Viagem a Darjeeling


Viagem a Darjeeling fala sobre família e espiritualidade. Dirigido com a criatividade habitual de Wes Anderson, trata-se de um filme com sérios problemas de ritmo e não muito bem sucedido na tentativa de mesclar drama e comédia (principalmente se compararmos com Os Excêntricos Tenembauns, do mesmo diretor), mas quando consegue deixa uma marca profunda no espectador.

No filme, Adrien Brody, Owen Wilson e Jason Shwartzmann interpretam três irmãos que depois de um ano sem se falarem, se reencontram num trem na Índia, onde o irmão mais velho (Wilson) resolve criar uma jornada espiritual para que os três se tornem irmãos mais próximos, como eram antes. É claro que é um filme de Wes Anderson e isso envolve bizarrices como eles se embebedarem com xaropes para tosse, comprarem cobras venenosas e coisas do tipo. Mas se o roteiro falha tecnicamente, ao menos acerta no desenvolvimento dos personagens, principalmente ao estabelecer a curiosa relação entre eles.

Mas o grande destaque é a direção de arte do filme, e o trem onde boa parte da história se passa é um destaque a parte, repleto de pinturas a mão e de detalhes que merecem aplausos. Além disso, a fotografia é também bem sucedida ao conseguir criar movimentos de câmera complicados em espaços apertados e de filmagem complicadíssima.

Mas é no último ato do filme, com a morte de um certo personagem que o filme realmente se encontra, criando uma sequência de dez minutos absolutamente perfeita e silenciosa, cuja temática espiritual se encontra de forma equilibrada e sublime. É um momento absolutamente genial, em que mesmo que aconteça tão pouco, é difícil não prender o fôlego de emoção. 

E mesmo que esta cena surja como um clímax antes da hora, o que torna o final um pouco arrastado, fato é que se fosse diferente transformaria o filme numa jornada banal. E por mais que possa parecer de início, a jornada dos três irmãos acaba sendo tudo, menos banal.

NOTA: 8

A Origem


Imagine que David Lynch fosse convidado para dirigir um filme de assalto com roteiro de Charlie Kaufman. É mais ou menos essa salada bizarra que Christopher Nolan realizou neste excelente A Origem. Dono de uma carreira invejável (da qual, só não vi Following, sua estréia), Nolan foge do típico caso de diretores que, ao serem cada vez mais consagrados, finalmente lançam uma bomba intragável (um caso recente é David Fincher e seu O Curioso Caso de Benjamin Button). Aliás, pelo contrário: seus filmes ficam cada vez maiores, mas a qualidade vem subindo junto. Fato raríssimo.

Dito isso, A Origem mostra um grupo de assaltantes especializados em roubar idéias específicas, através de um complexo trabalho realizado no consciente da vítima. Depois de um golpe mal-sucedido, eles recebem uma proposta para realizar um trabalho inverso. Ou seja, inserir uma idéia específica. Falar mais do que isso sobre a história é muita sacanagem para quem não viu, então parei aqui.

Basta dizer que o filme consegue fazer essa birutice parecer completamente plausível, demonstrando uma lógica interna no roteiro impecável. Além disso, o mais surpreendente é que A Origem seja uma história completamente linear e coes, considerando que ela se passa em diferentes níveis de realidade e sonhos dentro de sonhos.

Além disso, Nolan que já havia surpreendido com cenas de ação inusitadas (como a queda do caminhão em Batman - O Cavaleiro das Trevas), cria perseguições de carro no nível de Operação França. Mas o mais impressionante são as cenas em gravidade zero, que me deixaram de queixo caído. Os efeitos especiais são brilhantes de um modo geral por jamais chamarem atenção demais para si, sempre servindo a história que está sendo contada.

O elenco também é responsável por boa parte do que o filme tem de bom, mas vale destacar Leonardo DiCaprio que realmente está tendo um ano fabuloso, contando com Ilha do Medo. Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Tom Hardy e Cillian Murphy também realizam atuações marcantes, mesmo com menos tempo em tela. (E só pra fazer uma justiça: Tom Berenger conseguiu estar num dos melhores filmes do ano, assim como em um dos piores...)

No geral, A Origem é um filme realmente impressionante e que ao brincar de gêneros, certamente eleva o nível da brincadeira. Vai ser difícil ver um filme de espionagem e não exigir um pouco mais. Se James Bond se acertou com Cassino Royale para competir com Bourne, agora tem uma tarefa ainda mais complicada...

NOTA: 10

PS: A Origem certamente é um dos melhores do ano, mas ainda considero O Grande Truque e Amnésia os melhores do cineasta. E vocês?

Predadores


Predadores é tão bom quanto os outros filmes de sua franquia. Ou seja, quem não gostou do primeiro com Schwarzenegger ou do segundo, pode passar longe desse. Como eu gosto dos dois primeiros (com moderação), acabei também gostando deste recomeço que, ao menos, tira o gosto de ranho deixado pelos dois Alien x Predador.

Parte do que o filme tem de bom está na direção de Nimród Antal, que faz um bom trabalho ao brincar com a geografia do local e ao criar enquadramentos que sempre sugerem uma presença ameaçadora, criando tensão constante. O roteiro é apenas correto, e constrangedor quando tenta ser mais do que isso. A citação de Hemingway dói na alma.

Mas outra boa surpresa do filme é o elenco, principalmente Adrien Brody, baixinho, magricelo e esquisito, e mesmo assim, convencendo como herói de ação. E se Laurence Fishburne diverte em sua ponta, Alice Braga é quem mais se destaca no elenco.

Conseguindo ser uma boa mistura de ação com terror, assim como os dois primeiros, Predadores é um bom filme que não se leva a sério demais, e ganha pontos com os fãs ao respeitar a "mitologia" da série. Pena que no teórico embate entre Alien x Predador, no quesito cinematográfico, os Aliens ainda dêem um pau, como comprovam os sues três primeiros filmes.

NOTA: 7

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