Quem Quer Ser um Milionário?




Desde Gladiador que um filme ruim não ganhava o Oscar de melhor filme. Quem Quer Ser um Milionário? é um filme que sofre de umas esquizofrênias esquisitas: meio fábula, meio denúncia, meio despretensioso, meio romance, etc. O roteiro é cheio de furos, pisadas na bola graves. Ok, aceito que um irmão perdoe o outro por vender o autógrafo de um astro que ele conseguiu; agora perdoar o irmão por estuprar a "mulher da sua vida"... olha... e Dev Patel encarna um personagem que já é um tremendo bundão com uns tiques de débil mental; fiquei me lembrando do Simple Jack, do Trovão Tropical em alguns momentos.

E digo essas coisas lamentando muito, já que sou grande fã de Danny Boyle (a ponto de achar pontos positivos em A Praia, por exemplo). É triste acreditar que o cineasta que fez obras sensacionais como Trainspotting, Sunshine - Alerta Solar e Extermínio invista seu talento numa obra que:

a) Usa a pobreza como entretenimento barato;
b) Tem diálogos como "fuja comigo" - "e vamos viver do que?" - "de amor"; (blergh)
c) Tem personagens que mudam de personalidade de acordo com a necessidade do roteiro de uma maneira escancarada;
d) Plágia descaradamente, SIM, a estética de Cidade de Deus.

NOTA: 3

Fay Grim


 
Continuação do magnífico As Confissões de Henry Fool, e quem assistiu ser ver o primeiro, certamente não vai gostar. Hal Hartley criou uma trama inusitada e complexa que satiriza o gênero de espionagem, assim como os recentes Queime Depois de Ler e Duplicidade. Mas Fay Grim vai além: sua trama é tão complexa, que a graça está justamente na confusão da coisa toda, e em ver os excelentes personagens de Henry Fool num universo completamente diferente.

Fay Grim é uma continuação exemplar: a preocupação do cineasta em preencher os espaços do primeiro filme para justificar a trama deste são dignas de aplausos. Por outro lado, Hartley acaba fazendo uma obra menos criativa: se em As Confissões de Henry Fool, parte da graça estava na escatologia, nas elipses que ocorriam em um mesmo enquadramento, em Fay Grim muito pouco disso acontece, e nunca com o mesmo impacto. Mesmo assim, Hartley é um diretor inteligentíssimo, e a obra é recheada de referências políticas interessantes e complexas.

Parker Posey está maravilhosa, e seu figurino sexy (e divertido) é um show a parte. Aliás, todo o elenco que reprisa seus personagens estão magníficos, e demonstram um cuidado exemplar na construção de seus personagens. E Jeff Goldblum encarna o agente da CIA mais incompetente da história com divertida seriedade, se encaixando com perfeição a história.

Divertido e inteligente, Fay Grim é um filme obrigatório, mas deve ser assistido como a continuação de uma história: deve ser praticamente impossível gostar dele sem ver As Confissões de Henry Fool. E vamos lá: é uma exigência bem bacana.

NOTA: 8,5

Mais Estranho que a Ficção




A simples idéia de brincar com a narração em off, com o protagonista ouvindo tudo que está sendo dito já é bacana. Mas o filme se revela bastante ambicioso em sua temática, e faz de Mais Estranho que a Ficção uma obra memorável, que mesmo claramente influenciada pelos roteiros bizarros de Charlie Kauffman, se distingue destes pela frieza com que seus temas dramáticos são retratados.
Negrito
Mesmo tendo todo o visual de comédia (e até Will Ferrell no papel principal), Mais Estranho que a Ficção se revela um curioso estudo de um personagem "nada literário", com que aos poucos vamos nos identificando. E a atuação de Ferrell é uma baita surpresa, mesmo não sendo uma surpresa saber que grandes comediantes são grandes atores também. Emma Thompson e Dustin Hoffman também estão perfeitos (pra variar).

Dirigido pelo eclético e talentoso Marc Forster (de Em Busca da Terra do Nunca e A Última Ceia), Mais Estranho que a Ficção é um filme inusitado que merece ser conferido. É uma obra criativa interessante e corajosa de um jeito que poucos filmes o são. E mesmo sendo uma baita viagem na maionese, acredite que essa viagem vale a pena.


NOTA: 9

O Melhor Amigo da Noiva


 

Patrick Dempsey, Michelle Monagan e Sidney Pollack são os únicos motivos que fazem esse filme ser assistido. É uma obra construída em cima de clichês irritantes, o que é lamentável já que tinha toda uma história bacana no fundo, e que poderia render algo no nível Judd Apatow de comédia. E se cito Apatow não é a toa, já que os melhores momentos do filme são aqueles em que Dempsey e seus amigos homens subvertem regras do gênero, ao se empolgar fazendo cestinhas de casamento, por exemplo.

Mesmo assim, os atores são carismáticos e talentosos, e se o roteiro não tivesse tantas idéias babaquinhas (as madrinhas da personagem são todas esquecíveis e chatas) poderia render um filme muito mais engraçado e divertido. O Melhor Amigo da Noiva tem seus momentos e gags inspiradas, como a negociação do pré-nupcial acontecendo a minutos de um casamento acontecer ou o momento em que Dempsey é convidado para ser "madrinha". Mas o filme fica tão previsível que deu uma grande vontade de nem assistir ao final, já que tava muito na cara pra onde ia.

E é lamentável que este seja seu resultado final, já que o diretor Paul Weiland tem grandes momentos na obra, mostrando-se um diretor com belíssimo olho para composição do enquadramento e de sacadinhas inusitadas. Mas tudo desperdiçado por um roteiro xinfrim.

NOTA: 6,5

Sexta-Feira 13 (2009)


 
Começa bem, com um mini-resumo do que virou a franquia nos últimos e terríveis filmes da série. Dá a impressão de que será um filme imprevisível e diferente... mas não é, e não foi por falta de tentativa. O diretor Marcus Nispel e equipe tentaram ao máximo fazer um Batman Begins do Jason Voorhees, deixando suas aparições assustadoras mais realistas, mas não consegue tirar a previsibilidade da coisa toda. O resultado é que temos o filme do Jason mais realista e bem feito, mas com os mesmos defeitos de sempre.

Mesmo assim, este novo Sexta-Feira 13 sobrevive como um filme decente de terror, e os fão de gore vão se divertir com as técnicas cruéis do querido Jason. Aliás, se o filme tem uma coisa boa é mostrar que Jason é mais espertinho que nos outros filmes: os melhores momentos do longa surgem de estratégias bem comandadas pelo grandalhão, mas aí está o Calcanhar de Aquiles da coisa: se Jason é inteligente assim, fica difícil acreditar que ele acreditaria na falsa imagem de figura materna que certa personagem acaba representando pra ele, o que estraga a coisa toda no final, mas fazer o que?

De qualquer forma, o filme não é ruim, e apresenta no mínimo um recomeço decente da franquia, já que convenhamos: qual tinha sido a última vez que alguém tinha ficado com medo do Jason?

NOTA: 7

A Queda - As Últimas Horas de Hitler



É o melhor filme já lançado sobre o Holocausto na Segunda Guerra Mundial, junto com A Lista de Schindler. É um filme impressionante em todas as suas características, desde estéticas, até ideológicas. Afinal, A Queda força o espectador a enxergar Adolf Hitler não como um demônio maligno do Lucifris, mas sim como um ser humano, com momentos de bom humor inclusive. E chega a ser óbvio que sempre devíamos ter enxergado-o dessa maneira: a simples idéia de que Hitler não era tão diferente assim do resto da humanidade dá uma noção do perigo que ele representou.

Dirigido por Oliver Hirschbiegel, A Queda também impressiona, e muito, em sua fotografia, sua direção de arte: a reconstrução da Berlim destruída pelos russos é impressionante, sempre mostrada em planos abertos dando idéia do tamanho da violência da batalha. O roteiro é hábil em sua estrutura e tem um foco narrativo invejável: é raro assistir a um filme que conte a hitória de tantos personagens sem que um ou outro tenha peso menor no todo. A pequena participação de Himmler no início, por exemplo é suficiente para justificar a explosão de fúria do Fuhrer quando o acusa de traição (e a atuação de Bruno Ganz é, no mínimo perfeita).

A Queda é um drama pesado sobre loucura, desespero, é agonizante e tem poucos momentos de alívio. Mas é também um filme humano de um jeito raro e peculiar, e lembrem-se: é um filme humano... sobre Adolf Hitler.

NOTA: 10

Busca Implacável



Nas mãos de um roteirista melhor, seria excelente. O sucesso inesperado que Busca Implacável fez nos Estados Unidos me deixou com bastante vontade de assistí-lo, afinal, não é todo dia que um filme de ação me empolga, e o seu sucesso deixou uma aura de "algo a mais" no filme. O algo a mais existe, e se chama Liam Neeson, que encarna o protagonista com seriedade e habilidade. O ator consegue sem exageros, retratar bem a obsessão de seu personagem, e faz com que suas habilidades surjam naturais, e ainda mais, que mostre que "o fim justifica os meios", mesmo que os meios sejam atirar em inocentes para conseguir pistas, e mesmo assim, não perde a atenção nem o respeito do espectador.

Já o filme em si é bem dirigido, mas sofre pelo roteiro pedestre, que arma bem todas as situações, mas tem buracos gigantes de lógica. É interessante ver o protagonista solucionar vários mistérios de uma vez só (na cena em que ele entra na "casa da porta vermelha"), mas para isso, os roteiristas ignoram várias coisas: a polícia francesa nem sequer procura um cara que causou destruição enorme na cidade de Paris, e nem sequer os bandidos fazem uma retaliação. Além disso, vários personagens interessantes aparecem para nunca mais voltar: confesso que me interessei muito mais na garota drogada que o personagem salva e no tradutor que ele contrata do que na família que está atrás da filha.

Enfim, Busca Implacável é um filme de ação com algo a mais, mas não acrescenta nenhuma novidade no gênero, algo que eu sinceramente esperava. Mas eu devia me lembrar do porque o nome de Luc Besson nos créditos sempre me deixa com um pé atrás.

NOTA: 7

Os Estados Unidos Contra John Lennon




Documentário interessante, falho em alguns aspectos, mas que merece ser visto principalmente por seu personagem principal, John Lennon. Os Estados Unidos Contra John Lennon usa de animações e uns 3D's básicos fuleiros irritantes que não ajudam em nada, e a trilha sonora é extremamente mal aproveitada (afinal, pense em tudo que eles poderiam usar...). O filme fala sobre a contradição dos sentimentos dos EUA para com a figura de Lennon: amado pelas músicas, odiado pelas autoridades por suas atitudes.

Os pontos positivos porém vão na seleção bacana de entrevistados, que vão desde óbvios, como Yoko Ono, até um tiozão amigo de Nixon que defende as ações do canalha até hoje. O filme também expõem com habilidade as táticas imbecis do FBI e do presidente para vigiar a vida de Lennon, e o efeito psicológico que isso teve no músico.

Mas os melhores momentos vem do próprio Lennon nas imagens de arquivo. Carismático e inteligentíssimo, o ex-beatle tinha plena consciência de que era visto como um lunático utópico, mas usava de todos os meios possíveis para protestar pela paz. E se o documentário tem uma grande razão de existir, ela vem do fato de mostrar que as ações de Lennon (como ficar 7 dias na cama com a palavra Peace, ou os cartazes de War is Over (if you want it) tiveram, sim, grande importância, muito maior do que seus críticos poderiam supor.

Os Estados Unidos Contra John Lennon poderia ser um documentário muito melhor, já que tem momentos chatinhos, burocráticos, e só se mostra muito memorável quando o próprio Lennon aparece. Mas o ato final, quando o filme se concentra mais na pessoa do cantor, especialmente na sua vida familiar da qual foi brutalmente tirado em seu estúpido assassinato mostra a importância de lembrarmos desse ser humano fantástico que ele foi.

E que a guerra realmente acabou. Se quisermos.

NOTA: 8,5

Rambo IV



Assisti aos Rambos a muito tempo, e só lembro de ter gostado bastante do primeiro. O mesmo aconteceu com os Rockys, mas mesmo assim, Rocky Balboa me surpreendeu bastante, como um drama pesado e a atuação perfeita de Sylvester Stallone. Já Rambo IV podia ter sido um filme até superior, graças a temática infinitamente mais pesada sobre o eterno conflito na Birmânia, e o histórico do personagem. Poderia ter sido o que Gran Torino foi para Clint Eastwood. Mas acabou virando um filme de ação bacana, mas não muito memorável.

A intenção de Stallone em denunciar o conflito é bacana, mas ele o faz de maneira muito dúbia. Aliás, ao final, quando refleti sobre a "mensagem" do filme, não pude deixar de constatar que Rambo IV é meio esquizofrênico: critica o conflito de um país, enquanto defende a ação dos mercenários. A forte violência do filme é corajosa, mas tem horas que exagera, com os personagens virando mingau de sangue. E a cena em que Rambo corre da explosão de uma bomba beira o patético (não pude de deixar de rir do fato que me lembrei do Papaléguas).

Mesmo assim, Rambo IV tem vários bons momentos depois do início ruinzinho: as cenas de ação são muito bem filmadas, e não perdem a força mesmo com a montagem fraquinha. A fotografia e a trilha sonora são magníficas, combinam perfeitamente com a obra, que infelizmente, é só mais um filme de ação na prateleira, o que é uma pena.


NOTA: 7

Contraponto



A alguns anos atrás, saiu um jogo de PC baseado em Alice no País das Maravilhas, em que toda a trama da história virava algo sombrio, e não foi a toa que tentaram produzir um filme sobre o jogo, que acabou não indo pra frente. Mas ainda bem que não fizeram isso, pois este Contraponto do gênio (ex-Monty Python) Terry Gilliam é uma subversão, não apenas do famoso conto, como de todos os filmes sobre a inocência da infância. Não é um filme de terror por muito pouco.

É mais do que lamentável que a crítica tenha torcido o nariz para o filme e que ele não tenha feito sucesso nos cinemas. Em todos os níveis, roteiro, direção, montagem, fotografia, trilha sonora e atuações é perfeito. A atriz mirim Jodelle Terland atua como uma garotinha de verdade, simpática e vaidosa, e justamente por isso, sua interação com o universo que a cerca (o pai viciado em heroína; o epilético piromaníaco, etc.) é o que traz a tensão quase insuportável do filme.

Toda a trama de Contraponto é inusitada, as vezes beira o demente. Humor negro e maldade pura se misturam. Gilliam parece fazer uma mistura de Medo e Delírio com Bandidos do Tempo: o frenético e insano do primeiro (e até a atuação de Jeff Bridges lembra a de Johnny Depp), e a melancolia e terror dos contos de fada do segundo.

Contraponto é uma obra de arte extremista e magnífica, e apesar disso, consigo entender perfeitamente o porque várias pessoas não gostariam do filme. Mesmo assim, confio que em uns... 10 anos, muita gente vai olhar pra trás e se arrepender de ter deixado esse filme insano para trás.

NOTA: 10

Exótica


 
Assim como as outras obras de Atom Egoyan, o filme é apresentado de maneira não-linear, e somente aos poucos revela ao público a história em todos os seus detalhes. Exótica é um filme deslumbrante que compensa o ritmo lento de seu início com o poder de suas "revelações". O filme é exatamente o que Iñarritu e Guillermo Ariaga queriam fazer em Babel e em seus outros filmes: um perfeito mosaico com o drama de seus personagens. Mas Egoyan evita o melodrama, e cria um filme extremamente frio.

Beneficiado pelas performances absolutamente perfeitas de seu elenco, o filme conta a história de vários personagens que passam pelo clube de striptease Exótica. Desde o DJ que defende sua ex-namorada e agora daçarina no clube, passando pela "cafetona" e seu drama para lidar com a maternidade, o filme funciona como uma introdução perfeita a obra de Egoyan.

A direção de arte e a fotografia do filme são espetaculares. Os planos-sequência dentro da boate são fascinantes, filmados com um voyeurismo estranho, mas respeitoso. Revelando uma dramaticidade impressionante em sua última cena, Exótica é um filme para ser visto e apreciado mais de uma vez. Nem o fato do striptease ser um dos temas do filme parece ser a toa: como em um stripease, Exótica seduz o público, mostrando aos poucos tudo o que tem. No final, acaba ficando só o vazio.

NOTA: 10

Preview - Stone

Nem sabia que esse filme existia, e acabei de ver o trailer. Parece ser muito bom, e já vale dar um toque pelo elenco: Robert DeNiro e Edward Norton junto com Milla Jovovich em cenas... uau! Direção de John Curran:


Capítulo 27



É o mesmo raciocínio de assistir A Queda - As Últimas Horas de Hitler: é reconhecer que, no final das contas, o cara não era um demônio, mas pior: era um ser humano igual a todos nós. Enfim, Capítulo 27 é um filme interessante sobre a vida do filho da puta que matou John Lennon. Faz interessantes (e obrigatórias) referências a obra-prima O Apanhador no Campo de Centeio, mas jamais sugere o que no livro desperou o desejo homicida do filho da puta. Vou repetir, vou repetir: FILHO DA PUTA.

Dito isso, o filme tem o defeito de ter um início chatinho, exige um certo esforço para querer ver o resto. Além disso, a montagem sente aquela necessidade besta de deixar algumas cenas não-lineares de graça, sem propósito nenhum. A atuação de Jared Leto, porém é impressionante, principalmente em seus momentos finais. A dedicação do ator é notável até pela sua aparência... de barrilzinho.

Antes de assistir ao filme, eu me preocupava com o fato de o assassino de um dos maiores músicos de todos os tempos ganhar uma obra para si, que se tornasse imortal no mundo da arte. Mas o filme faz bem: mostra que ele era um tremendo bundão e digno de esquecimento. Capítulo 27, porém meio sem querer, consegue ser um triste retrato do fim da era do paz e amor no final dos anos 70. E que triste conclusão esta década levou: Holden Caulfield matou John Lennon.

NOTA: 8

Duplicidade


 
Lembra um pouco o ótimo Queime Depois de Ler: é uma sátira ao gênero de espionagem, e também das corporações, que são vistas como realmente são: uma cambadinha de idiotas que visam o lucro sem pensar direito, no sentido imbecil mesmo. Mas não beira o histerismo da obra dos irmãos Coen. Bem escrito e dirigido por Tony Gilroy, conta a história de um "casal" qe planeja um golpe de roubar a patente de um super-novo-produto de uma corporação, e eles agem através de uma concorrente que quer a fórmula.

O filme funciona porque não é o estilo de espionagem chato dos antigos 007 ou Tony-Ridley Scott da vida. Os golpes são inteligentes, bem armados, e bem humorados. Se tem um defeito é que tem momentos enroladinhos, nos quais os protagonistas ficam testando um ao outro. Com uma meia hora a menos, ficaria perfeito. Clive Owen e Julia Roberts tem ótima química, mas é fato que o filme sempre melhora quanto Paul Giamatti ou Tom Wilkinson estão em cena (a luta dos dois na abertura é hilária).

Duplicidade é um filme divertido, que funciona bem, e que sofre pelo fato de jáno trailer, nos cartazes e até na capa do DVD dar a entender que vai ter uma super-reviravolta que vai mudar tudo e dar vontade de ver de novo. A diferença, nesse caso é que a reviravolta é bem divertida, e não deve deixar ninguém chateado.

NOTA: 8

X-Men Origins - Wolverine



Em meu texto sobre Watchmen, citei vários filmes de super-heróis que melhoraram muito o gênero. Talvez, tenha faltado citar justamente os dois primeiros X-Men, que definitivamente se mostraram alguns dos melhores exemplares do gênero (e não, ainda não vi o terceiro). Bom, quanto aos filmes de super-heróis que melhoraram o gênero, claro que haveria uma ovelha negra. É uma pena que tenha saído justamente dos X-Men, e justamente de seu melhor personagem, o Wolverine.

Muito se discutiu sobre desentendimentos entre diretor e produtores, cenas refilmadas de última hora e tudo mais, mas é preciso reconhecer que o roteiro é muito ruim. Grandes personagens como Gambit ou Deadpool são transformados em figurantes de luxo. Na hora em que é explicado o nome do personagem Wolverine, eu achava que estava vendo algum trecho de novela da Globo em inglês e com legendas. Aliás, o mínimo que se esperaria do filme, ou seja, boas cenas de ação e bons efeitos especiais... adivinhe? São terríveis. A cena em que Logan pula da cachoeira me deu ataque de risos, parecia uma Barbie caindo em um rio. A montagem que acelera algumas cenas para dar dinâmica (eu acho) as cenas é outro recurso muito ridículo.

Outra coisa que me irritou profundamente foi o fato de que, aparentemente, ninguém do universo X-Men consegue encontrar outro mutante sem trocar uns sopapos. Porra, custa conversar antes de quebrar metade de uma cidade? Muito pouco se salva nesse filme de Gavin Hood, fora o próprio Hugh Jackman que encarna bem o personagem. Pena que o filme não esteja, e nenhum um pouco, a sua altura.

NOTA: 3

1984



Frase que qualquer um fala: "Ah, o livro é melhor que o fime". Besteira. São duas mídias diferentes, que devem ser apreciadas de maneiras distintas. Eu, por opção, prefiro sempre ver o filme, para me aprofundar na história no livro depois, mas não tem como comparar. Dito isso, a adaptação para o cinema de 1984 de George Orwell é fidelíssima ao espírito do livro: é tenso, sufocante, quase insuportável, mas é um prazer inegável ver a diálogos tão bem escritos e sua trama genial.

Foi o maior trabalho de Michael Radford, tanto na direção quanto no roteiro (e que anda devendo um filme bom faz anos... o último bacana foi Dançando no Blue Iguana). John Hurt encarna o protagonista com sua típica composição minimalista (daquelas atuações perfeitas, que parecem até fáceis, tipo Michael Caine), e brilha na cena de tortura. Richard Burton como o "vilão" está igualmente perfeito.

O filme lembra bastante Brazil - O Filme de Terry Gilliam em seu visual, mesmo sendo óbvio que o livro de Orwell influenciou Gilliam, é esquisito que o lugar de trabalho dos protagonistas sejam tão similares, ainda mais que foram feitos praticamente simultaneamente (ambos em, dã, 1984). Aliás, assistir 1984 dá idéia do tamanho da influência que o Big Brother exerceu no cinema: desde o bacaninha V de Vingança até o genial Filhos da Esperança.

1984, o filme, só não deve ser apreciado por aqueles devoradores de livros que não permite que nada estrague a sua interpretação da leitura. Quem saca o quanto é complicado fazer uma adaptação de qualquer livro para o cinema, sabe que 1984 é fiel ao espírito do livro, e isso, acreditem, faz toda a diferença no final das contas.
PS: Ainda não leu 1984? Pare tudo que está fazendo agora e vá ler!

NOTA: 10

O Pescador de Ilusões



Obra-prima de Terry Gilliam, um filme que só funciona porque tem um diretor lunático, anarquista, doido varrido. E talentosíssimo. O perfeito roteiro de Richard LaGravenese e as atuações mais que inspiradas de Robin Willians e Jeff Bridges complementam esta obra-prima que anda esquecida faz algum tempo.

O Pescador de Ilusões é uma comédia dramática que tem um senso de humor fabuloso e um lado dramático pesadíssimo, que reduz o zeitgeist dos anos 90: AIDS, mendicância, incomunicabilidade, a mídia responsável por tragédias, etc. Contando com uma trama que traz o peso da culpa do personagem Jack Lucas, é um olhar sensível sobre o povo em geral que Nietzche carinhosamente chama de "mal-formados". O filme é tão perfeito em suas citações e em sua narrativa inusitada, que mistura cultura pop com o Santo Graal, Cavaleiros Vermelhos e mendigos, que seu final feliz soa mais do que perfeito. A cena em que Willians persegue sua amada enquanto todos dançam ao seu redor é uma das mais belas e singelas já filmadas na história do cinema.

Um dos grandes filmes dos anos 90, O Pescador de Ilusões é uma obra atemporal que ganha força com o tempo, infelizmente, já que seu tema principal e a miséria humana, que não parece que vai acabar tão cedo, em todo e qualquer sentido.

NOTA: 10

O Mundo de Jack e Rose



Poderia ser um filme extremamente pesado, já que lida com temas difíceis, como incesto, drogas, sexo, drogas e a depressão dos antigos hippies com os anos 80. Mas O Mundo de Jack e Rose é um filme extraordinário, sensível até a medula. É incrível que seja tão complexo e dramático, e contado como uma história simples e comovente.

Contando a história de amor entre pai e filha de maneira tocante, o filme se passa em 1986, em uma ilha onde os dois vivem sozinhos, onde alguns anos atrás, alguns hippies engenheiros e cientistas tentaram fazer uma experiência de reconstruir uma sociedade. Apenas Jack, o pai, interpretado por Daniel Day-Lewis, continua ali, vivendo nas "regras" que eles tentaram impor, em vão. A situação se complica quando ele chama uma mulher e seus filhos para morarem com eles, causando um enorme desconforto em sua filha.

Jack e Rose são dois dos personagens mais fascinantes a aparecerem num filme, pai e filha que se amam tanto, que seu relacionamento beira o incesto (algo do qual, apenas o pai tem consciência e evita). E Daniel Day-Lewis e Camila Belle os interpretam de maneira brilhante e sensível. A direção de Rebecca Miller é também extraordinária, fazendo um belo uso de locações e cores. A cena na "velha casa de reuniões" é genial. E o belíssimo (e trágico) final é prova de que Miller é uma diretora para ficarmos de olho.

NOTA: 10

Nascido para Matar




Existe um consenso meio geral que gosta muito da primeira parte do filme, no treinamento dos soldados, e não tanto da segunda, que já se encontram na guerra. E admito que concordo em partes. O seu único problema é atingir o clímax emocional da narrativa muito cedo. Não há cena mais impactante do que a que fecha o primeiro ato.

Fora isso, Nascido para Matar é um belíssimo filme anti-guerra, que mesmo sem contar com nenhuma novidade, é conciso e muito bem contado. Tematicamente, lembra Apocalypse Now, em sua narração da loucura da guerra, da violência se manifestando cada vez mais nos personagens, mas sem o sabor viajado da (superior) obra de Francis Ford Coppola.

As cenas de batalha são algumas das melhores já filmadas na história do cinema. Stanley Kubrick usava a steady-cam de maneira perfeita. O plano-sequência que mostra a reação dos soldados diante do cadáver do amigo é outro grande destaque.

Nascido para Matar é um filme poderoso, mas Kubrick já havia desenvolvido suas idéias sobre a guerra de maneira superior nos extraordinários Glória Feita de Sangue e Dr. Fantástico. De qualquer maneira, é filme de Kubrick, ou seja, impossível ignorar.

NOTA: 9

Se Beber, Não Case




Quando escrevi sobre Eu Te Amo, Cara, citei algumas das melhores comédias lançadas este ano e também citei Se Beber, Não Case por confiar no talento dos envolvidos e pela incrível recepção que teve junto ao público, se tornando o sucesso mais inesperado do ano. E merece mesmo: é uma comédia engraçadíssima, com um roteiro inteligente, e uma direção inspirada de Todd Philips.

A trama, todo mundo sabe: os padrinhos de casamento do amigo vão fazer a despedida de solteiro em Las Vegas e acabam perdendo o noivo depois de uma noitada. O roteiro é surpreendentemente bem estruturado, mostrando aos poucos o tamanho da bizarrice da situação, usando não apenas de gags mas também de um sutil suspense que embala o filme. Vale dizer, que a direção de Philips é a grande responsável pelo ótimo andamento da narrativa e por apostar numa lógica mais "realista" para as gags que outras comédias.

O elenco todo está em uníssono, perfeito, jamais exagerando, mesmo quando interpretam caricaturas (o mafioso chinês, ou a prostituta boazinha). A participação de Mike Tyson, vale dizer, é inspiradíssima.

Se Beber, Não Case é uma grande surpresa e um prato cheio para quem adora uma comédia, gênero aliás, que mais vêm se mostrando satisfatório nesse ano de 2009, já que até as não TÃO geniais, como Pagando Bem, Que Mal Tem? valem muito a pena assistir.

NOTA: 10

Che - O Argentino



Independente das opiniões que todos temos sobre Ernesto 'Che' Guevara, não dá pra ignorar que o cara existiu, e muito menos sua história e suas opiniões. Dito isso, é extremamente corajoso que Steven Soderbergh tenha dedicado seu esforço para contar a história do mítico guerrilheiro. Vendo o filme, porém, deu vontade de pegar Soderbergh pelo colarinho e gritar 'Porque? Porque?'. Sei lá porque, o filme é narrado de uma forma não-linear que, sim, faz sentido no final, mas que não beneficia em nada a obra.

Che - O Argentino é a primeira parte do filme, que foi dividido em dois, e não sei se será o mesmo caso de Kill Bill, no qual o fato dos filmes serem separados acabou estragando um pouco. Mas o fato é que Soderbergh e Benicio Del Toro (que produziu o projeto) perderam a oportunidade de esclarecer a história de um dos maiores mitos dos últimos anos em uma montagem mala, aborrecida.

O filme tem muitos acertos, o principal deles é jamais esconder os fatos mais polêmicos da vida de Che, como ao mostrá-lo executando alguns de seus guerrilheiros numa pena de morte improvisada. Mas não dá pra saber se é um estudo de personagem (não é), apesar da brilhante performance de Benicio Del Toro. Os melhores momentos do filme são aqueles que mostram Guevara discursando na ONU, apesar de todas as cenas de batalha serem filmadas de maneira espetacular.

Enfim, prefiro Diários de Motocicleta.

NOTA: 8

Eu Te Amo, Cara


 
Inusitadíssima comédia romântica, que subverte a velha história de amor entre homem e mulher pela recente "fórmula Judd Apatow" sobre a camaradagem masculina. Paul Rudd mostra (mais uma vez) que é um dos atores mais talentosos trabalhando em Hollywood recentemente, e merece uma indicação ao Oscar (mais uma vez) pela sua performance neste Eu Te Amo, Cara. Sua química com Jason Segel é uma dessas raras combinações perfeitas que transcendem a obra.

A história do cara que vai casar e acaba percebendo que não tem nenhum grande amigo é inusitada, e acaba tocando em temas delicados sobre o papel do homem na sociedade atual, algo trabalhado também em (pasmém) filmes como Clube da Luta. Tudo que bem que pelo fato de ser uma comédia, o filme não se aprofunda tanto, mas não dá pra negar a bela maneira como a história apresenta estes temas discretamente. Além disso, algumas de suas cenas são de chorar de tanto rir, como o momento em que Paul Rudd erra seu próprio nome em uma ligação, o insusitado brinde no jantar, ou a obsessão de seus personagens pelo (pasmém) Rush.

Incrivelmente engraçado, o filme se junta a Segurando as Pontas, Perdendo a Noção e Faça o que eu Digo, Não Faça o que eu Faço como uma das melhores comédias do ano (ainda não assisti Se Beber, Não Case...). E é justo destacar o trabalho do diretor John Hamburg que mostra uma melhora surpreendente de seu último trabalho, o malinha Quero Ficar com Polly.

NOTA: 10

Akira



Não lembro de ter me impressionado tanto com um animê, ou desenho animado no geral, como me impressionei com Akira. É uma obra complexa e brilhantemente produzida. Visualmente é deslumbrante, mas o excelente roteiro e a trilha sonora mais do que genial somam a o que é, certamente, a melhor animação que eu já conferi.

Escrito e dirigido por Katsuhiro Otomo, a história é narrada através de várias histórias, no estilo Magnólia, uma crônica sobre Neo-Tóquio, em 2019. De início pode parecer a típica história oriental sobre um garoto problemático que ganha super-poderes, mas Akira vai mais além: introduz uma interessante idéia sobre a evolução humana para justificar suas idéias (principalmente, ao brincar com a idéia de evolução, que conclui que todos nós já fomos amebas, por exemplo).

Relizado em 1985, e recentemente remasterizado e relançado, Akira é uma animação obrigatória não apenas para os fãs de animação, mas qualquer um com interesse em ficção científica ou, simplesmente, num grande filme, pois sua dramaturgia inusitadamente complexa, dá de dez a zero em muito filme por aí.

NOTA: 10

Manderlay



Para começar, é melhor avisar que os primeiros 15 minutos de Manderlay foram os piores que eu já vi num filme de Lars Von Trier. Primeiro, porque confia demais na memória do espectador que já assistiu Dogville para seu início, ou seja, deixa de tornar o filme independente do antecessor. E segundo, porque é muito, e muito estranho (e até inaceitável) que Grace e seu pai sejam vividos por outros atores. Não que o problema sejam as atuações de Bryce Howard Dallas ou de Willen Dafoe sejam os responsáveis (pelo contrário, Howard até supera Nicole Kidman), mas como disse, o início confia depende demais de Dogville: e os primeiros minutos de Manderlay também destoam completamente do antecessor.

Mesmo assim, Manderlay se mostra muito melhor do que parece. Desta vez, Grace encontra uma pequena fazenda no interior dos Estados Unidos onde os negros ainda são escravos. Grace resolve usar o poder da máfia que seu pai lhe concedeu para melhorar as condições de vida dos escravos dali. E é nisso que Lars Von Trier resgata de maneira impecável: o cineasta reconta a história da abolição da escravatura através de seu olhar cínico e assustador, ou seja, realista.

Lembra bastante o olhar do cineasta brasileiro Cláudio de Assis, e seu olhar nada poético sobre a miséria, tanto a física quanto espiritual em Amarelo Manga; e também o olhar de Spike Lee em seus primeiros trabalhos, dedicados ao racismo presente dentro da própria comunidade afro-americana. Só que Trier não deixa que nenhuma solução fácil atrapalhe a discussão, e nem mesmo aponta respostas. Apenas mostra vários pontos-de-vista válidos, por mais cruéis que pareçam.

Para isso, até mesmo nossa querida Grace começa a mostrar um lado menos bonito, como mostram seus sonhos eróticos que começam a se manifestar em alguns momentos ou até mesmo ao aceitar a "pena de morte", na cena mais emocionante do filme. Trier castiga sua protagonista para mostrar os absurdos, e as fotos nos créditos finais soam ainda mais cruéis do que em Dogville.

E é uma pena, que o início seja tão fraco, já que Manderlay tinha chances de até superar Dogville. E torço muito para que o diretor feche a prometida trilogia.

NOTA: 8,5

Expresso Transiberiano


 

Brad Anderson comandou um dos filmes mais desagradáveis (no bom sentido) dos últimos anos, o suspense O Operário. De início, em Expresso Transiberiano o diretor parece mais "calmo". A primeira hora de história reserva poucas surpresas e uma trama bastante simples, que explora com delicadeza as facetas complexas de seus personagens. Tudo para que, no último ato, o diretor mostre suas garras, criando 40 minutos de tensão insuportável, e bem dirigida. O filme se passa no expresso Transiberiano, um trem que vai da China até Moscou em uma viagem de sete dias. A viagem do trem e sua mudança de cenário é bem mostrada pela belíssima fotografia.

Emily Mortimer surge como o destaque inquestionável, numa atuação sutil e magnífica. E dizer que a jovem inglesa se destaca no meio de um elenco que conta com os talentosos e "veteranos" Ben Kingsley, Woody Harrelson e Thomas Kretzchmann é um grande elogio por si só. Aliás, vale comentar que um dos poucos pontos fracos do filme é a saída de cena sem "clima" do personagem de Kingsley.

Assim como em O Operário, Anderson acaba cometendo alguns equívocos em prol do suspense, fazendo alguns personagens tomarem decisões estúpidas para elevar a tensão, mas os diálogos são tão bem escritos e os personagens tão bem definidos, que Expresso Transiberiano mostra que o diretor e roteirista vem melhorando. Que venha seu próximo!

NOTA: 9

Segurança de Shopping


 
Gosto de Kevin James desde quando o vi pela primeira vez na sitcom The King of Queens. Recentemente, ele participou (e se destacou) em dois filmes não-lá-grande-coisa: Hitch - Conselheiro Amoroso e Eu os Declaro Marido e... Larry. Enfim, é um ator que eu gosto bastante, e que consegue melhorar muito material ruim. O sucesso inesperado de Segurança de Shopping mostrou que, não apenas eu, mas todo mundo subestimava o carisma do ator (curiosamente, um dos temas do filme).

Dito isso, o filme é uma comédia normal, que cresce apenas pela excelente atuação de James (que também escreveu o roteiro). É cheio de exageros desnecessários (as manobras dos assaltantes) e situações implausíveis (como a filha dele consegue entrar no shopping???), tudo em busca de um riso fácil. A trama é bastante chupada do primeiro Duro de Matar, e é uma pena que não há nenhuma referência ao filme com Bruce Willis.

Enfim, Segurança de Shopping é engraçado, mas não é nada imperdível. Na verdade, só me aumentou a vontade de assistir o Observe and Report com Seth Rogen.

NOTA: 7

Anjos e Demônios



Ao contrário da maioria, nunca li O Código DaVinci, e não achei o filme ruim. Sendo assim, achei este Anjos e Demônios um filme bom, no mesmo nível aliás. Se o primeiro tinha problemas claros de masturbação literária e uma montagem deficiente, este melhora (e muito) a montagem, e também o roteiro (cortesia de David Koepp, presumo), apenas para nos enrolar com uma história ruinzinha, com um clímax meio bobo.

Ron Howard continua sendo um diretor meio preguiçoso, seguindo demais a cartilha de "como fazer um filme de suspense". A recriação 3D do Vaticano é tão virtual, que as cenas nas igrejas parecem saídas de algum GTA da vida. Fora isso, Tom Hanks melhora muito seu Robert Langdom, e não só no penteado, parte dos melhores momentos do filme, vem quando o ator parece relaxar com o personagem. O resto do elenco, lembra bastante o do primeiro filme: estão bem, mas não impressionam.

Anjos e Demônios é um filme bacana e só, o que é uma pena, já que lida com temas complexos e interessantes, que são atirados no roteiro de um jeito nada marcante, ou sequer discutível. Mas não dá pra dizer que é chato ou coisa assim. Robert Langdom é um herói nerd bacana, que cumpre bem seu papel. Só faltou ser memorável.

NOTA: 7

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