O Lenhador



Junto com Na Captura dos Friedman, é o melhor filme já feito sobre pedofilia. Com um roteiro brilhante, o filme segue um personagem preso por 12 anos por molestar garotas de 10 a 12 anos depois de ser libertado. Kevin Bacon faz seu melhor trabalho como ator aqui, criando um personagem complexo, com o qual o espectador tem forte identificação pela culpa que ele sente, mas que consegue ser ameaçador também.

Aliás, o trabalho do ator é tão perfeito, assim como a estrutura do roteiro, que quando um policial faz um discurso terrivelmente humilhante para com ele, não deixamos de dar razão ao policial, e mais: não sabemos se nós mesmos falaríamos daquela maneira (e o diálogo que eles travam no final do segundo ato é igualmente forte e esclarecedor).

O Lenhador tem um começo um pouco fraquinho, com sua montagem modernosa (que logo desaparece), mas é forte e impactante como poucos. Seu clímax é um diálogo tão simples e tão forte que é de se lamentar um pouco também como o filme exagera um pouco nas referências (a garota de vermelho, etc.). Mesmo assim, é dramaticamente uma obra complexa e que se não agrada a muitos, agrada muito aos poucos que assistirem.

NOTA: 9,5

Babel



Babel não é um filme bom, e dá muita, mas muita raiva disso. Até a metade, funciona de maneira perfeita, a trama se mostra complexa e surpreendente. Tudo para que, no final, o filme se arrume de um jeito banal e melodramático. A idéia é bacana, mostrar a falta de comunicação no mundo, não apenas entre as línguas, mas com pais e filhos também. Mas as tramas acabam ficxando deslocadas, principalmente a da garota japonesa surda-muda, que tem a melhor atuação no filme, mas que tem uma ligação no mínimo esdrúxula com o resto da trama. Parece estar no filme errado o tempo todo.

Alejandro González Iñárritu e Guillermo Arriaga conseguiram fazer duas obras exelentes seguindo o mesmo esquema, Amores Brutos e 21 Gramas. É curioso notar que Babel é o filme mais linear da dupla, e também o menos bem sucedido. A montagem tecnicamente é perfeita, mas a linearidade (que acredita estar escondendo segredos do público quando tudo é muito óbvio) beira o patético numa cena ao final (a ligação de Brad Pitt). Em prol de uma dramaticidade artificial, o filme obriga os personagens a realizarem coisas estúpidas (principalmente no final da trama no México).

O fato de Babel não ser uma obra poderosa é lamentável, já que após assistí-lo, não tem como não admirar a coragem do filme ao expor a arrogância americana perante ao mundo, os problemas da imigração ou da própria sexualidade dos adolescentes. Só que faltou esmero no roteiro, e não tem como ficar profundamente decepcionado com o resultado final.

NOTA: 5

O Menino do Pijama Listrado




Só esse ano, vi dois filmes novos sobre o holocausto, O Leitor e Um Homem Bom. Ambos se beneficiam de olhares diferenciados pelo tema trabalhado. O Menino do Pijama Listrado tenta ser isso, mas falha. O filme tem o problema de "encher linguiça" demais. Se fosse um filme mais subjetivo do ponto de vista da criança (como o excelente O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias), seria uma obra-prima, sem dúvida, pois a história é intrigante, e as vezes traiçoeira (como ao apresentar até mesmo a criança com um lado obscuro).

É um filme interessante de assistir, não há dúvida. Não tem como perder a vontade de assistir no meio. Quando se foca no olhar sensível de Bruno, como suas conversas com o empregado judeu da casa, ou com o tal do pia de pijama de listrinha. Já o conflito da mãe com o pai surge de maneira forçada, e até desnecessária. O que é uma pena em vários sentidos, mas principalmente, por desperdiçar os talentos de Vera Farmiga e David Thewlis.

Brilhante em seu desfecho (não podia terminar de outra maneira), O Menino do Pijama Listrado é um filme que merece ser visto, mas mesmo comparado com filmes de holocausto desse mesmo ano, já não tem muitas vantagens. Mesmo assim, não tem como não recomendar.

NOTA: 7,5

Foi Apenas um Sonho






Sam Mendes já tinha trabalhado com o tema do horror dos subúrbios, e de maneira bem mais ácida, em Beleza Americana. Mas Foi Apenas um Sonho não é de se jogar fora. Só parece que o estilo do diretor não combinou com o roteiro, dessa vez. Mendes, que também dirigiu os subestimados Estrada Para Perdição e Soldado Anônimo, faz aqui seu filme mais fraquinho, o que não quer dizer nada, já que sua obra tem sido extremamente consistente.

O filme é extremamente depressivo e pessimista, sem poréns. Apresenta o sonho americano de maneira melancólica, lembra Tempestade de Gelo de Ang Lee. O casal de Titanic, Leonardo DiCaprio e Kate Winslet estão em atuações maravilhosas, e sua química na tela é incandescente. O destaque do elenco, porém, vai para Michael Shannon, que em apenas duas cenas rouba o filme para si, numa performance inquietante.

Foi Apenas um Sonho é um filme visualmente bonito (mais do que deveria ser, eu penso), que também se perde por sua estrutura de flashback no início, que surgem intrusivos. Claro que as cenas apresentadas deviam aparecer, mas poderiam ser mais orgânicas. Mesmo assim, é um filme de atuações geniais, e com uma das melhores cenas finais dos últimos anos.

NOTA: 8,5

Terra de Ninguém (2006)



Sabe quando você está assistindo um filme e, sem querer, você cochila no meio e ao acordar não entende mais nada? Então... esse Terra de Ninguém é exatamente isso, com a diferença que você nem precisa cochilar, já que ao final, nada faz muito sentido. Começa bem, com um tom de sátira política que se leva a sério, mas depois da metade descamba feio.

É triste ver atores como Ralph Fiennes e Donald Sutherland se esforçando tanto por um filme que não dá a mínima para a construção de seus personagens. O roteiro se preocupa muito mais em tentar ser inteligente, com diferentes referências a políticas de vários países, mas o resultado é meio cômico até nisso. Política, para Robert Edwards, roteirista e diretor, parece se resumir a assistir V de Vingança. O filme engana de início até na fotografia, que é interessante, e depois não fica tão diferente de fotografia de filmagem de casamento. Tem algumas idéias que funcionam, como o telejornal e sua publicidade descarada, mas são momentos isolados.

Enfim, Terra de Ninguém é uma baita babaquice que passou em branco por todo mundo, mas que eu tive a infelicidade de ver. Evitem.

NOTA: 3

PS: Não confundir com o maravilhoso Terra de Ninguém de Danis Tanovic, ou o Terra de Ninguém, do saudoso Terrence Mallick


PS 2: Agora é só torcer para que parem de chamar filmes com o nome de Terra de Ninguém.

Inception - Trailer

Trailer do filme novo do grande Cristopher Nolan. Intrigante, no mínimo...

A Idade do Ouro


 

"Estou tão feliz, tão feliz por ter matado as crianças de nossa nação..."

Obra-prima maravilhosa. Ao contrário de Um Cão Andaluz, tem uma narrativa (simples, mas tem) e mostra o lado contestador de Luis Buñuel, crítico ferrenho da sociedade, conformismo e religião, sem falar das fortes e reprováveis políticas dos países europeus na época. É um filme sem uma história definida, parece mais um esboço de várias críticas. Há cenas maravilhosas como a marcha dos soldados aleijados, o sexo na lama, e o suicídio filmado de maneira bizarra e única.

NOTA: 10

Um Cão Andaluz




Professores de faculdades ainda vão encher o saco de muitos alunos procurando respostas na semi-ótica para Um Cão Andaluz, obra mais conhecida de Luis Buñuel e escrita em parceria com Salvador Dalí. Não significa absolutamente nada, é um recorte de pesadelos montado com rara maestria. A montagem é a grande força do filme, suas cenas chocantes até hoje são difíceis de superar.

Quem não vai com a cara do Surrealismo pelo que ele é, vai encher o saco, acusar de falta de lógica, ou pior, achar que a obra tem alguma mensagem subliminar. Quem conhece o Surealismo sabe que seu propósito é justamente a falta de lógica, estética ou narrativa. Mas fazer o que.

NOTA: 10

Cabo do Medo





Cabo do Medo foi uma exigência da Universal para financiar A Última Tentação de Cristo: um filme comercial. É claro que isso não diminui a obra de Martin Scorsese que já fez louváveis filmes mais comerciais, como o próprio Os Infiltrados, mas serve de aviso para quem ainda não assistiu. O filme é mais técnica do que narrativa. Sem os toques de mestre de Scorsese, provavelmente não seria um filme tão bom, pois o roteiro, mesmo competente, desenvolve pouco seus personagens.

Robert DeNiro encarnando o psicopata está realmente assustador, tanto que até sua risada durante uma sessão de cinema soa diabólica. É uma pena que o roteiro, e consequentemente Scorsese, terem achado que o personagem tinha que sobreviver a fogo, água, tiros, facadas e caralho a quatro para funcionar. DeNiro faz tudo perfeitamente, só a equipe que não viu.

O filme é corajoso, e mesmo falho, faz uma interessante análise do conflito de gerações presente no início dos anos 90, quando os hippies loucos viraram pais dedicados, que "sabiam o que era melhor" para seus filhos. A melhor cena de Cabo do Medo é quando DeNiro seduz a filha adolescente do casal. É um diálogo simples, nunca vai longe demais, mas as performances são tão fortes e bem dirigidas, que a obra cresce em tensão para nunca mais parar, e mesmo com os exageros do final, tornam o filme uma experiência altamente recomendável.

NOTA: 8,5

Donnie Brasco



Junto com a trilogia O Poderoso Chefão e Os Bons Companheiros, Donnie Brasco é o melhor filme sobre a máfia italiana nos Estados Unidos. Dirigido pelo inglês Mike Newell, de todos os outros citados, é o que tem a visão mais cínica, mistura a visão romatizada de Coppola com o realismo de Scorsese.

O filme conta a história real de Joe Pistone (Johnny Depp) um agente federal que está infiltrado na máfia, e acaba apadrinhado por Lefty (Al Pacino). A amizade entre os dois é narrada de maneira quase cômica, aliás, o humor está sempre presente na obra de maneira curiosa. Todos os clichês da máfia estão lá, mas conseguimos até rir deles.

E nisso, vamos para o personagem Lefty, interpretado de maneira magnífica por Al Pacino. Trabalhando dedicadamente na máfia, sabem todas as regras e códigos de trás pra frente, Lefty é na verdade um peão, usado descaradamente por seus amigos, enquanto sonha com o reconhecimentos pelos seus atos. Newell usa de cenas singulares para apresentar o personagem, como quando Depp vai ao apartamento dele na ceia de natal ou na cena do hospital. Pacino e Depp alcançam uma química perfeita, e o diálogo dos dois no carro a respeito de um barco é o melhor momento do filme.

Donnie Brasco é quase uma versão tragi-cômica da história da máfia, mas não se engane: a violência está lá, bem disfarçada até a hora em que explode numa cena extremamente desconfortável. E o que mais tenho a dizer? Forget about it...

NOTA: 10

Inferno



Inferno é um roteiro de Krzysztof Kieslowski que faria parte de uma trilogia: Paraíso, Purgatório e, doh', Inferno. Coube ao diretor Danis Tanovic levar a obra as telas, e ele não fez feio. Tanovic mostra um estilo bem diferente de seu filme anterior, o maravilhoso Terra de Ninguém, e conduz com talento o sublime roteiro de Kieslowski. Inferno conta a história de três irmãs que há tempos não se encontram vivendo grandes dificuldades amorosas: uma delas começa a suspeitar de infidelidades do marido, outra é abandonada pelo amante mais velho e a outra é seguida por um misterioso rapaz.

A fotografia do filme é linda, e remete diretamente ao estilo de filmagem de Kieslowski, porém Tanovic dá uma "modernizada" com movimentos de câmera inusitados e uma montagem inteligente. A transição do trem para os corredores da faculdade é sensacional. Curiosamente, o que faltou a Tanovic para levar a obra à perfeição, foi a falta da sutileza na direção de atores que o diretor da Trilogia das Cores possuía. Esse pequeno defeito compromete o ato final.

Contando com um desfecho impactante, apesar dos pesares, Inferno é um filme consistente e belíssimo, sensível como poucos. É uma declaração de amor a alma feminina, lembra Império dos Sonhos de David Lynch, nesse sentido. E é lamentável que tenha passado batido como passou.


NOTA: 9

Yellow Submarine e Avatar - Trailer


Saiu o trailer do "tão falado" Avatar de James Cameron. "Tão falado" entre aspas mesmo, pois não conheço ninguém que esteja aguardando o filme, só a imprensa que tem tratado o filme com o tipo de publicidade de "como você nunca ouviu falar disso??".

Enfim, sinceramente? Vi o trailer, achei bem feitinho, mas torço por um fracasso colossal, tamanho o ego que Cameron vem demonstrando ultimamente. Clique aqui para ver o trailer.

Fora isso, hoje vi que Robert Zemeckis quer filmar Yellow Submarine com sua bendita técnica de motion capture usada em O Expresso Polar e A Lenda de Beowulf. Será que Zemeckis não percebeu que essa maldita tecnologia é uma merda e que ninguém gosta, fora ele? Para criar um personagem tudo bem, como em Piratas do Caribe ou Senhor dos Anéis, mas todo o filme? Pra que?

Enfim, tão aí dois diretores que eu gosto, mas que deviam ter se aposentado faz um tempo...

Dançando no Escuro



É uma voadora de Lars Von Trier com os dois pés no peito do Tio Sam. Em Dançando no Escuro, Von Trier usa e subverte de um gênero cinematográfico do qual os Estados Unidos tanto se orgulham: os musicais. Mais do que inusitado imaginar o diretor fazendo um musical, mas acredite: Após assistir, você não vai sentir nada do que está acostumado a sentir num filme do gênero. A sensação é que a obra nos esgota emocionalmente, o último ato é quase uma tortura emocional.

Lars Von Trier tem muitos detratores que adoram provocá-lo simplesmente chamando-o de arrogante (fato do qual ele parece se gabar em Dogville, aliás). Mas não dá pra ignorar um filme dele. Ele pertence a uma classe especial de diretores de forte opinião, em que sutileza nem sequer é cogitada. Lembra Spike Lee, por exemplo. Junto com o maravilhoso Ondas do Destino, Dançando no Escuro é um filme emocionante, mesmo com a postura fria e racional do diretor.

Mérito de Bjork que em sua atuação consegue transmitir um oceano de emoções. Aliás, todo o elenco merece destaque pela sua identificação a obra. David Morse, um ator que não tem como entender como nunca foi visto como um ator genial, mostra uma atuação contida, profunda, coisa de ator com A maiúsculo.

Curiosamente, os números musicais do filme são sempre orgânicos a narrativa e ao contrário do resto de filmes do gênero, Dançando no Escuro encontra maneiras sempre acertadas para mostrar seus atores cantando e dançando. A cena da canção em meio a uma ponte na passagem do trem é sublime. E a penúltima música (quem viu, vai entender) é uma verdadeira aula de dramaturgia. É um filme obrigatório, seja para amar ou odiar.

NOTA: 10

Bom Dia Vietnã



Tem duas sequências geniais: a primeira, quando o personagem de Robin Willians faz uma apresentação para as tropas americanas durante um engarrafamento, e a outra a belíssima montagem mostrando o crescente da guerra ao som de What a Wonderful World de Louis Armstrong. E merece ser assistido por estas cenas que são brilhantes, espetacularmente bem feitas.

Infelizmente, Bom Dia Vietnã é certinho demais, e visto hoje, é meio esquisito ver os personagens americanos dizendo aos vietnamitas que estão ali para ajudar o povo. A história já provou o tamanho que foi a cagada lá. Fora isso, irrita o fato de que os mocinhos e bandidos serem tão estereotipados (e o exagero em tornar o general responsável pelo rádio em vilão é de um exagero irritante).

Mesmo assim, tem uma belíssima interpretação de Robin Willians, certamente um de seus melhores momentos. Forest Whitaker está também soberbo, é uma pena que seu personagem seja tão mal resolvido pelo roteiro.

Enfim, Bom Dia Vietnã tem uma parcela grande de erros, mas é um filme bacana de se ver. É alto astral, tem uma mensagem bacana. Só faltou mais cinismo, mais seriedade. Mas seriedade de verdade, pois o draminha bobo do final é um pé no saco.


NOTA: 7,5

Poesia Não Rima Com Rua - Trailer

Trailer de um documentário de meu amigo Jardel Magrão que em breve estréia na Cinemateca de Curitiba. Confiram:

Paranoid Park


 
É o melhor filme da fase mais experimental de Gus Van Sant, que inclui os ótimos Elefante e Últimos Dias. Ao contrário destas duas obras, Paranoid Park alcança uma daquelas raras perfeições em que a estrutura da obra encontra ressonância profunda com o pensamento de seu personagem, um jovem alienado, que só pensa em skates e encontra em contato com o "mundo real" através de uma tragédia.

A estrutura não-linear do filme é justificada através de uma carta sendo escrita pelo protagonista (e narrada através de off), e numa das partes ele diz "Não sei exatamente como contar, mas fará algum sentido no final". É isso que faz Paranoid Park. Através de cenas aparentemente desconexas o filme faz um mosaico interessante de como aqueles poucos se misturam ao todo, criando um painel brilhante.

Gus Van Sant faz um trabalho exemplar na direção, tanto que é provavelmente seu melhor trabalho como diretor, e as cenas no tal Paranoid Park ou a cena no chuveiro mostram seu poder sobre a obra; o uso de slow motion em diversas cenas e a maneira como as figuras paternas do protagonista são mostrados (sempre a distância, ou fora de foco e até mesmo do enquadramento).

Paranoid Park não é um filme fácil de gostar, tanto que nem mesmo eu gostei tanto da primeira vez em que vi no cinema, mas revisto e vendo como todas as peças se encaixam com rara perfeição no final, é impossível negar sua força.

NOTA: 10

Preview - Them Crooked Vultures

Apenas citando nome: Josh Homme na guitarra, John Paul Jones no baixo, Dave Grohl na bateria. A banda se chama Them Crooked Vultures. Foi lançado uma prévia de 14 segundos de uma música. Sim, 14 segundos, mas tente não chegar babando ao final:


Milk - A Voz da Igualdade



 
A fase experimental da carreira de Gus Van Sant fez muito bem ao cineasta. Milk é um filme visualmente ousadíssimo, muito bem montado, conseguindo a proeza de misturar imagens de várias bitolas de diferentes épocas de maneira orgânica a história. Seu único defeito é o roteiro, que tenta se sustentar com uma narração em off desnecessária, e pelo seu final ter um impacto muito menos emocionante do que imaginamos.

Conta a história de Harvey Milk, primeiro homossexual assumido a assumir um cargo público nos Estados Unidos, como supervisor em San Francisco. Sean Penn encarna Milk com trejeitos perfeitos (alguns podem dizer exagerados), e transforma o personagem numa pessoa complexa, que mesmo nas piadas inocentes, tem óbvia seriedade e firmeza. James Franco e Diego Luna acompanham bem Sean Penn como seus amantes, mas é curioso que Van Sant (que também é homossexual) filme todas as cenas de sexo do filme em cenas sombrias. Josh Brolin também demonstra o quanto está melhorando cada vez mais como ator, e deixa uma marca profunda no filme (provavelmente como o personagem mais complexo da obra).

Infelizmente, quando chega ao ato final, o filme se mostra um pouco mais frio e calculado do que deveria, e nem mesmo a morte de um personagem ao final emociona, graças tanto a estrutura do roteiro quanto como a cena foi montada. Mesmo contando uma história realmente interessante e extremamente importante, é uma pena que Milk no final das contas marque o espectador mais pelo engajamento do que pelo coração.


NOTA: 8,5

Sicko - S.O.S. Saúde




Como documentário, não é perfeito: Tem uma introdução bacana, mas no desenvolvimento dos argumentos se perde demais, ao contrário das obras anteriores de Michael Moore. Só se torna realmente excelente ao final, a partir de quando mostra os problemas de saúde dos voluntários do 11 de setembro, e a dificuldade de receber qualquer assistência do governo.

Sicko - S.O.S. Saúde é o filme mais fraco de Michael Moore, o que não diminui sua relevância. Os problemas do filme são que o estilo improvisado do diretor parece não combinar com a obra. Parece atirar para todos os lados, mas são poucas as conclusões que se sustentam que o filme apresenta. Felizmente, o estilo único de Moore, com seu senso de humor bacana e sua cara-de-pau impressionante são o suficiente para recomendar o filme.

O documentário, aliás, merece ser aplaudido de pé pela coragem de exibir (e filmar)  as cenas em Cuba, que é, sem dúvida, o momento mais emocionante do filme (a homenagem que os bombeiros locais fazem ao grupo de pessoas é lindo). Só é de se lamentar que Moore prefira apenas comparar os sistemas de saúde de um país com outro do que apresentar argumentos.

NOTA: 7,5

Dúvida




É um filme para admirar as atuações mais do que qualquer outra coisa. Não me entendam mal, a fotografia do sempre competente Roger Deakins é linda, a cenografia maravilhosa, a montagem é inteligente, mas os méritos de Dúvida estão em Phillip Seymour Hoffman, Amy Adams, Meryl Streep (sempre) e Viola Davis. Dúvida é um filme corajoso sobre um tema sempre controverso, as recorrentes notícias de padres abusando de crianças. Mas como o próprio título anuncia, são as desconfianças e intrigas geradas pela dúvida se o fato ocorreu ou não que importam na história.

Porém, o filme vai ainda mais longe, demonstrando como, de certo modo, a Igreja Católica pela sua hierarquia e tradições acaba, mesmo sem querer, protegendo os padres que tenham relação com a pedofilia, e são nesses momentos em que o filme cresce. O simples contraste entre o jantar das freiras e dos padres mostra isso perfeitamente. Ou mesmo na primeira vez em que as freiras tentam interrogar o padre, no qual sempre deve haver uma terceira pessoa para presenciar a conversa. E também, o fato de que todos os homens serem protegidos pela hierarquia da Igreja; mesmo a mulher com a melhor posição nessa hierarquia está sempre abaixo de qualquer homem presente nela.

Escrito e dirigido por John Patrick Shanley, o filme é perfeito na condução da narrativa e, principalmente na direção de atores. Só erra quando o diretor se intromete demais no filme, com seus enquadramentos "tortos" que surgem sem qualquer motivo. Mesmo assim, Dúvida é brilhante e ousado o suficiente para sobreviver aos seus (poucos) defeitos.


NOTA: 9,5

Entre Lençóis



Filmes sobre sexo, ou que mantém o sexo como um dos elementos mais importantes da trama são sempre instigantes quando bem feitos: A Verdade Nua, De Olhos Bem Fechados, Crash - Estranhos Prazeres ou O Último Tango em Paris são provas disso. Aliás, cenas de sexo quando usadas com inteligência são sempre interessantes, como o clímax de Munique, ou em Marcas da Violência e O Jogador de Robert Altman.

Dito isso, Entre Lençóis é um desastre. Não consegue ser erótico ou pornográfico. Parece Emanuelle dirigido por quem tira as fotos do catálogo de lingeries da Avon. É um desastre do cinema nacional sem precedentes, que só serve para mostrar o quanto Reynaldo Gianecchini tem melhorado como ator e como Paola de Oliveira... é gostosa.

O filme é mal montado, tem a pior fotografia de todos os tempos (e quem fez a "correção de cor" certamente não sabe o que é contraste), e um roteiro clichê, idiota, imbecil. A trilha sonora e toda a parte de áudio do filme é embaraçoso.

Se há alguma reação que o filme provoca não é excitação ou identificação com os personagens mas sim vergonha alheia e inúmeros momentos em que dá uma vontade gigante de gritar de raiva por um troço desses foi pago com dinheiro público. E que toda a equipe técnica do filme vá para a puta que o pariu por ter gerado essa merda.

NOTA: 0

The Imaginarium of Dr. Parnassus - Trailer

Trailer bacana do novo filme de Terry Gilliam, que está sofrendo horrores para chegar aos cinemas, mas pelo jeito, agora vai:


O Lutador



Dono de uma carreira perfeita, Darren Aronofsky finalmente conseguiu agradar ao grande público neste que também é seu melhor filme. Mostrando um talento particular para adaptar seu estilo de acordo com a necessidade da história, assistir O Lutador é uma experiência muito diferente de Pi, Réquiem Para Um Sonho ou Fonte da Vida.

O Lutador é um filme de redenção, sobre um personagem mais do que marginalizado. Em apenas 5 minutos, Aronofsky consegue mostrar o apogeu e decadência do personagem pelo contraste das fotos com o respirar pesado de Mickey Rourke logo no primeiro enquadramento. O filme guarda algumas surpresas para quem espera um final bonzinho, típico de obras sobre redenção. O Lutador tem muito mais haver com Taxi Driver e Touro Indomável, em que seus personagens não são apenas solitários e violentos, mas parecem sofrer também de um curiosa síndrome de auto-destruição.

E como nos clássicos de Scorsese, Robert DeNiro impressiona, assim como Mickey Rourke neste filme. O fato do ator não ter ganhado o Oscar nesse ano deve ser lembrado como uma das maiores injustiças da história da Academia (mas a bem da verdade, o filme foi praticamente ignorado pela Academia, mesmo dando de 10 a 0 em qualquer outro que estivesse indicado). Marisa Tomei e Evan Rachel Wood também impressionam em suas participações corajosas e poderosas.

A direção de Aronofsky também se mostra perfeita, filmando seu personagem de maneira tão carinhosa que deixa o espectador íntimo. O genial uso de efeitos sonoros (Randy ouvindo o som do público quando se dirige ao balcão de mercado; o agudo quando ele tem um ataque no coração) e as belíssimas rimas visuais (a entrada de Randy no ringue; a entrada de Marisa Tomei no palco do bordel) mostram o quanto o diretor é cuidadoso com sua obra.

O Lutador, fácil, fácil foi o melhor filme lançado este ano e é um sério candidato a ser um dos melhores filmes da década, pela sua simplicidade e honestidade comoventes, mas principalmente por trazer uma das melhores atuações dos últimos tempos, e fazer o público sentir imensa vontade de aplaudir o 'Ram Jam' final.

NOTA: 10

A Verdade Nua



"Ser o cara bonzinho é o trabalho mais difícil do mundo quando você não é..." 

A Verdade Nua é uma espécie de especulação sobre a separação da famosa dupla cômica formada por Jerry Lewis e Dean Martin. Não sei muito da história que aconteceu (muito menos se envolveu um assassinato), mas o filme é bem sucedido em sua narrativa. Mais uma vez, Atom Egoyan mostra seu talento em narrar a história como se estivesse montando um  mosaico, no qual quando as peças finalmente se encaixam, formam um drama derradeiro.

Kevin Bacon e Colin Firth se saem maravilhosamente bem como a inusitada dupla. Bacon impressiona com sua versão de Lewis, enquanto Firth consegue talvez pela primeira vez na carreira, interpretar um personagem que parece cada vez mais sombrio e ameaçador enquanto o filme passa. Alison Lohman como a determinada escritora (e fã da dupla) se destaca ao atuar com uma coragem ímpar todas as nuances de sua personagem.

O filme só sofre pelo desnecessário excesso de narrações em off, que as vezes serve para narrar o óbvio, mas não chega a incomodar como parece. A Verdade Nua tem uma sensualidade impressionante, a cena de lesbianismo é filmado de maneira espetacular. A Verdade Nua não chega a ser um dos melhores de Atom Egoyan (que já fez Exótica e O Doce Amanhã), mas é um suspense erótico muito acima da média com atuações espetaculares. Sua fotografia também tornam a obra um deleite para os olhos do espectador.

NOTA: 9

O Paizão



Como a maioria das empreitadas de Adam Sandler é um filme babaquinha, mas não ofende tanto a inteligência do espectador. Consegue ser divertido em vários momentos e tem elenco bacana, incluindo Steve Buscemi, Jon Stewart e Joey Lauren Adams. Mas, como a maioria dos filmes de Adam Sandler a história é babaca demais para se levar a sério como tenta fazer no final. Conta a história do cobrador de pedágio interpretado por Sandler que recebe uma criança em casa por engano do Serviço Social e, claro, fica apaixonado pelo pequenino.

As melhores piadas do filme não vem das cenas de Sandler, mas das participações dos coadjuvantes (Rob Schneider definitivamente prova que devia ser eterno coadjuvante, já que está excelente aqui). Fez sucesso na época em que foi lançado mas anda esquecido, e merecidamente em partes. Mas assistir de volta não mata ninguém, afinal, estou vivo.

NOTA: 5

Um Sonho de Liberdade



Hoje, depois de mais de 10 anos do seu lançamento, talvez não pareça tão sensacional para as novas gerações, mas é o filme definitivo sobre prisão. Quase todo filme (ou série de TV) sobre prisões chupa descaradamente as referências de Um Sonho de Liberdade. E não é pra menos.

Um Sonho de Liberdade consegue ser uma das melhores adaptações de um texto de Stephen King para o cinema, contando a história do pobre bancário que é mandado para a cadeia sob a acusação de ter matado a própria esposa. O filme foi escrito e dirigido por Frank Darabont, que devia só trabalhar com textos de Stephen King, como já comprovou nos excelentes A Espera de um Milagre e O Nevoeiro. Darabont demonstra enorme sensibilidade e coragem ao deixar um tempo na história para narrar a jornada de um dos personagens fora da prisão (Brooks). A estrutura lembra a narrativa de um livro, e funciona muito bem.

Tim Robbins e Morgan Freeman estão em um de seus melhores momentos (Freeman, aliás, adota o estilo de atuação que vem marcando sua carreira: o senhor sábio que também narra o filme: vide Menina de Ouro).

Um Sonho de Liberdade está no topo do IMDB como o filme mais bem cotado. Não é a toa. É sensível, bruto quando é necessário, mas é uma obra atemporal, cujo envolvimento do espectador é profundo e marcante.

NOTA: 10

O Show de Truman - O Show da Vida



Fácil, fácil, um dos melhores e mais importantes filmes da década de 90, e outra das grandes provas de que Peter Weir é um diretor bastante subestimado (ele também dirigiu Mestre dos Mares e Sociedade dos Poetas Mortos, por exemplo). Uma sátira social tão, mas tão eficiente que praticamente vivemos sobre a sua sombra. O Show de Truman preveu o que vemos hoje na televisão: os reality shows. E ao mesmo tempo, consegu ser uma curiosa fábula sobre o "sonho americano" (que já se tornou um pesadelo faz tempo), sobre manipulação.

Truman, vivido com talento por Jim Carrey, foi desde criança manipulado para se tornar um bom cidadão, bom filho, bom marido. Não é a toa que, ao perceber que há algo de errado em sua cidade, comece com a ter um comportamento explosivo, ameaçador quase. O criador do programa, Christof é outro personagem memorável. Aparece pouco até, mas a intensidade da atuação de Ed Harris o leva a outro nível.

O Show de Truman é um filme inusitado, e que merece ser assistido duas vezes: numa primeira, para nos emocionarmos pela própria manipulação que o filme nos prega. Na segunda, para apreciarmos o cinismo de uma história em que os mocinhos não saem de frente da TV, parecem não ligar para mais nada, a não ser o dito do aparelho; lembro-me da frase de Videodrome de David Cronenberg "A tela da televisão é a retina da mente". E esse tom de sátira social (quase política) deve ser creditado ao roteirista Andrew Niccol, que em toda sua carreira tem mostrado uma louvável preocupação com o conteúdo dos filmes nos quais trabalha (O Senhor das Armas e Gattaca - Experiência Genética). É uma obra-prima, obrigatória.

NOTA: 10

Werner Herzog Come Seu Próprio Sapato


Sim, você leu direito. A peripécia do diretor (e guru-espiritual, no meu caso) Werner Herzog foi filmada e transformada num interessante documentário de 20 minutos, no qual Herzog fala sobre o porque de estar comendo o diabo do sapato, e pior, nos convence que foi uma boa idéia no final das contas:




Segurando as Pontas




Evan Goldberg e Seth Rogen são amigos de infância que, aos poucos, estão conseguindo produzir todos os filmes que sonharam na adolescência. Esse era o espírito do maravilhoso Superbad, e que também está em Segurando as Pontas. O filme é engraçadíssimo; é também irresponsável, mas despretensioso, não dá pra dizer que é uma apologia a maconha (mesmo na hilária cena em que os personagens principais fumam um baseado com garotos de uns 14 anos).

A direção de David Gordon Green no  filme faz toda a diferença também. Assim como em Superbad, os produtores (incluindo Judd Apatow) chamaram diretores independentes e talentosos para conduzirem o filme, o que leva essas duas obras a outro nível. Desde a surpreendente cena em preto e branco no início, até as hilárias e frenéticas cenas de ação, David Gordon Green mostra seu talento em conduzir a narrativa, e uma grande segurança na direção de atores, que tem o costume de improvisar bastante.

Aliás, Seth Rogen e James Franco tem uma química invejável no filme. Logo em sua primeira cena juntos, não dá vontade de ver aqueles dois separados. O resto do elenco merece elogios também (principalmente o nada confiável personagem Red, de Danny McBride), a não ser por Rosie Perez que estraga um pouco as cenas de sua policial.

Segurando as Pontas, assim como Superbad, no final das contas é uma obra menos interessada na história (que é bobinha, e cheia de furos), e muito mais na camaradagem, tanto que até o filme reserva um tempo até para mostrar a amizade entre os seus vilões. Portanto, é uma comédia irresistível, daquelas para assistir umas 10 vezes junto com os amigos e tomando umas cervejas.

NOTA: 9,5

Queens Of The Stone Age - Over The Years And Through The Woods



DVD mal planejado, parece ter sido feito com pressa demais. Foi gravado numa época em que a banda ainda se recuperava de alguns baques (a saída de Nick Oliveri e de Mark Lanegan), e ainda entrosava a nova formação. Mas é Queens Of The Stone Age, no mínimo, uma das melhores bandas da década, e merece ser conferido, afinal a banda tem músicas excelentes, e a ótima mania de ficar criando novas versões para suas músicas torna o DVD interessante, no mínimo.

O Set List do show é ok, não é perfeito. Josh Homme e cia. tocam até Desert Sessions no meio e deixam algumas músicas obrigatórias no meio. Além disso, Homme tentando cantar Song For The Dead soa forçado. O melhor, no entanto, está nos extras, que trazem cenas de shows raríssimos, e que eu nunca tinha visto em nenhum youtube da vida, como The Bronze ao vivo em 98 em um show com o Ween, bem no início de carreira. Os comentários em áudio nos extras também são bem bacanas.

Quanto a filmagem em si, tem uma abertura muito bacana "contando a história" da banda ao som de This Lullaby ao fundo, mas no geral, as cenas extras colocadas no show ficam deslocadas. A abertura para Song For The Deaf é boa, as cenas em meio a Long Slow Goodbye e No One Knows também, mas faria mais sentido juntar este material como um extra isolado (quem não gostaria de ver o making of do Songs For The Deaf?). O bacana é que um dos shows do DVD foi totalmente filmado em Super-8 colorido, sensacional.

Enfim, Over The Years And Through The Woods não é perfeito, se tivessem esperado a turnê do Era Vulgaris para fazer o DVD, ia ser perfeito (afinal, a formação atual está excelente). Felizmente, o Queens Of The Stone Age sempre foi e ainda é sinônimo de qualidade, então mesmo suas obras "decepcionantes" são dignas de nota.

NOTA: 8

Nine Inch Nails - Beside You In Time



Um dos melhores shows já lançados em DVD. Com um set list perfeito e vindo da turnê do ótimo cd With Teeth, Trent Reznor a.k.a. Nine Inch Nails mostra pra qualquer um que acuse sua banda de ser "puro marketing" que seu poder está nas músicas, no musical inusitado e nas performances emocionantes dele e sua banda.

O show é bem filmado, vem no formato Widescreen e mostra bem as firulas de iluminação que combinam perfeitamente com o clima das músicas. Em três músicas, há o velho truque de poder mudar o ângulo, algo que nem funciona direito, na verdade. Os destaques, visualmente falando, vão para Right Where It Belongs e The Line Begins to Blur. Já musicalmente, a banda está afiada, algumas ao vivo ficam melhores ainda que as versões de cd, como Something I Can Never Have ou Burn. E o áudio do cd merece elogios, um dos melhores que já conferi.

Os extras são, infelizmente, poucos, mas não decepcionam. Há uma versão ao vivo de Every Day is Exactly The Same que é maravilhosa. Beside You In Time é um DVD obrigatório para fãs, e uma ótima pedida para quem quer conhecer melhor a banda.

NOTA: 9,5

De Olhos Bem Fechados



Filme sacana, pervertido até quando quer ser certinho. E esta é a grande qualidade deste, que foi o último longa de Stanley Kubrick. Fácil concluir que não é uma de suas grandes obras, mas é repleto de toques de gênio. A cena da suruba é muito bem filmada, coloca uma interessante pitada de sagrado no profano. A nudez está presente o tempo todo, as vezes de maneira inusitada, o filme transpira sexo.

De Olhos Bem Fechados conta com uma química brilhante entre o ex-casal Tom Cruise e Nicole Kidman (ela, inclusive, pela última vez linda em um filme). Infelizmente, Kidman parece perdida na personagem, e só no final sua performance fica realmente boa. Já Cruise, segura bem o filme e tem uma de suas melhores atuações aqui (só superada em Magnólia). Vale comentar também da coragem de Leelee Sobieski como a adolescente pervertida que aparece no filme, infelizmente seu único papel marcante até hoje.

Kubrick parece fazer uma mistura interessante do visual dos cineastas David Lynch e Roman Polanski. De Lynch, o vermelho e o azul, a aura de mistério. De Polanski, a sutileza do profano (não sei porque, este filme me lembra de O Bebê de Rosemary). A trilha se mostra uma das mais inspiradas dos últimos anos. Baby did a bad, bad thing surge perfeita, e os fortes toques no piano que marcam as cenas de suspense funcionam de maneira perfeita e orgânica a narrativa.

É uma pena que, na última cena, no último diálogo, o filme dê um tiro no próprio pé, com um diálogo certinho, moralista e chato, que resolve a história de uma maneira rápida e chata. É lamentável ouvir tantas frases clichês depois de duas horas de mistério, do clima sexual. Acaba como um coito interrompido. Foi bom enquanto durou, mas já tive melhores.

NOTA: 8,5

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