Um Homem Bom



Tem seus defeitos, parece se enrolar demais no início e, pior, parece que vai se enrolar em clichês. Por sorte, Um Homem Bom se revela mais ambicioso do que promete, e apesar da clara semelhança na temática com O Leitor, se sustenta bem com suas próprias pernas, por méritos dos atores e da direção precisa de Vicente Amorim (do ótimo Caminho das Nuvens).

O roteiro brinca de maneira interessante com a não-linearidade no início, mas interessante não significa qualidade. Fica a impressão de que o roteirista não achava que a história era forte o suficiente para se sustentar, e criou uma "mula-narrativa". É só depois do segundo ato que a história se sustenta melhor, que apreciamos melhor também a sutileza da atuação de Viggo Mortensen, (que desde Marcas da Violência não tem errado uma) e a divertida (e consequentemente, triste) atuação de Jason Isaacs.

Vicente Amorim mostra força na direção, usando de toques inusitados que dão um tom único ao filme. Inteligente, sabe que a platéia já viu e reviu trocentos filmes de Holocausto e sobre o nazismo, então surpreende onde menos se espera: reparem que os guardas parecem nunca saber quando fazer a saudação nazista, por exemplo, ou nos belos e melancólicos momentos "musicais" da obra. Mas o diretor guarda uma carta na manga surpreendente. A visita de um personagem a um campo de concentração, filmada num sensacional plano-sequência, que certamente entra numa lista de melhores cenas do ano.

Um Homem Bom é um filme com cara de mais-do-mesmo, mas é justamente ao contrário: assim como O Leitor, é uma releitura fascinante de um assunto que parece sempre esgotado nos cinemas. E sua coragem ao narrar os eventos do ponto de vista de um personagem alemão que se envolve diretamente ao nazismo, mesmo sem a maldade que imaginamos, combinada com a sensibilidade notável de Vicente Amorim dão imensa força a obra.

NOTA: 8,5

Metallica - Some Kind of Monster



Some Kind of Monster é um documentário que vai muito além dos típicos documentários sobre bandas que normalmente vemos. É difícil de assistir, se mostra um inusitado estudo de personagens de uma das bandas mais bem sucedidas da história do rock. E é curioso como em minha experiência, o filme me fez gostar do cd St. Anger, que na primeira vez que ouvi achei chato e enfadonho. Depois de assistir Some Kind of Monster, o cd entra quase num outro nível de arte, e a associação que um radialista faz entre o som do cd e as pinturas de Pollock é perfeita para resumir isso.

Bem dirigido, o documentário acompanha a banda por longos dois anos, em que o Metallica sofria com a polêmica do Napster e a saída de Jason Newsted. Com a ajuda de um terapeuta, os membros da banda (e o público) acabam vendo que os dramas da banda são muito mais profundos e complexos. O que parece de início ser apenas bobeira de roqueiro famoso se torna sombrio, envolvendo desde a saída de Dave Mustayne da banda e, principalmente, a morte do baixista Cliff Burton.

Some Kinf of Monster merece ser conferido, mesmo por quem não goste da banda, já que se mostra muito mais ambicioso do que ser um mero marketing. E não dá pra negar que o Metallica mostrou cojones ao permitir que o filme fosse lançado.

NOTA: 9

O Casamento de Rachel



Foi bastante elogiado pela crítica, e eu entendo perfeitamente o porque. É um filme bem escrito, e maravilhosamente atuado por todo o elenco, que transmite uma sensação única de união familiar (algo extremamente raro, diga-se de passagem). Mas infelizmente, os elogios a O Casamento de Rachel param por aí.

O filme conta a história de Kym, uma garota problema (interpretada com talento por Anne Hathaway) que vai até a casa de seu pai para ver o (doh') casamento de Rachel, sua irmã. Porém, o passado de Kym, somado a animosidade da festa, acaba trazendo grandes conflitos em meio a celebração.

Jonathan Demme acaba exagerando demais na proposta meio Dogma 95 da obra. É irritante ver os convidados da festa usando câmeras HDV caríssimas registrando o casamento (em uma cena, contei três usando a mesma câmera, modelo e marca). Além disso, baixo orçamento ou filme independente nunca foi, e nunca será sinônimo de desleixo, algo que marca quase todo o primeiro ato da narrativa. Há uma cena em que Kym caminha pelos corredores da casa e a câmera a segue num ângulo baixo, que me deixou vermelho de vergonha: ali estava o diretor de O Silêncio dos Inocentes e Filadélfia fazendo o que parecia ser a subjetiva de um cachorro... por outro lado, a experiência de Demme beneficia várias cenas pesadas, principalmente o confronto entre Kym e sua mãe.

Enfim, de qualquer modo o roteiro é bacana, bem escrito, mas dá uma sensação de trabalho incompleto. Não que eu não goste de sutileza, como a usada aqui, mas por mais que eu admire a maneira em que o filme se encerra (que é corajosa em si), não dá pra dizer que a experiência ficou completa. E é lamentável que o filme dê mais atenção para babaquices (a desnecessária cena de sexo e a discussão clichê de quem vai ser a madrinha) do que para momentos marcantes de família. Faltou algo do pai da família, da mãe, não sei. Sei lá, mas faltou algo. E só reclamo porque os personagens foram tão bem construídos, do roteiro até as atuações, que me pareceu um desperdício passar quase duas horas ao lado deles sem uma despedida apropriada.

NOTA: 7,5

PS: Só eu, ou mais alguém achou a Rachel chata pra caralho?

A Garota Ideal



Provavelmente, a melhor surpresa até agora do ano. Tudo bem que foi lançado em 2007 e só chegou ao Brasil agora, e direto em DVD, mas mesmo assim, A Garota Ideal é um filme que vale muito a pena assistir. Quem ler a sinopse ou até julgar o filme pela capa pode pensar que é uma comédia bobinha, como eu acabei pensando. Mas A Garota Ideal é muito mais que isso. Se revela um drama ambicioso, com óbvios toque cômicos, mas é emocionante e extremamente complexo.

Ryan Gosling dá uma atuação de mestre como Lars, o infeliz que acaba se apaixonando pela boneca de plástico. Sua performance é sutil, e impactante nos momentos em que seu personagem parece desabar em ódio (e há uma cena no final, que é um dos momentos mais bonitos que conferi nos último anos). O subtexto do personagem é maravilhoso e trabalhado com tamanho cuidado que vale a pena mencionar também o nome da roteirista Nancy Oliver, que consegue fazer os absurdos mais absurdos se tornarem reais e emocionantes na obra.

Para um filme que tinha tudo para ser uma abobrinha, A Garota Ideal se revela um filme fascinante em muitos aspectos, e a maioria deles merece ser vista, e nem sequer verbalizada. É um filme comovente e singelo. Lembra o toque de humanidade e bondade que quase sempre esquecemos e lembramos em obras como essa ou História Real.

NOTA: 10

A Ponte


Ok, acabei de assistir e ainda estou meio baqueado. Ver um monte de gente se matando não é a coisa mais legal de se assistir. Ainda mais em meio a um documentário confuso, sem foco, que soa como jornalismo barato e maldoso. Durante todo o filme, eu me perguntava o porque da necessidade das filmagens dos suicidas na ponte. O diretor pensou que não acreditaríamos que aquelas pessoas realmente se mataram? Que uma imagem vale mais que mil palavras? Talvez a última afirmação esteja correta, uma imagem, sim, valem mais que mil palavras. E no caso de uma imagem claramente operada manualmente com zoom seguindo pessoas andando ou paradas na beirada pensando, não dá pra pensar na maldade por trás do projeto todo. Explico.

A Ponte é um documentário sobre suicidas que se jogam na Golden Gate, a famosa ponte em San Francisco, nos Estados Unidos. Basicamente, vemos a pessoa pulando, e em seguida entrevistas com conhecidos ou familiares do dito cujo suicida.

Ok, vamos por partes: as entrevistas são realmente muito boas. Destaque para a entrevista com o fotógrafo que acabou salvando uma garota de pular da ponte. Ele afirma que tirava fotos dela quase desejando que ela pulasse, já que estava vendo pelo aspecto plástico, através da lente. Claro que depois de pensar, segundos depois ele alcançou a garota e a salvou. Ok, o que isso diz da nossa querida equipe de filmagem? Colocar esta entrevista é quase uma contradição. Complexidade em seu drama? Talvez...

Continuando nas entrevistas, é lamentável que o filme tenha sido montado de maneira melodramática, já que no ato final somos apresentados a quatro ou cinco personagens que são basicamente retradados como bundões pelo filme. Os detalhes de suas vidas são mal-explicados, talvez pelo tempo, mas o que eles não tinham que Gene tinha (um dos suicidas, esse sim, um verdadeiro bundão)? Gene é usado como fio condutor para a narrativa, amarrando a história. O sentimento nisso, porém, é que todas estas pessoas de vidas dramáticas estão simplesmente sendo usadas de maneira artificial. Afinal, o nome do documentário é A Ponte, certo? A ponte é a personagem.

E aqui vamos a outra coisa: o que a tal da Golden Gate tem? O filme várias vezes mostra seus entrevistados se perguntando a mesma coisa, sobre qual seria o último pensamento que uma pessoa teria lá antes de pular. E o documentarista Eric Steel recheia o filme com tomadas incriveis, bem filmadas da ponte. Tudo isso para... bem, só colocar uma legenda ao final dizendo "muita gente se mata lá". Pqp, hein?

Enfim, A Ponte é um documentário extremamente falho (basicamente pela montagem) mas que tem sua complexidade através de seus "personagens". Se recomendo? Assim como um dos amigos de Gene comenta "Quando fiquei sabendo o que ele tinha feito, tive vontade de ir até lá, falar com o legista, fazer ele acordar e perguntar: Porque você fez isso? Ele magoou muitas pessoas que o amavam com o que fez". Sinto o mesmo. Não tenho qualquer romantismo pelo tema, mas não consigo negar o fascínio.

NOTA: 5

O Doce Amanhã



O Doce Amanhã é a história de uma tragédia em uma pequena cidade. O ônibus escolar sai da pista e vai parar em meio a um rio congelado. Todas as crianças da cidade morrem, menos a motorista e uma garota que fica paralítica. O filme do genial Atom Egoyan não faz sensacionalismo barato, e não explora a dor dos personagens. Seu interesse é nas consequências do acidente, principalmente através do advogado, interpretado por Ian Holm, que busca através de um processo contra o fabricante do ônibus, uma indenização que seja equivalente a perda dos filhos.

Mas que valor seria esse? O que poderia substituir um filho? Mesmo com boas intenções, o advogado acaba apenas mexendo ainda mais na fragilidade emocional do povo daquela cidade, e as consequências de seus atos são terríveis. Os pais parecem não conseguir mais se olhar nos olhos. Mesmo o casal pacifista que perdeu seu filho adotado começa a ter surtos violentos.

É interessante notar que o diretor (que também escreveu o roteiro) utiliza uma narrativa não linear que pode confundir o espectador no início, mas que se mostra uma escolha extremamente inteligente. Quando pensávamos que o arco narrativo cercava o acidente, é no início do terceiro ato, que Atom Egoyan mostra que o filme era sobre o próprio advogado. Homem frio e habilidoso, e com um estranho e perfeito tom cômico, sua relação com a filha é a tragédia que a história nos apresenta.

O filme lembra obras de David Lynch, segredos numa cidade pequena sendo revelados após alguma situação, mas a obra de Atom Egoyan tem seus méritos próprios. O filme é repleto de amargura e melancolia. "Algo terrível está acontecendo... e está levando nossas crianças". O Doce Amanhã nos alerta, e é algo que nunca é bom esquecer.

NOTA: 10

Máscara da Ilusão



Filme fantástico sobre o fim da inocência, o fim da infância. Escrito por Neil Gaiman e dirigido por Dave McKean (dupla que criou Sandman), Máscara da Ilusão é uma obra de fantasia, com dramaticidade eficiente o bastante para sempre ser levada a sério. Por mais que as esfinges ou gigantes em órbita apareçam, o filme tem uma base sólida que torna os absurdos perigosos e ameaçadores.

É também um primor nos efeitos especiais, que contrastam com eficiência com o "mundo real" (e o mais interessante do filme, são os momentos em que os mundos se misturam, como quando o prédio aparece em meio a floresta sombria). A obra também traz referências interessantes e divertidas, como a esfinge que exige charadas remete diretamente a uma cena de Em Busca do Cálice Sagrado do Monty Python.

Ao contrário de filmes cult recentes como Donnie Darko, Máscara da Ilusão é forte o suficiente para ser revisto várias vezes não somente pela esquisitice, mas acima de tudo, pelo impacto emocional e pelo maravilhoso roteiro, que misturando sonhos, referências pop e mitologia fazem do filme uma experiência única.

NOTA: 10

O Equilibrista


 
Ótimo e atípico documentário que conta a história do francês Phillipe Petit, que através de uma corda, andou através das Torres Gêmeas. Eu sempre me incomodo com documentários que fazem reconstituições dos eventos, mas em O Equilibrista, estas cenas co o tempo ganham importância e evocam de maneira tocante a narrativa (como na primeira vez que os grupos de cada torre se vêem).

Mas o filme de James Marsh se aprofunda também no lado psicológico do personagem (mesmo que nem ele perceba). É sempre curioso ver pessoas que falam como amam a vida, como é preciso ficar saudável e se dedicam a profissões em que o risco de vida é altíssimo. Afinal, por mais abilidoso que seja, Phillipe esteve sempre em póximo contato da morte, algo que ele mesmo comenta.

O Equilibrista é um excelente filme, tanto como estudo de personagem quanto histórico, já que acaba homenageando o World Trade Center de maneira sublime conforme acompanha sua construção. E ver as imagens de Phillipe se equilibrando por um fio entre elas evoca uma enorme emoção se lembrarmos das tristes imagens do 11 de setembro.

NOTA: 10

História Real



A prova maior de que David Lynch não é só um dos grandes diretores da atualidade, mas um dos artistas com maior sensibilidade dos últimos anos. É uma reflexão amarga, melancólica e generosa sobre a passagem do tempo, marcada no filme pelo rosto de Richard Farnsworth. É um dos casos em que ator e personagem se confundem: Mickey Rourke em O Lutador, Clint Eastwood em Os Imperdoáveis. Uma atuação sutil, maravilhosa.

Conta a história do senhor louco varrido Alvin Straight que atravessou um estado dos EUA em um cortador de grama para rever o irmão. O filme anda na mesma velocidade que o personagem. A câmera anda suavemente, revela paisagens lindas e seus detalhes. A travessia do Rio Mississipi mostra cada detalhe da ponte, de maneira maravilhosa.

É também uma obra sobre humanidade, bondade, sobre família. Uma obra de arte que suspira emoção. Lynch se mostra um diretor carinhoso e com imensa compaixão pelo personagem, e essa emoção fica transparente para o público. Filme maravilhoso, talvez o melhor do diretor, certamente o mais emocionante.

NOTA: 10

Faça o que Eu Digo, Não Faça o que Eu Faço



Outro filme que sofreu no título (o original é Role Models). Deve estar rolando algum concurso de "Quem consegue o pior título". E os candidatos são:

Hamlet 2 = Perdendo a Noção
Zack and Miri Make a Porno = Pagando Bem, Que Mal Tem?
Role Models = Faça o que Eu Digo Não Faça o que Eu Faço

Enfim....

Durante o filme, confesso que fiquei me perguntando "Porque diabos atores de comédias quase nunca são indicados ao Oscar?". Isso porque Paul Rudd tem uma atuação memorável nesta excelente comédia. O filme é divertido, mas discute temas reais e importantes, com irreverência, e principalmente, inteligência.

O filme conta a história de dois amigos vendedores de energéticos que, após uma baita cagada são condenados a 30 dias de prisão. Ao invés disso, acabam pagando pena de serviços comunitários, ajudando uma entidade que coloca adultos cuidando de crianças. Uma das crianças é o eterno McLovin, diga-se de passagem!

Pode parecer exagero, mas Role Models é provavelmente um dos melhores filmes que pude conferir no ano de 2009, e é uma pena que não tenha sido lançado no cinema, e que a publicidade tenha sido pífia. É uma grande obra que merece ser vista.

NOTA: 10

Perdendo a Noção



Perdendo a Noção é justamente o que os distribuidores de filmes aqui no Brasil estão fazendo, já que o nome original desse filme é Hamlet 2, e essa é a grande piada da história. Hamlet 2 é uma sátira de filmes como Mentes Perigosas, onde um professor branco caucasiano precisa lidar com sua turma "diferente" (no caso de Mentes Perigosas, afrodescendentes e latinos), ensinando-os valores importantes da rica cultura branca (ironia, por favor hein?).

E Hamlet 2 não esconde esse lado. No filme, o personagem do ótimo Steve Coogan tem que lidar com um aumento de 14 alunos em sua turma (ou seja, 16 alunos), todos eles latinos, cujas matérias que os interessavam foram banidas da escola local, sobrando apenas as aulas de teatro como opção. Ao procurar inspiração em filmes como Sociedade dos Poetas Mortos, Ao Mestre com Carinho e Mentes Perigosas, o professor tenta aprender como lidar com seus alunos.

E é claro, ele acaba escrevendo sua obra original, Hamlet 2, continuação direta da obra de Shakespeare. Se você está se perguntando, como é possível uma continuação de Hamlet se todos os personagens morrem no final, digamos que foram encontradas soluções criativas, como uma máquina do tempo e... Jesus, que tem um musical inteiro dedicado a ele, Rock Me Sexy Jesus, e só essa música já vale ser assistida.

NOTA: 9

As Confissões de Henry Fool



Hal Hartley é um dos diretores desconhecidos mais legais do momento. As Confissões de Henry Fool é seu trabalho mais conhecido. É uma obra-prima que consegue ser engraçada, as vezes quase demente, e extremamente inteligente, e convenhamos que essa combinação é rara. Homenagem do diretor a literatura, inicialmente estabelece uma relação interessante e "faustiana" entre seus personagens principais para depois subverter e criar um panorama interessante da sociedade americana e a maneira com que ela lida com a arte.

Hartley é um desses diretores únicos que consegue dar uma assinatura ousada e funcional a obra. Vale dizer que esta obra tem duas horas e vinte minutos e parece ter uma hora e meia apenas quando assistido. Isso porque o diretor não enrola. Muitas coisas acontecem no filme, mas não se perde tempo com trivialidades. Se um personagem tem muitas folhas na mão, magicamente aperece um envelope; Se dois personagens precisam noivar, um anel vai aparecer do nada e assim por diante. O resultado é cômico e inteligente.

As Confissões de Henry Fool é um dos melhores filmes independentes lançados nesta década e vale ser assistido por todos que amam o cinema de baixo-orçamento e, oras, por qualquer um que ame o cinema.

NOTA: 10

Sim, Senhor



Filme bobinho, de uma piada só, assim como O Mentiroso. E como em O Mentiroso, funciona por ter Jim Carrey no papel principal. A história é frouxa, e pouca coisa faz sentido, na verdade. Parece construído em cima de algum filme de auto-ajuda. Mas Carrey faz a obra inteira valer a pena com seu talento inigualável e a energia que ele empresta ao personagem.

Zooey Deschanel é sempre um bom motivo para assistir qualquer coisa em que ela esteja (come exceção ao medonho Fim dos Tempos) e ela segura bem as cenas ao lado de Jim Carrey, coisa que a maioria dos atores do filme não conseguem. É uma obra para assistir uma vez, dar muita risada e deixar pra lá depois.

NOTA: 7,5

Harry Potter e o Enigma do Príncipe



Pela primeira vez, a saga Harry Potter consegue dois filmes ótimos em seguida. Pena que este O Enigma do Príncipe seja inferior a Ordem de Fênix, já que todos os avanços da obra anterior foram ignorados, assim, volta o quadribol chato e, principalmente, os romances melosos que atrapalham todo o desenvolvimento da história.

O filme começa muito bem, com uma abertura muito bem filmada e editada, e até o fim do primeiro ato, é realmente memorável. Depois, só cresce em intensidade no seu ótimo final. É uma pena constatar, porém, que a autora J.K. Rowling não é das melhores. Suas pistas-recompensas são as vezes ignoradas. O romance entre Harry e a garota do Cedrico, por exemplo, foi completamente esquecido para dar fruto em outro romance. E isso é um problema sério que a franquia tem.

O bom desta obra é finalmente dar espaço para Alan Rickman, sempre genial em qualquer momento ou circunstância, para desenvolver o professor Snape, de longe, o melhor personagem da franquia. Harry Potter também deu uma melhorada, com uma arrogância que fez bem no personagem. Só é lamentável que David Yates tenha deixado sua direção mais certinha que na obra anterior. Mesmo assim, fico ansioso para ver as próximas obras.

NOTA: 8

The Spirit - O Filme



Puta filme ruim da porra, mas consegue ser divertido. O roteiro parece ter sido escrito em uma noite regada a tequila. Mas o pior de tudo é que consegue ser divertido. Principalmente por Samuel L. Jackson, que parece se divertir como nunca. A direção de Frank Miller está tão preocupada em fazer um filme bonito que esquece de contar a história. Os enquadramentos são belos, as cenas fluem bem, mas creio que os responsáveis por isso sejam os técnicos de efeitos especiais.

Gabriel Macht, o Spirit, tem uma atuação grotescamente ruim. Só sabe falar com voz rouca e sussurrada. O jeito é se divertir com o tiozão Jackson e se deslumbrar com a mulherada do filme, que inclui Eva Mendes, Scarlett Johansson, Paz Vega e outras beldades.

NOTA: 3

Harry Potter e a Ordem de Fênix



Depois da decepção que foi Mike Newell na direção de um filme da série, os produtores devem ter resolvido ousar de novo, e dar chance a um diretor inusitado: David Yates, cujo trabalho mais conhecido foi dirigir episódios da série inglesa que deu origem ao recente Intrigas de Estado. E Yates não decepciona. Dirige um filme enxuto e que melhora a cada cena. Coloca cenas de ação com câmera na mão, e dá um ar de conspiração política a obra.

Outra grande melhora foi o elenco, principalmente no próprio Potter, Daniel Radcliffe. Infelizmente, seu personagem é um bundão chato, que o roteiro obriga inúmeras vezes a dizer que quer resolver tudo sozinho. Não aprendeu nada nos filmes passados o burrinho. Mas no final faz sentido, vá lá... Destaque mesmo é para Ralph Fiennes e Gary Oldman, sempre geniais, e claro, a eterna Vera Drake, Imelda Staunton como a divertida ditadora (esse termo fica estranho no feminino, não?).

Harry Potter e a Ordem de Fênix levanta mais uma vez a bola da franquia, e assistí-lo, realmente me fez entender como o mais recente da obra foi tão exageradamente bem na estréia (quase 400 milhões no mundo). Só rezo para não ver outra encheção de linguiça.

NOTA: 9

Harry Potter e o Cálice de Fogo



Nunca li os livros do bruxo dito cujo, mas acompanhei razoavelmente no cinema. Os dois primeiros filmes foram duas atrocidades dirigidas pelo chato do Chris Columbus. Foi só no terceiro, Harry Potter e o Prizioneiro de Azkaban que a série ganhou respeito mesmo, mérito do grande Alfonso Cuarón, que conseguiu fazer uma obra relevante não só dentro da franquia, como em sua própria filmografia.

E chegamos enfim ao quarto filme da obra, Harry Potter e o Cálice de Fogo, que tem na direção o talentoso Mike Newell (o mesmo de Donnie Brasco e Quatro Casamentos e um Funeral). Só que seu nome nos créditos não fazem a menor diferença. O filme é chato, arrastado. É cheio de mágicas, efeitos especiais desnecessários, de personagens malas. O roteiro é confuso e muito mal-estruturado. Não li o livro, e não posso jular a autora, mas o filme é uma bagunça tão incômoda, que parece estar consciente de ser uma enrolação danada. Tudo bem que o público alvo são adolescentes, mas não precisava tratá-los como idiotas.

O forte de Newell sempre foi a direção de atores, mas aqui ele parece desfazer o que Cuarón havia feito. Os jovens bruxos se comportam como crianças de 15 anos, perdem a maturidade que ganharam no filme anterior. E a grande Miranda Otto é colocada numa personagem tão, mas tão ruim que chega a doer.

A história só ganha pontos no final, quando finalmente algo de realmente relevante dentro da franquia acontece, numa das melhores cenas da obra de J.K. Rowling. O que irrita ainda mais, de certa forma, já que para finalmente ver algo interessante, fomos obrigados a ver duas horas de um torneio idiota (reparem que, no final, o vencedor não faz a menor diferença jea que o troféu simplesmente desaparece) e um baile tão, mas tão forçado que deve ter uma das piores cenas de show de rock já vistos num filme (empatando com Rock Star, provavelmente).

NOTA: 5,5

Pagando Bem, Que Mal Tem?



First of all... Título cretino da porra...

Enfim, de certa forma, é uma boa volta a boa forma de Kevin Smith. É muito engraçado, lembra o humor rasgado que fez a fama do gordinho responsável por Dogma e Procura-se Amy. Por isso mesmo, é uma pena que no final, Smith se boicota jogando clichês em cima de clichês para resolver a história que, até lá, estava impecável.

Mesmo assim, o forte de Pagando Bem, Que Mal Tem? (que título horroroso...) é o elenco. Seth Rogen e Elizabeth Banks conseguem uma dessas químicas inexplicáveis, você sente que os dois se conhecem realmente a 20 anos, como eles dizem. São os dois atores que mantém a história (absurda) funcionando. Outro destaque é Craig Robinson, que rouba todas a cena em que aparece. E vale mencionar Justin Long, que de mala insuportável, está virando um ótimo ator.

Pagando Bem, que Mal Tem? Pode não ser terminar perfeitamente, mas é difícil não recomendar uma obra que, mesmo extremamente suja e quase escatológica, consegue nos fazer simpatizar com seus personagens, apesar dos apesares. Ótima comédia, do quase sempre ótimo Kevin Smith.

NOTA: 8,5

Os Gritos do Silêncio



Deveria ser obrigatório em qualquer curso de jornalismo. Parece ser apenas um filme sobre amizade entre repórteres, mas é mais ambicioso. No início, parece ter o defeito de romantizar demais a figura do jornalista. O filme porém, dá um golpe furioso nessa figura romantizada em um diálogo brilhante no ato final.

Os Gritos do Silêncio é um épico humano, as cenas são grandiosas, mas filmadas de maneira quase documental. Os planos são longos, a violência impressionante. Não há concessões para torná-la mais palatável. A história é sobre as consequencias sofridas pelo Camboja na invasão norte-americana ao Vietnã. Uma história certamente mal-contada, e ao ver o filme sabemos o porque disso.

Os melhores momentos são quando os jornalistas tentam salvar Pram ao tirar uma foto para um passaporte falso e a impressionante evacuação da capital do Camboja. A direção de Roland Joffé é tão boa e perfeita que é difícil aceitar no que ele virou hoje em dia. Nos resta rever esta obra e o igualmente maravilhoso A Missão.

NOTA: 10

Veludo Azul



Sem dúvidas, é o grande filme da carreira de David Lynch. Antes de ele começar a brincar com suas narrativas e dar o ar de WTF para cada cena, o diretor ainda trabalhava com estruturas lineares. Em Veludo Azul, Lynch conseguiu contar uma história intrigante, digna de grandes suspenses, com todo o ar de mistério que há em sua obra. Os pequenos toques do diretor são o que fazem toda a diferença nesse filme cínico e romântico.

Versa sobre o lado negro da América, espiado por uma pequena brecha, literalmente pelo personagem de Kyle MacLachlan. O diretor ainda iria tocar mais fundo na ferida mais pra frente em Twin Peaks, mas nesta obra ele alcança uma singular perfeição. Logo de início, a cena do ataque cardíaco do idoso que termina com a visão de monstruosos insetos no gramado é sublime. Frank, o vilão mais curioso da carreira de Lynch é interpretado com uma energia demoníaca por Dennis Hopper. Seu vocabulário rico (que não deixa faltar "Fuck" ou "Shit" em nenhuma frase) e seu inalador de oxigênio fazem dele um personagem brilhante por sua natureza estranhamente complexa.

Veludo Azul é também uma perfeição na sua parte técnica, com uma fotografia, direção de arte e figurinos que Lynch jamais conseguiu superar. É um triunfo em todos os sentidos. Moralmente dúbio, é uma obra que jamais deixará de ser comentada e que merece todo o respeito que só vem crescendo com o passar dos anos.

NOTA: 10

Em Nome de Deus



Pra qualquer um cansado de tentar xingar a Igreja Católica por pequenos erros no passado, como as Cruzadas e a Inquisição, confira também este Em Nome de Deus de Peter Mullan. O filme mostra como funcionavam os Conventos Madalena, onde garotas acusadas de serem tentadoras ou por qualquer outro pecado eram mandadas para trabalhar como escravas. O importante é frisar que o filme se baseia em histórias reais e que isso faz parte de nossa história recente, já que o último destes conventos fechou em 1996.

Em Nome de Deus tem o defeito de começar de maneira arrebatadora e jamais se igualar ao nível depois. De início, vemos as famílias se desfazendo das filhas de maneira chocante e fria. Ali estava o pior de toda a história, e é uma pena que isso não seja mais explorado na obra. Aliás, Mullan peca pelo exagero do significado em algumas cenas, como fazer a freira pregar um sermão enquanto conta notas de dinheiro. A mensagem é acertada, mas fica óbvia demais, incomoda.

Porém, o diretor mostra sutileza brilhante nas torturas pelas quais as garotas são submetidas. Só a cena em que a freira faz uma competição com todas as garotas nuas é melhor e eficaz que todo o Saló de Pasolini. O filme é corajoso por não romantizar nada e deixar a sensação de mal-estar nos acompanhar até os créditos. Daí, vem sua importância.

NOTA: 8,5

Twin Peaks - Os Últimos Dias de Laura Palmer



Depois que a série Twin Peaks foi cancelada, David Lynch decidiu dar um adeus mais adequado a sua obra. Como o título anuncia, o filme conta os últimos dias de Laura Palmer e seu convívio na cidade de Twin Peaks. Antes, porém, o filme dedica o ato inicial ao assassinato de Teresa Banks (personagem citada na série). O filme fecha algumas poucas pontas soltas, mas parece mais uma desculpa para Lynch brincar mais livremente com sua obra que, antes, tinha que passar na TV e não podia ter violência e sexo.

E violência e sexo é o que não falta no filme. Suas cenas mais inusitadas tem algum desses elementos (para se ter uma idéia, a cena mais engraçada vem logo depois de uma cabeça explodir). O filme não é uma maravilha, mas faz juz a obra como um todo. Algumas cenas estão entre as melhores que Lynch já fez, como a cena com David Bowie e o sonho de Laura com um estranho quadro com uma porta.

Twin Peaks - Os Últimos Dias de Laura Palmer merece ser visto por quem conhece a série, já que só assim funciona de verdade. Quem não acompanhou a série pode achar excêntrico e intrigante e gostar, mas quem viu a série sabe que o filme tem muito pouco de misterioso. E isso fica como o defeito do filme. Chove no molhado, sublinha algumas frases, mas pouco tem a complementar.

NOTA: 7,5

The Corporation



Interessante, e praticamente obrigatório, estudo sobre as grandes corporações, desde sua origem, modus operandi até as mudanças em que elas vem enfrentando nos últimos anos. Corporation é um documentário didático, mas apresentado de maneira envolvente, nunca se torna chato ou massante. Também é interessante a maneira como foi estruturado, de forma que as corporações também são representadas, apresentando os dois lados da moeda em vários sentidos.

Tem poucos defeitos, a parte sobre a publicidade por exemplo soa forçada e fora do foco da produção, mas acerta em cheio no geral. É um documentário atípico e muitíssimo bem conduzido, que afeta qualquer pessoa que o assista.

NOTA: 9

Milagre em Sta. Anna



Assim que Milagre em Sta. Anna terminou eu fiquei me perguntando: Porque sempre que falo de meus diretores preferidos, eu esqueço de Spike Lee? Diretor de forte opinião, com estética forte e própria, gera polêmica porque manda a sutileza nos comentários pra puta que o pariu. Encara dilemas dando chute na cara e voadora. É um artista nato. Poucos conseguiram fazer de um simples filme sobre assalto a banco, em um estudo sobre as classes sociais em Nova York (O Plano Perfeito) ou o último dia de um condenado a cadeia em um estudo sobre o destino e as escolhas do ser humano (A Última Noite).

Milagre em Sta Anna é um dos filmes de guerra mais belos já feitos. Tem cenas de batalhas estupendas, mas é no drama humano que está sua importância. De início, parece que o filme vai se enrolar depois da genial abertura. Porém, todas as histórias secundárias se ligam de maneira orgânica, e se ligam como um belo mosaico.

Em seu mais recente filme, Spike Lee fez mais do que trazer justiça a participação dos negros na Segunda Guerra. Fez um drama humano, com pequenos toques de espiritualidade, que tornam a obra, uma experiência obrigatória.

NOTA: 10

Gran Torino



Clint Eastwood reencontra seus personagens marcantes dos anos 70 e 80 nesse marcante drama. Walt Kowalski é um pouco de Dirty Harry aposentado. Um homem com sangue no passado e desconta isso no mundo inteiro, sem poupar os próprios filhos. Sua redenção se encontra onde ele menos espera, através de dois adolescentes hmong que vão morar ao lado de sua casa. Kowalski lutou na guerra da Coréia nos anos 50 e é um preconceituoso nato. Aos poucos porém, o veterano de guerra se aproxima de maneira afetiva dos adolescentes e quando se dá conta, está mais próximo deles do que de sua própria família.

Gran Torino lembra Marcas da Violência de David Cronenberg. Os dois usam clichês e diálogos expositivos do gênero para falar de coisas mais profundas. Em ambos os filmes, estas coisas são um passado de violência. A diferença é que Eastwood joga menos no psicológico e mais no emocional. O personagem central tem seu lado desprezível, mas o diretor e ator nos mostra que o que Kowalski tem de bom em si, está faltando no mundo. Nos deixa camaradas do personagem.

O filme fala diretamente para as novas gerações que valores como honra, respeito e dignidade andam em falta. Mostra que ser homem não é fazer parte de gangues e assustar a vizinhança. Ser um homem é muito mais do que isso. E é isso que Thao aprende com Walt, que enxerga no jovem oriental todos os valores que ele conserva sendo mantidos. O mestre Clint criou seu melhor filme desde Menina de Ouro e deixa seu recado com força. E como disse Roger Ebert em sua crítica sobre Gran Torino, eu espero envelhecer como Clint Eastwood.

NOTA: 10

O Sacrifício



O Sacrifício tem tantos elementos de um filme escroto que fica até difícil defendê-lo. Mas, de fato, não é um filme ruim, tem elementos interessantes, a maioria por causa das obsessões do diretor Neil LaBute, que já fez Na Companhia de Homens e A Enfermeira Betty. O diretor cria uma discussão interessante sobre choques culturais e guerra dos sexos. O problema é o tom do filme, que não se decide entre humor negro e terror. Acaba parecendo uma comédia esquizofrênica, que zomba do terror.

Nicolas Cage exagera um pouco na composição de seu personagem, algo que atrapalha um pouco mais a história. E ainda acredito que ele devia ter pedido uma séria mudança na cena em que se veste de urso. Seus melhores momentos são as porradas na mulherada da vila (Observação: sou absolutamente contra a violência contra as mulheres, mas poxa... ficou engraçado no filme...).

NOTA: 6

Crupiê - A Vida em Jogo



Sacana e inteligente. Mike Hodges, dono de uma carreira no mínimo irregular realiza seu melhor trabalho em Crupiê - A Vida em Jogo. O filme é existencial sem ser chato e repleto de informações sem ser didático. O roteiro é curto e o final não se enrola, está no lugar certo. É completamente racional, não emociona, como seu protagonista, Jack, interpretado por Clive Owen.

Aliás, Owen está tão magnífico. Sua atuação é genial, comanda o filme, carrega ele nas costas até quando a história não ajuda. Mesmo com seus desvios narrativos bobos e desnecessários, nos interessamos pelo que vai acontecer graças ao ator.

Crupiê é um filme que merece ser visto mais de uma vez, estudado pela bela estrutura (mesmo que um pouco falha em alguns momentos). É uma pequena aula de cinema que vale a pena assistir.

NOTA: 9

O Último Tango em Paris



Filme importante pela coragem com que encara a sexualidade e pela união dos talentos de Marlon Brando e Bernardo Bertolucci. Mas não dá pra deixar seus defeitos passarem em branco só por isso. É um filme safado, que tenta se aprofundar no discurso sobre existências vazias. Acaba chovendo no molhado na maior parte do tempo. A história da garota é ruinzinha de dar dó. Seu namorado babaca faz um filme com ela no papel principal. É uma reflexão interessante, no filme errado. Além disso, a briga entre ela e o namorado merece entrar na lista de piores brigas do cinema.

Mas quando Marlon Brando entra em ação, o filme ganha inquestionável energia. Bertolucci construiu vários e belos monólogos para seu personagem, e usa de longos planos-sequência para deixar Brando ainda mais a vontade. O resultado é genial. O monólogo do personagem no funeral de sua mulher é, provavelmente, um dos melhores momentos de Brando.

Merece ser visto e revisto e tem sua razão para entrar na história do cinema. Mas oferece muito menos do que pensa oferecer.

NOTA: 8

Twin Peaks - 02


Estou surpreso com a qualidade de Twin Peaks. Para falar a verdade, como já disse antes, já sei quem matou Laura Palmer, o grande segredo da série e muito de sua "mitologia". Mesmo assim, a série me pegou pelo colarinho. É absurdamente sensacional. O arco dramático dos personagens é fascinante. O assassinato de Laura Palmer é apenas um de muitos mistérios que estou agora a caça.

Série maravilhosa e obrigatória para fãs de David Lynch e arte em geral.

Twin Peaks - 01


No último sábado comprei a edição definitiva de Twin Peaks (a tal Gold Box Edition). Estou começando a assistir a série aos poucos. Lembro de ter assistido o filme Twin Peaks - Os Últimos Dias de Laura Palmer (o que estraga um pouco já que... bem... eu sei quem matou Laura Palmer, doh') e ao piloto. E que quando passava na TV de manhã, me causava terríveis pesadelos com o anãozinho na sala vermelha.

Anyway, tem sido um enorme prazer redescobrir esta maravilhosa série. Criada por David Lynch e Mark Frost, conta a história das consequências do assassinato de Laura Palmer (doh') na pacata cidade de Twin Peaks (doh').

Os episódios narram diversas histórias paralelas, que formam uma ampla e complexa teia de eventos que a cidade esconde. A maldade está presente nas coisas mais simples (como um plano de falência para a empresa madeireira) aos mais complexos, que misturam sonhos codificados e visões de espíritos.

Dá pra entender de onde vieram as idéias mais complexas que vemos hoje na TV, como Arquivo X ou Lost, por exemplo. Graças a uma originalidade única, Twin Peaks ainda parece moderno em comparação.

E eu não podia estar mais orgulhoso de mim mesmo por ter comprado. =)

Caché



Poucos diretores conseguem brincar tanto com o público através da narrativa como Michael Haneke. Em Caché, podemos sentir que o diretor está o tempo todo presente, sorrindo de canto, pensando em como vai nos enganar. Mantém os planos sempre gerais, nos faz procurar pelo que não existe em seus enquadramentos. Parece fazer um estudo de paranóia no início, só para aos poucos, mostrar suas garras e fazer-nos reconhecer que fomos tão bem manipulados quanto seus personagens.

O filme conta a história de um casal francês que começa a receber fitas de vídeo com imagens da frente da sua casa. Com a certeza de que se trata de uma ameaça, o casal tenta buscar a verdade do que está por detrás daquilo. O bicho pega, porém, porque não é nesse suspense que Haneke quer que prestemos atenção. Estão lá fortes dramas familiares, vividos com intensidade e uma impressionante falta de comunicação.

Aos poucos, o leque do diretor se abre cada vez mais, até sermos obrigados a reconhecer o brilhantismo de tudo. O diretor consegue estabelecer uma metáfora brilhante sobre a responsabilidade de assumirmos nossa culpa pelo passado, mesmo que não tenhamos participado diretamente (no caso, a violenta relação entre França e Argélia). Afinal, quem sai perdendo com o silêncio (como deixa claro o enquadramento final) são as futuras gerações.

Arte é isso. E Caché, é obra-prima pra ser estudada e comentada.

NOTA: 10

Snatch - Porcos e Diamantes



Digam o que quiserem, mas eu considero Guy Ritchie um puta diretor, mesmo que aparente só se repetir. Snatch - Porcos e Diamantes é seu filme mais criativo, e consequentemente, mais engraçado. Não faz o menor sentido, parece uma versão descerebrada de um filme de Tarantino. E olha que Tarantino não tem lá o melhor dos cérebros. A diversão está em como todas as peças do quebra-cabeça se encaixam de maneira criativa.

Brad Pitt está ótimo com seu sotaque bizarro; Dennis Farina vive sua melhor atuação como Primo Avi; Vinnie Jones mostra o que é ser um badass de verdade; Jason Stathan brilha com sua eterna seriedade; mas vamos lá: O filme é do Tijolo, vivido por Alan Ford com uma energia e cinismo incomparáveis. De longe, é um dos vilões mais engraçados e perigosos dos últimos anos.

Mesmo parecendo uma versão 2.0 de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (da qual a parte 3.0 seria RocknRolla?), Snatch sobrevive e merece ser visto pela excelente montagem (que já brilha na abertura criativíssima), que transforma a obra numa experiência cinematográfica única... do jeito de Guy Ritchie.

NOTA: 9

O Pequeno Príncipe



Quase genial adaptação do livro. Quase, porque se enrola em alguns números musicais desnecessários, que infelizmente são vários. De qualquer maneira, o filme triunfa nas partes da adaptação em que acerta. É ousada a maneira como mistura animação e imagens reais (principalmente pela época), e o ótimo uso de lentes quando o Pequeno Príncipe visita outros planetas. Também é bacana que o melancólico final tenha sido mantido, e é só a última canção que envolve o que acontece que realmente funciona.

A direção de arte do filme é um espetáculo a parte, assim como os figurinos. A fotografia é boa, mas podia ser melhor. O destaque acaba sendo o pequeno ator mirim Steven Warner numa performance surpreendente. Reparem seu talento no monólogo sobre a importância das ovelhas e flores. E, claro, Gene Wilder, que com seu talento e olhar de bondade infinita transforma a Rapossa no melhor trecho da história.

NOTA: 8

Morte no Funeral



Dirigido pelo, vá lá, competente Frank Oz (de Será Que Ele É?), Morte no Funeral é um filme fraquinho salvo pelas boas piadas do roteiro e, principalmente, do elenco. O roteiro e a direção soam esquisitos, parece uma peça de teatro transformada de qualquer jeito num filme (observem as marcações de cena). Mesmo assim, consegue divertir pelo inusitado da situação. É um filme de saboroso humor negro e britânico.

O melhor do filme são as cenas em que a família se encontra toda reunida. São os momentos em que o roteiro realmente funciona, mesclando bem a narrativa e as histórias dos personagens. O problema é quando as histórias ficam "isoladas", já que se algumas funcionam bem (o pobre sujeito que tomou Valium e o anão) outras parecem encheção de linguiça (principalmente, a paixão de um personagem pela infeliz que vai casar com o sujeito do Valium). De qualquer maneira, vale a pena ser visto.

NOTA: 7,5

Team America - Detonando o Mundo



America - Fuck Yeah!

Sátira absolutamente perfeita das produções de Jerry Bruckenheimer e Michael Bay. Abre com uma sequência hilária na qual o Team America detona todos os pontos turísticos de Paris só para prender quatro terroristas. Provavelmente, é o filme de bonecos mais impressionante e ousado da história. E o melhor é que Trey Parker e Matt Stone (a.k.a. os caras de South Park) nem se preocupam em disfarçar a tosqueira da técnica: pelo contrário, criam cenas em que a tosqueira dá o charme, como nas hilárias cenas de luta.

Politicamente, é totalmente incorreto. É vulgar, ofensivo e tudo mais. Mas funciona, é hilário ver Kim Jong Il como o grande vilão da produção. Os diálogos expositivos, típicos de filmes de ação babaca estão lá, e dão o tom da sátira. Além disso, a cena de sexo entre bonecos é inigualável.

Cult desde que teve seu trailer lançado, Team America é uma obra extremamente original que vale sempre ser revista. Principalmente pela distinção que faz das pessoas. Que se dividem em três grupos: Os paus, as vaginas e os cus. Pra entender a lógica... assista.

NOTA: 9,5

Isto é Spinal Tap!



Documentário feito em 1984 sobre a lendária banda inglesa Spinal Tap, durante sua turnê pelos Estados Unidos. Infelizmente, as coisas não vão bem para a banda, com shows cancelados, brigas internas, e com a gravadora que não aprovou a capa do disco. O documentário é sensacional ao expor os conflitos e mostrá-los ao espectador. O único detalhe é que... bem... a banda nunca existiu. Na verdade é um documentário-farsa (mockumentary) dirigido por Rob Reiner.

Isto é Spinal Tap não é clássico a toa. É interpretado genialmente por todos os atores (incluindo Reiner), e com a ajuda de Cristopher Guest, que virou um gênio no assunto. As discussões são todas engraçadíssimas, e nem mencionei o triste destino dos bateristas da banda (um deles morreu de combustão espontânea!). É um filme que mostra o talento que Rob Reiner já teve, e que infelizmente se perdeu.

NOTA: 9

Control



É uma cine-biografia interessante, que foge de todas as convenções do gênero. É inusitada pela frieza que vai desde a fotografia até a marcação de cenas. O diretor Anton Corbijn é também fotógrafo, e dos bons, e demonstra seu talento na composição dos enquadramentos. A perfeição estética é marcante e é uma pena que a distribuidora do filme aqui no Brasil tenha deixado seu filme em tela cheia (4:3) sem qualquer cuidado.

Anyway, o filme conta a história de Ian Curtis, vocalista do Joy Division. Marido e pai cedo demais, o jovem parece ser um adulto num corpo de criança, apenas para aos poucos inverter essa ordem. As cenas de shows são muito bem filmadas, rivalizando até com as de Quase Famosos. O impacto que a banda teve na época pode ser sentido graças a isso.

Só é um pouco lamentável que o filme se arraste um pouco perto do final, e que demore um pouco mais do que deveria para estabelecer uma relação emocional entre Curtis e o público. quando isso acontece, já estamos quase no terceiro ato. Mas só por variar da quase receita de bolo de histórias trágicas de músicos no cinema, tipo Ray ou Johnny e June, vale muito ser visto.

NOTA: 8,5

Encontros e Desencontros



Bill Murray é o cara. Ator cômico de talento infinito, ele teve a chance nesse Encontros e Desencontros de mostrar ao mundo seu poder de interpretação. A cena em que ele canta "More than This" enquanto olha para Scarlett Johansson e, talvez pela primeira vez, parece entender o singnificado da letra da música, ao mesmo tempo em que procura entreter o resto dos convidados da festa é uma aula de interpretação, sutil e perfeita.

Mas o segundo filme de Sofia Coppola tem muito mais méritos do que isso. Parece um filme pop sobre a obra de Antonioni. Sobre silêncio e ausência de comunicação. A personagem de Johansson parece um alter-ego da diretora, e a atriz, assim como Murray, ao manter a atuação num nível discreto consegue um resultado encantador. É comovente observá-la vagando or Tóquio em busca de vai-saber-lá-o-que.

É também um romance incomparável, ousado e belo como poucos, com uma trilha sonora indie que, discretamente faz o filme ser perfeito. Terminá-lo com Just Like Honey do Jesus and Mary Chain já é fato merecedor de troféus.

Enfim, filme indispensável.

NOTA: 10

Blog de Ouro


Ok, recebi uma indicação ao Blog de Ouro! Uau! Agradeço muito ao Ibertson Medeiros do Cinema Para Todos. Nem sabia que isso existia, mas enfim, de acordo com as regras devo indicar mais quatro blogs para o dito cujo e publicar as regras. E aí vai:

Immer Wieder: http://immerwiederblog.blogspot.com/
Cinema O Rama: http://www.cinemaorama.com/
Cinema Para Todos: http://cinema-para-todos.blogspot.com/
Os Filmes: http://osfilmescinema.blogspot.com/

Os indicados devem seguir as seguintes regras:

1)Exibir a imagem do selo;
2) Postar o link do blog que te indicou;
3) Indicar 4 blogs de sua preferência;
4) Avisar os seus indicados;
5) Publicar as regras;
6) Conferir se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

Fim de Caso



"Este é um diário do ódio..."

Assim, Fim de Caso se anuncia. Narrando um triângulo amoroso trágico, o filme do brilhante Neil Jordan é uma obra-prima do início ao fim. E o diretor deve ser respeitado por no mínimo duas outras obras-primas: Nó na Garganta e Traídos pelo Desejo. O filme, baseado no romance de Graham Greene (que também escreveu O Americano Tranquilo) é poético, lírico. A fotografia e todos os detalhes de produção (incluindo as fontes dos créditos) nos remetem a um filme que parece ter sido filmado nos anos 40 e, mágicamente colorido e restaurado. Ou pelo menos, é a sensação que eu tive. O que há de diferente nas obras da época é o que garante a perfeição da história, porém. A forte sexualidade e a maturidade do roteiro são contemporâneos e bem aproveitados. As cenas de sexo são lindas. São reais como poucas, no cinema.

Neil Jordan, que também assina o roteiro narra a história simples de forma não-linear, mas seguindo uma linha de raciocínio perfeita, tornando a narrativa cada vez mais envolvente e emocionante. A trilha sonora é uma das melhores já realizadas para um filme desse estilo.

O trio de protagonistas é único: Ralph Fiennes transforma o protagonista Maurice Bendrix num perfeito anti-herói. Não esconde em nenhum momento os lados mais desagradáveis do personagem (como a cruel sinceridade no diálogo com o marido traído), mas não se distancia do público. Acreditamos no seu amor por Sarah. Julianne Moore está brilhante como sempre, mas se há algo para comentar é que ela nunca esteve tão linda em um filme, como nesse. E para fechar, Stephen Rea (em mais uma de suas parcerias com Jordan) torna seu personagem na grande figura trágica da história. Aparentemente incapaz de demonstrar amor pela esposa, é com ele no final que choramos.

Fim de Caso é um romance pouco lembrado, e que me lembro perfeitamente de ter assistido pela primeira vez em 2001 (quando eu tinha... deixa eu ver... 15 anos, nossa!). Lembro do impacto que tive, de como reagi fortemente a obra. E agora, oito anos depois, só posso afirmar que o filme pareceu envelhecer como um dos melhores vinhos que já provei.

NOTA: 10

Ressaca de Amor



É mais uma comédia de classe, produzida por Judd Apatow. É extremamente divertida e simpática. Aliás, diferente dos outros exemplares, como Superbad por exemplo, evita as piadas escatológicas e de mal gosto o máximo que pode. É uma comédia romântica doce, melancólica, mas muito, muito engraçada.

Protagonizado e escrito por Jason Segel, conta a história do músico que é abandonada pela atriz Sarah Marshall que o trocou por outro músico, bem mais famoso. Quando ele decide se recuperar viajando para o Havaí, surpresa: Sarah Marshall está lá com o novo e descerebrado namorado. Para a surpresa do protagonista, ele acaba se aproximando cada vez mais da recepcionista do hotel (Mila Kunis, do That 70's Show).

O filme sofre apenas com o roteiro, que é repleto de excelentes piadas que acabam não sendo bem aproveitadas, por exemplo, o temperamento explosivo do irmão do protagonista, (Bill Hader, ótimo) ou a bizarra história dos habitantes do lugar. Jason Segel carrega bem o filme nas costas, demonstrando uma total falta de vaidade ao surgir nu, em um dos foras mais contrangedores já filmados. Aliás, as pontas de Paul Rudd e Jonah Hill mostram mais uma vez o seu grande talento e timing cômico.

Porém, é também lamentável que o roteiro transforme Sarah Marshall num demônio, logo depois de ela dar uma justificativa extremamente plausível para ter terminado o relacionamento (numa das melhores cenas do filme). Mesmo assim, Ressaca de Amor tem uma moral bacana, e é um belo exemplo de como fazer uma comédia romântica, que mesmo sem fugir dos esquemas, consegue ser inteligente e doce ao mesmo tempo.

NOTA: 8

Sete Vidas



É como assistir um nenê fazendo cocô: é bonitinho e tudo mais, mas você sabe que dali, só tá saindo merda. Com um elenco talentoso e que obviamente está empenhado no projeto, o filme é esquemático e, pior de tudo, chato, longo. Tenta criar drama atrás de drama, mas só se enrola. E pior, as histórias mais interessantes são deixadas de lado, principalmente o cego interpretado por Woody Harrelson. Era de se esperar mais do talentoso diretor Gabrielle Muccino.

Mas reclamar da chatice é ser superficial demais. Na verdade, o filme começa muito bem, com uma montagem não-linear que realmente envolve o espectador. Porém, depois que o público finalmente entende a situação (mesmo que parcialmente), o filme se embola de um jeito que nem a boa interpretação de Will Smith salva. As metáforas são bobas, a história, muito mal amarrada, mesmo com suas boas intenções.

O pior é que tenho a plena sensação de que se for revisto, poderia facilmente identificar todos os furos presentes ali. Mas não me atrevo a ver essa chatice piegas de novo.

NOTA: 3

A Troca



A prova de que um cara é mestre na direção, é quando o filme é incrivelmente cheio de defeitos, e ainda assim, mantém o espectador grudado a tela curioso no que vai acontecer. Clint Eastwood é fodão, perdoem meu francês. A Troca sofre de sérios problemas no roteiro (especialmente no último ato), mas é uma experiência cinematrográfica rica e emocionante.

Conta a história de Christine Collins, cujo filho desapareceu e foi reencontrado cinco meses pela polícia de Los Angeles. Reencontrado, mas com um detalhe: o menino não é o filho dela, e a jornada da mãe pela verdade é o que guia a história.

(Não é spoiler, mas se não assistiu, não leia esse parágrafo...) É uma pena que o roteirista J. Michael Straczynki (como observou o crítico Pablo Villaça) parece não saber como terminar o filme. Se enrola todo ao tentar dar um desfecho ao assassino que tem a história paralelamente contada, e não chega a lugar nenhum, acrescentando uns 20 minutos de filme totalmente desnecessários. Além de narrar dois julgamentos simultâneos (o que seria suficiente para um clímax forte), o roteirista ainda vai saltando cada vez mais os anos ao final, sendo que o arco narrativo já estava fechado.

Mesmo assim, a forte direção de Eastwood dá a força ao filme, que ainda conta com a melhor performance de Angelina Jolie até aqui. John Malkovich está bem, mas seu personagem é completamente sabotado pelo roteiro (mas é um alívio toda vez que ele aparece).

Enfim, por mais problemas que A Troca possua, é um filme importante e mesmo sendo o mais fraco que o Tio Clint tenha feito na década, só mostra o quão talentoso ele se mantém.

NOTA: 7,5

Muto - Curta-Metragem de Animação

Feito em Buenos Aires, Muto é uma animação bem feita e extremamente original. Valeu MUITO a pena conferir:

MUTO a wall-painted animation by BLU from blu on Vimeo.



http://www.blublu.org/sito/video/muto.htm

(Dica de Luiz Silveira A.K.A. Meu chefe... de novo...)

No Vale das Sombras



Feel-Bad Movie, mas com ideologia forte, impossível de ignorar. Paul Haggis cria quase um conto de horror sobre os traumas psicológicos dos soldados americanos no Iraque. Usa de alegorias discretas (mas ainda assim alegorias) para expressar sua opinião: a gota de sangue antes de uma notícia fatal, o corpo esquartejado e queimado, a mulher que pede ajuda depois que o namorado tentou afogar o cachorro na banheira. Mas é tudo bem escrito, afinal Haggis é um roteirista competente, e o filme realmente é grande e notável.

Tommy Lee Jones merecia todos os prêmios do mundo pela sua atuação minimalista e carregada de sofrimento, como o pai que perde seu filho na guerra. Jones demonstra uma sutileza marcante, que é bravamente respeitada pelo diretor: o luto é respeitado e jamais explorado pela câmera, que sempre se mostra longe ou ausente nessas situações.

No Vale das Sombras não é um filme exatamente perfeito, mas merece ser conferido pela maneira direta em que mostra sua opinião, que é bem resumida no último e belo enquadramento do filme.

NOTA: 9,5

Ele Não Está Tão a Fim de Você



Parece uma tentativa nada bem-sucedida de emular Simplesmente Amor de Richard Curtis. Tem várias histórias narradas paralelamente, todas sobre relacionamentos. Com todo o perdão do mundo, já me encheu o saco assistir cenas em que personagens discutem se é certo ou não ligar no outro dia, após sair com uma pessoa. Também encheu essa história de mulheres são sonhadoras e homens são perfeitos cafajestes que são muito conscientes em suas maldades.

Desabafos a parte, o filme não é de todo ruim graças as performances de Ben Affleck, Jennifer Aniston e Jennifer Connelly. Os três dão sentimento e profundidade em seus personagens mal construídos pelo roteiro. O melhor personagem é o de Justin Long, e o jeitão de moleque do ator combina perfeitamente. Drew Barrymore nunca foi tão mal aproveitada num filme, quanto nesse.

A direção de Ken Kwapis (do escroto Licença para Casar) é patética e a montagem, desde a estrutura do roteiro é ridícula. O pior de tudo é que o filme se enrola por duas horas para resolver dilemas ridiculamente simples. Mas talvez, quem sabe... Eles não estivessem tão a fim de fazer um bom filme...

NOTA: 3,5

Ghost Town - Um Espírito Atrás de Mim



David Koepp é um cara talentoso. Mas todos os filmes em que ele se envolve tem o mesmo problema. São ótimas idéias mal desenvolvidas. Idéias ousadas, que estimulam o público, mas Koepp parece ter medo de ousar e acaba sempre caminhando no tradicional no fim das contas (vide A Janela Secreta e O Quarto do Pânico). É desse mesmo mal que sofre Ghost Town. Mas para sorte do cineasta, ele estava com o ator perfeito no papel principal, e o filme vale ser conferido só pela performance genial de Ricky Gervais.

Interpretando o dentista que começa a ver fantasmas (e em vez de se assustar, fica tremendamente aborrecido com o fato), Gervais carrega o filme nas costas graças a força de sua interpretação. É uma pena que o roteiro de Koepp boicote o personagem, achando que ele precise de uma redenção ou coisa do tipo. Besteira. O fato do personagem ser tão inusitado já bastava, e não era necessário forçar um romance. Mas Koepp não confiou no seu talento em surpreender com o inusitado, algo que ocorre com frequência no filme até o início do terceiro ato. Mesmo assim, é seu melhor trabalho como diretor, e mais uma prova de que Ricky Gervais é um gênio da comédia.

NOTA: 8

Real Time Web Analytics