O Dia da Besta



Existem dois tipos de bons filmes idiotas: os que usam humor absurdo, sem qualquer outra intenção que não seja entreter, como os ótimos Se Beber, Não Case ou Zumbilândia, e os que, bem... utilizam humor absurdo mas que tem bem-vinda inteligência em seu subtexto, como o longa-metragem de South Park, Todo Mundo Quase Morto e este excelente O Dia da Besta.

O filme conta a história do Padre Angel, que acaba desvendando o segredo por trás do livro Apocalipse: é um código numérico que aponta para a data de nascimento do Anticristo... que será exatamento no dia em que ele descobriu. Com a ajuda de um fã de metal e um apresentador de TV charlatão, ele tenta descobrir como vender sua alma para o diabo, para saber onde o Anticristo irá nascer, e com isso, salvar a humanidade.

Álex de la Iglesia
é um ótimo diretor e sabe criar cenas impecáveis, que primam pelo humor negro, como a inusitada cena de luta entre o padre e... a mãe do metaleiro. Mas assim como George Romero, Álex de la Iglesia cria um pano de fundo interessantíssimo, cujo óbvio destaque é o grupo de assassinos de mendigos que se chama "Limpa Madri". Além disso, é curioso perceber como o diretor parece sugerir que em meio ao caos social em que vivemos, o Diabo aparecendo é apenas mais um mero detalhe...

Engraçado e inteligente, O Dia da Besta alterna bem o que parece ser uma mistura de um filme escrito por um adolescente metaleiro viajando em ácido, com um roteirista habilidoso que sabe brincar com estereótipos e usá-los a seu favor. E isso faz toda a diferença.

NOTA: 9

By the way... impressão minha ou o local de nascimento do Anticristo remete as Torres Gêmeas? Hum...

O Grande Desafio (2007)


Antes de tudo: quem foi o idiota que traduziu The Great Debaters para O Grande Desafio, automaticamente, transformando um título direto para um que... parece o de um filme de Steven Seagal? 

Você, se foi você que teve essa idéia: Drop dead.

Voltando ao normal:

O Grande Desafio é mais um excelente filme que simplesmente passou despercebido. Lançado em 2007, só agora chegou as locadoras no Brasil. Quem sai perdendo é o público, já que o filme é extraordinário e mostra que Denzel Washington é um diretor que merece respeito, já que apesar de algumas falhas ocasionais no roteiro, ele se mostra perfeitamente seguro na construção das cenas e dos enquadramentos, de maneira surpreendente.

Contando a história real da primeira equipe de debates organizada por uma faculdade só para negros a se destacar nos Estados Unidos, o filme consegue escapar dos clichês típicos de "filmes de professor" (já devidamente satirizados no excelente Perdendo a Noção) pela maneira simples em que apresenta seus personagens.

Sim, o mentor vivido por Denzel Washington é uma figura forte e imponente que obviamente é de grande influência para seus alunos, mas o filme não o torna mais importante que seus outros personagens, principalmente o jovem James Farmer Jr. que, com apenas 14 anos e já aluno de uma faculdade, vive o conflito de agradar seu pai (um religioso fervoroso, vivido com competência por Forest Whitaker), e de se destacar em meio a equipe graças tanto a sua empolgação com as aulas, quanto pelos hormônios que estão a toda, afinal né... puberdade...

Demonstrando uma visão madura sobre o assunto, Washington transforma as cenas de debates em verdadeiras batalhas, e uma das poucas decepções do filme é a transição que passa por cima de várias vitórias da equipe (quando, justamente ver os debates é um dos grandes prazeres da história). Além disso, o diretor também surpreende pelo clima cada vez mais sombrio que cresce em meio a narrativa, e que tem seu climax numa cena violentíssima que merece aplausos pela coragem. 

Pode não parecer, mas O Grande Desafio é um filme grandioso e importante, e por mais que conte uma história de uma época que já foi, assim como o brilhante O Informante de Michael Mann, é um filme que mostra o tamanho do sacrifício que outros fizeram para dizer a verdade: no caso, a de que negros ou brancos, somos todos seres humanos.

NOTA: 9

Batman - O Cavaleiro das Trevas


Injustiças acontecem: sempre vai ter gente que vai dizer que Batman - O Cavaleiro das Trevas só ganhou a atenção pela morte precoce e trágica de Heath Ledger. Tremanda bobagem. Depois da resposta mais do que positiva do público ao excelente Batman Begins, e sua deixa magnífica para a entrada do Coringa na trama, somado a uma das campanhas de marketing mais inteligentes já vistas já eram suficientes para isso.

Mas O Cavaleiro das Trevas não quis ser apenas uma sequência qualquer, até porque "um filme qualquer" não deve existir no vocabulário de Christopher Nolan: o filme é um verdadeiro épico sombrio e dramático, provavelmente, um dos épicos mais pesados já realizados. Em meio a cenas gigantes e extremamente bem realizadas de ação, é o sombrio e pesado conflito psicológico entre Batman e o Coringa que se destaca na narrativa.

Aliás, o roteiro escrito por Christopher Nolan, Jonathan Nolan e (pasmem) David S. Goyer usa um recurso mais do que inteligente para que o filme funcione: o verdadeiro arco dramático da obra é o de Harvey Dent, novo promotor de Gotham. Além disso, os poucos defeitos de Batman Begins são devidamente corrigidos aqui, como as piadinhas que se encaixam muito mais organicamente na narrativa, e o visual mais realista (apesar que a viradinha da moto na parede não me desce ainda...).

Christian Bale interpreta Bruce Wayne de maneira ainda melhor, surpreendendo nas cenas mais dramáticas, e é uma pena que sua performance sutil e brilhante tenha sido injustamente ignorada. E enquanto Morgan Freeman, Gary Oldman e Michael Caine voltam com sua competência habitual, Maggie Gylenhaal recebe a ingrata tarefa de substituir Katie Holmes, se saindo bem. E se Aaron Eckhart faz de Harvey Duas-Caras o personagem mais trágico de toda a trama com a melhor performance de sua ótima carreira, Heath Ledger óbviamente é o grande destaque: seu Coringa é uma força da natureza; a perfeita definição de 'caos' que Werner Herzog sempre quis fazer.

Batman - O Cavaleiro das Trevas é um verdadeiro clássico, memorável obra-prima do cinema, e junto com Watchmen - O Filme, vai se tornar a maior referência de adaptações de histórias em quadrinhos para o cinema. Fica até difícil imaginar como será sua continuação, já que é impossível pensar em como Nolan irá superar este brilhante trabalho.

NOTA: 10

Maluca Paixão


Quando escrevi sobre o Framboesa do Ouro, comentei que a única coisa que me incomoda na premiação é sua tendência de "chutar cachorro morto". Logo, conclui que este Maluca Paixão fosse um desses "cachorros mortos", por ter um elenco estelar e ter sido um fracasso. Mas... oh lord. O que diabos foi esse filme? Maluca Paixão é inexplicavelmente ruim. É um desastre, que só não é completo porque Thomas Haden Church sempre faz milagres, e qualquer cena em que ele apareça é o suficiente para torná-la engraçada.

Sandra Bullock está constrangedora, mas a culpa não é toda dela. A personagem é terrível, e o roteiro ainda inclui algumas das piores narrações em off que já vi em toda minha vida. E não é surpresa nenhuma descobrir que a roteirista deste filme é a mesma que escreveu o sofrível Licença para Casar com Robin Willians, outra comédia esdrúxula.

Aliás, ... absolutamente tudo no roteiro é horrível, mas ao menos resta um consolo nele: pra todo mundo que achou (500) Dias com Ela revolucionário e surpreendente por seu final, vai ficar espantado com o final deste Maluca Paixão. 

E outra: Sandra Bullock estufou o peito ao receber o prêmio de Pior Atriz e deu cópias do filme para todos que votaram para que eles decidissem se a performance dela foi realmente a pior do ano.
Sandra. Este tiro vai sair pela culatra. Sorry.

NOTA: 1

Julie & Julia


Comédia divertida que seria muito melhor se não tentasse dar uma de As Horas, ao alternar duas histórias ligadas através de um livro. A história de Julia, interpretada com o talento de sempre por Meryl Streep é muito mais interessante que a de Julie, da fofinha cuti-cuti (desculpem por isso) Amy Adams que atua com o carisma de sempre, mas tem uma personagem chata.

Aliás, é curioso que absolutamente nenhum conflito apresentado na trama seja minimamente interessante, e olha que o filme se esforça nesse sentido. E mais curioso ainda é que o filme provavelmente funcionaria sem nenhum desses conflitos. Contando com uma montagem desinspirada, que jamais consegue ir de um período ao outro de maneira natural (ou um roteiro mal-estruturado, it's your call), Nora Ephron ao menos faz um trabalho competente na direção ao transformar a miúda Meryl Streep na mulher de 1 metro e 90 que ela representa. Stanley Tucci e Jane Lynch são outros grandes destaques, especialmente Lynch, que tem uma química tão inusitada com Streep, que seu tempo tão pequeno em tela é lamentável.

Porém, minha maior reclamação quanto a Julie & Julia está num detalhe que só é apresentada em seus minutos finais, e portanto, só leia o próximo parágrafo caso já tenha assistido o filme, senão... again... it's your call:

NOTA: 6

(Spoiler)

Uma coisa que me incomodou durante todo o filme foi como a jornada das duas mulheres se preocupava tanto em igualar dramaticamente a história de uma com a outra. O que piorou tudo? Saber que isso era apenas um golpe para uma "reviravolta": Julia Child odiou a idéia do blog de Julie. E como poderia ser diferente, se Julie a chavama até mesmo de 'bitch' em alguns momentos no blog?

E o filme ainda tenta nos convencer de que Julie estava certa? Ora, blogueiros são uma raça que, há tempos, tem que aprender que são gente, e que o mundo não gira ao redor deles (e me incluo nessa categoria; nunca me afirmei como dono da verdade em momento algum). E que Nora Ephron tenha igualado a história de uma mulher que levou oito anos escrevendo um livro com uma blogueira que levou... um ano escrevendo um blog já mostra que o filme nasceu um pouco errado.

Bons Costumes


Quem acredita que só um bom roteiro salva um filme, certamente irá pensar duas vezes antes de afirmar isto depois de assistir este Bons Costumes. Contando com uma trama simples e diálogos afiadíssimos, além de excelentes atuações, como as de Colin Firth e Kristin Scott Thomas, só posso dizer que o diretor Stephan Elliot deve ter se esforçado bastante para fazer um filme que soa tão banal e chato. 

Contando com um visual interessante, mas com uma tendência a chatos exageros (um deles, um plágio de um dos enquadramentos mais geniais de A Cor do Dinheiro de Martin Scorsese), a fraca direção de cena e a montagem fazem o filme soar como uma sitcom sem as risadas (incluindo até as pausas entre as piadas). E que piadas: o roteiro é cheio de tiradas afiadas que tornam o filme suportável, por exemplo quando um personagem arruma a cama de outro e diz que "gostaríamos que você descansasse em paz". 

Mas acredito que o maior problema de Bons Costumes sejam seus protagonistas: Jessica Biel provou que sabe atuar em Ponto de Partida, mas aqui volta a ser só um adorno em cena, enquanto Ben Barnes merece entrar na lista de piores protagonistas dos últimos tempos, tamanha a antipatia que seu personagem desperta (quando, para funcionar, deveria ser exatamente ao contrário). 

Enfim, Bons Costumes não é um desastre, mas é também difícil de recomendar. É o tipo de filme que mais me incomoda, na verdade: não tem o suficiente para que eu o odeie, mas tem muito pouco que elogiar. E deixo por isso mesmo.

NOTA: 5

Maria


Nunca fui capaz de apreciar completamente um filme de Abel Ferrara, apesar de não ter assistido os que são considerados os seus melhores. Mas acredito que ele é exatamente o exemplo de diretor que eu não gosto: o que diz quem está certo e errado, que pune e salva seus personagens como bem entende, como nesse fraquíssimo Maria.

Mesmo assim, digo que gostei da maneira como o filme expande sua discussão, e é inegável que Ferrara tem um excelente olho para enquadramentos, fazendo um filme visualmente interessante. Mas minha reclamação é com o personagem de Forest Whitaker, o apresentador de TV com o programa que discute a vida de Jesus: não basta descobrirmos que ele é ateu e que trai a esposa; temos que testemunhar ele vendo seu bebê chorando na UTI e atingir sua redenção ao rezar em voz alta numa capela, num patético exemplo do maniqueísmo que envolve o filme.

Quando meu filho nasceu, ele ficou algumas semanas na UTI, e me considero um não-religioso.  Ao contrário do personagem criado pelo diretor, ao invés de recorrer a religião, eu estive ao lado de minha mulher e do meu filho em todos os momentos que pude. É patético ver como Ferrara cria a cena da redenção do personagem, que não faz nada além de rezar e mudar sua opinião sobre Deus a todo momento, como a solução para salvar a vida de seu bebê! Golpe baixo indescritível e ridículo. E o que dizer da figura negativa representada pelo cineasta vivido por Matthew Moddine? E endeusar a cabeçuda da atriz que se contorna do avesso depois de interpretar Maria Madalena? 

Esqueça esse lixo. A Última Tentação de Cristo e Jesus de Montreal são opções muito mais inteligentes.

Abel Ferrara? Vai-te a merda.

NOTA: 1

Gonzo - The Life and Work of Dr. Hunter S. Thompson


Hunter S. Thomspon foi uma das figuras mais importantes da história da literatura e do jornalismo norte-americano, e este Gonzo - The Life and Work of Dr. Hunter S. Thompson, dirigido por Alex Gibney do também ótimo Enron - Os Mais Espertos da Sala, deve ajudar as pobres almas que nunca ouviram falar deste sujeito único e brilhante, que encarnou o pesadelo da morte do sonho americano como ninguém.

O documentário já começa mostrando o tamanho da genialidade do sujeito, narrando o texto que ele escreveu logo após o atentado as Torres Gêmeas, no qual ele preve com incrível lucidez tudo o que aconteceria posteriormente. Thompson teve seu auge criativo no final dos anos 60, ao escrever sobre os Hell Angels, e em seguida obras como Medo e Delírio (que foi adaptado para o cinema por Terry Gilliam). Em seus livros, ele capturava o desespero, as ironias, a felicidade e a melancolia de um dos períodos mais turbulentos da história dos Estados Unidos, com a Guerra do Vietnã, o assassinato de Kennedy e Richard Nixon (que era alvo de divertidas chacotas por Thompson)

Trabalhando como correspondente da revista Rolling Stone, Thompson não era sempre levado a sério, mas tinha sua importância: era uma voz única, que não apenas parecia fazer justiça a voz dos vários jovens que se sentiam desprovidos de seus direitos na época, como também era admirado pelos seus colegas jornalistas pela forma anarquíca de seus textos, que mesmo assim tinham grande e profundo sentido.

Amante voraz de drogas e armas, Hunter S. Thompson se despediu de nosso mundo em fevereiro de 2005, cometendo suicídio. Deixando para trás uma carreira que se encontrava em declínio desde 1972 (basicamente escrevia sobre futebol americano), é uma grande voz, e uma grande opinião que sempre fará falta. E que existam aberrações jornalísticas no Brasil e no mundo que se chamem de jornalistas Gonzo não é só uma mancha no brilho de Thompson, como também uma falta de bom senso tremenda. Evitem. Fiquem com o original.

NOTA: 10

PS: O filme não foi lançado no Brasil, e assim como fiz em Encounters at the End of the World, dou uma ajudinha aqui

:)

Batman Begins


Batman Begins foi o primeiro filme de super-herói realmente maturo o suficiente para merecer elogios rasgados da crítica. Mesmo que X-Men já havia sido lançado (e eu goste muito), essa reinvenção do Homem-Morcego nas telas ganhou na interpretação fantástica de Christian Bale e na inteligência e talento do diretor Christopher Nolan tudo o que precisava para conseguir a atenção do público. Ultrapassar a qualidade dos filmes anteriores de Tim Burton e Joel Schumacher, bem... convenhamos... era a tarefa mais fácil.

Dedicando uma hora inteira para a construção dramática do personagem, o roteiro é extremamente bem sucedido em conseguir convencer o público da trágica história de Bruce Wayne e de sua decisão de combater o crime vestido de morcego: até mesmo a capa e as orelhas do uniforme possuem sua função específica. Além disso, as cenas que se passam na Liga das Sombras, do treinamento do personagem com o tutor vivido com talento por Liam Neeson são outro grande destaque da obra.

Aliás, as atuações vistas em Batman Begins são todas dignas de nota: de Katie Holmes que subverte o típico papel de mocinha com personalidade, passando por Tom Wilkinson e Cillian Murphy criando vilões ameaçadores e divertidos em sua insanidade, chegamos em Gary Oldman, Michael Caine e Morgan Freeman que conseguem criar figuras confiáveis e confortadoras para o herói com atuações magníficas e precisas.

O filme tem seus problemas ocasionais, como as piadinhas rápidas desnecessárias e o visual estilizado demais, que denunciam um abuso desnecessário de efeitos especiais (especialmente nas tomadas aéreas). Felizmente, tudo isso se torna trivial com o belíssimo terceiro ato do filme, que é tão grandioso e espetacular que nos faz esquecer de todos esses problemas. O clímax do filme é exemplar, e Christopher Nolan é um diretor de pulso forte o suficiente para salvar qualquer pequeno problema.

A única coisa que lamento em Batman Begins, é que sua sequência, o arrasador Batman - O Cavaleiro das Trevas o superou em tantos sentidos, que o filme esteja condenado a ser considerado 'menor' por isso. Mas não merece, e nem deve: O Cavaleiro das Trevas não seria nada sem essa belíssima introdução que foi Batman Begins.

NOTA: 10

Encounters at the End of the World


Fascinante desde o duplo sentido no título, que se refere ao espaço e o tempo de maneira devastadora, Encounters at the End of the World oferece uma bela e surpreendente reflexão sobre nossa existência. Se em O Homem-Urso, Werner Herzog utilizou um indivíduo (Timothy Treadwell) que se afastou completamente da sociedade para estudar a relação humana com a natureza, dessa vez ele nos mostra vários indivíduos que mesmo se isolando por motivos diferentes de Treadwell, servem como mais um estudo antropológico e filosófico do diretor sobre as pessoas que moram na Antártida.

Documentarista sensível e brilhante, Herzog realiza entrevistas de maneira única, e uma delas lembra o belo momento de O Homem-Urso quando o diretor consolava uma das entrevistadas, mas dessa vez é com um fugitivo da Cortina de Ferro que mal consegue esconder a emoção ao lembrar do assunto. E o que dizer da entrevista com o mergulhador em seu último dia de trabalho, que em meio a conversa, encontra tempo para refletir de maneira cruel e melancólica sobre a vida dos seres unicelulares na Antártida? Ou o cientista responsável por estudar um iceberg gigante, que mal esconde sua empolgação em seu desejo de que o iceberg vá para o norte?

Mesmo assim, Encounters at the End of the World se mostra ainda mais fascinante quando Herzog deixa claro seu ponto de vista: a civilização como a conhecemos está entrando em colapso, e absolutamente nenhum cientista ou morador daquela região remota acredita que o futuro da raça humana tenha um longo futuro pela frente. Aliás, muito pelo contrário, desde as pequenas revelações que o documentário traz (como a de que a Antártida não é um continente estável), até as comparações de razão-sentimento de nossa espécie com seres unicelulares e até pinguins (num dos melhores momentos do filme) parecem sublinhar a conclusão de Herzog em seu documentário anterior: "a natureza é feita de caos, hostilidade e assassinato".

Brilhante, apocalíptico e muito, mas muito triste, Encounters at the End of the World é um dos documentários mais fascinantes dos últimos tempos, e mais uma vez, não foi lançado no Brasil. Problema que soluciono aqui. Assistam e apreciem.

NOTA: 10

The Cove


Vencedor do Oscar desse ano, The Cove é um documentário fabuloso que funciona bem em dois níveis: como denúncia, é sensacional, apresentando informações concretas de maneira direta e funcional, mas talvez o melhor seja como o documentário também se aproxima de um filme de aventura de dar inveja a qualquer 11 Homens e Um Segredo (que ganha uma comparação no próprio filme).

The Cove mostra também a história de redenção de Richard O'Barry, que foi um dos principais treinadores dos golfinhos que apareciam na série de TV Flipper. Depois da trágica morte de um deles, Richard dedica sua vida a libertar golfinhos de seus cativeiros, até descobrir que em uma enseada em Taiji, no Japão, mais de 23.000 golfinhos são mortos todo ano, e pior: a carne de golfinho (que é altamente intoxicada de mercúrio) é vendida a população japonesa sem que eles saibam disso, e também é doada na merenda escolar.

Para denunciar este absurdo, Richard convoca uma equipe para documentar esse massacre e confirmar suas suspeitas. O filme dedica uma hora inteira apenas para mostrar a fascinante preparação da equipe, que não apenas precisa enfrentar a forte resistência dos pescadores da região, como também de logística e afins. 

Contando com uma trilha sonora que também flerta de maneira divertida com o espírito aventureiro dos protagonistas do filme, The Cove é um documentário triste e melancólico, mas que ao final traz aquele forte sentimento de "Preciso fazer alguma coisa!", algo que não é pouco, muito menos pra mim, que nunca gostei de golfinhos...

NOTA: 10

Amnésia


Amnésia foi um dos melhores e mais influentes filmes da década passada, e se Christopher Nolan foi colocado num trono dourado pelos críticos e fãs parece exagero, na verdade é uma baita justiça. Amnésia é um filme brilhante, desses raros que quanto mais é assistido, mais se revela complexo e instigante. E mesmo que pareça que estou exagerando, é curioso que depois de várias vezes que eu tenha assistido, só agora sinto que realmente entendi o filme, por mais que eu ainda tenha minha parcela de dúvidas... 

Discutindo de maneira inteligente a maneira como nossas lembranças funcionam e o poder da memória de forma tão fascinante quanto a do recente Valsa com Bashir, Amnésia conta ainda com uma estrutura narrativa que se destaca por si só: observamos a trágica história de Leonard, um homem que depois de sua mulher ser violentada por dois bandidos, é atacado e depois de uma pancada na cabeça perde a capacidade de memorizar eventos recentes, e através de notas e tatuagens, dedica sua vida a matar o homem que matou sua esposa, mas tudo isso é mostrado de trás para frente; a primeira cena do filme é a última da história, e a cena seguinte começa exatamente de onde a anterior parou e por aí vai, mas não é só isso. Paralelamente, acompanhamos uma trama em preto e branco onde o protagonista revela a trágica história de um homem chamado Sammy Jankis, que complementa a sua própria história de maneira brilhante. 

Guy Pearce faz uma interpretação inesquecível como Leonard, um personagem trágico por natureza, já que toda vez que desperta, tem a nítida sensação de que sua mulher acabou de morrer, algo que não apenas justifica seu desejo de vingança, como também nos engana como patinhos: afinal, pela própria natureza de sua condição, não devemos confiar nele... Enquanto isso, John Leguizamo e Carrie Anne-Moss fazem de seus personagens figuras marcantes e importantes no filme, e que surpreendem a cada cena, literalmente.

Amnésia é um filme tão inteligente e brilhante que merece ser visto e revisto diversas vezes, já que seu mistério é muito maior e mais profundo do que pode parecer no início, e agora ao final não leia esses próximos parágrafos se não tiver visto o filme...

 NOTA: 10

(Spoilers) E você? Já tem sua resposta definida? Foi o próprio Leonard que matou sua esposa? Depois de ter visto novamente o filme, acredito que sim, a partir dos seguintes fatos: 1) Logo ao final, há um frame revelador, em que Leonard aparece abraçado com sua esposa, já com as tatuagens e com uma outra que não vimos durante todo o filme: uma tatuagem dizendo "Eu já fiz isso". Ou seja, a mulher de Leonard ainda estava viva quando ele perdeu sua memória e começou sua busca por John G.! Mas porque só ao final vemos esta tatuagem? Será que o próprio protagonista não a enxerga (o que remeteria ao brilhante Spider - Desafie sua Mente de David Cronenberg)?

E 2) Não sei porque não reparei nisso antes mas... durante toda a cena em preto e branco, com quem Leonard está conversando ao telefone? Há um detalhe óbvio que é mostrado em uma cena: Leonard está com o telefone desligado, ou seja, está conversando sozinho: estamos sim, testemunhando a maneira como o próprio Leonard investiga seu passado, e quando ele tatua na perna a mensagem "Nunca atenda ao telefone!", isso fica ainda mais óbvio: se Leonard continuasse a se investigar dessa maneira, ele provavelmente chegaria a conclusão de que ele era o verdadeiro assassino.

Isso responde tudo? Não... mas é só uma amostra do quanto Amnésia é muito mais fascinante do que pode parecer.

Insônia


Depois de dirigir o magnífico Amnésia, Hollywood fez a Christopher Nolan o que parece ser o grande teste para os diretores: fazer um bom filme com um roteiro mediano, que no caso ainda era um remake. Para sorte de Nolan, o roteiro de Hillary Seitz tinha uma estrutura curiosa o suficiente pata o diretor criar um ótimo filme, que mesmo longe da qualidade de suas outras obras, ainda é boa o suficiente para ser melhor que 90% do que Hollywood produz no gênero.

Apesar de algumas obviedades, principalmente no nome do protagonista (Will Dormer? Sério?), a trama é simples e o desenvolvimento dos personagens é cooerente, e há bastante espaço para o diretor "brincar", principalmente na maneira como a falta de descanso começa a afetar o protagonista: da cena em meio a uma estrada na qual ele tem uma alucinação, passando pela dificuldade de concentração em meio ao trabalho, mostrando planos fechados de vários objetos espalhados pelo local ao invés dos atores, Nolan realiza um trabalho invejável na direção.

Al Pacino faz um trabalho fantástico, e sua química com Robin Willians é suficiente para criar uma tensão fortíssima, que engrandece o filme na segunda metade. Mas por mais talentosa que Hillary Swank seja, é fato que o filme sempre enfraquece quando a trama se concentra em sua personagem. Talvez porque o filme seria melhor se fosse subjetivo do personagem de Pacino, ou talvez ela não esteja tão bem assim, mas realmente não importa. 

O que importa é que Nolan passou no teste, e passou bem. E não é a toa que ele tenha se tornado o grande diretor que é hoje, afinal, ele sempre foi.

NOTA: 8,5

Longe Dela


Longe Dela é a estréia da talentosíssima atriz Sarah Polley na direção, e ela parece influenciada por dois diretores com quem ela havia trabalhado: utilizando uma estrutura narrativa semelhante a de Atom Egoyan (que a dirigiu em Exótica e O Doce Amanhã) e o forte visual de Isabel Coixet (Minha Vida Sem Mim e A Vida Secreta das Palavras), é uma pena que cada uma dessas influências anule a outra, e que ao final, Longe Dela seja muito mais memorável pelas impagáveis atuações de Julie Christie e Gordon Pinsent.

A história gira em torno de um casal que depois de 40 anos de casamento é obrigado a lidar com o mal de Alzheimer: enquanto a mulher aos poucos vê a doença piorar cada vez mais, o marido reluta em mandá-la a uma clínica, cuidando dela em casa o máximo que pode. Sem jamais utilizar dramaturgia barata, um ótimo destaque do roteiro é a maneira matura em que lida com a doença, utilizando até mesmo de um surpreendente senso de humor que não apenas é bem vindo, como também é uma grande amostra de segurança por parte de Sarah Polley.

Infelizmente, a diretora não tem o pulso de Atom Egoyan para sustentar a complexa estrutura não-linear, e a sensação é a mesma de Babel ou Kill Bill: a não linearidade não apenas soa forçada como atrapalha nosso envolvimento com a história (mesmo que isso não atrapalhe o filme como um todo, de certa forma).

Julie Christie retrata o sofrimento de sua personagem de maneira sutil e belíssima, e seus melhores momentos são logo no início quando sua doença aparece em momentos triviais, como o incidente da garrafa de vinho. Mas assim como em O Casamento de Rachel, em que a narrativa gira em torno de mulheres, é a forte e sensível figura masculina interpretada por Gordon Pinsent que em uma atuação minimalista e inteligente, carrega o filme e se torna o grande destaque neste belíssimo, mesmo que falho, drama que é Longe Dela.

NOTA: 8

O Hotel de Um Milhão de Dólares


Primeiro filme escrito por Bono Vox do U2 (em parceria com Nicholas Klein) e dirigido por Win Wenders, O Hotel de Um Milhão de Dólares é um filme bem intencionado e pretensioso, mas que demora para causar interesse, além de ter um ritmo muito mais lento que o adequado. Além disso, é difícil entender qual a idéia da história: estamos vendo um estudo de personagens marginais em meio a uma situação extraordinária ou acompanhando o personagem de Jeremy Davies em meio ao caos?

Mel Gibson como o "Muito Especial" Agente Skinner é o grande destaque, e chega a ser impressionante que o filme não o considere seu protagonista: agente federal de prestígio e inteligente, aos poucos ele vai revelando não apenas uma interessante insanidade ao conduzir o caso, como também marcas de um passado trágico que mostram como ele entende aquelas pessoas, e não é mera coincidência que as melhores cenas do filme sejam as protagonizadas por ele. Aliás, o simbolismo por trás de seu aparelho para a coluna é interessante: é uma mensagem física de seu desequilíbrio emocional e social.

Wenders dirige com a competência habitual, e visualmente o filme é um espetáculo. Pena que também as diversas tramas paralelas sejam tratadas de maneira quase pedestre, melhorando só depois da metade, que tem muito mais foco e é bem mais direta. Além disso, as atuações embora sejam em sua maioria excelentes, como Peter Stormare e seu "beatle" que imitando John Lennon e citando letras da banda, mal perceba que seus discursos soam quase fascistas, há uma minoria como Amanda Plummer que atua de maneira histérica e arruina suas cenas.

Fechando com uma belíssima ponta de Tim Roth (que merecia muito mais tempo em tela), O Hotel de Um Milhão de Dólares é um bom filme que começa mal e exige muita paciência do espectador. E por mais que eu goste do filme, é difícil recomendá-lo, mas se for fã de Win Wenders, não perca por nada nesse mundo.

NOTA: 6

O Gângster


Deixei passar este O Gângster graças a meu preconceito contra Ridley Scott. Afinal, matematicamente, as probabilidades indicavam que seria uma porcaria. Ok, ele é o diretor de Blade Runner e do primeiro Alien, mas façamos as contas depois disso: Thelma e Louise? Os Vigaristas? Cruzada? Sim, todos ótimos, mas agora as porcarias: Gladiador, Até o Limite da Honra, Um Bom Ano, Falcão Negro em Perigo, Hannibal... enfim, não tenho dúvidas de que Ridley Scott seja um bom diretor, mas é só lembrar destes "clássicos" para ficar com um pé atrás (tanto que ainda não vi o mais recente Rede de Mentiras, por isso).

Dito isso, O Gângster talvez seja o melhor trabalho do diretor nos últimos anos, e representa um ponto altíssimo em sua carreira. O filme tem seus defeitos? Tem, sim senhor: a trama do policial vivido por Russel Crowe é interessante mas é completamente deslocada (e perder a custódia do filho parece não significar nada para o personagem). Além disso, por mais que seja moralmente duvidoso (e não errado), transformar os policiais liderados por Josh Brolin em vilões de novela das oito atrapalha a curiosa discussão que o filme demonstra da metade para o final.

O que torna O Gângster tão especial? Denzel Washington, numa de suas melhores atuações, encarnando seu personagem com um equilíbrio fenomenal entre honra, credibilidade e impulsos de violência. A idéia de que seu personagem seja um traficante que leva os negócios com uma visão mais 'comercial' só se torna fascinante graças à maneira extraordinária de como o ator nos convence disso.

Aliás, é curioso que uma coisa tenha me incomodado muito durante a primeira hora de filme: ok, então vamos ficar torcendo pelo traficante e ele não sofreu nenhum tipo de racismo? Pois digamos que é bem aí que o filme realmente começa, apresentando cenas fascinantes em sua construção e na sutileza: o jantar de ação de graças que dá lugar a mãe morrendo de overdose ao lado do filho, ou o chefe do FBI que não acredita que um negro tenha superado os italianos no tráfico de drogas, mostrando um racismo covarde e repulsivo são exemplos perfeitos de como a mensagem de O Gângster é direta e poderosa. 

NOTA: 9

Cativeiro


Poucas coisas me frustram mais como cinéfilo do que ver um diretor talentoso fazer porcarias: Peter Jackson em Um Olhar do Paraíso, Coppola em Jack, ou Rolland Joffé, dos clássicos Os Gritos do Silêncio e A Missão fazer esta merda que é Cativeiro. E peço desculpas por ser tão rude, mas é isso que o filme é: uma merda. Sub-produto de Jogos Mortais e O Albergue, Cativeiro é um torture-porn com pouco torture e nenhum porn. Aliás, segunda vez que Elisha Cuthbert faz um filme que envolve porn e fica vestida o tempo inteiro (ver Show de Vizinha), mas divago.

Contando com um dos roteiros mais Joselitos que já vi, o filme começa ruim, mas acredite, eles sempre acham um jeito de piorar. Se o sequestro da protagonista é bizarro, espere para ver o vilão a assustando... ao ligar o chuveiro! E correndo o risco de fazer um spoiler, o final da história se revela tão burro, idiota, retardado e estúpido que é inacreditável lembrar que Joffé foi o mesmo diretor a criar uma das cenas finais mais belas de todos os tempos em Os Gritos do Silêncio.

Ruim demais para ser um exercício de gênero ou algo parecido, Roland Joffé provavelmente queimou a cara (trocadilho infame, eu sei) nesta porcaria que, na tentativa de se aproveitar de um sub-gênero cinematográfico que já tinha sido mal-sucedido antes de sua estréia, só consegue ser uma comédia involuntária. Mas quer saber? Nem isso Cativeiro faz direito.

NOTA: 0

O Ilusionista


Christopher Nolan não fez pouco em O Grande Truque: ao mesmo tempo em que utilizava a não-linearidade da história para criar um verdadeiro labirinto narrativo, utilizava os truques de mágica de seus protagonistas, e principalmente a preparação do truque para torná-los fascinantes. O que me traz a este O Ilusionista, onde todos os truques do mágico são feitos por efeitos especiais, e cujas poucas sugestões de como ele os realiza chegam a ser ofensivos de tão estúpidos.

Dizem que o conto que inspirou o filme é interessante, e eu imagino porque: o que se estabelece como fascinante é como o mágico através da simples sugestão de ter poderes sobrenaturais começa a desafiar a monarquia e os poderosos da cidade. Mas para o roteirista e diretor Neil Burger, o que interessa é o romance, digno de novela das 6, que inclui os óbvios planos em que o casal é separado (com detalhe para as mãos tentando se alcançar), e uma cena muito bizarra quando ela pede para que ele os faça desaparecer: o rosto do rapaz indica que ele também estava com diarréia no momento.

Mas o filme não é um total desastre: a trilha sonora de Phillip Glass é magnífica, e a fotografia em sépia apesar de óbvia, tem seu charme. Além disso, a direção de arte consegue alguns feitos interessantes, como o fundo do palco do mágico, que engana ao passar a sensação de profundidade, numa sacada bem interessante. E claro, o elenco formado por Edward Norton, Paul Giamatti e Rufus Sewell que fazem mais do mesmo, mas são competentes, enquanto Jessica Biel ainda era só um rostinho (e corpo) bonito.

Infelizmente, O Ilusionista tem um dos piores e mais retardados finais que já vi em minha vida, quando ao plagiar descaradamente a estrutura de finais como O Sexto Sentido ou Os Suspeitos, mostra um personagem desvendando toda a trama apenas para... mostrar que a trama não fazia o menor sentido! Pelo menos, nisso o filme foi honesto...

NOTA: 3

Ilha do Medo



Ilha do Medo
não é só mais um lembrete de que Martin Scorsese é o melhor diretor da geração dos anos 70 que ainda está entre nós, mas também traz aquele Scorsese maroto e fanfarrão que adorava brincar de cinema de gênero, e criou filmes excelentes como Cabo do Medo, Alice Não Mora Mais Aqui ou A Última Tentação de Cristo, três filmes excelentes mas que fogem completamente do estilo pelo qual o diretor é lembrado.

Neste filme baseado no livro Paciente 67 de Dennis Lehane (cujo currículo está ficando invejável - vide Sobre Meninos e Lobos e Medo da Verdade), acompanhamos a investigação de dois agentes federais na ilha Shutter, onde uma paciente desapareceu misteriosamente. Aos poucos, porém, os agentes percebem algo de estranho no lugar, enquanto um deles, Teddy é vítima de estranhos pesadelos e alucinações envolvendo sua participação na tomada de um campo de concentração e a morte trágica de sua mulher.

Como se não bastasse o material rico em mãos, Scorsese faz questão de transformar Ilha do Medo numa experiência incômoda e perturbadora. Perceba como ele utiliza a forte trilha sonora para transformar a chegada dos agentes na ilha num crescendo arrebatador. Além disso, assim como mostrou no excelente O Aviador, o diretor utiliza os efeitos especiais com inteligência, criando cenas tensas e fantásticas, como o pesadelo de Teddy em que sua mulher queima em seus braços, ou a tempestade que começa a derrubar as árvores no lugar.

Em mais uma bem-sucedida colaboração com o mestre do cinema, Leonardo DiCaprio entrega a melhor atuação de toda a sua carreira, criando um personagem trágico, e impressionando principalmente no final. E se Mark Ruffalo atua com a competência habitual, sem dificuldades para tornar seu personagem carismático, Ben Kingsley e Max Von Sydow brincam de forma assustadora com a percepção do espectador, jamais nos deixando saber se escondem uma natureza monstruosa ou o contrário.

Montado com a competência habitual de Thelma Schoonmaker, Ilha do Medo é um filme perturbador que jamais deixa de ser intrigante, e assim como ocorre nas outras adaptações de Dennis Lehane, a trama surpreende por jamais se enrolar e apresentar com inteligência singular a sua história. A diferença é que aqui, saiu uma obra-prima de um mestre que poderia muito bem não ter se arriscado tanto depois de ter ganho seu merecido Oscar. Ele decidiu se arriscar, e nós só podemos agradecer.


NOTA: 10

O Grupo Baader Meinhof


Neste filme mais recente do diretor Uli Edel, não interessa somente mostrar um atentado: ele nos mostra o passado da vítima, do assassino, o que houve com eles depois, seu contexto histórico e as consequências na história do filme como um todo. Isso pode comprometer o ritmo da montagem, mas ao final, é inegável que O Grupo Baader Meinhof é uma experiência cinematográfica riquíssima que se esforça ao máximo em não deixar meias palavras ao contar a história do grupo.

Depois de um protesto de estudantes alemães pela visita do Xá do Irã, em meio a guerra do Vietnã e no envolvimento passivo do país perante o comportamento violento de Israel (que é comparado de forma corajosa ao nazismo), a polícia espanca violentamente os manifestantes. Em meio a eles, estava a polêmica jornalista Ulrike Meinhof, que começa a utilizar seu talento para a escrita para a recrutação de jovens revoltados em parceria com Andreas Baader, um terrorista de natureza psicótica (e qual não é?).

Escrito pelo brilhante Bernd Eichinger (que também escreveu A Queda! - As Últimas Horas de Hitler e Perfume - A História de um Assassino), o filme jamais se esquiva de qualquer polêmica e utiliza o contexto histórico com inteligência: o conflito entre Meinhof e a mulher de Baader, por exemplo é utilizado de forma elegante para mostras as mudanças na sociedade com o feminismo (algo também representado pelo número de mulheres no comando de pequenas facções do grupo). Além disso, a ligação do grupo com terroristas do Oriente Médio, que é mostrado de maneira quase cômica serve para mostrar o misto perigoso de alienação, ingenuidade e violência que forma o grupo.

Mais intrigante ainda, é que o único que se mostra de alguma forma sensato perante o caos da situação seja o personagem vivido pelo sempre excelente Bruno Ganz que foi o intérprete de Hitler, a alguns anos. Essa é uma escolha intrigante para mostrar um dos lados mais perigosos da história: se os jovens terroristas alemães se identificam com Che Guevara e Mao Tse Tung, por exemplo, é pela necessidade de combater o que eles consideram como a pequena chama que inicia o nazismo, e a culpa histórica da Alemanha é um dos aspectos mais fascinantes trabalhados na produção.

NOTA: 9

Veia de Lutador


Veia de Lutador é um filme que tenta desesperadamente ser relevante de qualquer forma, mas é só um filme de ação fraco pontuado por algumas boas idéias no roteiro. O filme conta a história de Shawn MacArthur, um jovem perdido na vida que depois de uma briga numa praça é contatado por um agente que o ajuda a ganhar dinheiro em lutas ilegais.

Protagonizado sem o menor carisma (ou sequer talento) por Channing Tatum, Shawn já é um personagem mal desenvolvido pelo roteiro, mas somado a atuação preguiçosa do ator, ele lembra mais Joey Tribbiani (com direito a "How you doin?") do que um lutador. Felizmente, o filme conta com o excelente Terrence Howard, que com exceção de sua participação em Homem de Ferro, sempre se destaca e traz grande empatia a seus personagens. Aqui, o ator faz um trabalho fabuloso ao jamais permitir que o espectador saiba se pode ou não confiar nele (algo que o roteiro não faz, diga-se de passagem). E para entender as diferenças entre ótimas e péssimas atuações, compare qualquer cena entre Channing Tatum e seu par romântico, com qualquer diálogo entre Terrence Howard e Luis Guzmán: enquanto o primeiro funciona em momentos específicos, no segundo com muito menos diálogos e muito mais olhares, os atores mostramo que parece ser anos e anos de rivalidade e convivência.

Contando com um desfecho simplesmente errado da cabeça (como O Homem que Copiava, por exemplo), Veia de Lutador é um filme que no final mostra que tinha personagens interessantes e tinha tudo para ser um bom filme, e é uma pena que tenham optado pelo caminho mais fácil e comercial, fazendo esse enlatado de luxo, que só vale a pena ser visto mesmo pelo ótimo Terrence Howard.

NOTA: 4

Um Copo de Cólera


Baseado no livro de Raduan Nassar (que também deu origem ao já clássico Lavoura Arcaica), Um Copo de Cólera funciona em dois níveis: como um estudo de personagens entre um casal que parece utilizar o ódio como forma de comunicação e como forma de manter a sua intensa chama sexual acesa. Mas o filme também demonstra de maneira inteligente a velha culpa da classe média brasileira, e os diálogos rebuscados servem de maneira perfeita para ilustrar isto.

Dirigido com inteligência por Aluísio Abranches, o filme é repleto de longos planos contemplativos, e a maneira natural e poética de como encara o sexo entre os protagonistas é outro ótimo fator na obra. Trazendo mais uma grande atuação de Alexandre Borges (o melhor ator do cinema nacional, junto com Marcos Ricca) e Julia Lemmertz, que não apenas trazem a esperada química (já que eram casados na época, hoje em dia já não sei) como também encontram espaço para desenvolverem facetas inesperadas em seus personagens, como o repúdio de um deles pelas formigas, e as risadas diabólicas e provocativas de outro.

Bastante curto (tem pouco mais de uma hora), só é uma pena que o roteiro não tenha encontrado uma maneira mais intrigante de utilizar a ótimo prosa de Nassar, criando cenas em que os atores se confessam para a câmera, algo que surge de maneira abrupta e jamais se torna orgânico na montagem do filme. Mesmo assim, Um Copo de Cólera tem muito mais qualidades (como a ótima trilha de André Abujamra) e tem seu merecido destaque na filmografia nacional.

NOTA: 8

Faces da Verdade


Faces da Verdade conta uma história interessante, e vá lá, até que consegue ser um bom filme durante um tempo. Mas o roteiro depende de uma informação básica, que só é revelada no final, e eu adoraria contar para vocês num baita de um spoiler, mas não vou fazer isso. Mas acreditem: a tal da revelação final me deixou olhando para a TV enquanto eu guardava uma gargalhada, que misturava o reconhecimento de um absurdo ridículo com o arrependimento de ter assistido a essa porcaria inteira.

Logo de início, uma legenda nos avisa que a história é baseada em fatos reais, para um segundo depois mostrar o Presidente dos Estados Unidos sofrendo um atentado em que leva três tiros (cena que, por sinal, não faz o menor sentido de estar lá). Logo depois, por uma notícia de rádio descobrimos que os Estados Unidos, em retaliação ao atentado causou um bombardeio na Venezuela (!!!!!). E é nesse pano de fundo surreal que a história se passa.

O filme conta a história de uma repórter que através de uma fonte, revela em uma matéria a identidade de uma agente da CIA. Como revelar isso é ilegal, o governo logo pressiona a repórter para revelar a sua fonte, mas ela resiste e não conta e vai para a cadeia. Faces da Verdade é uma mistura de thriller político, filme de julgamento e de prisão, e não funciona em nenhum deles. O roteirista e diretor Rod Lurie, dono de uma carreira fraquíssima, dirige o filme como se estivesse fazendo um episódio de Cold Case ou alguma outra série de TV barata. Pior de tudo é ver que Kate Beckinsale, Matt Dillon, Alan Alda e (principalmente) Vera Farmiga atuam com talento e se esforçam para dar veracidade a trama, num esforço infelizmente inútil.

Na verdade, o filme não é tão ruim, mas tem pouquíssimos bons momentos, principalmente quando envolvem a ética do jornalismo perante a pressão do governo, mesmo que não se aprofunde no assunto. Mas a revelação final muda tudo: transforma a jornalista heroína e disposta a abdicar de sua liberdade por algo maior numa retardada sem noção e sem escrúpulos, que quer saber? Merecia ficar até mais tempo na prisão, tamanha a estupidez.

NOTA: 2

O Fim da Escuridão


Interessante, mas eu não havia me dado conta de quanto sentia falta de ver Mel Gibson protagonizando um filme. Deixando de lado as polêmicas em que ele se envolveu e tudo mais, poucos atores são tão carismáticos e tem o dom de parecerem verdadeiros "Badass Motherfucker" com tanta facilidade. O Fim da Escuridão é um bom filme, com alguns problemas, sim, mas um retorno mais do que digno para Mel Gibson.

Dirigido pelo competente Martin Campbell, conta a história de Thomas Craven (Gibson), um policial que, pai solteiro, recebe a filha em casa depois de muito tempo, só que quando os dois saem de casa, um assassino grita "Craven" e dispara um tiro fatal em sua filha. Inicialmente, a polícia trabalha com a teoria de que Thomas era o alvo, mas ele numa investigação paralela, acaba descobrindo que as coisas não foram bem assim, e acaba se envolvendo numa complexa trama com a corporação qem que ela trabalhava.

A estrutura do roteiro lembra a do ótimo O Jardineiro Fiel de Fernando Meirelles, em que o personagem ao investigar o assassinato de sua mulher, acaba descobrindo que não sabia nem metade de quem era sua esposa. E o roteiro ainda conta com um recurso interessante de criar alucinações visuais e auditivas no protagonista, deixando claro que apesar de se comportar perante aos outros com frieza, a morte de sua filha consumiu muito mais de si do que qualquer um pode imaginar.

Além disso, o misterioso personagem interpretado por Ray Winstone adiciona ainda mais tensão e conflito, e seus diálogos com Gibson são, sem dúvida, os melhores momentos do filme. Dito isso, é uma pena que o normalmente confiável Danny Huston consiga em poucos minutos estragar completamente o mistério que envolve seu personagem, deixando claro que é um vilão e pronto.

Talvez eu esteja dando uma nota maior da que o filme realmente merecia, mas o fato é que O Fim da Escuridão funciona bem, e tem um desfecho forte e surpreendente em seu significado. Só é uma pena que a última cena seja uma das coisas mais patéticas dos últimos anos. Mas eu consigo ignorá-la. 

NOTA: 8

Vigaristas


Vigaristas é um filme de assalto que parece ter sido escrito por David Mamet e dirigido por Wes Anderson, e não, isso não é um elogio, já que essas referências são tão óbvias e descaradas que não dá para chamar o diretor Rian Johnson de original. Se a abertura já começa lembrando Os Excêntricos Tenembauns na narração e na estética, o resto do filme lembra o ótimo O Assalto de Mamet, em que jamais sabemos quem está golpeando quem.

Mas o que o roteiro e a direção faltam em personalidade, é compensado pelas excelentes atuaçõs de Adrian Brody, Mark Ruffalo e Rachel Weisz. Brody e Ruffalo criam uma divertida química entre seus irmãos Bloom, mas Weisz, com uma atuação divertida e intensa é que ganha todo o destaque (reparem na cena em que ela tem o primeiro beijo). Quanto a Rinko Kikuchi, é uma pena que ela sirva apenas como coadjuvante de luxo.

Vigaristas não é de todo mal, e garante uma diversão decente durante boa parte do tempo, mas infelizmente cai num ato final repleto de contradições e bobagens que mesmo garantindo um final dramaticamente satisfatório, deixa inúmeras questões abandonadas (sem falar que, para acontecer, o último ato depende de uma decisão completamente besta da parte de um personagem). Mesmo assim é divertido, mas existem melhores.

NOTA: 7

Meeting People is Easy


Meeting People is Easy é um documentário que traz uma revelação para os fãs de música em geral: fazer música não é divertido, é trabalhoso; fazer um show não é fácil e por aí. O documentário foi dirigido e filmado por Grant Gee no olho do furacão: assim que o Radiohead se tornou a banda mais comentada ao lançar o seu extraordinário Ok Computer. O documentarista segue a turnê da banda, as esntrevistas, as premiações e revela uma banda não só completamente despreparada para o assédio que recebeu, como também criou quase um complemento para o disco.

É muito fácil dizer que Radiohead é uma banda deprimente, quando na verdade qualquer um que pare para prestar atenção nas letras de suas músicas irá encontrar um compositor extremamente preocupado com as relações humanas em nossos tempos em que a tecnologia manda e nós somos suas putinhas (perdoem o francês). O visual do documentário utiliza esse ponto de vista, misturando bitolas, criando flicks propositais em imagens e até câmeras de segurança.

É curioso como o filme também foge de toda e qualquer regra de documentários sobre bandas: logo no início, quando vemos a banda abrir um show com Lucky, Gee mantém uma câmera fixa em Thom Yorke, por um longo tempo, algo que irá se repetir várias vezes com os outros membros da banda. Aliás, Gee parece muito mais interessado em mostrar os bastidores do que a aclamação da banda pela mídia, algo que se revela inteligente e fundamental.

Se há um defeito, talvez seja que Meeting People is Easy seja um filme um pouco antipático: quem não ouviu Ok Computer ou não tiver familiaridade com a banda, dificilmente vai aguentar assistir mais do que dez minutos. O que é uma pena, já que seu desfecho, não apenas mostra uma banda extremamente profissional, mas também uma banda preparada para mudar (de novo) o mundo da música, como fizeram com Kid A.

NOTA: 8,5

Vencedores do Oscar 2010

Depois de premiarem a merda do Quem Quer Ser um Milionário?, a Academia resolveu fazer uma premiação justa, mesmo com algumas pedras no meio do caminho... mas enfim:

Melhor Filme 
Avatar
Guerra ao Terror
- VENCEDOR
Bastardos Inglórios 

Preciosa
Amor Sem Escalas

Um Homem Sério

Distrito 9
Um Sonho Possível
Educação

Comentário: Não tinha para ninguém, Oscar mais do que merecido. Ainda não vi Um Homem Sério dos Coen, mas dúvido que vou mudar de opinião. Fiquei muito, mas muito feliz!
 

Melhor Ator 

Jeff Bridges - Coração Louco - VENCEDOR
George Clooney -
Amor Sem Escalas
Colin Firth -
Direito de Amar
Morgan Freeman -
Invictus

Jeremy Renner - Guerra ao Terror


Comentário: The Dude é foda. Previsível, mas que bom que ele finalmente levou uma estatueta!
 
Melhor Atriz 

Sandra Bullock - Um Sonho Possível - VENCEDOR
Helen Mirren - The Last Station 

Carey Mulligan - Educação
Gabire Sadire -
Preciosa

Meryl Streep - Julie e Julia
 

 
Comentário: WTF? Sério isso?
 
Melhor Ator Coadjuvante

Matt Damon - Invictus 
Woody Harrelson - O Mensageiro
Christopher Plummer -
The Last Station
Stanley Tucci -
Um Olhar do Paraíso
Christoph Waltz -
Bastardos Inglórios
- VENCEDOR

Comentário: Merecido e bem previsível, e um dos melhores e mais elegantes discursos desse ano no Oscar.

Melhor Atriz Coadjuvante

Penelope Cruz - Nine
Vera Farmiga -
Amor Sem Escalas

Maggie Gyllenhall - Coração Louco
Anna Kendrick -
Amor Sem Escalas

Mo´Nique - Preciosa - VENCEDOR

Comentário: Não tinha como Mo'Nique não vencer. Mais do que merecido

Melhor Diretor 

James Cameron - Avatar
Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror
- VENCEDOR
Quentin Tarantino- Bastardos Inglórios

Lee Daniels - Preciosa
Jason Reitman - Amor Sem Escalas


Comentário: A primeira mulher a vencer o Oscar e tem que ser muito cínico pra ver isso como politicagem. Bigelow apavorou, fez um filme fodão e mereceu. Simples assim.


Comentário: Uma baita surpresa, já que Tarantino era o favorito, mas uma surpresa mais do que agradável!

Melhor Roteiro Adaptado

Distrito 9
Educação
In the Loop
Preciosa
- VENCEDOR
Amor Sem Escalas


Comentário: Jason Reitman merece um puxão de orelha que os créditos do roteiro renderam. Torço por Preciosa. - Comentei isso na indicação. Hell yeah! =)

Melhor Filme Estrangeiro 

Ajami - Israel
El Secreto de Sus Ojos - Argentina
- VENCEDOR
The Milk of Sorrow - Peru
Um Profeta - França
A Fita Branca - Alemanha


Comentário: Ok, A Fita Branca perdeu... tinha que ser argentino... cretino...

Melhor Animação
Coraline e o Mundo Secreto
O Fantástico Sr. Raposo
A princesa e o Sapo
The Secret of Kells
Up - Altas Aventuras
- VENCEDOR

Comentário: Estava bem na cara que Up ia ganhar, mas torci por Coraline até o último segundo...

Comentário: Hum... então... next:

Melhor Direção de Arte 
Avatar - VENCEDOR
O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus

Nine
Sherlock Holmes
The Young Victoria


Comentário: Óbvio e merecido. É uma das melhores coisas de Avatar.

Melhor Figurino
Brilho de Uma Paixão
Coco antes de Chanel

Nine
The Young Victoria
- VENCEDOR
O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus


Comentário: O discurso de Sandy Powell disse tudo: é preciso que a Academia pare um pouco de só premiar filmes históricos, em castelos e caralhos a 4. Mereceu só pelo discurso.

Melhor Documentário 
Burma VJ
The Cove
- VENCEDOR
Food, Inc.
The Most Dangerous Man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers
Which Way Home

Comentário: O que? Um documentário filmado num estilo de guerrilha vencendo a maior premiação do cinema? A Academia me deixou orgulhosíssimo...

Melhor Montagem
Avatar
Distrito 9
Guerra ao Terror
- VENCEDOR
Bastardos Inglórios
Preciosa

 
Comentário: Os primeiros dez minutos de Guerra ao Terror já garantiram essa estatueta.
 
Melhor Maquiagem 

Il Divo
Star Trek
- VENCEDOR
The Young Victoria

Comentário: Único prêmio de um filme que poderia ter sido mais prestigiado...

Melhor Trilha Sonora 

Avatar
O Fantástico Sr. Raposo
Guerra ao Terror
Sherlock Holmes
Up - Altas Aventuras
- VENCEDOR
  
Comentário: Fora a trilha de Avatar, qualquer uma poderia ser premiada, mas que bom que foi para o Up.

Melhores Efeitos Visuais  

Distrito 9
Star Trek

 
Comentário: Alguma dúvida de quem iria vencer esse?
 
Melhor Canção Original 

Almost There - A Princesa e o Sapo
Down in New Orleans - A Princesa e o Sapo
Loin de Paname -
Paris 36
Take It All
- Nine
The Weary Kind - Coração Louco
- VENCEDOR

Comentário: Merecido, apesar que os concorrentes eram nhé.


Comentário: Merecido. Trabalho foda.


Comentário: Merecido. Trabalho foda. (2)

Melhor Curta de Animação
French Roast
Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty
The Lady and the Reaper (La Dama y la Muerte)
Logorama
- VENCEDOR
A Matter of Loaf and Death


Comentário: Não vi, mas parece ser muito bom. E o discurso foi um dos melhores da noite.
 
Melhor Curta-Metragem
The Door
Instead of Abracadabra
Kavi
Miracle Fish
The New Tenants
- VENCEDOR

Comentário: Não vi, não sei...
 
Melhor Documentário em Curta-Metragem

China’s Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province - Jon Alpert and Matthew O’Neill
The Last Campaign of Governor Booth Gardner - Daniel Junge and Henry Ansbacher 
The Last Truck: Closing of a GM Plant - Steven Bognar and Julia Reichert
Music by Prudence - Roger Ross Williams and Elinor Burkett - VENCEDOR
Rabbit à la Berlin - Bartek Konopka and Anna Wydra

Comentário: Não vi, não sei... mas que rendeu o momento mais embaraçoso do ano, ah, isso rendeu...




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