Mais filmes que não deram tempo...

Pois é... procura de emprego somada a uma gripe maldita foram os responsáveis dessa vez. Enfim:

Abismo do Medo 2 (The Descent: Part 2 - Dir. Jon Harris) - Continuação bem-sucedida em como mantém a tensão, e com algumas boas idéias no roteiro. Mas o final é vergonhosamente ruim. NOTA: 7,5

As Horas (The Hours - Dir. Stephen Daldry) - Um olhar fascinante sobre a depressão. Em meio a tantas interpretações geniais das mulheres do elenco, um destaque para a pequena e dolorosa participação de Ed Harris. NOTA: 10

As Strippers Zumbi (The Zombie Strippers - Dir. Jay Lee) - Tosco, mal feito, mal dirigido, mal escrito e mal atuado. Repleto de mulheres peladas e piadas de mal gosto. Adorei. NOTA: 7

A Teta Assustada (La Teta Asustada - Dir. Claudia Llosa) - Melancólico e curiosamente engraçado, o filme conta uma história simples e triste, de maneira criativa e otimista. Belíssimo. NOTA: 10

Crime Delicado (Dir. Beto Brant) - Adaptação complicada, difícil, mas bem sucedida. Beto Brant se supera na direção, enquanto Marco Ricca prova (de novo) que é o melhor ator do cinema nacional. NOTA: 8

Educação (Education - Dir. Lone Scherfig) - Todos os elogios feitos ao mediano (500) Dias com Ela deveriam ser dedicados a este ótimo Educação. NOTA: 9

Embriagado de Amor (Punch Drunk Love - Dir. Paul Thomas Anderson) - Comédia romântica esquisita e inusitada, com o diferencial de ter o talento de P.T. Anderson na direção e uma atuação surpreendente de Adam Sandler. NOTA: 8,5

Em Teu Nome (Dir. Paulo Nascimento) - A história é boa, e ao contrário da mídia "especializada", acho que faltam filmes sobre a Ditadura Militar no Brasil. Mas Em Teu Nome é irregular demais. NOTA: 4

Repulsa ao Sexo (Repulsion - Dir. Roman Polanski) - Tenso, claustrofóbico e perturbador. Direção magnífica de Polanski em sua primeira obra-prima. NOTA: 10

Sedução (Cracks - Dir. Jordan Scott) - A história é interessante, e Jordan Scott se mostra um diretor exemplar. Mas o filme sofre com a atuação fraca de Eva Green, que chega a lembrar o Jack Sparrow de Johnny Depp de tantos chiliques. NOTA: 4

Simplesmente Feliz (Happy-Go-Lucky - Dir. Mike Leigh) - Sally Hawkins dá uma aula de interpretação nesta comédia inusitada e inteligente de Mike Leigh. NOTA: 10

Testemunhas de uma Guerra


Mark e David, dois experientes fotógrafos de guerra, vão ate o Curdistão, e depois de semanas fotografando apenas o processo de triagem no hospital, acabam se separando quando ocorre a primeira ofensiva iraquiana, já que David não quer correr riscos pois sua mulher em breve dará a luz ao seu primeiro filho, e resolve voltar para casa, enquanto Mark está ali justamente para registrar a ofensiva. Mas Mark acaba se ferindo gravemente e volta alguns dias depois. Só que descobre que David, mesmo voltando alguns dias antes, jamais chegou em casa, ou deu qualquer notícia. 

Dirigido pelo talentoso Danis Tanovic (de Terra de Ninguém e Inferno), Testemunhas de uma Guerra é um belíssimo estudo de personagem sobre o trauma de guerra, algo que é beneficiado pela atuação magnífica de Colin Farrell, que interpreta Mark com o mesmo talento que vêm mostrando em seus últimos trabalhos, como O Sonho de Cassandra e Na Mira do Chefe. Aliás, o diretor ainda aproveita bem a dedicação física de Farrell ao projeto (já que, claramente perdeu muito peso) criando uma cena belíssima na qual depois de ter chegado em casa, sua esposa o encontra na banheira, dormindo. Enquanto a banheira se esvazia, aos poucos ela vê o tamanho das cicatrizes em seu corpo.

Outras boas escolhas de elenco são Branko Djuric (de Terra de Ninguém) como o médico responsável por matar os pacientes que nao tem salvação, Paz Vega (belíssima) que vive a esposa de Mark e, principalmente, o grande Christopher Lee que interpreta o psicólogo que ajuda o protagonista.

Contando com alguns problemas pontuais de roteiro (como um diálogo expositivo entre as esposas dos fotógrafos, em que analisam o trabalho de ambos), Testemunhas de uma Guerra é um ótimo lançamento que foi jogado de qualquer jeito nas locadoras. Mas fazer o que... foi lançado, então aproveitem.

NOTA: 8,5

Invictus


Invictus é um desses filmes que...bom... não tem erro: baseado numa história real fascinante, o simples apelo do que está sendo contado é suficiente para assistí-lo, mas é decepcionante que seja só isso, sendo mais um filme do diretor Clint Eastwood. Estava escrito em algum lugar que Morgan Freeman atuaria como Nelson Mandela um dia, uma escolha natural. Pena que tenha sido aqui. O filme conta a história de Mandela a partir de sua libertação, e assumindo a presidência da África do Sul, quando enfrenta o desafio de unir a população no pós-apartheid. Decide utilizar a seleção de rugby do país para isso, e com sucesso. 

O roteiro é o grande problema; por um lado, admiro a decisão de mostrar a repercussão das ações do presidente em pequena escala (entre seus seguranças, principalmente), mas isso afeta nossa visão do personagem Nelson Mandela: a grandiosidade e o sucesso parecem vir dos jogadores de rugby; não do presidente. 

Morgan Freeman é o ator perfeito para interpretar Nelson Mandela, e não decepciona, mas infelizmente, também não impressiona, e o mesmo pode ser dito de Matt Damon. Os atores parecem mais preocupados em trazer verossimilhança em seus sotaques do que qualquer outra coisa (mas conhecendo o trabalho dos dois, aposto que seja mais um problema do roteiro, na verdade). 

Mas como disse no início, a história de Invictus é realmente muito boa, e defeitos a parte, fato é que o filme tem ritmo e jamais se torna arrastado ou chato. Mesmo assim, me fez lembrar de um Clint Eastwood que é capaz de fazer filmes burocráticos e dispensáveis, como Dívida de Sangue ou Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal, e esse, definitivamente não é um bom sinal.

NOTA: 6

A Caixa


Teste: você precisa chamar uma atriz para interpretar a seguinte personagem: Mãe de famiíia dedicada, que conta com uma deficiência fisica que a faz mancar, e com problemas financeiros que a impedem tanto de corrigir o modo como anda, quanto de ter a certeza de que conseguirá uma boa educação para seu filho. Sério... quantos de vocês chamariam Cameron Diaz? Enfim, por mais que a atriz esteja constrangedoramente ruim no papel, garanto que a culpa é muito mais do diretor Richard Kelly do que dela. 

Aliás, que decepção, considerando que Kelly dirigiu o ótimo Donnie Darko e o mediano (mas intrigante) Southlad Tales - O Fim do Mundo. A Caixa e tão ruim que representa para o diretor o que A Dama na Água foi para M. Night Shyamalan. Apesar de jogar referências interessantes no inicio, o filme é chato, enrolado, cansativo. E tudo que no início até parecia inteligente, logo se mostra mera encheção de linguiça, intragável. A historia é simples e absurda, mas poderia render um exercício interessante ao diretor, pelo menos. 

Agora, é rezar para que ele nao lance um Fim dos Tempos da vida... 

NOTA: 2

Elefante


Vou usar este argumento pela primeira e única vez na vida: Elefante é chato, e é importante que ele seja. É extremamente importante para a visão artística de Gus Van Sant sobre a tragédia de Columbine que o tédio da vida daqueles adolescentes seja sentido também pelo público. Disparado, o melhor filme do diretor, Elefante é uma experiência cinematográfica extraordinária, e repleta de inteligência. 

O filme basicamente acompanha alguns alunos em longas caminhadas pelos corredores da escola: o garoto e seu pai alcoólatra; as garotas bulimicas; o casal que pode estar esperando um nenê; a jovem desengonçada e ridicularizada pelos colegas. Nenhuma novidade, a não ser que ,naquele dia, dois alunos entrarão armados pelas portas e vão disparar tiros a esmo. Gus Van Sant não tenta explicar o inexplicável: deixa que a tragédia fale por si. O que mais se ouviu na época foi que a culpa de tudo seria de videogames violentos, Marilyn Manson e outros. Isso está tudo no filme, mas exposto de maneira obviamente irônica. A grande tragédia é a facilidade com a qual os dois rapazes conseguem armas de fogo. 

O diretor disse que o título faz referência a uma parábola sobre cinco cegos que recebem a tarefa de tocar um elefante: cada um deles descreve o mesmo objeto de maneira completamente diferente, e isso faz todo o sentido. Mas, na minha opinião, a gíria "an elephant in the room" também se encaixa bem: um problema gigante e óbvio, que parece quase ridículo quando apontado. 

Obra-prima. 

NOTA: 10

Esquadrão Classe A


Decepcionante ver um cineasta como Joe Carnahan dirigindo este Esquadrão Classe A, por mais que o filme não seja ruim. Afinal, depois de realizar um dos melhores policiais da década passada, Narc e fazer o bacana A Última Cartada, eu esperava muito mais do diretor que um filme divertido, mas mal escrito e com efeitos especiais decepcionantes, comparáveis a O Procurado.

O roteiro é fraco, mas é salvo por várias boas escolhas de elenco, principalmente Sharlto Copley de Distrito 9, que faz de Murdoch o grande destaque do filme, e Liam Neeson e Patrick Wilson também se saem muito bem com seus personagens carismáticos. Já Bradley Cooper, um ótimo ator exagera um pouco na dose, e para piorar, seu personagem é o menos inspirado de todos, fazendo dele um mero coadjuvante, assim como Jessica Biel (hein? Hein?).

O que é divertido no filme são a maneira como o esquadrão planeja suas ações, enquanto a montagem nos mostra como ela acontecerá, algo que traz uma dinâmica interessante ao filme, e por mais que seja tudo inverossímil, ao menos é divertido e bem realizado. Mas é uma pena que os efeitos especiais sejam apenas medianos, principalmente na cena do cais ao final, quando tudo parece um jogo de video game.

Inspirado na popular série dos anos 80, que eu nunca vi e nem pretendo, Esquadrão Classe A é divertido, um passatempo bacana. Algo que já é interessante, mas que eu nunca esperaria de Joe Carnahan. E enquanto o filme passava, eu só me divertia mais quando lembrava do ótimo episódio de Uma Família da Pesada, em que Peter monta seu Esquadrão Classe A.

NOTA: 6,5

Um Homem Sério


"Aceite o mistério..."

Donos de uma carreira incrivelmente consistente, os Irmãos Coen demonstraram seu escárnio ao estrelato que receberam depois de Onde os Fracos Não Têm Vez ao realizarem em seguida o divertidíssimo Queime Depois de Ler. E para surpreender ainda mais, Um Homem Sério, seu mais recente trabalho é um drama existencialista que, mesmo que conte com momentos de humor, é um filme muito mais sério e melancólico do que eles jamais fizeram.

Um Homem Sério conta a história de Larry Gopnik, um professor de Física que começa a ver sua vida desabar aos poucos, com sua mulher decidindo se divorciar dele, seu irmão mais velho que mora em seu sofá, e jamais sai do banheiro, o que enfurece seus dois filhos, que nem parecem ligar para o fato de que ele é obrigado a se mudar.

Alguns consideram Um Homem Sério um trabalho mais autobiográfico dos irmãos Coen, afinal a história se passa numa comunidade de judeus na época em que eles eram crianças, mas isso ão transparece de maneira óbvia. O filme lida com um tema que está sempre presente nas obras dos diretores, que é a fé. Porém, se em seu filmes anteriores isso vinha acompanhado por figuras que representavam o mal ou o bem, aqui isso está completamente desfeito: até mesmo o homem que roubou a mulher de Larry passa longe de parecer um canalha ou algo do tipo.

O drama de Larry é o de ter passado a vida inteira acreditando na maneira como Hashem atuava em sua vida, como se cada coisa boa fosse recompensada imediatamente, assim como cada coisa ruim também. Portanto, quando tudo em sua vida começa a dar errado, sem que ele saiba se fez algo ruim, ele não apenas passa a questionar seu Deus, como também a ordem que acreditava que existia no universo, algo que demonstra uma enorme passividade em como ele leva sua vida. Porém, os diretores passam longe de uma visão cínica a respeito do conflito do protagonista com a fé (como um Religulous, por exemplo) e grande parte da qualidade de Um Homem Sério vem na maneira poética como os diretores filmam os rituais religiosos.

Repleto de complexidade e beleza, Um Homem Sério é mais uma obra-prima dos irmãos Coen, cineastas que fazem valer a pena continuar indo ao cinema, como prova o misterioso desfecho deste filme, que ao negar uma conclusão convencional ao espectador, também mostra o controle poderoso dos diretores em sua obra, ao fazer ali mais uma declaração poderosa e relevante para a trama, assim como a introdução que pode parecer completamente deslocada para os desatentos.

NOTA: 10

Confissões de uma Garota de Programa


Steven Soderbergh merece muito respeito por mesmo depois de se consagrar como um grande diretor norte-americano, jamais ter deixado de experimentar como um diretor independente, como mostrou em Solaris, Bubble, ou até errando feio, como no péssimo Full Frontal.

Confissões de uma Garota de Programa segue esse mesmo estilo. É silencioso, mais preocupado em entrar no íntimo dos personagens do que em ser esteticamente bonito. O problema é que Soderbergh parte de um princípio fascinante para justificar a história, mas o filme demora demais a conquistar o público, a ponto de eu só realmente sentir algo pela protagonista no final, depois de alguns bocejos.

O filme é interessante ao trabalhar com a crise econômica nos Estados Unidos de maneira direta e cheia de cinismo. Acompanhamos Chelsea, uma garota de programa que oferece o "Girlfriend Experience" para o cliente, ou seja, acompanha o cliente a qualquer lugar e oferece conversas e companhia além do sexo. São nos diálogos que se percebe que os clientes tem medo da crise, falam de cortes de gastos, de diminuir os investimentos e de quantos empregados terão que demitir - enquanto pagam 2000 dólares por hora para ficar com Chelsea.

Interpretada pela atriz de filmes adultos Sasha Grey (linda e surpreendente em cena), Chelsea é realmente uma personagem fascinante, mas parece que o roteiro não acredita muito nisso. Mas é sua ligação com os clientes que é realmente interessante, e quando o filme se concentra em sua vida pessoal é que ocorrem os bocejos. Fato lamentável, para um filme tão inteligente.

NOTA: 6

O Procurado

 
Jamais me animei a assistir O Procurado, mesmo quando foi lançado e boa parte da crítica dizia que era uma idiotice divertida. Dois anos depois de seu lançamento, finalmente eu assisti e do "idiotice divertida" só consegui ver características do primeiro.

Dirigido pelo russo Timur Bekmambetov e baseado na graphic novel de Mark Millar, conta a história de um pobre gerente de contabilidade que descobre que seu pai, que o deixou na infância morreu a poucos dias, e pior: ele é o próximo alvo. Então ele se adentra numa Fraternidade de Assassinos onde descobre seu dom para disparar balas em curva (Lee Harvey Oswald certamente também foi parte do grupo).

Nem mesmo o bom elenco dá conta do recado, e o único que consegue alguma coisa é James McAvoy, apesar do diretor sabotá-lo o tempo todo, como ao obrigá-lo a ficar gritando alá Van Helsing no meio das cenas. Angelina Jolie se limita a ser bonita, e até Morgan Freeman e Thomas Kretschmann servem só de coadjuvantes de luxo.

Apesar de se assumir como idiotice, O Procurado nunca é engraçado, e jamais é realmente bem feito para divertir, aliás, os efeitos especiais são terrivelmente razoáveis e abaixo da média esperada. Mas por trás de sua inocente babaquice, o filme conta com uma moral alá George W. Bush que é bem resumida em um diálogo: "Matamos um para, talvez, salvarmos mil".

Não sei a vocês, mas esse talvez me incomoda.

NOTA: 1

O Golpista do Ano


Alguns filmes saem exatamente quando deveriam. Brüno pode ter sido criticado por todos os lados, mas disse coisas importantes na época certa, assim como este ótimo O Golpista do Ano, guardado pelas distribuidoras para ser lançado junto com a Parada Gay em São Paulo, numa decisão até que interessante, diga-se de passagem. Só é lamentável que título original I Love You Phillip Morris tenha sido deixado de lado, perdendo uma piada inspiradíssima que já vinha no nome.

O tal do "golpista do ano" é Steve Russell (Jim Carrey) um policial religioso e com uma família "perfeita", que esconde sua sexualidade. Depois de um acidente, decide sair do armário e aproveitar a vida. Infelizmente, isso acaba incluindo aplicar golpes financeiros geniais, mas inconsequentes, levando Steven várias vezes a prisão.

Mas é na prisão que Steven conhece Phillip Morris (Ewan McGregor), um rapaz ingênuo e tão carente que desperta um forte sentimento em Steven, que começa a aplicar ainda mais golpes para tirá-los da prisão e viverem felizes para sempre.

Comédia de humor negro repleto de momentos escatológicos e grosseiros (e divertidos), O Golpista do Ano acerta no roteiro ao estabelecer a dinâmica de Steven e as pessoas a seu redor, como sua ex-esposa vivida por Leslie Mann, e seu ex-namorado, Rodrigo Santoro (na sua melhor atuação internacional). E poucas vezes vi a sexualidade do seu protagonista ser mostrada de forma tão direta e engraçada.

Jim Carrey tem uma excelente atuação no filme, principalmente quando podemos observá-lo enquanto seus golpes não dão muito certo (como no tribunal, quando conversa com um juiz e outro advogado). Mas o destaque mesmo é Ewan McGregor, que faz mais um trabalho fenomenal, e tem demonstrado uma melhora bastante considerável (e olhem que sempre admirei o ator). 

Lidando de forma direta com temas difíceis, como a homofobia e até AIDS, O Golpista do Ano falha só no ato final, quando ao inserir situações muito mais dramáticas do que o público espera, acaba causando um estranhamento no início, mesmo que funcione depois.

Mas pensando bem: ver que todo o público que estava fazendo comentários do tipo "que viadinho" e dando risadinhas fora de hora acabou chorando naquele momento? Não tem preço.

NOTA: 8,5

Estão Todos Bem


Logo no início do filme, vemos Frank (Robert DeNiro) arrumando a casa para a visita de sua família. Porém, todos os seus filhos desmarcam a visita em cima da hora. Contrariando ordens médicas, Frank resolve viajar de ônibus e visitar seus quatro filhos, enquanto conhecemos um pouco mais de sua situação: recentemente, ele ficou viúvo, e vem descobrindo que era sua mulher que criava a harmonia familiar que ele tanto preza.

Robert DeNiro está excepcional no filme, fazendo de Frank uma figura melancólica, mas que sempre tenta animar quem está ao seu redor, as vezes de maneira até atrapalhada, quando ao puxar papo com um senhor ao seu lado, faz um comentário engraçado sobre uma terrível tempestade que está destruindo uma cidade. Mas sua alegria ao perceber o sucesso de Amy (Kate Beckinsale) ou as duras tentativas de esconder a decepção com Rosie (Drew Barrymore) e Robert (Sam Rockwell) mostram um amor inquestionável por parte do pai para seus filhos.

Não assisti ao original dirigido por Giuseppe Tornatore para saber as diferenças de um para o outro, o que talvez tenha me ajudado a gostar tanto de Estão Todos Bem. Só acho que a insistência de Kirk Jones em mostrar os filhos de Frank como crianças é bacana no início, mas vai perdendo o sentido conforme o filme avança, e diversos diálogos fora da trama principal (como a cena de DeNiro com Melissa Leo) soam deslocados demais do resto da obra.

Mas não se engane: Estão Todos Bem é um filmaço.

NOTA: 8,5

Pandorum


Pandorum parece ser uma mistura de dois roteiros: um deles é interessante, e mostra dois homens despertando de um longo sono com perda de memória, e aos poucos vão se lembrando de quem são e seus objetivos, enquanto percebem que algo está muito errado naquele lugar, enquanto o outro é um roteiro pífio de pega-pega entre humanos e uns nanicos branquelos que mudam de habilidade, altura e seja lá o que for, dependendo do que a cena precisa.

E isso é tão óbvio que incomoda durante o filme inteiro, e depois do final não é preciso nem 5 minutos para pensar que uma trama não teve nada a ver com outra, e só foi colocada para encher linguiça. Aliás, outro sinal de que Pandorum tem algo realmente errado é que Ben Foster e Dennis Quayd, dois ótimos atores, não conseguem ter uma cena de destaque, sendo usados sempre de maneira equivocada pelo diretor.

O diretor Christian Alvart até pode enganar nos primeiros 20 minutos, quando investe num clima pesado, claustrofóbico e escuro, desenvolvendo a história de maneira interessante. Pena que o resto seja um completo desperdício do nosso tempo, ou não: se você é homem, e adora decotes , então a atuação de Antje Traue certamente renderá um passatempo divertido.

NOTA: 3

Filmes que assisti e não tive tempo de escrever...

...e que prometo escrever sobre eles com mais cuidado em breve, ok?


Abismo do Medo (The Descent - Dir. Neil Marshall) - Sem dúvida, um dos melhores filmes de terror da década passada. Brilhante e claustrofóbico. NOTA: 9

O Amor pede Passagem (Management - Dir. Stephen Belber) - A idéia era boa. Pena que o diretor não confiou na história e encheu o filme de momentos patéticos para fazer humor fácil. NOTA: 3

Anti-Herói Americano (American Splendor - Dir. Robert Pulcini e Shari Springer Berman) - Misturando ficção com linguagem documental, é um grande filme, subestimado e pouco visto. NOTA: 10

A Todo Volume (It Might Get Loud - Dir. David Guggenheim) - Raro exemplo de documentário que poderia ter cinco horas a mais, e jamais cansaria. NOTA: 10

A Conquista da Honra (Flags of our Fathers - Dir. Clint Eastwood) - Eastwood é um diretor fantástico, mas esse não era um filme pra ele. E além disso, a não linearidade do roteiro atrapalha o envolvimento com a história. NOTA: 7

Encontro de Casais (Couples Retreat - Dir. Peter Bilingsley) - Um bom elenco salva um filme? Repense este argumento depois de ver esta desgraça. NOTA: 0

O Fada do Dente (The Tooth Fairy - Dir. Michael Lembeck) -  Bobinho, inocente e divertido, mas é recomendável só para crianças. NOTA: 6

O Fantástico Sr. Raposo (The Fantastic Mr. Fox - Dir. Wes Anderson) - Assim como Onde Vivem os Monstros, é uma visão existencialista e adulta em cima de uma história infantil. Interessante e divertido.  NOTA: 8

Huckabees - A Vida é uma Comédia (I Heart Huckabees - Dir. David O. Russell) - Imaginem uma versão de Magnólia realizada pelo Monty Python: sim, o filme é bom assim! NOTA: 10

Idas e Vindas do Amor (Valentine's Day - Dir. Garry Marshall) - É até divertido no início, mas se torna arrastado e entediante como poucos. NOTA: 2

Nathalie X (Nathalie ... - Dir. Anne Fontaine) - A premissa é boa, e o filme se desenrola bem até o terceiro ato, quando termina de forma simplista e desinteressante. NOTA: 5

Planeta 51 (Planet 51 - Dir. Jorge Blanco) - Faz compania perfeita a Monstros Vs. Alienígenas. Divertido e inusitado. NOTA: 7,5

O Psicólogo (Shrink - Dir. Jonas Pate) - Prentensioso e muito menos inteligente do que imagina ser. Mas tem momentos magníficos com Kevin Spacey e Robin Williams. NOTA: 6

Quase Famosos (Almost Famous - Dir. Cameron Crowe) - Sublime. Obra-prima incontestável. NOTA: 10

O Reino (The Kingdom - Dir. Peter Berg) - Era para ser um filme de ação politicamente engajado. Saiu uma versão bizarra de Esquadrão Classe A. NOTA: 6

Os Sonhadores (The Dreamers - Dir. Bernardo Bertolucci) - Uma declaração de amor emocionante e envolvente ao cinema de Bernardo Bertolucci. Pena que a história não faça juz ao talento do diretor. NOTA: 8

Tentação (We Don't Live Here Anymore - Dir. John Curran) - Um filme maturo e surpreendente sobre infidelidade, que só tropeça no ato final. NOTA: 8

Últimos Dias (Last Days - Dir. Gus Van Sant) - Uma cinebiografia original e inusitada: Kurt Cobain vira um andarilho, falando sozinho em meio a pântanos neste trabalho brilhante de Gus Van Sant. NOTA: 9

Vidas Cruzadas - As Vidas Íntimas de Pippa Lee (The Private Lifes of Pippa Lee - Dir. Rebecca Miller) - Rebecca Miller mostra a mesma energia e criatividade mostrados em O Mundo de Jack e Rose, criando mais um filme emocionante e imperdível. NOTA: 9

Três Reis


"Michael Jackson é o rei de um país doente..."

Primeiro grande destaque da carreira do problemático (e genial) David O. Russell, Três Reis é um filme de guerra atípico: apostado num visual dessaturado e contando com cenas surreais que vão de vacas explodindo até intestinos sendo perfurados, no filme uma das mensagens mais importantes é a de que cada bala conta. Ou seja, nenhuma bala é disparada no filme, sem ter enorme impacto na história.

No filme, três soldados e um sargento descobrem um mapa escondido no traseiro de um iraquiano, que guarda onde está o ouro de Saddam Hussein. Como a guerra acabou e todos estão de partida, decidem ir atrás do ouro para eles mesmos: "Se Saddam roubou tudo isso do Kuwait, não tem problema se roubarmos dele", dizem eles.

O filme começa como uma comédia de humor negro, e surpreende cada vez mais com a carga dramática que vai adquirindo, mas fora a direção perfeita de David O. Russell, o destaque são as atuações, que incluem George Clooney e Mark Wahlberg em seus melhores momentos, além de um ótimo trabalho de Ice Cube, e um Spike Jonze mais do que surpreendente.

Tocando na ferida da guerra no Iraque no início dos anos 90 (comandada por Bushinho-pai), Tres Reis é uma obra-prima inesquecível, e que além disso, tras algumas cenas que se tornaram clássicos instantâneos, como a tortura psicológica de um iraquiano que explica a primeira frase que coloquei no texto. Fabuloso.

NOTA: 10

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