Um Crime de Mestre


"Filmes de julgamento" sempre são interessantes quando conseguem fugir do lugar comum, e o diretor Gregory Hoblit já realizou um ótimo: As Duas Faces de um Crime, com a clássica atuação de Edward Norton. Um Crime de Mestre também consegue fugir de algumas regras, principalmente na construção do arco dramático do advogado, mas infelizmente recorre a alguns clichês e um tom esquemático que atrapalham a obra no todo.

Aliás, é interessante como o roteiro funciona tão bem na construção dos personagens, mas recorra a cenas blazés de tão ruins para contar a história: reparem por exemplo em como o advogado, vivido por Ryan Gosling tem uma trajetória interessante e inteligente, e a belíssima atuação de Gosling complementa isso de maneira perfeita, já que o ator atua com tamanha arrogância, que quando chega o momento em que o personagem muda sua postura, imediatamente o identificamos como um herói trágico por natureza. Enquanto isso, o também talentoso Anthony Hopkins parece se divertir a beça criando mais um de sua galeria de assassinos inteligentes.

Quanto a parte ruim do filme, Um Crime de Mestre tem uma cena patética na qual Ryan Gosling questiona a médica sobre o coma de uma determinada personagem, uma cena que era para ser dramática, mas causa risos involuntários pelo absurdo. E se por um lado admiro a maneira como o filme encontra seu desfecho, por outro lado não dá para ignorar o número de absurdos que ele cometeu para chegar lá.

NOTA: 7

Um Jogo de Vida ou Morte


Dirigido por Kenneth Branagh, Um Jogo de Vida ou Morte é um remake de Jogo Mortal, que trazia Laurence Olivier e Michael Caine no longo duelo verbal. Nesta nova versão, Caine assume o papel de Olivier e Jude Law substitui o personagem de Caine (pela segunda vez, diga-se de passagem: a primeira foi em Alfie - O Sedutor). O filme fala sobre um escritor bem sucedido que é confrontado pelo jovem amante de sua esposa, que quer o divórcio. Porém, o veterano resolve brincar psicologicamente, e os dois acabam num confronto cada vez mais perigoso.

Como não assisti o original (para minha tristeza), não posso compará-lo, mas o maior problema de Um Jogo de Vida ou Morte vem da direção de Branagh, que abraça a teatralidade, e cria um visual extremamente artificial para o filme. E isso pode ser sentido logo no início, quando Caine vai levando o jovem a todos os cantos da casa. Vários filmes já provaram que é perfeitamente possível criar uma obra tensa em apenas uma locação (como A Morte e a Donzela, 12 Homens e uma Sentença ou O Quarto do Pânico), mas poucas conseguiram soar tão artificiais logo de cara.

Mas o grande mérito do filme está nas ótimas atuações de Michael Caine e Jude Law: se o primeiro faz um trabalho calmo e divertido, Jude Law exagera, beira o caricato, algo que pode incomodar no início, mas não só faz sentido no final, como também se mostra uma escolha inteligente, afinal no terceiro ato sua aparente instabilidade o torna ameaçador e trágico.

Alegoria interessante do amor visto de maneira racional por dois homens (cujo final soa perfeito, nesse sentido), Um Jogo de Vida ou Morte também é um pouco prejudicado pelo ritmo lento de algumas cenas, mas certamente irá agradar quem é fã dos atores, ou para quem gosta de ver boas atuações em dois personagens antagonistas.

NOTA: 7

Um Olhar do Paraíso


Deveria ter visto isso como um presságio do tamanho da desgraça que Um Olhar do Paraíso é: a poucas semanas do início das filmagens, Ryan Gosling, que atuaria como o pai da garota que é estuprada e assassinada saiu do projeto, alegando "diferenças criativas". Porque digo isso? Porque Ryan Gosling não é apenas o melhor ator de sua geração, mas também notoriamente seletivo com os projetos que trabalha, como comprovam A Garota Ideal, Half Nelson, e até Um Crime de Mestre e Diário de uma Paixão.

E não podia admirar mais Gosling por ter feito isso: Um Olhar do Paraíso é um verdadeiro desastre, um filme sem pé nem cabeça (trocadilho infeliz para esse filme...), e dirigido por Peter Jackson, um dos cineastas mais respeitados e talentosos da atualidade. Eu ainda não consigo acreditar que o mesmo diretor da trilogia Senhor dos Anéis, King-Kong, Almas Gêmeas e Os Espíritos tinha dirigido esse film... digo, troço.

Contando com um dos piores roteiros que já vi na vida, o filme narra a história de uma garota que é assassinada e estuprada e no pós-vida se diverte pelo paraíso, enquanto tenta ajudar seu pai a encontrar seu assassino. Sim, você leu direito: ela se diverte, enquanto tenta ajudar seu pai a encontrar seu assassino. Ah, e também acha tempo para lamentar não ter encontrado o garoto que ela só conversou uma vez na vida. Aparentemente, o pós-vida é bem instável emocionalmente. 

Em sua crítica desse filme, Roger Ebert deu o título do texto de "Depois que você for estuprada e assassinada é que começa a diversão", e o pior de tudo é que essa é realmente a impressão que o filme passa. Por um lado, é interessante que o cineasta não mostre a morte da garota. Por outro lado, não temos qualquer referência da maldade do vilão, interpretado como uma caricatura ruim por Stanley Tucci. Além disso, o cineasta esquece alguns detalhes como... explicar qualquer coisa! Afinal, a garota interfere na vida "real"? Como ela faz isso? Porque ela consegue se fazer ouvir em alguns momentos e em outros não? Aliás, e o paraíso? Ela interfere psicologicamente no ambiente? E por Deus, quem chamou aquela anta para interpretar a amiga japonesa da protagonista, provavelmente a personagem mais odiável que vi nos últimos tempos. 

E não pára por aí: a investigação do pai da garota de início é mostrada de forma interessante (com uma paranóia crescente), mas o que diabos faz ele desconfiar daquele vizinho? E o que diabos faz a irmã da protagonista desconfiar dele? Porque o cachorro deles latiu ali? É ridículo, estapafúrdio, cretino e imbecil a maneira como o filme tenta nos convencer de que tudo aquilo faz sentido.

Mas calma, pois Um Olhar do Paraíso ainda consegue piorar muito no desfecho, um dos mais revoltantes e imbecis que já pude conferir nos últimos tempos. Se eu torcia por GI Joe e Transformers 2 no Framboesa de Ouro, podem ter certeza que o que eu realmente gostaria, era a de que esse lixo vencesse a estatueta no lugar.

NOTA: 0

O Mensageiro (2010)


Típico filme que é extremamente injustiçado no Oscar, O Mensageiro é uma das melhores surpresas nos cinemas nesse ano de 2010. Escrito e dirigido por Oren Moverman (que foi um dos roteiristas do genial Não Estou Lá), o filme narra a história do soldado Will (Ben Foster), que depois de sérios ferimentos no Iraque, é enviado para a missão do exército de avisar os familiares da morte dos soldados em batalha. Para isso, ele vai com Tony (Woody Harrelson), um capitão que tem experiência nesse tipo de missão.

O que o filme estabelece de maneira brilhante desde o início, é que dar a notícia da morte é uma tarefa tão complexa e repleta de estratégias como a batalha em si, e um dos aspectos mais fascinantes da produção é justamente como o filme ilustra de maneira inteligente e sensível a técnica utilizada pelos soldados. Além disso, O Mensageiro ainda tem em Will, um personagem que lembra muito o protagonista do genial Guerra ao Terror, com a óbvia diferença de que Will parece destinado a encontrar sua redenção (por mais estranha que ela pareça).

Aliás, Ben Foster faz uma performance tão complexa que chega a ser impressionante que a Academia não o tenha sequer indicado ao Oscar, indicando apenas Woody Harrelson (merecidamente, claro), mas o que dizer da pequena e marcante participação de Steve Buscemi, que em pouquíssimo tempo em cena, consegue retratar um personagem dominado pela dor. E se Samantha Morton atua com o talento habitual, é uma pena que seu envolvimento com Will aconteça de maneira tão rápida e artificial, já que a relação entre os dois se mostra um dos pontos mais fortes do fime, posteriormente.

Já o diretor Oren Moverman demonstra uma segurança invejável na construção das cenas, e a maneira como ele utiliza zooms elegantes para longos planos sem cortes é uma marca forte do cineasta. Apostando num desfecho muito mais otimista e cômico do que o espectador possa imaginar (como a cena do casamento, ao final), O Mensageiro é um pequeno grande filme que merecia muito mais indicaçãoes ao Oscar do que obteve, e também merece a nossa atenção.

NOTA: 9

Os Piratas do Rock


Durante toda sua carreira, Richard Curtis foi um roteirista e diretor que utilizou fórmulas fáceis e divertidas para seus filmes, e não é a toa que por mais que sua filmografia seja artisticamente fraca, é também inegável que é impossível também considerá-la desprezível (como os ótimos Um Lugar Chamado Notting Hill ou Simplesmente Amor). E se em suas obras anteriores o roteiro se destacava muito mais do que sua direção, aqui em Os Piratas do Rock ocorre o contrário em extremo: Curtis dirige o filme com enorme criatividade e um ótimo uso de câmera, enquanto o roteiro decepciona.

O filme, que conta a história de uma rádio pirata que tocava rock 24 horas por dia de um barco para a Inglaterra, é contada de maneira pedestre, sem foco dramático, ou melhor, fazendo do personagem mais desinteressante do filme inteiro o centro das atenções. E logo no início, o filme desperdiça quase dez minutos numa piada envolvendo o garoto perdendo a virgindade numa divertida trapaça, ao invés de contar mais do resto da tripulação.

E que tripulação: Phillip Seymour Hoffman, onipresente e sempre perfeito confere grande energia a seu personagem, e bem acompanhado por Bill Nighy, Rhys Ifans e Nick Frost, enquanto Kenneth Branagh cria um personagem tão cruel e divertido, que chega a ser lamentável que sua trama seja a mais desinteressante da história (até mesmo a ponta de Emma Thompson é mais digna de atenção, por exemplo). Contando com uma surpreendente fotografia (que cria imagens fantásticas no terceiro ato, que envolve um naufrágio), Os Piratas do Rock conta também com uma trilha sonora fabulosa, que não fica devendo à trilha de Quase Famosos, por exemplo.

Apesar de não ser um grande filme, Os Piratas do Rock é tão bom e divertido quanto as obras anteriores de Richard Curtis, com a diferença de ao invés de ser uma comédia romântica tradicional, é bem mais ambiciosa... e tradicional do que o diretor gostaria de admitir.

NOTA: 8

O Vídeo de Benny


Lançado em 1992, O Vídeo de Benny foi um dos primeiros filmes do mestre austríaco Michael Haneke, e o mais interessante de assisti-lo é ver que várias características de seu cinema único e extraordinário já estavam presentes no diretor desde cedo, algo curioso. Apesar disso, quem espera algo no nível do resto da carreira do diretor (principalmente os da década passada) ficarão um pouco decepcionados, principalmente por culpa do roteiro. 

Ao contrário de que ocorre em quase toda sua filmografia, Haneke investe pouco tempo no início para apresentar seus personagens, algo que era mais do que fundamental para que mergulhássemos na história: se por um lado admiro a maneira direta como acontece o homicídio logo no início, depois dele  não conseguia parar de me perguntar coisas como: "Mas porque eu deveria ficar surpreso? Eu nem conhecia esse Benny direito". E mesmo que o roteiro esteja repleto de boas sacadas irônicas (principalmente o desfecho), o fato é que o filme perde muito dramaticamente, e quando a mãe de Benny se entrega a um choro forte e repentino, não conseguimos sentir nada a não ser confusão.

Mas não se enganem, porque O Vídeo de Benny não é um filme ruim: tratando do tema da violência nos adolescentes de maneira direta e precisa, a principal idéia da história se mantém intacta e tristemente atual: Benny se transforma em sua persona cinematográfica ao longo do filme, a persona que filma sem qualquer sensibilidade a cruel morte de um porco; a mesma persona que logo depois de matar uma garota da mesma idade, filma-se nu, e se acariciando. Benny não é influenciado pelos filmes violentos, ou pelo jornal, e sim pelo seu vazio existencial, que lembra tragicamente o Patrick Bateman de Psicopata Americano. E mais triste do que perceber que graças aos hormônios, um assassinato nas costas pode não significar tanto, é ver como o triste ciclo da violência atinge todos ao redor de Benny, e de maneira brutal.

NOTA: 8,5

A Professora de Piano


Depois de dirigir o enigmático Código Desconhecido, Michael Haneke fez este A Professora de Piano como um grande contraste a sua obra anterior, apresentando uma história nos mínimos detalhes, e é realmente curioso que o filme seja tão misterioso quanto. A personagem que dá título ao filme dá aulas particulares de piano para uma grande escola de músico, e logo depois de um concerto, passa a ser seguido por um rapaz que se apaixona por ela. Enquanto tenta lidar com isso e a relação conflituosa com a mãe, a severa professora ainda enfrenta um forte conflito dramático com uma aluna dotada de enorme talento.

Se entregando de corpo e alma a protagonista, a atriz Isabelle Hupert realiza uma performance perfeita, fazendo um trabalho invejável. Se a sua personagem é repleta de contradições e características únicas, a atriz abraça todas as facetas de sua personagem em uma performance sutil e poderosa, e Haneke mostra seu poder extraordinário na direção ao esconder o rosto da atriz em momentos importantes, mantendo o mistério da personagem intacto do início ao fim. Aliás, por mais linear que seja o roteiro, A Professora de Piano se fecha com muito mais dúvidas do que certezas (e a influência da figura paterna da protagonista é o melhor exemplo disso). 

O filme fez polêmica na época, e entendo perfeitamente o porque: a protagonista tem uma sexualidade, no mínimo curiosa, e apenas a sua ação ao assistir um filme pornográfico numa cabine deve ter feito muita gente sair do cinema. A Professora de Piano explora essa sexualidade de maneira direta, algo fundamental para a compreensão da história, e desde a primeira relação sexual que vemos da professora com um aluno, passando pela terrível auto-mutilação, o filme cria um espetáculo de desconforto no espectador, que certamente não sairá de sua mente tão cedo. Mas acredite: vale a pena.

NOTA: 10

Sindicato de Ladrões


Difícil não relacionar Sindicato de Ladrões com a história do próprio diretor, Elia Kazan, que acusado de delatar companheiros de Hollywood na caça as bruxas do senador Joseph McCarthy, a poucos anos atrás levou uma vaia durante uma homenagem a sua carreira em pleno Oscar, num dos momentos mais vergonhosos da história da premiação. O drama principal desta incontestável obra-prima é justamente o ato de delatar: um sindicato trabalhista nas docas, é controlado pela máfia, e escolhe quem é de seu interesse para trabalhar. Terry Malloy (Marlon Brando) é um capanga do chefão do lugar (Lee J. Cobb) que depois de se tornar cúmplice do assassinato de um amigo, se envolve com sua irmã (Eva Marie Saint) enquanto tenta protegê-la da máfia.

Dizer que Marlon Brando fez aqui um dos grandes personagens de sua carreira é inútil, já que esse ator genial tornou todos os seus personagens inesquecíveis. Mas sua interpretação de Terry Malloy é magnífica, e influenciou muitos atores: Sylvester Stallone certamente foi inspirado para fazer Rocky Balboa, e de certa forma há traços dele em Travis Bickle de Robert DeNiro. Ex-lutador de boxe, condenado a se tornar um mero capanga, Terry é uma figura forte, que intimida as pessoas ao redor, mas ao mesmo tempo parece exibir um comportamento quase infantil: reparem em como Brando em um longo diálogo com uma garota brinca com as luvas dela enquanto caminha.

Porém, essa aparência é logo quebrada na cena em que Terry e seu irmão se confrontam na cena do táxi, uma das cenas mais importantes da história do cinema: ao ser confrontado pelo irmão mais velho (interpretado genialmente por Rod Steiger), Terry se mostra um poço de amargura e culpa, e o enorme ressentimento entre os irmãos é retratado de maneira brilhante tanto pelo roteiro quanto pelas interpretações. A cena, que deveria ser uma cena típica de intimidação de mafiosos, se torna uma cena de amor entre irmãos. E o que dizer do monólogo do padre (vivido com intensidade por Karl Malden) quando um dos trabalhadores é morto num "acidente"?

Contando com um final trágico, e de certa forma bastante pessimista, Sindicato de Ladrões não está a toa nas listas de melhores filmes de todos os tempos. É um filme poderoso, com atuações fabulosas e que serve para mostrar o talento único desse grande diretor que era Elia Kazan, mesmo que ele não fosse o cara mais bacana do mundo...

NOTA: 10

O Crime do Padre Amaro


Nesta adaptação do clássico romance de Eça de Queiroz, há um grave defeito: o filme julga os personagens, sem se importar com a opinião do público. É como se assistíssemos a interpretação do diretor da história, e ele estivesse ao nosso lado dizendo: "esse padre é safado, mas é bonzinho, aquele parece bonzinho mas é mal" e por aí. Se a idéia do filme é ser assim, eu sinto que não preciso assistí-lo, afinal o diretor já provou tudo para si mesmo.

O Crime do Padre Amaro se salva (por pouco) pelas interpretações do elenco, obviamente (e principalmente) o destaque é Gael Garcia Bernal, que consegue manter a dignidade do personagem, mesmo quando o roteiro o obriga a ser umas 15 pessoas diferentes na mesma cena. Além disso, há um bom arco dramático envolvendo o padre Amaro e um senhor que ele conhece no ônibus, que é mais sutil e bela do que qualquer outro elemento da história. 

Da garota que se masturba pensando em Jesus, passando pela louca dos gatos dos Simpsons, que ganha sua versão religiosa e mexicana aqui, O Crime do Padre Amaro quer muito menos fazer pensar ou emocionar: é uma condenação a Igreja Católica e como ela protege seus padres. Pena que outros filmes fizeram isso com muito mais inteligência e respeito, como Dúvida, por exemplo. E a falta de respeito é o maior pecado de O Crime do Padre Amaro.

NOTA: 3

O Lobisomem


Atualmente, vampiros e lobisomens não comem ninguém (em nenhum dos sentidos), portanto este O Lobisomem é um filme mais do que bem-vindo ao gênero, não apenas por respeitar a história de seu personagem central, como também uma alta dose de violência que eu certamente não esperava. Infelizmente, não é um filme perfeito, tendo várias falhas bobinhas no roteiro (principalmente o final mais do que previsível), mas ainda assim garante a diversão.

Benicio Del Toro é Lawrence, um ator que ao descobrir que seu irmão desapareceu volta a mansão do pai nos arredores de Londres para ajudar a encontrá-lo, mas ao chegar descobre que ele já está morto. Decidido a investigar o que matou seu irmão (um doce pra quem adivinhar o que matou ele), ele é ajudado pela viúva Gwen, e seu pai, interpretado com um tom divertido e cartunesco por Anthony Hopkins.

Contando com um elenco fantástico, é curioso que O Lobisomem não tenha absolutamente nenhuma cena realmente bem interpretada. Claro que há bons momentos (especialmente de Hopkins), mas no geral, o filme funciona mesmo é quando o bicho corre solto e causa a gráfica matança. Os efeitos especiais da produção, unidos com o sempre competente trabalho de maquiagem de Rick Baker fazem com que a criatura não apenas tenha um visual ameaçador, mas também bastante peculiar. 

As sequências de ação do filme são o grande atrativo da produção, que reconstrói a Londres vitoriana de maneira exemplar, assim como o recente Sherlock Holmes, embora Joe Johnston não seja nenhum Guy Ritchie, fazendo um trabalho muito mais burocrático, embora bastante competente. Se você é fã da fera e do gênero de terror e ficou traumatizado com Crepúsculo e Lua Nova, então O Lobisomem é o filme para você.

NOTA: 7,5

Transamérica


Transamérica é uma comédia dramática inspirada, que trata de um tema delicado de maneira sensível e inteligente. Contando com uma atuação memorável de Felicity Huffman como o/a protagonista, uma mulher transexual que a poucos dias de realizar a cirurgia para troca de sexo descobre que tem um filho de 17 anos que está preso num reformatório em Nova York. Ao encontrar o rapaz, ela não sabe como contar a ele que ela é seu pai, e decide viajar com ele de volta a Los Angeles dizendo ser uma missionária. 

Parte da beleza de Transamérica é como o tema da sexualidade da protagonista é tratado, sempre de maneira direta, as vezes divertida e as vezes amarga. Se ela parece se sentir pouco confortável em meio a outros transexuais, é curioso que ela também não se sinta bem em relação a própria família. O filme parece dar várias pistas de que Bree na verdade não é uma pessoa relutante em encontrar sua própria sexualidade, afinal tem a certeza de que quer se tornar uma mulher, mas reluta em encontrar seu lugar no mundo.

E Felicity Huffman dá um verdadeiro show de interpretação nesse filme: se a tarefa de uma pessoa interpretar uma sexualidade diferente de si mesma já é um grande desafio, o que dizer de uma mulher que interpreta um homem que se torna uma mulher? Com um trabalho corporal inpecável, a atriz convence em todos os momentos, e o fato de ela não ter ganho o Oscar é uma completa injustiça.

Lembrando em tom e forma o igualmente fantástico A Garota Ideal, Transamérica é uma pequena pérola do cinema independente norte-americano, que volta e meia traz estas preciosidades as telas.

NOTA: 10

Jean Charles


Se havia uma lição a ser aprendida com a trágica história de Jean Charles, o brasileiro assassinado pela polícia de Londres ao ser confundido com um terrorista, era uma lição sobre a paranóia e a falta de preparação de qualquer autoridade para o fenômeno do terrorismo, transformando qualquer cidadão em potencial suspeito, dependendo de seus hábitos. Infelizmente o filme Jean Charles não apenas fracassa completamente nesse sentido, como é uma das "homenagens" mais nojentas já vistas no cinema.

Vale comentar que o filme consegue errar em coisas absurdas: se Selton Mello ganhou uns quilinhos para viver o protagonista, isso chega a ser imbecil quando o filme mostra uma foto de Jean Charles e ele está magro! Além disso, o roteiro fracassa completamente ao criar empatia dos personagens com o público: se a prima recèm chegada a Londres do protagonista se mostra uma mimada chata e mal-agradecida, Alex, o grande amigo, se mostra um completo imbecil, chegando ao cúmulo de falar no lugar dos pais de Jean Charles no final, algo estúpido e grosseiro.

E por falar em estúpido e grosseiro, o diretor Henrique Goldman mostra os brasileiros como verdadeiros parasitas na capital inglesa, sempre buscando tirar vantagem de todos ao redor, incluindo o protagonista (embora talvez isso não fosse um defeito caso o filme quisesse mostrar a realidade). Além disso, o uso de zooms incrivelmente deselegantes e uma péssima noção de eixo de câmera para os diálogos, mostram um quase amadorismo na parte técnica do filme. 

Jean Charles poderia facilmente ser só um filme ruim, mas não: é desrespeitoso com uma história contemporânea e trágica, e a vontade ao final do filme é muito menos de ver os responsáveis pelo crime presos, e sim os responsáveis pelo filme atrás das grades.

NOTA: 0

Os 12 Macacos


Não tem jeito: Os 12 Macacos é o melhor filme já feito envolvendo viagens no tempo. Sim, sim, isso quer dizer que A Máquina do Tempo, O Exterminador do Futuro (todos) e afins podem tomar no rabo nesse sentido (com exceção do excelente Primer). O roteiro complexo escrito por David Peoples e Janet Peoples ganha um tratamento ainda mais complexo do sempre grandioso Terry Gilliam, que fez aqui o melhor filme de sua carreira (junto com Brazil - O Filme).

James Cole (Bruce Willis) é enviado do futuro para descobrir informações sobre o Exército dos Doze Macacos, que supostamente liberou o vírus que matou mais de 5 bilhões de pessoas no ano de 1997. Porém, ele acaba voltando para 1990, e para num hospício, onde conhece Jeffrey Goines (Brad Pitt), um biruta que se envolve de forma direta com o vírus no futuro e a psicóloga Kathryn Railly (Madeleine Stowe). 

Se o roteiro consegue dar um nó na cabeça pelas idas e vindas no tempo, Gilliam torna tudo mais complexo: estabelece rimas visuais que confundem o espectador, como a primeira vez que vemos Cole viajando no tempo, que é similar a radiografia que ele viu antes, ou a maneira como os guardas no futuro lembram os guardas do hospício. Mas isso não se trata de um truque barato do diretor: isso é fundamental para que que o público compreenda como o próprio Cole questiona sua sanidade todo o tempo.

E dito isso, Bruce Willis deu a melhor atuação de sua carreira, fazendo de James Cole uma figura trágica, mas que surpreende em seus impulsos de violência. E observem seus olhos quando ele ouve What a Wonderful World, atuação excelente. Brad Pitt venceu merecidamente o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pela sua sua atuação descontrolada e intensa, enquanto Madeleine Stowe faz um bom trabalho, que só se torna excelente da metade para o final.

Contando com um forte clima de nostalgia, repleto de músicas e filmes antigos e um visual no mínimo inusitado (a roupa que Willis usa para sair do subterrâneo lembra muito uma camisinha), Os 12 Macacos é uma obra-prima dessas que raramente Hollywood banca. Agrada em todos os sentidos, mas principalmente pela sembre bem vinda complexidade que a ficção científica é capaz de trazer consigo.

UPDATE: Como me informou o Knight Marcos nos comentários, Brad Pitt não venceu o Oscar de Ator Coadjuvante, mas sim o Globo de Ouro. Sorry =P

NOTA: 10

O Fundo do Coração


Provavelmente o maior fracasso da carreira de Francis Ford Coppola, tão grande que o deixou um bom tempo sem filmar mais nada. Trata-se de um musical bizarríssimo, mas que está muito longe de ser ruim. Primeiro, porque todas as músicas do filme foram compostas e cantadas por Tom Waits, algo que já diferencia completamente o projeto de muitos musicais, e segundo porque visualmente, O Fundo do Coração é um espetáculo que merece ser visto.

O filme conta a história de um casal que, um dia antes de completarem cinco anos de namoro, acabam brigando, e acabam passando o dia cada um com um desconhecido: ela com um cafajeste encantador, vivido por Raul Julia, e ele com a apetitosa (desculpem, mas é isso mesmo) Nastassja Kinski. Essa história simples foi filmada numa impressionante reconstrução de Las Vegas em estúdio e é narrada pela melancólica voz de Tom Waits, cujas músicas são uma atração a parte.

Contando com uma montagem espantosa de tão boa, Coppola dirige o filme sem o menos medo de ser felilz, e cria um espetáculo visual de dar inveja a qualquer musical recente: das transições que juntam o casal em diferentes lugares até a cenografia inusitada, o filme é uma experiência marcante, e que certamente influenciou muitos diretores, apesar de ter sido praticamente ignorado pelo público. 

Infelizmente, como a grande maioria dos musicais, O Fundo do Coração acaba cansando, principalmente nas cenas de dança em meio as ruas de Las Vegas, que acabam se extendendo muito mais do que o ideal, e além disso, os personagens do filme se revelam muito menos interessantes do que o imaginado, e me surpreendi quando eu decidi que realmente não queria vê-los juntos "felizes para sempre". Mas acredito que essa tenha sido parte da proposta do filme: narrar um romance de um casal comum. 

NOTA: 8

A Família Savage


Tamara Jenkins, roteirista e diretora de A Família Savage é claramente uma pessoa inteligente: neste filme, ela conta o drama de dois irmãos que são obrigados a cuidar do pai ausente de suas vidas, depois que a mulher dele morre. Os dois irmãos, interpretados por Phillip Seymour Hoffman e Laura Linney trabalham com teatro, e claramente buscam na arte a escape para sua frustração com a vida familiar.

É sempre um prazer assistir um filme com diálogos tão inteligentes e divertidos, e A Família Savage está repleto deles. Desde a maneira sutil como a garota polonesa descreve um personagem dizendo que "ele não quer se casar, mas chora sempre que eu frito ovos", até a inusitada conversa num quarto de motel entre um casal que discute sua vida como clichês dramáticos. Além disso, A Família Savage também surpreende ao se mostrar um drama melancólico sobre a velhice (ou a constatação de que os personagens já estão bem longe de suas juventudes), e o melhor exemplo disso é a briga entre os irmãos, na qual um deles discute de maneira sincera sobre o que ele pensa de asilos, perto do próprio pai.

Aliás, a relação dos personagens com o pai é feita com sensibilidade pela diretora, deixando que os olhares digam muito mais do que os diálogos: é claro que os filhos sofreram a vida toda pela ausência do pai, mas em nenhum momento eles parecem querer descontar isso no pai de alguma forma, enquanto o pai utiliza um triste silêncio para mostrar seu desconforto, e a cena em que Linney leva seu pai para o banheiro de um avião (lembrando uma criança aprendendo a andar) é poética e eficaz nesse sentido.

E se notaram, citei a palavra "inteligente" bastante no texto, e tenho um motivo para isso: logo no final, o filme se sabota ao explicar a lógica de Brecht ao espectador, quando tudo aquilo já estava claro, soando como uma cena metalinguistica e desnecessária, enfraquecendo bastante o final do filme, emocionalmente. O cérebro, porém, agradece.

NOTA: 8,5

Delírios


Delírios parte de um princípio interessante, comparando a relação ambígua entre paparazzis e celebridades com as relações humanas convencionais, na qual um depende do outro, por mais que não admita, e não é a toa que seus personagens parecem todos desesperados para estabalecerem relações com seus próximos, por menos que ela seja.

Protagonizado pelo sempre interessante Steve Buscemi, como o papparazzi que não se considera um deles, e Michael Pitt como uma versão de Cândido de Voltaire, se ele quisesse ser ator, o filme tem um ritmo interessante, e por mais que os diálogos as vezes se revelem óbvios, as interpretações acabam salvando isso. Porém, há uma reviravolta no início do terceiro ato que não só surge como uma alegoria boba como... incrivelmente imbecil, desperdiçando todo o potencial do elenco e da boa construção das situações. E se é interessante que o filme dedique um bom tempo em tela para a personagem de Alison Lohman (linda como sempre), é decepcionante que a sub-trama envolvendo a moça seja justamente o alicerce da imbecilidade em que o filme cai.

Escrito e dirigido por Tom DiCillo (de Johnny Suede... ... ...), Delírios até vale uma conferida, afinal rende divertidas risadas e há resquícios suficientes de inteligência em sua narrativa. Mas não se culpe se ficar com vontade de xingar o dono da locadora e até de mim por causa do final...

NOTA: 7

A Fita Branca


Obra-prima do diretor Michael Haneke, A Fita Branca foi interpretado por muitos críticos como uma alegoria sobre a geração que permitiu que Adolf Hitler chegasse ao poder na Alemanha, já que o filme conta a história de vários incidentes antes da Primeira Guerra Mundial, onde os principais suspeitos são as crianças do vilarejo. Não é uma interpretação errada, mas é incompleta. A Fita Branca é um estudo quase antropológico daquele lugar, e assim como Lars Von Trier fez em Dogville, Haneke aos poucos vai mostrando a miséria humana do lugar.

Vale comentar que o filme é muito mais linear e "fácil" do que os outros do diretor, mas ainda assim é um filme para se assistir com atenção. Haneke dirige o filme com inteligência, sabe o que mostrar, e principalmente, o que não mostrar: se as suspeitas dos incidentes caem sobre as crianças, isso se deve ao poder de sugestão do diretor, ao mostrar rapidamente uma criança pulando um muro após um filho achar seu pai enforcado, por exemplo. Mas é curioso notar como aos poucos, para o diretor pouco importa quem cometeu os crimes: na verdade, ele se mostra mais interessado nas relações entre famílias e entre as castas do local.

Observem por exemplo como o único delito que aparece no filme e que é cometido por crianças: o filho do coronel da região toca sua flauta, enquanto dois pobres filhos de um fazendeiro tentam fazer suas flautas com madeira e faca. O som da flauta do filho do coronel não irrita os garotos só porque ele consegue tocá-la: é também um lembrete triste da condição miserável de suas famílias e do poder do coronel. 

E a tal da fita branca que dá título ao filme é utilizada por um pastor para amarrar nos braços de seus filhos, para representar sua pureza e inocência. O que Haneke parece dizer, de forma cruel e brilhante, é que a inocência, por si, não significa bondade. E a inocência do filho do pastor ao dar uma chance para Deus matá-lo logo no início do filme é uma amostra perfeita disso.

Como vocês podem ver, A Fita Branca é um filme que desperta uma profunda reflexão e que em suas duas horas de duração parecem discutir uma infinidade de assuntos relevantes e importantes. Recentemente, Michael Haneke disse que os alemães devem assistir A Fita Branca como um filme sobre seu país, e o resto do mundo deve assistir como um filme sobre seu respectivo país. E o Brasil é um país que precisa urgentemente acordar para a reflexão desta obra-prima absoluta.

NOTA: 10

Besouro


Besouro deve ser a produção nacional mais importante dos últimos tempos. Explico: qual foi a última vez que você viu um filme brasileiro que misturava uma história de época, com toques claros de um filme de super herói? Exato... nunca né? Pois Besouro faz isso, e com louvor. Escrito e dirigido por João Daniel Tikhomiroff, o filme não é perfeito, mas é certamente a obra mais original e bem produzida no país em muito tempo.

Como sou absolutamente ignorante no que diz respeito a cultura mostrada no filme (do Candomblé, por exemplo), posso dizer que fiquei surpreso com a riqueza da cultura, que prega uma forte ligação entre as pessoas com a natureza, e as cenas que mostram Besouro se preprando na floresta são extraordinárias nesse sentido. Além disso, fiquei mais do que surpreso com o fato de que o Exu seja de tanta importância na história, e como pela sua moral mais do que dúbia é um dos destaques.

O roteiro se revela muito mais inteligente do que pode parecer, e particularmente gostei muito de como o filme retrata o Coronel da região, que mesmo sendo o grande vilão da história, consegue mostrar dignidade e respeito ao povo ao redor graças ao seu perverso carisma. Por outro lado, é uma pena que ao longo do filme, a história use um triângulo amoroso desnecessário como "muleta", e que a participação dos seres da natureza e do Mestre Alíbio se tornem praticamente coadjuvantes.

Contando com um desfecho corajoso e inteligente, Besouro pode não ser o melhor filme nacional dos últimos tempos, mas é incontestavelmente um gigante passo a frente no cinema brasileiro que já deviaestar produzindo filmes com muito maior diversidade e criatividade. E nesse sentido, Besouro é uma voadora no cinema nacional. E nesse caso... literalmente.

NOTA: 8,5

Terror na Antártida


Terror na Antártida em seus melhores momentos, me lembrou do subestimado Insônia de Cristopher Nolan, já que ambos os filmes utilizam com inteligência o local onde ocorre a trama. Infelizmente, apesar de vários elementos interessantes, o filme dirigido por Dominic Sena decepciona pelo excesso de flashbacks e por aposta muito mais no mistério da trama, que é bem previsível do que o diretor gostaria.

Protagonizado por Kate Beckinsale (na primeira atuação boa que eu vejo da moça), o filme conta a investigação de um assassinato na Antártida, que por ser o primeiro naquela região ganha a atenção da ONU e faz com que a área seja evacuada, dando um prazo curto para que o assassino seja preso. De início, Terror na Antártida faz um bom trabalho ao retratar a rotina das pessoas que vivem naquela imensidão gelada, e Sena faz um ótimo plano-sequência logo no começo, mostrando isso, e ainda realiza outra ótima cena quando o médico do local explica como o corpo deve se acostumar com a temperatura para jovens recém-chegados ao lugar.

Além disso, o filme é bem-sucedido ao mostrar as enormes dificuldades da investigação em meio a Antártida, e a cena de perseguição que parece durar uma eternidade, quando o espaço físico não deve ser maior que dez metros não é apenas inteligente e eficaz, mas incrivelmente tenso. Mas é lamentável que apesar de todos esses méritos, o filme caia em tantos clichês desnecessários. A montagem falha de maneira absurda ao mostrar os flashbacks, que surgem intrusivos e dizem pouco, e ainda comete a falha de repetir cenas que aconteceram a poucos minutos, algo no mínimo estúpido. Mesmo assim, o resultado final é o de um bom filme, que nas mãos de outro roteirista poderia ser realmente sensacional.

NOTA: 6

Vício Frenético (2009)


Refilmagem do filme homônimo de 1992 (que ainda não vi), Vício Frenético é um policial que consegue se destacar de qualquer filme do gênero. Em seu segundo filme americano (o outro foi O Sobrevivente), Werner Herzog faz um trabalho mais "comercial", mas que segue perfeitamente a lógica de seus trabalhos. Vício Frenético utiliza o caos gerado pelo furacão Katrina como pano de fundo para a decadência moral e física do Bad Lieutenant do título.

Ator com forte tendência ao over-acting, mas de atuações invejáveis (vide Despedida em Las Vegas, Adaptação, O Senhor das Armas ou O Sol de Cada Manhã, por exemplo), Nicolas Cage faz aqui uma das grandes atuações de sua carreira. Com um olhar perdido e uma postura fisicamente incômoda em cena, o ator faz um trabalho perfeito ao utilizar sua postura corporal como símbolo da degradação moral de seu personagem, e sua ausência no Oscar de melhor ator é uma das grandes injustiças do ano. Além disso, Val Kilmer e Brad Dourif interpretam de maneira tão fascinante que é difícil entender como eles não foram sequer lembrados para o Oscar de ator coadjuvante.

O roteiro erra um pouco no excesso de situações secundárias, mas é impossível não admirar a belíssima construção das cenas: da cena de abertura que mostra o "corajoso" ato de resgate de um prisioneiro, até as cenas de abuso sexual e tortura de uma idosa que soam engraçadas (acredite!), o roteiro ainda acaba surpreendendo pela inteligência ao demonstrar o curioso e eficiente modus-operandi do protagonista.

Herzog dirige com a competência habitual, e sua parceria com Nicolas Cage é de um acerto tão grande, que mal posso esperar para que eles repitam a dose. Basta reparar em como o diretor jamais perde o personagem em cena, mesmo que utiliza reflexos para isso. Contando com um final absurdo e irônico, que certamente parece um "final feliz", Vício Frenético mostra que mesmo um filme comercial pode ter as marcas de gênio de seu autor. O tenente é um agente do caos, senão o próprio caos em cena. E se há um diretor que consiga mostrar esse caos, esse diretor é Werner Herzog.

NOTA: 9

A Faca na Água


Primeiro filme do genial Roman Polanski, A Faca na Água é um suspense surpreendente, principalmente por frustrar grande parte da expectativa do que está sendo construído, e portanto, se mantendo sempre original. E por mais que seja considerado um suspense, na verdade pode ser considerado também uma comédia de humor negro, principalmente pela maneira inusitada com que os personagens e a situação são apresentados.

Um casal quase atropela um jovem andarilho, e depois de oferecerem uma carona a ele, acabam levando-o para velejar. Os problemas começam quando os dois homens parecem brincar com os maiores clichês freudianos para disputar a moça. Aliás, é curioso observar que por mais que o filme sutilmente se construa como um suspense, Polanski parece estar destinado a frustrar nossas expectativas, uma por uma (algo que os irmãos Coen passaram a carreira inteira fazendo). 

A inteligência do diretor também é marcante: reparem em como ele utiliza a preparação do barco para mostrar a dinâmica do casal, ou os enquadramentos, que mesmo sendo em cenas externas e em planos abertos tornam-se quase claustrofóbicos. Com um desfecho ambíguo, que certamente pode desagradar a muitos, A Faca na Água não é o melhor filme de Polanski, mas já mostrava traços suficientes de sua genialidade, principalmente nos movimentos de câmera e na direção de atores. Para quem é fã do diretor, é obrigatório.

NOTA: 8

Onde Vivem os Monstros


Desde que vi o belo trailer de Onde Vivem os Monstros, eu tive absoluta certeza de que o filme era algo especial. Não só porque Spike Jonze é um diretor fabuloso, e nem pelo elenco absolutamente perfeito mas pela sensação de que o filme seria uma experiência emocionante. Mas o que eu certamente não esperava, era que eu saíria do cinema comparando o filme com O Espelho, por exemplo.

Assim como o filme de Tarkovski, Onde Vivem os Monstros é uma visão melancólica sobre a infância, sobre a relação entre mãe e filho. O ator mirim Max Records interpreta o garoto de maneira absolutamente perfeita, passando longe da caricatura de "criança que fala como adulto". Tanto que, logo no início, quando Max se entrega a um choro desesperado (e inesperado), o garoto parece exatamente o que é: uma criança absolutamente comum, que chora quando fica triste, pula quando está alegre, grita quando fica bravo e por aí vai.

Logo depois de uma discussão com sua mãe, o garoto foge de casa, e encontra a terra em que vivem os monstros. Mais fascinante do que o design das criaturas, e a belíssima interação delas com Max, é observar como cada um daqueles monstros é um fragmento da personalidade do garoto. E vale a pena comentar a coragem do roteiro ao não se deixar cair na tentação de criar conflitos desnecessários, com direito a vilões e tudo mais, se limitando a explorar de maneira fascinante cada um dos personagens, ou seja, explorando cada aspecto da personalidade de Max com cuidado e sensibilidade.

Onde Vivem os Monstros porém, não irá agradar a todos, já que Spike Jonze parece fazer questão de que o filme tenha um ritmo lento e evita respostas fáceis (o desfecho na ilha das criaturas é brilhante). Mas quem se envolver com esta obra-prima, que é uma das mais injustiçadas no Oscar desse ano, certamente terá uma experiência inesquecível, assim como a que eu tive.

NOTA: 10

Preciosa


Preciosa é um filme com muitos problemas: o diretor Lee Daniels exagera nas cenas de "fantasia", criando um humor involuntário que prejudica demais o primeiro ato. Além disso, por mais que o diretor exiba uma bem vinda elegância nas cenas mais fortes (como uma elipse inesperada no desfecho de uma cena violenta), o excesso de closes nas cenas de Preciosa com a mãe, assim como o excesso de bizarrices da mãe da personagem (a dança na frente da TV é imperdoável) são tão incômodas, como também soam gratuitas.

Felizmente, Preciosa tem uma história tão fascinante que mesmo com seus defeitos, se apresenta como uma obra madura e até inusitada no cinema norte-americano: digamos que o filme tem muito mais de Baixio das Bestas do que o imaginado. A história da adolescente de 16 anos que engravida do pai pela segunda vez, e é indicada para uma escola especial é trágica e, inesperadamente otimista.

Se Lee Daniels se mostra um diretor ainda "verde" para o visual, ele surpreende é na direção de atores: e se Mo'Nique surge interpreta a mãe de Preciosa com uma energia surpreendente e sem qualquer medo de exagerar no over-acting (que se torna fundamental, diga-se de passagem), a jovem Gabourey Sibide se destaca com uma performance corajosa e bastante contida. Vale dizer que até mesmo Mariah Carey surge de maneira espetacular (especialmente no ato final). 

Contando com um roteiro bem estruturado, e que utiliza a narração em off com inteligência (principalmente ao mostrar a dificuldade que a personagem título tem para se concentrar), Preciosa é um filme surpreendente; forte e muito mais trágico do que parece de início, é um desses casos em que a viagem ao inferno que o filme propõe vale muito a pena.

NOTA: 9

Nação Fast Food


Nação Fast Food tem uma proposta fascinante: o filme acusa as grandes empresas de fast food nos Estados Unidos não só de crimes contra o povo americano, como também de apoiar a imigração ilegal. Sem meios-termos, o filme de Richard Linklater se apresenta com uma denúncia forte, no qual até mesmo o arco dramático dos personagens é sacrificado em prol da temática, e se admiro profundamente essa decisão do cineasta, por outro lado não ignoro que o filme perde muito de sua força com essa decisão.

Primeiro, é decepcionante que os personagens mais fascinantes sejam descartados do filme sem maiores explicações. Bruce Willis e Kris Kristofferson interpretam os melhores diálogos junto com o ingênuo publicitário interpretado por Greg Kinnear, que parece de início se apresentar como o protagonista da história, surpreendendo em seu desfecho de duas maneiras: por um lado, soa melancolicamente realista, mas é também um anti-climax tão forte que desanima o espectador.

O filme ainda apresenta várias histórias, mas Linklater não consegue manter todas as tramas de forma interessante, apostando num romance desnecessário e numa trama boba com a adolescente que trabalha na lanchonete. Por outro lado, o roteiro surpreende nas alfinetadas políticas, e guarda um soco no estômago fortíssimo para o final, e dúvido que depois de Nação Fast Food você não irá pensar duas vezes quanto ao que comer em seguida...

NOTA: 6

O Elo Perdido


Adaptação do antigo seriado de TV, O Elo Perdido sofre do mesmo mal de Eu, Robô, no qual o filme foi claramente transformado para se adequar a persona de Will Smith. O Elo Perdido foi adaptado para Will Ferrell num resultado terrível. Além disso, o fraquinho Brad Silberling dirige o filme sem qualquer inspiração.

O Elo Perdido tem seus momentos engraçados, principalmente quando se concentra em Will Ferrell e Danny McBride, mas é curioso como estes momentos acabam atrapalhando ainda mais o filme, cujo roteiro episódico jamais explora os personagens e o absurdo das situações de maneira realmente criativa ou até divertida. Os efeitos especiais e a direção de arte parecem saídos de algum filme de fantasia dos anos 80. 

Brad Silberling comete vários absurdos na direção que só pioram ainda mais as coisas: quando os personagens fogem de dois dinossauros, por exemplo, reparem como jamais sabemos onde eles estão, num descuido primário e estúpido. Além disso, se o filme tentou ser uma homenagem a série, fracassa ainda mais nesse sentido. A idéia, provavelmente, era fazer o que Ben Stiller fez por Starsky e Hutch. O resultado é um desastre.

NOTA: 2

G.I. Joe - A Origem de Cobra


Quando G.I. Joe começou, e logo nos primeiros 5 minutos iniciava a primeira grande cena de ação, até relevei: vários filmes bons começam com cenas assim e logo vão desenvolvendo os personagens e a história. O surpreendente é que percebi que aquele meio minuto em que os personagens se apresentavam ERA o desenvolvimento dos personagens. Mas eu devia saber: Stephen Sommers não é só um diretor ruim, mas também um diretor que depende tanto dos efeitos especiais que parece se esquecer de todo o resto.

Fora todos os furos de roteiro, que quem assistiu deve saber de cor: é pedir demais que os personagens sintam frio no Pólo Norte? E o que dizer das armaduras que, no início suportam qualquer tipo de arma contra elas, mas logo depois são sensíveis a granadas? E por mais que seja bem bacana ver o decotão de Sienna Miller e Rachel Nichols, como elas conseguem sobreviver as batalhas usando apenas roupas de couro apertadas?

Os efeitos especiais vistos no filme são bem feitinhos, mas jamais parecem reais (reparem nos helicópteros). Os flashbacks usados para contar a história são incrivelmente embaraçosos. O elenco, que inclui bons atores como Dennis Quaid, Joseph Gordon-Levitt, Jonathan Pryce (e a própria Sienna Miller) está terrível, medonho. E por pior que esteja Marlon Wayans no filme, minha indicação para o Framboesa de Ouro iria para a patética atuação de Arnold Vosloo.

Enfim, nada se salva nessa merda que é G.I. Joe - A Origem de Cobra. E para os marmanjões que adoraram o filme, um recado: por mais que seja engraçado tirar sarro das garotas que gostam de Crepúsculo e Lua Nova, ao menos esses dois filmes tinham um pingo de história. Tenha muita, mas muita vergonha.

NOTA: 0

Código Desconhecido


Desde que conheci o cinema do diretor Michael Haneke, fiquei fascinado pela sua capacidade de criar filmes complexos, com abordagens fascinantes; de como suas obras parecem enigmas que desafiam o espectador, não deixa o espectador passivo de sua história. O primeiro filme que assisti de Haneke foi o instigante Violência Gratuita (a versão antiga), e desde então me deparei com obras de arte como Caché, Tempos de Lobo, A Fita Branca e, agora, este genial Código Desconhecido.

O filme mostra várias situações envolvendo personagens, cujas ligações são esclarecidas aos poucos, através de cenas longas e sem cortes, que surgem de maneira aleatória: as cenas parecem começar e terminar de maneira aleatória, como se estivéssemos vendo apenas trechos de diálogos (e não é a toa que algumas cenas começam ou terminam em diálogos pela metade). E por mais que isso pareça frustrante, eu posso garantir que a sensação é extremamente satisfatória: Código Desconhecido apresenta diversos enigmas e cabe ao público "completar" a cena, preencher o que está em branco. 

Juliette Binoche é o mais próximo que o filme tem de uma protagonista, e Haneke não exita em brincar com o público em duas cenas tensas: o ensaio em frente a câmera, cujos diálogos parecem tomar realidade, ou a cena da piscina. Além disso, a atriz dá uma verdadeira aula de interpretação na longa discussão que ela tem com o marido no mercado, num diálogo que se mostra cada vez mais tenso. 

Logo na cena de abertura, Haneke dá uma pista extraordinária para a compreensão do filme: uma garota surda-muda faz uma mímica, e fica cada vez mais angustiada ao perceber que seus amigos também surdos-mudos não entenderam. Código Desconhecido é sobre a complexidade das relações humanas, e parece utilizar desde a globalização até o racismo para mostrar que nós, como espécie, ainda estamos engatinhando no sentido de compreendermos os próximos.

NOTA: 10

Bastardos Inglórios


Bastardos Inglórios não chega aos pés de Cães de Aluguel ou Pulp Fiction, as obras-primas de Quentin Tarantino, mas representa uma melhora significativa depois do chato Jackie Brown e os bonzinhos Kill Bill 1 e 2 (ainda não vi À Prova de Morte). O estilo inconfundível do diretor funciona de maneira surpreendente no filme, que é provavelmente o mais divertido que Tarantino já realizou.

O único defeito de Bastardos Inglórios está no roteiro e na montagem, que arrastam algumas cenas de maneira desnecessária, ou apresentam cenas que simplesmente poderiam ser cortadas: a cena do bar no porão, por exemplo, é claro que é uma boa cena (principalmente pelo desfecho) mas os diálogos são tão longos e arrastados no início que confesso que até bocejei; enquanto isso, a cena de Mike Myers não apresenta nada significativo a trama, e parece estar ali só para mostrar que Tarantino conhece o cinema alemão dos anos 20. Troféu joinha.

Felizmente, o diretor criou personagens fascinantes, a começar por Aldo Raine, interpretado de maneira divertidíssima por Brad Pitt, e só a cena em que o ator fala em italiano vale o ingresso. Christoph Waltz tem o melhor personagem do filme, o "Caçados de Judeus" que além da inteligência e sagacidade que o roteiro lhe proporciona, ganha um charme curioso na inspirada interpretação de Waltz. E se Daniel Brühl surpreende até o último segundo em tela, Mélanie Laurent faz de Shosanna a figura mais trágica de todo o filme.

Mas apesar de ser mais longo que o ideal, o clímax de Bastardos Inglórios é tão bem construído e tem um desfecho tão fascinante que é impossível não admirar o talento de Tarantino na condução da trama. Apesar de eu achar que Bastardos Inglórios foi um dos filmes mais super estimados de 2009, também não deixo de admirar suas óbvias qualidades. E sendo assim, torço para que Tarantino volte a ser o roteirista e diretor que eu tanto admirava.

NOTA: 8

À Procura de Eric


Durante toda sua carreira, o diretor Ken Loach procurou ao máximo realizar filmes politicamente engajados, com fortes opiniões de tal modo que, assim como Spike Lee ou Oliver Stone, seus filmes começaram a ser diminuídos pela crítica, o que é uma pena. Mas de qualquer maneira, este À Procura de Eric é uma comédia dramática divertida, e que surpreende o espectador pela forte carga dramática que o filme traz consigo. 

Escrito por Paul Laverty (parceiro habitual do diretor), o filme conta a história de Eric, um carteiro que vive com dois filhos adolescentes, que por um favor da filha mais velha, entra em pânico ao rever a primeira mulher de sua vida, Lily, fazendo ele sofrer um acidente de carro. Aos poucos, seus amigos começam a tentar animá-lo, mas Eric ganha um confidente especial: o jogador Eric Cantona (interpretando a si mesmo), ídolo do carteiro que começa a ajudá-lo da melhor maneira tylerdurdiana.

Os melhores momentos do filme são os que mostram Eric em meio a seus amigos, que de maneira desajeitada tentam ajudá-lo (a meditação com o livro de auto-ajuda é hilário) e, claro, os diálogos entre os dois Erics. Aliás, o roteiro é bem sucedido ao resumir o drama do personagem através de falas simples e dolorosas, como no momento em que Cantona pergunta se Eric era próximo do pai e ele responde que "uma vez ele sentou em cima de mim, por engano". 

Steve Evets encarna o carteiro Eric com intensidade invejável, e os extremos de seu humor somados a suas confissões sinceras e dolorosas a Cantona o tornam um personagem adorável e complexo. E por falar em Cantona, o ex-jogador de futebol surge como uma agradável surpresa, demonstrando um timing cômico impecável. 

À Procura de Eric não é um filme perfeito, e por mais que eu admire a maneira bruta como o diretor lida com o tema mais sério do filme, que surge na segunda metade, também é preciso dizer que o tema surge de maneira forçada, por mais que o desfecho seja incrível. Além disso, a relação de Eric com seus filhos é pouco trabalhada, algo que é lamentável visto que é um dos temas principais do filme. Mas apesar de tudo, À Procura de Eric dificilmente irá desapontar quem o assistir, e garanto que no mínimo, ao final qualquer espectador sentirá um sorriso involuntário.

NOTA: 8,5

Sin City - A Cidade do Pecado


Junto com o excelente Watchmen - O Filme, Sin City - A Cidade do Pecado é a melhor adaptação para o cinema de histórias em quadrinhos no sentido estético. E assim como a adaptação da obra de Alan Moore, o filme é extremamente fiel ao material de origem. Robert Rodriguez é um bom diretor, mas só encontrou aqui um material que combinasse perfeitamente com seu estilo visual, característica que torna Sin City um filme coeso e magnífico.

A obra faz uma espécie de crônicas de uma cidade (aparentemente, baseada em Las Vegas): políticos e figuras religiosas apoiam estupros e canibalismo; prostitutas se protegem com metralhadoras, e os criminosos parecem figuras com código de honra de faroeste. O visual do filme lembra um film-noir no meio de uma viagem de ácido. O uso de cores é muito bem sucedido, funcionando não apenas esteticamente, como tematicamente. Contando com um elenco repleto de figurinhas conhecidas, Bruce Willis e Mickey Rourke surgem como os grandes destaques da obra, seguidos de perto por Clive Owen e Rosario Dawson, enquanto Elijah Wood e Benicio Del Toro parecem se divertir como nunca em seus papéis bizarros.

Rodriguez mostrou 'cojones' ao aceitar a expulsão do Sindicato de Diretores por chamar Frank Miller para co-dirigir o filme, mas ele fez bem (lamentável é pensar que logo depois, Frank Miller foi fazer o pavoroso The Spirit). Violento, divertido e muito, mas muito discutível moralmente (algo que pode ser um defeito, mas novamente, está na lógica da própria história), Sin City é um filme sensacional por não se preocupar com a mania hollywoodiana de suavizar suas histórias para o grande público, se apresentando assim como uma obra forte e madura.

NOTA: 10

Lista de Indicados ao Oscar 2010

Tá aí a lista dos indicados ao Oscar desse ano. Faltaram alguns filmes, algumas indicações, mas é sempre assim, não é? 

Esse ano vou tentar assistir os indicados a curta-metragem que normalmente são ignorados e posto minhas opiniões mais tarde sobre eles, ok?


Update: Estou postando os links dos curta-metragens de animação. Os links estão abaixo.

Melhor Filme 

Avatar
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios 

Preciosa
Amor Sem Escalas

Um Homem Sério

Distrito 9
Um Sonho Possível
Educação

Comentário: De surpresa mesmo, só Um Homem Sério e Distrito 9. Acho que Up e Distrito 9 poderiam dar lugar a outros filmes (como A Fita Branca ou Vício Frenético do Herzog). Ms enfim, minha torcida vai para o fabuloso Guerra ao Terror.
 

Melhor Ator 

Jeff Bridges - Coração Louco
George Clooney -
Amor Sem Escalas
Colin Firth -
Direito de Amar
Morgan Freeman -
Invictus

Jeremy Renner - Guerra ao Terror


Comentário: Cade o Sharlto Copley aí? As únicas indicações que Distrito 9 merecia eras as técnicas e a de Melhor Ator. E cade Nicolas Cage por Vício Frenético? Enfim, Jeremy Renner e Jeff Bridges tem minha torcida.
 
Melhor Atriz 

Sandra Bullock - Um Sonho Possível
Helen Mirren - The Last Station 

Carey Mulligan - Educação
Gabire Sadire -
Preciosa

Meryl Streep - Julie e Julia
 

 
Comentário: Sandra Bullock tem grandes chances, mas não vi o filme para julgá-la. Fico na torcida por Gabire Sadire.
 
Melhor Ator Coadjuvante

Matt Damon - Invictus 
Woody Harrelson - O Mensageiro
Christopher Plummer -
The Last Station
Stanley Tucci -
Um Olhar do Paraíso
Christoph Waltz -
Bastardos Inglórios


Comentário: Tá meio na cara que vai para o Christoph Waltz, mas gostaria muito de ver Woody Harrelson ganhando a estatueta.

Melhor Atriz Coadjuvante

Penelope Cruz - Nine
Vera Farmiga -
Amor Sem Escalas

Maggie Gyllenhall - Coração Louco
Anna Kendrick -
Amor Sem Escalas

Mo´Nique - Preciosa

Comentário: Qualquer atriz de Nine estava melhor que Penelope Cruz, principalmente Judi Dench e Marion Cotillard. Anna Kendrick em Amor Sem Escalas está só ok. Bem, torço para Vera Farmiga.

Melhor Diretor 

James Cameron - Avatar
Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror
Quentin Tarantino- Bastardos Inglórios

Lee Daniels - Preciosa
Jason Reitman - Amor Sem Escalas


Comentário: Kathryn Bigelow TEM QUE vencer. Vai ser uma injustiça caso não seja ela a vencedora.


Comentário: Todo filme dos irmãos Coen merece ser indicado em Melhor Roteiro. Up tem um excelente roteiro, mas torço por Guerra ao Terror ainda (e que bom que Avatar não foi indicado aqui!).

Melhor Roteiro Adaptado

Distrito 9
Educação
In the Loop
Preciosa
Amor Sem Escalas


Comentário: Jason Reitman merece um puxão de orelha que os créditos do roteiro renderam. Torço por Preciosa.

Melhor Filme Estrangeiro 

Ajami - Israel
El Secreto de Sus Ojos - Argentina
The Milk of Sorrow - Peru
Um Profeta - França
A Fita Branca - Alemanha


Comentário: Muito bom ver dois filmes latino-americanos indicados, mas a disputa parece estar entre Um Profeta e A Fita Branca. E se A Fita Branca não vencer, vou quebrar o objeto mais próximo que estiver na minha frente.

Melhor Animação
Coraline e o Mundo Secreto
O Fantástico Sr. Raposo
A princesa e o Sapo
The Secret of Kells
Up - Altas Aventuras

Comentário: Up está com tudo, e muita gente torce pelo O Fantástico Sr. Raposo, mas minha torcida vaia para o fabuloso Coraline e o Mundo Secreto.

Comentário: A Fita Branca tem a melhor fotografia em preto e branco que já vi na minha vida inteira. Torço por ele, mas não fico bravo se Guerra ao Terror vencer.

Melhor Direção de Arte 
Avatar
O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus

Nine
Sherlock Holmes
The Young Victoria


Comentário: Fico entre Avatar e O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus.

Melhor Figurino
Brilho de Uma Paixão
Coco antes de Chanel

Nine
The Young Victoria
O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus


Comentário: Claro que o Cocô antes de Chanel ia aparecer aqui, mas gostei muito do figurino do Nine.

Melhor Documentário 
Burma VJ
The Cove
Food, Inc.
The Most Dangerous Man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers
Which Way Home

Comentário: The Cove parece ser extraordinário. Vou tentar assistir os outros para dar minha opinião.

Melhor Montagem
Avatar
Distrito 9
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Preciosa

 
Comentário: Só a abertura de Guerra ao Terror já merece essa estatueta. 
 
Melhor Maquiagem 

Il Divo
Star Trek

The Young Victoria

Comentário: Distrito 9 merecia uma indicação aqui... mas torço pelo Star Trek.

Melhor Trilha Sonora 

Avatar
O Fantástico Sr. Raposo
Guerra ao Terror
Sherlock Holmes
Up - Altas Aventuras

  
Comentário: A trilha do Avatar é horrível (em especial a música-tema). Gostei muito da trilha do Scherlock Holmes, mas fico dividido entre Up e Guerra ao Terror.

Melhores Efeitos Visuais  

Avatar
Distrito 9
Star Trek

 
Comentário: Star Trek e Distrito 9 merecem... mas se tem uma categoria que o Avatar merece mesmo, é essa.
 
Melhor Canção Original 

Almost There - A Princesa e o Sapo
Down in New Orleans - A Princesa e o Sapo
Loin de Paname -
Paris 36
Take It All
- Nine
The Weary Kind - Coração Louco


Comentário: Torço pro Coração Louco. As outras são fraquinhas.


Comentário: Guerra ao Terror ou Star Trek.


Comentário: Guerra ao Terror ou Star Trek.(2)

Melhor Curta de Animação
French Roast
Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty
The Lady and the Reaper (La Dama y la Muerte)
Logorama
A Matter of Loaf and Death


Comentário: Granny O'Grimm's Sleeping Beauty é fantástico, e French Roast é bem divertido e ousado tecnicamente.

 
Melhor Curta-Metragem
The Door
Instead of Abracadabra
Kavi
Miracle Fish
The New Tenants

 
Melhor Documentário em Curta-Metragem

China’s Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province - Jon Alpert and Matthew O’Neill
The Last Campaign of Governor Booth Gardner - Daniel Junge and Henry Ansbacher 
The Last Truck: Closing of a GM Plant - Steven Bognar and Julia Reichert
Music by Prudence - Roger Ross Williams and Elinor Burkett 
Rabbit à la Berlin - Bartek Konopka and Anna Wydra

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