizou Borat?

Enfim, post meio desabafo, mas aproveito pra deixar os trailers dos filmes aqui para quem se interessar. E só pra não dizer que não falei das flores (haha...): Nessas horas que eu penso... pô.... as distribuidoras estão realmente afim de estimular o download de filmes, não é mesmo? Só pode ser isso...

Gonzo: The Life and Work of Dr. Hunter S. Thompson:



Encontros no Fim do Mundo:



Religulous:


World Greatest's Dad - Trailer

Sou fã incondicional de Robin Willians, mas que ele anda devendo uns filmes bacanas, isso é inegável. Aparentemente, depois de ver o trailer de World Greatest's Dad, acredito que a dívida esteja paga. Mas o que me chamou a atenção no filme na verdade foi a sinopse (que encontrei no Cinema em Cena): Lance é um professor de poesia que, depois de perder o filho em um estranho acidente de masturbação, decide escrever um falso bilhete de suicídio para evitar constrangimentos na família. Quando o bilhete é publicado sem sua autorização, fazendo muito sucesso, ele decide retomar sua carreira de escritor ao escrever um falso diário do seu falecido filho. 

Trailer abaixo:


Luz nas Trevas - A Volta do Bandido da Luz Vermelha - Trailer

O Bandido da Luz Vermelha dirigido por Rogério Sganzerla é um tesouro do cinema nacional. Porque diabos ele resolveu fazer uma continuação, não quero nem saber. Sobre o vídeo, só digo que talvez o termo "vergonha alheia" tenha sido criado para ele. As mulheres são deslumbrantes, e a oportunidade vê-las nuas deixa o trailer um pouco melhor... mas a participação especial de... er... Thunderbird e as cenas com Ney Matogrosso cantando... bem... vocês decidem...


A Cartada Final



A Cartada Final é um filme para quem curte cinema. Criar uma história apenas para colocar três dos melhores atores de suas respectivas gerações disputando um cetro em si, já é uma boa piada metalinguistica. Pena que em alguns momentos, o filme se leve a sério mais do que deveria, afinal é um filme de roubo clássico do tipo "Não confie em ninguém". Mas o diretor Frank Oz pesa a mão em dramas desnecessários, e que só ganham graça porque... bem... Marlon Brando, Robert DeNiro e Edward Norton estão em cena.

Marlon Brando está divertidíssimo em cena, parece brincar com sua persona, e são com ele os melhores momentos do filme. DeNiro basicamente repete o sujeitão quieto e competente de sempre, e Edward Norton aproveita ao máximo seu personagem para estar a altura dos dois monstros que protagonizam o filme com ele. Curioso, porém, é que sua composição mesmo sendo a mais esforçada, seja a menos memorável. Não menos competente, porém. O fato é que Brando e DeNiro estão tão a vontade que nem importa o que seja dito em suas cenas. O prazer de vê-los atuar tão seguros de si é inigualável. As cenas entre os três atores são as melhores do filme.

Quanto ao resto, as cenas de ação são apenas regulares, embora o diretor Frank Oz consiga criar um bom clima para a narrativa. Infelizmente, nada realmente digno de nota. O negócio é assistir ao show dos atores com um baita sorriso de canto.

NOTA: 6,5

As Bruxas de Salém



Por mais bem escrito, dirigido, montado e fotografado que seja, a força de As Bruxas de Salém está no excelente desempenho do elenco, que consegue fazer até mesmo que alguns diálogos menos inspirados ganhem força. Inclusive o diretor Nicholas Hytner parece ter uma forte queda por adaptar peças de teatro (esta é obra de Arthur Miller), o que explica sua boa direção de atores, e infelizmente a parte que enfraquece seu projeto: obviamente, a teatralidade de algumas cenas.

O filme é centrado em John Proctor (Daniel Day-Lewis), um fazendeiro que mora nos arredores de Salém e observa a movimentação de algumas jovens que alegam ver espíritos e começam a acusar vários cidadãos de compactuar com o demônio. A líder das garotas, Abigail (Winona Ryder) foi uma criada de Proctor, e estabeleceu um breve romance com ele, sendo expulsa da casa pela esposa dele, Elizabeth (Joan Allen). Quando Abigail acusa Elizabeth de bruzaria, Proctor é obrigado a enfrentar os absurdos julgamentos que ocorrem na cidade.

Aliás, John Proctor é um protagonista impressionante, e a atuação de Daniel Day Lewis é o que o filme tem de melhor. Inicialmente contido e com óbvia sensatez quanto ao que ocorre no local, Lewis retrata maravilhosamente bem a crescente desespero de seu personagem em encontrar alguma saída para a situação, culminando na magnífica cena em que Proctor não permite que usem sua assinatura para um papel a ser colocado na porta de uma igreja. Joan Allen mostra também grande sensibilidade e sua atuação contida faz com que suas últimas cenas sejam outros pontos fortes do filme.

Infelizmente, a natureza teatral da qual o filme tem origem se mostra mais presente do que o necessário, e isso acaba incomodando no primeiro ato da história. Felizmente, o filme se desenvolve bem, principalmente nas impressionantes cenas no tribunal. E seu brilhante desfecho deixa uma forte marca no espectador.

NOTA: 8,5

Nine Inch Nails - Only

Comecei a ficar fã de Nine Inch Nails a pouco tempo, mas já conheço o trabalho deles a bastante tempo. Principalmente pelos videoclipes, todos excelentes. Mas este clipe da música Only, com certeza se destaca. Não é a toa, aliás: o diretor do clipe é David Fincher. Música sensacional e clipe absurdo de bem feito.

Fim dos Tempos



Eu consigo resumir bem o que dizer sobre Fim dos Tempos: M. Night Shyamalan, GO FUCK YOURSELF!!!

Ok... respira... 1, 2, 3...

Enfim, se puder, evite assistir essa desgraça (que já veio seguida de outra desgraça, A Dama na Água). Não dá pra acreditar que o cara que fez filmes excelentes como O Sexto Sentido e Corpo Fechado (e os bacanas Sinais e A Vila) tenha escrito e dirigido essa coisa. O filme é ridículo. Quer ser apocalíptico e assustador, mas vira quase uma comédia involuntária. Vai ser uma eterna mancha no currículo de todos os envolvidos. E uma eterna memória ruim que eu vou guardar até o fim dos tempos... grrrrrrr...

NOTA: -1

2012 - Trailer

Já sabemos o que esperar de um filme do Rolland Emmerich (diretor de O Dia Depois de Amanhã), então talvez a galera nem se empolgue muito. Mas o interessante aqui são os efeitos especiais sensacionais, e o Cristo Redentor sendo destruído. O trailer já diz que o filme não é grande coisa, mas que eu vou no cinema ver, ah, isso eu vou!

O Leitor



Mesmo sendo um filme de Holocausto, O Leitor surpreende pela temática e pelo simples fato de não vermos o Holocausto. Somos colocados na mesma posição que o povo alemão durante a Segunda Guerra: espectadores passivos da situação. Só por isso, o filme já seria digo de nota, mas ele vai muito além disso.

Dirigido pelo sempre competente Stephen Daldry (de Billy Elliot e As Horas), O Leitor conta a história de Michael, um adolescente de 15 anos que começa um relacionamento com uma mulher mais velha, Hanna (Kate Winslet). Depois de algum tempo, Hanna desaparece sem deixar vestígios. Os dois acabam se reencontrando quando Michael, já aluno de Direito, assiste o julgamento de carcereiras do campo de concentração de Auschwitz. Uma delas, é justamente Hanna.

O único defeito do filme diz respeito a não-linearidade que o filme assume de início. As cenas com Ralph Fiennes que são colocados no início e no meio do filme são deslocadas, mesmo que somem bastante ao conjunto final. Mas fora isso, o roteiro é genial ao equilibrar o romance com o pesado pano de fundo da narrativa. Kate Winslet definitivamente mereceu o Oscar por sua bela interpretação de Hanna, e o filme apresenta seu lado corajoso ao fazer o espectador se afeiçoar a sua personagem. Não é a toa, que próximo do final, quando Michael reencontra uma sobrevivente do Holocausto, o diálogo soe tão frio. Michael é o silêncio, a cumplicidade de uma nação envergonhada. E como a sobrevivente diz, "Nada sai dos campos, nada". O perdão ou qualquer outro sentimento não fazem juz a tamanho sofrimento.

NOTA: 9,5

Eraserhead


Quando escrevi sobre Império dos Sonhos, disse que o longa era um "pesadelo de três horas". Bem, Eraserhead, primeiro longa-metragem de David Lynch é um pesadelo com a metade do tempo, mas nem de longe tão eficiente quanto. A bem da verdade, Eraserhead é lembrado por ter sido a primeira investida, e já forte e impactante, do que viria a ser o grande diretor que é Lynch. Mas o filme não é tão bom quanto é pregado.

Eraserhead fala sobre um personagem e o início de seu relacionamento após ter um filho com a garota que ama. O bebê porém, é um ser deformado, sem pernas ou braços. Depois de ser abandonado pela esposa, o tal personagem tenta investir num relacionamento com a mulher que mora no apartamento da frente.

Mas a história parece ser apenas uma alegoria para Lynch falar de maneira simbólica sobre paternidade e culpa. Aliás, os constantes simbolismos de sua obra também encontram espaço aqui, mas de maneira até divertida e simples.

O filme tem força nas cenas entre o pai e o bebê e seu curioso relacionamento. O resto é esquisitisse curiosa, como a garota com as bochechas do Fofão cantando In Heaven ou o homem deformado operando um maquinário. A parte sonora é quase insuportável, no bom sentido, já que cria toda a atmosfera claustrofóbica do filme, junto com a fotografia saturada e bem contrastada. No conjunto da obra, o filme realmente é fraco, mas seu visual único (que inflenciou π e Spider, por exemplo) e o já visível talento de Lynch criam uma espécie de canto de Sereia que mantém o público interessado no que está vendo.

NOTA: 7

David Lynch - Interview Project 03


Caramba! Só hoje fui ver quantas entrevistas estavam para ser lançadas no Interview Project de David Lynch. Eles já tem 121 entrevistas! Não to afim de fazer contas, mas provavelmente vai durar quase um ano, já que cada episódio sai em três dias.

Enfim, até aqui foram cinco entrevistas, todas comoventes, cada uma por diferentes motivos. O próprio propósito de Lynch que parece simples tem revelado uma complexidade digna de seus trabalhos. Se ao fazer um documentário, normalmente o diretor deve entrevistar seus personagens já sabendo o que precisa tirar dele, aqui não. Aparentemente os entrevistados falam o que querem sobre os aspectos mais importantes de suas vidas. O resultado até aqui, é sublime. Continuo achando que o episódio 2 é o melhor (chega a ser surpreendente), mas o mais curioso definitivamente foi o 3. Já os dois últimos foram comoventes pela simplicidade dos entrevistados.

Continuemos ligados:

http://interviewproject.davidlynch.com/

Turistas



Turistas tem um dos vilões mais complexos da história do cinema. Ao remover os órgãos de ua bela garota, ele justifica suas ações, dizendo que o Brasil foi bastante explorado pela Europa, que tiraram todo seu ouro, borracha (!) e outras coisas. E assim, ele se vinga... das colônias portuguesas, espanholas, holandesas etc. do Séculos XVI, XVII e afins: Tirando órgãos de jovens suecos, ingleses e americanos.

(Pausa para as gargalhadas)

Ok, Turistas tem dois pontos positivos: a fotografia das cenas embaixo d'água, que são lindas e as atrizes e seus figurinos (que é quase nulo). Aliás, dá pra definir o filme meio assim: A primeira metade é um Emanuelle na Praia, com as belas atrizes dançando e se insinuando em seus micro-figurinos. Depois, tenta virar um O Albergue, mas chega a parecer uma paródia pela incompetência do roteiro e da direção (e olhe que O Albergue é outro desastre...). De qualquer maneira, vale uma vista... na primeira metade, lógico.

NOTA: 3

A Vida de Brian



Desde que conheci o Monty Python, (em 1999, se não me engano), comédia nunca mais foi a mesma coisa para mim. Nada chegou, chega, ou chegará aos pés dessa trupe britânica (fora Terry Gilliam que é americano) que extrapolou todos os limites possíveis em suas comédias surreais. A Vida de Brian é o ponto alto do grupo, o melhor de seus trabalhos (empatando com a esquete da Inquisição Espanhola). A melhor comédia de todos os tempos, na minha opinião.

Parte do poder do filme vêm do número de críticas que o filme faz. Catolicismo, islamismo, judaísmo, terrorismo, ufologia... nada escapa da mira afiada do roteiro. A visão cômica do Python rende algumas das cenas mais hilárias possíveis, como o "puobuema paua faual" de Pilatos, os três reis magos na mangedoura errada ou a aula de Latim que um centurião romana dá a Brian. E vale frisar que até a música da abertura tem uma letra impagável.

Graham Chapman encarna Brian com seu talento de sempre, e mais o melhor amigo de Pilatos (que o nome é uma das grandes piadas). Terry Gilliam surpreende como o carcereiro surdo e louco. John Cleese, para muitos o favorito, demonstra talento impressionante ao retratar um soldado romano e Reg, o líder da FPJ. Michael Palin (meu favorito) encarna Pilatos em sua melhor interpretação no Monty Python. Eric Idle (pra variar, talentoso...) vive o homem que quer ser mulher Loretta, e Terry Jones, que é o diretor do filme, faz a mãe de Brian.

Aliás, vale frisar que a história do filme gira em torno de Brian (dã), um pobre meio-judeu-meio-romano que é confundido toda a vida com o Messias. Para quem conhece o Monty Python, é o grande trabalho deles (junto com Em Busca do Cálice Sagrado). Para quem não conhece, com certeza, é a iniciação perfeita para o humor anárquico e incomparável do grupo.

NOTA: 10

Shutter Island - Trailer

Opa, opa, opa! Saiu o trailer do filme novo de Martin Scorsese, e parece ser excelente! O elenco inclui Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Jackie Earle Haley, Patricia Clarkson, Michelle Willians, Max Von Sydow... ufa... e é adaptado de um livro de Dennis Lehane, que já foi adaptado nos excelentes Medo da Verdade e Sobre Meninos e Lobos... mas enfim... é o filme novo do Scorsese. É tudo que eu precisava saber:


Saló ou 120 Dias em Sodoma



Enquanto eu era um estudante auto-didata de cinema, aos 16 anos por aí, ouvi muito falar sobre esse tal de Saló, e principalmente sobre seu diretor Pier Paolo Pasolini. Meio bizarro que de um diretor de esquerda, homossexual e ateu, o único filme que eu tenha gostado dele seja justamente o que ele deve ter dirigido com certa ironia, O Evangelho Segundo Mateus. Até porque, ele ainda está me devendo um filme que mereça o nome que ele tem no cinema europeu, mas deve ser só implicância minha (ou seja, não, não gosto da Trilogia da Vida). Foi com surpresa que Saló acabou passando na TV um dia desses, e como sempre ouvi falar de sua polêmica resolvi assistí-lo.

De início, já notei algo estranho. Nos créditos, Pasolini nos mostra uma bibliografia sugerida para seu filme. Já foi um ponto negativo pra mim, mas vá lá...

Saló narra os acontecimentos em uma mansão. Quatro homens e algumas mulheres mais velhos nos tempo do fascismo na Itália decidem aprisionar alguns adolescentes enquanto discutem uma liberação sexual. Infelizmente para o espectador, a liberação sexual inclui fezes, urina e sangue. E Pasolini não exita em mostrar nenhum dos grotescos detalhes. E basicamente a trama é essa.

O filme é bem feito, tem uma cenografia brilhante, uma ótima trilha e é bem montado e fotografado. Nenhuma reclamação quanto a  isso. A pergunta é... pra que? A Paixão de Cristo tem as mesmas características e me despertou a mesma pergunta. Mas em Saló o pra que tem um sentido diferente. Nos longos diálogos que antecedem a tortura, percebe-se o interesse de Pasolini em dar um sentido, uma filosofia ao seu filme, e eu acredito que entendi qual era o recado. O que me parece estranho é justamente o tom bizarro das humilhações, da nudez de menores de idade.

Não sou exatamente um puritano (Irreversível é uma obra-prima para mim, por exemplo), mas Saló soa gratuito e, pasmém, até mesmo estúpido em sua maioria.

Sendo assim, alguém me indica um bom filme do Pasolini?

NOTA: 5

Escorregando Para a Glória



Típico "filme de esportes com Will Ferrell". Ou seja, é comédia tosca e imbecil, e vai do público achar tudo idiota e desligar a TV, ou (como eu) gargalhar por duas horas sem parar. O filme lembra bastante Com a Bola Toda como Ben Stiller (que é um dos produtores desse filme), no sentido de que é sobre um esporte não tão reconhecido, tratado como se fosse a maior atenção no mundo. E isso já tem grande parte da graça.

O resto são piadas rápidas, atuações exageradas e uma trama boba para que tudo se sustente. E o pior é que eles conseguem. Não exatamente porque nos importemos com algum personagem, mas porque o filme é tecnicamente muito bem feito, e os diretores Josh Gordon e Will Speck conseguem fazer com que a patinação no gelo seja divertida de ver (principalmente na primeira apresentação de dupla entre Will Ferrell e Jon 'Napelon Dynamite' Heder). E, assim como em Com a Bola Toda, e até em Winbledon, isso já basta para tornar essa comédia bem recomendável.

NOTA: 8

Na Natureza Selvagem



Como diretor, Sean Penn já havia realizado duas obras memoráveis, Acerto Final e A Promessa. Em seu último exercício na função, ele acabou superando todas as expectativas com seu retrato humano e sensível da triste história real de Chris McCandless (ou Alexander Supertramp), um garoto que logo após se formar, viaja para longe de tudo e todos atrás da... bem... Natureza Selvagem no Alasca.

O roteiro acaba sendo um road-movie que foge do esquema episódico graças a montagem que intercala o caminho de Chris com ele já em meio ao Alasca. E os personagens que o rapaz conhece durante a jornada são todos impagáveis, com um destaque claro ao personagem de Hal Holbrook, o senhor que acaba sendo a última visita de Chris (e que em sua última cena juntos, protagoniza a cena mais emocionante do filme).

O ex-mala Emile Hirsch prova pra Deus e o mundo seu talento. Sua interpretação é irretocável e corajosa, e sua dedicação para com o projeto é evidente, como comprova o momento em que o personagem se encontra em péssimas situações de saúde.

Aliado a tudo isso, destaca-se também a brilhante trilha sonora que Eddie Vedder (vocalista do Pearl Jam) compôs para o projeto. Músicas de violão, quase um folk a lá Bob Dylan em início de carreira, a música acompanha e complementa a jornada de Chris McCandless e torna-se quase uma personagem no filme.

Sean Penn, que escreveu o projeto e esperou dez anos para realizá-lo já que esperou a família McCandless autorizar o projeto definitivamente, mostra um trabalho brilhante na direção, alternando maravilhosamente bem a complexa e ambiciosa narrativa. E agora com um filme desses no currículo, não sei se torço para que venha seu próximo filme como ator, ou como diretor.

NOTA: 10

David Lynch - Interview Project 02


Já saíram três episódios deste projeto de David Lynch, e o resultado é realmente satisfatório. No primeiro episódio, fiquei um pouco frustrado, já que eu acreditava que seria o próprio Lynch que conduziria as entrevistas, e a montagem e a música me pareceram desnecessárias. 

Mas agora, que vi os dois episódios seguintes, admiro bastante a forma com que as entrevistas são feitas e montadas. Particularmente, o episódio 2 foi meu favorito até aqui. Acompanhem e comentem aqui.

Camera - De David Cronenberg

Aproveitando o espaço no blog, vou compartilhar algo no que estou atualmente viciado: procurar curta-metragens de diretores consagrados (ou não) no Youtube, Vimeo e etcs. Vou começar com o meu favorito Camera dirigido por David Cronenberg. Segundo a lenda, Cronenberg teve um pesadelo no qual estava numa sala de cinema, e conforme o filme passava ele envelhecia. O resultado é um filme muito poético. Vale a pena ver:


O Exterminador do Futuro - A Salvação



Contrariando tudo e todos, achei este novo Exterminador do Futuro um bom filme, principalmente se comparado ao péssimo terceiro exemplar da franquia. Tá certo, tem furos colossais no roteiro (que nem preciso citar, já que qualquer pessoa os identificará com facilidade...), e o desenvolvimento dos personagens é decepcionante, mas o filme é muito bem feito e tem cenas de ação realmente extraordinárias.

Mas começando pela parte ruim, o roteiro praticamente esquece da importância de John Connor. Os únicos pontos fortes do terceiro filme eram o arco dramático pelo qual Connor passava, e o final sublime. Aqui, Christian Bale parece fazer uma mistura de Capitão Nascimento com Rei Leônidas, e não por culpa de sua atuação, mas do roteiro que não permite nenhuma cena dramaticamente convincente. Fora isso, a montagem do filme prima pela perfeição nas cenas de ação, mas se torna péssima em transições de cenas. Pausas dramáticas não duram mais que um segundo, por exemplo.

Pelo lado bom, Sam Worthington surge como revelação inegável do projeto. Seu arco dramático é bem explorado tanto pelo roteiro, quanto pelo ator. (pena que surja um romance no meio, mas vá lá). Já Helena Bonham Carter, Common e Bryce Dallas Howard acabam fazendo apenas figuração de luxo.

Outro ponto forte são as cenas de ação, mereceno destaque a ótima cena que se passa no posto de gasolina e o plano sequência durante a queda de um helicóptero. Aliás, McG prova que não é tão inútil quanto parecia, criando sequência sufocantes pela ausência dos cortes.

Já o grande problema que eu vejo nesse projeto e também no terceiro é o mesmo: Quem assistiu aos dois primeiros exemplares da franquia, sempre ficou curioso para saber o que aconteceu no tão falado Dia do Julgamento Final. Ora, porque então fazer um filme que se passa antes, e outro que se passa depois dele? Afinal, estaria ali a grande história que os produtores procuravam. Era ali, que John Connor se tornava o líder (ou messias, como preferir) na batalha contra a Skynet.

Mas enfim, quem é o público para apitar alguma coisa, né?

NOTA: 7


PS: Quem foi o idiota que decidiu cortar a cena de nudez de Moon Goodblood? Hunf...

Para Sempre - 01

Este ano, pretendo realizar meu terceiro curta-metragem. Sim, já dirigi outros dois (que irei disponibilizar no blog em breve), mas dessa vez, pretendo dar a devida atenção na ditribuição dele. Feitiços, meu primeiro curta, passou batido, principalmente devido a vários problemas técnicos. As Últimas Páginas de Abril, meu curta mais recente foi um trabalho de faculdade, que só foi exibido na instituição, com respostas positivas do público. 

O que meus dois curtas tiveram de comum foi a temática: a transformação do lado belo da humanidade, ou seja, os relacionamentos amorosos terminando em tragédias, em diferentes escalas. Feitiços foi mais sutil e artístico, enquanto Abril foi mais agressivo no crescendo da narrativa. 

Meu novo roteiro, que escrevi em parceria com meu amigo Vandré Segantini, envolve uma temática parecida, mas com uma abordagem diferente. Desta vez, tratarei do relacionamento entre uma filha e seu pai. Mesmo sendo apenas um curta, que pretendo fechar com 15 minutos, decidi ser mais ambicioso na narrativa e colocar pequenas mensagens sutis a respeito de várias coisas que vejo ao meu redor.

A algumas semanas, fui até Priscylla Biasi que criou sua produtora para dar início ao projeto. Por enquanto estou editando seu curta-metragem, Versão Final. Assim que entregá-lo, pretendo engrenar de novo. E assim que tiver mais notícias sobre qualquer coisa em relação a esses projetos, avisarei.

E é isso aí... Nota...?

Onde Vivem os Monstros - Trailer

Poucos trailers me deixaram tão intrigado quanto o deste novo filme de Spike Jonze. Não me baseio apenas por ele ter dirigido Quero Ser John Malkovich e Adaptação, mas pela atmosfera esquisita do filme, ora sombria, poética, feliz... enfim... agora é aguardar a estréia:


O Iluminado



Que Stanley Kubrick foi um gênio, isso ninguém duvida. Por mais vezes que vejamos seus filmes, eles sempre nos surpreendem pelas suas características: os enquadramentos perfeitamente alinhados, os planos-sequência surpreendentes. Enfim, a marca de um dos grandes diretores da história. O Iluminado, baseado no excelente livro de Stephen King é uma das provas disso.

Kubrick desvia a atenção da história paranormal, para realizar um estudo sobre o confinamento. Jack Nicholson encarna a crescente loucura de Jack Torrance com uma sutileza brilhante. E quando chegamos ao tenso clímax, a câmera de Kubrick parece reagir como seu personagem psicopata. A cada golpe de machado, a câmera acompanha o movimento ou observa o ator ao fundo de sua destruição.

As aparições das garotas no corredor para o menino Danny são outros golpes desse filme. Os breves frames com elas esquartejadas assustam mais do que qualquer Jason ou Jigsaw que o cinema nos mostrou até hoje. Kubrick nos obriga a acompanhar o pequeno garoto andando com seu brinquedo pelos corredores do hotel. Parece brincar com o público, já que na última cena em que vemos esta imagem, ele finalmente mostra a carta na manga. Outras sequências de destaque são a perseguição no labirinto e a cena da banheira (minha favorita).

Não há muito o que ser dito sobre O Iluminado. Apenas, reafirmar a grandeza do que foi este furacão no cinema chamado Stanley Kubrick.

NOTA: 10

A Hora do Lobo



A Hora do Lobo começa de maneira particularmente esquisita. Enquanto os créditos iniciam, o som da equipe de filmagem e de Ingmar Bergman dando instruções a equipe pode ser ouvido. Em seguida, Alma (Liv Ullmann) conversa com o público, confessando coisas que ainda veremos no segundo ato do filme. Única obra de terror que Bergman produziu, A Hora do Lobo é um pesadelo que vai ficando cada vez mais real conforme o filme passa. Lidando com alucinações de um personagem que sofre de insônia, Johan (Max Von Sydow), Bergman deixa de lado no início do segundo ato se o que vemos é real ou imaginação, aliás mais do que isso: quando ouvimos o diretor gritar "Ação" no início, Bergman já deixou claro que o filme, era só isso, um filme. Portanto por mais que vejamos os personagens vivendo sua realidade, para o público, nada daquilo é real.

Mas o belo roteiro de Bergman nos coloca lado a lado com Alma, e é através dela que acompanhamos a história do filme. Alma e Johan são um casal que, fugindo de uma crise de Johan viajam a uma ilha pacífica. Porém, os habitantes da ilha começam a visitar Johan com cada vez mais frequência, e suas características peculiares vão assustando cada vez mais o casal.

A fotografia do filme é maravilhosa e a trilha sonora é um show a parte. Agressiva e perturbadora, é a música que evoca o clima de terror que Bergman planejara. E por falar no diretor, seu trabalho nesse filme é explêndido, e o melhor até hoje que já conferi: o início do filme se revela estático e com longos planos mostrando diálogos sem cortes, no segundo ato é substituída por uma câmera nervosa (em especial a cena do jantar no castelo). Além disso, o diretor cria algumas das imagens mais perturbadoras de seus filmes, como o garoto morto que flutua no mar, ou os donos do castelo rindo enquanto Johan está com sua amante.

Em se tratando de Ingmar Bergman, já sabemos que o filme é um verdadeiro tijolo, ou seja é parado, cheio de pausas e silêncio que se acumulam e fazem a maioria das pessoas achar chato. Porém, no caso desse filme, a crescente tensão e as surpresas que seus personagens acabam revelando prendem a atenção do espectador (e acredito que seja o filme mais "acessível" que já vi de Bergman).

E ao final, resta apenas uma pergunta: Seríamos nós, o público, os fantasmas de Alma?

NOTA: 10

[REC] 2 - Trailer

Gostei de [REC], mas não tanto quanto o resto da galera (ainda me lembro do quão ridículo era a parte em que o cameraman rebobinava a fita e assistíamos duas vezes a mesma cena...). Enfim, sua continuação sai esse ano e saiu o trailer. [REC] 2 = Quake?


Watchmen - O Filme



Eu acredito que já passei da idade de ser facilmente impressionado por qualquer super-filme que aparece na minha frente. Mas 2008 me pegou de surpresa. Quando me dei conta, estava vibrando por Homem-de-Ferro, Batman - O Cavaleiro das Trevas, Hellboy 2... sem dúvida, os filmes baseados em quadrinhos amadureceram bem ao longo do tempo, e Watchmen enfim, chegou aos cinemas. Nessa altura do campeonato todo mundo sabe da importância de Watchmen nos quadrinhos e tudo mais. O filme comandado pelo competente Zack Snyder chegou pretensioso e com ecos de "É Campeão" ao fundo dos fãs.

Na prática a coisa foi meio diferente: os fãs hardcore dos quadrinhos (grupo no qual me incluo) gostaram, enquanto o público geral deixou passar batido. Culpa do marketing? Da direção? Do roteiro? Acredito que nada disso, afinal, nenhum filme de super-herói até hoje se aventurou em ser o que este filme foi, narrando a história com a mesma complexidade e profundidade dos quadrinhos. (É claro que os filmes que citei acima não estão sendo diminuídos nesse parágrafo, ok?)

Mesmo em seus excessos visuais (alguns slow motions irritam...) Snyder consegue fazer um excelente trabalho na direção. Corajoso, mantém algumas das melhores passagens dos quadrinhos na tela, e sem tornar o seu conteúdo em algo hollywoodiano, como o belo monólogo de Dr. Manhattan em marte. R0arschach desde já, torna-se um dos grandes personagens do cinema no ano, graças a própria criação de Alan Moore, quanto pela interpretação brilhante de Jackie Earle Haley. Aliás, todo o elenco merece elogios pela clara dedicação ao projeto (e em especial, Jeffrey Dean Morgan e Billy Crudup).

Watchmen - O Filme provavelmente terá o mesmo destino que Clube da Luta, ou seja, passa nos cinemas sem ser valorizado, apenas para "ressuscitar" como clássico em DVD. Parece injusto, mas tem seu charme.


NOTA: 10

Grace - Trailer


Grace causou furor no Festival de Sundance, principalmente quando algumas pessoas passaram mal ao assistir o filme. Sundance não é muito confiável para bons filmes, mas pelo trailer não dá para negar que o projeto é bastante curioso:

PS: Um recado para minha mulher; por favor, evite ver esse trailer... só te digo que envolve uma mãe e um bebê ...

Possuídos



Antes de começar, esqueçamos do ridículo título que a distribuidora brasileira arranjou para Bug...

Anyway... Bug talvez seja o mais extremo caso de "ame ou odeie" dos últimos tempos. O filme é um estudo claustrofóbico sobre a paranóia. Grande parte da história é contada em um quarto de motel barato. O diretor Willian Friedkin (O Exorcista, Operação França) faz uma direção discreta, e que cria suspense ao utilizar o som com sabedoria. Basta reparar nas simples conotações sonoras que o som do venilador no teto vai ganhando conforme o filme passa.

Em Bug, Ashley Judd interpreta Agnes, uma mulher traumatizada pelo desaparecimento do filho, e que sofre com a saída de seu ex-marido da prisão. Quando uma amiga leva Peter (Michael Shannon) a sua casa, os dois estabelecem uma curiosa química. Aos poucos, essa química ganha contornos perigosos e ameaçadores, conforme a cinturbada personalidade de Peter vai se revelando ao espectador. Aliás, as performances dos atores não são menos que espetaculares (em especial, Ashley Judd).

O simples e eficiente roteiro acaba servindo de prato cheio para Friedkin, que explora os diálogos com cuidado, e várias vezes, em planos-sequênia estáticos (aliás, o estilo do filme lembra algo de Michael Haneke). Outro ponto alto do filme é o fato de o diretor jamais responder nenhuma das perguntas que o roteiro faz. Afinal, os insetos são reais? Na verdade, não interessa. O que interessa é que para os personagens eles são reais, e o desenvolvimento da história depende de o público entender este conceito.

Perturbador ao extremo, Bug é sem dúvida, um dos grandes filmes de terror dessa década, e mostra que, quando quer, Willian Friedkin ainda é um dos melhores diretores na ativa.

NOTA: 9,5

David Lynch - Interview Project


Recebi o seguinte e-mail hoje: (e como é projeto do David Lynch, o jeito é acompanhar =):

DAVID LYNCH PRESENTS INTERVIEW PROJECT
http://interviewproject.davidlynch.com

We are writing to inform you that the Interview Project website
has launched! Starting today, we will be posting a new episode
to the site every three days for the next year. Enjoy!

- The Interview Project Team

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