Mary & Max - Uma Amizade Diferente


Erro meu a ser corrigido: conhecer a obra de Adam Elliot, que só fui conhecer recentemente ao assistir este fabuloso Mary & Max - Uma Amizade Diferente, não só uma das animações mais ousadas e impressionantes dos últimos anos, como também a prova definitiva de que a animação é um formato poderoso para filmes com temática adulta. Sim, porque o que não falta em Mary & Max são momentos para tirar as crianças da sala.

O filme acompanha uma curiosa amizade entre uma solitária garota no interior da Austrália, e um homem de Nova York que possui uma doença que causa um comportamento extremamente anti social, e o mantém praticamente isolado em casa. Acompanhamos a troca de correspondências dos dois por vários anos, enquanto Mary vai escapando de sua triste realidade e do destino melancólico que parece reservado a ela, enquanto Max se isola cada vez mais de tudo e todos.

Se trata de uma obra prima, repleta de humor negro, mas também de momentos belíssimos em que as lágrimas chegam sem qualquer dificuldade. Tecnicamente, é um espetáculo: se Nova York é vista em preto e branco, e repleta de edifícios, a Austrália é um deserto quase em sépia repleto de poeira. A maneira como objetos pessoais de Mary e Max vão aos poucos colorindo o ambiente de um e outro é poesia visual de qualidade.

Provavelmente a maior surpresa que tive no ano até o momento, Mary & Max é uma animação fabulosa e complexa, que ainda guarda um dos desfechos mais belos do ano, em que inexplicavelmente, eu chorava com a mesma intensidade que sorria. Truque complicado que, aqui é realizado com louvor.

NOTA: 10

Ninja Assassino


James McTeigue não me enganou em V de Vingança: para mim, estava óbvio que o diretor estava mais interessado no visual do que na temática forte da obra. Se você não achava isso, espere só até ver esse desastre  monumental que é Ninja Assassino, definitivamente um dos piores filmes do ano, e dos últimos anos. Um bom exemplo do tamanho da cagada é o seguinte diálogo:

"(...) - As árvores devem seguir seu coração...

 - Mas árvores não tem coração!

 - Eu acredito que tudo tem coração...

(pausa dramática loooooooooooonga para:)

 - Eu não tenho. (...)"

Sério, precisa dizer mais alguma coisa?

Bem, pior que precisa.

Muitos vão culpar o astro oriental Rain, ou o resto do elenco pela desgraça cometida. Não os defendo, pois estão todos antipáticos e sem carisma algum. Mas a culpa é toda do diretor James McTeigue, primeiro por ter achado que conseguiria contar aquela história com aquele rascunho de roteiro. Segundo, porque é mais do que óbvio que Ninja Assassino tenta ser um Kill Bill mais sério, ou seja, a preocupação com o visual sem qualquer senso de humor. E a preocupação com o visual que eu comento é completa e puramente estética, já que há um momento inacreditável em que vemos vários carros e tanques invadindo um local, embora na cena seguinte, possamos ver que o local está no pico de uma montanha! Brrr....

Não sou grande fã de Kill Bill, mas ao menos a sensação ao final era de que havia me divertido. Em Ninja Assassino, a sensação foi de tortura. 

NOTA: 0

Entre Irmãos


Típico caso de filme competente, mas que passa batido por ter sido lançado junto com obras semelhantes. No caso, Guerra ao Terror e O Mensageiro. Apesar de levemente inferior a estes dois, Entre Irmãos não faz feio, e é um bom drama, cujas atuações do elenco principal merecem ser conferidas. Remake do filme holandês Brothers, foi roteirizado por David Benioff (de A Última Noite) e dirigido pelo competente Jim Sheridan (de Em Nome do Pai e Terra de Sonhos).

O filme narra a história de dois irmãos (dã). Um deles, um militar de sucesso, outro um trombadinha bêbado. Só que depois de ser novamente enviado ao Afeganistão, Sam é dado como morto, e seu irmão decide ajudar sua família, sua cunhada e suas sobrinhas como forma de homenagear o irmão. Depois de um rápido clima de romance entre ele e a esposa do irmãos (afinal... é Natalie Portman), eles descobrem que Sam está vivo e voltando para casa. Mas sua volta chega com vários mistérios, incluindo um comportamento perigoso e distante de sua parte.

(Nesse sentido, vale dizer que o trailer do filme entrega DEMAIS a história).

O problema do filme é que as situações no Afeganistão e com a família são mostradas paralelamente, mas uma anula a outra. De um lado, um feel-good movie familiar, e do outro um suspense de guerra. Compromete o ritmo, e até atrapalha a compreensão da história (quando um personagem revela que se passaram dois meses, a informação surge abrupta e nada orgânica a história).

Por outro lado, não lembro de ter me impressionado tanto com uma atuação de Tobey Maguire (e sua explosão de fúria próximo ao final é impressionante). E enquanto Natalie Portman consegue se virar com sua personagem que é muito mal explorada pelo roteiro, Jake Gyllenhaal faz um belíssimo e notável trabalho, embora o destaque mesmo seja Sam Shepard que em apenas uma cena, consegue demonstrar caráter e o arrependimento de uma vida inteira no momento mais belo do filme.

Enfim, Entre Irmãos pode não ser um dos melhores filmes sobre o tema de traumas de guerra, e nem mesmo um dos melhores de Jim Sheridan, mas está longe de ser um filme a ser ignorado, principalmente pelo notável esforço de seu elenco.

NOTA: 8

O Mistério de Grace


Lição a ser aprendida: sempre desconfie quando ler em algum lugar que um filme causou furor no Festival de Sundance. Às vezes, pode ser um Nossa Vida sem Grace ou Primer, mas na maioria dos casos é uma bizarrice como O Sinal ou este O Mistério de Grace (que dizem que várias pessoas passaram mal assistindo). O filme conta a história da mãe que depois de um acidente de carro (quando seu marido também faleceu), acaba perdendo o filho que está em sua barriga. Depois de realizar o parto para retirá-lo, o bebê misteriosamente revive. O ó do borogodó é que o bebê Grace não toma leite materno e sim, sangue.

A idéia é bacana e chama a atenção. Eu tinha a esperança de que lembrasse os primeiros filmes de Cronenberg (que também tinham premissas bizarras e eram bons, apesar dos pesares), e de fato, em seus melhores momentos, O Mistério de Grace até surpreende. O momento em que Grace renasce é dramaticamente eficiente,    assim como a cena em que a mãe descobre o gosto bizarro da flhotinha (que parece ter sido uma alucinação, algo que é abandonado já na cena seguinte).

Infelizmente, o que começa como um filme interessante, apesar dos problemas, acaba se revelando uma piada de mal gosto, que não faz rir e nem assusta. E o conflito entre nora e sogra é absolutamente bizarro, no pior dos sentidos. E para piorar, o roteirista e diretor Paulo Solet corre um risco sério ao fazer de sua protagonista uma ex-homossexual (existe isso?) vegetariana. Não sei se foi a intenção dele, mas há o risco do filme ser visto como uma metáfora infeliz sobre adoção entre casais homossexuais.

NOTA: 3

Pequena Miss Sunshine


Precisa ser dito algo a mais sobre Pequena Miss Sunshine? Um dos filmes independentes norte-americanos mais adoráveis e divertidos da última década? Sinceramente, acho que não. É o típico caso de filme que não consigo imaginar alguém dizendo que não gostou, e do qual eu sinto que pouco se pode complementar, mas vamos lá.

Pequena Miss Sunshine acompanha a viagem de uma família para um concurso de miss, na qual Olive (Abigail Breslin) foi convidada a participar. Na velha kombi amarela vão o pai (Greg Kinnear), autor de uma teoria de auto-ajuda que, ironicamente, é um fracasso, a mãe (Toni Collette), dedicada e preocupada com a situação da família e do irmão (Steve Carrell), um reconhecido estudioso que tentou cometer suicídio depois de uma desilusão amorosa. Além deles, o irmão de Olive (Paul Dano) jovem que idolatra Nietzche e decide não dizer uma só palavra antes de realizar seu sonho de se tornar piloto de aviões, e o avô (Alan Arkin), viciado em cocaína e falastrão, mas também adorável.

O filme fala sobre desilusão: todos os personagens tem sonhos, e todos verão eles sendo despedaçados. Cena chave do filme: Olive chora para o avô dizendo que não quer ser uma perdedora, ao que vem a resposta perfeita de que "um perdedor é aquele que tem tanto medo de não vencer, que nem sequer tenta". Assim, admiramos aqueles personagens e o modo como eles enfrentam os obstáculos para continuarem (mesmo quando isso envolve o bizarro sequestro de um corpo). 

Pequena Miss Sunshine é um filme fabuloso, uma comédia dramática otimista, mesmo falando sobre perdas e sonhos destruídos. Uma obra única e obrigatória.

NOTA: 10

Simplesmente Feliz


Poppy é uma trintona, professora de primário em uma escola de Londres. Vivendo em um pequeno apartamento com uma amiga da época da faculdade, se trata de uma mulher de gênio forte: aparentemente nada é capaz de abatê-la. Sua bicicleta pode ser roubada, sua irmã pode questionar o fato de ela não ter uma família (e nem ter planos de formar uma) ou o instrutor da auto-escola pode fazer os comentários mais grosseiros. A resposta dela será bem humorada, e provavelmente virá seguido de uma gargalhada.

O que Simplesmente Feliz tem de mais impressionante é que Poppy jamais parece uma personagem irreal ou forçada. Contando com uma atuação iluminada de Sally Hawkins (que deveria ter vencido o Oscar), a protagonista do filme tem a mesma lógica de O Acompanhante que usava a educação como "uma resposta para o caos", só que aqui é a felicidade no lugar da educação. Capaz de transformar qualquer conversa comum em um momento divertido, o filme funciona de maneira simples, sem jamais forçar a barra, deixando a protagonista solta para fazer rir. 

Dirigido por Mike Leigh, dos sensacionais Segredos e Mentiras e O Segredo de Vera Drake, o filme segue a risca a principal característica do diretor, que é beneficiar os atores e só. Não há enquadramentos rebuscados, apenas os enquadramentos certos para que as atuações possam ser apreciadas.

E claro que por ser um filme de Leigh há uma forte temática por trás do filme, que se apresenta nas cenas entre Poppy e seu instrutor da auto escola, que surge como a completa antítese da protagonista: mal humorado, paranóico e com sérios problemas em se relacionar com qualquer pessoa (e interpretado por Eddie Marsan, também passa longe de uma caricatura), os diálogos entre os dois servem como discussões curiosas (quase filosóficas) sobre a vida.

Afinal, o mundo é uma zona. Mas vale enfrentar isso reclamando ou dando risadas?

Pode parecer simplista, mas pense um pouco.

NOTA: 10

Sideways - Entre Umas e Outras


Comédia dramática fabulosa, mais um grande filme do diretor Alexander Payne, de As Confissões de Schmidt e Eleição. O filme acompanha dois amigos quarentões em uma viagem pelas vinículas na Califórnia. Miles (Paul Giamatti) é um escritor que luta para ser publicado e ainda sofre pelo divórcio, enquanto Jack (Thomas Haden Church) se casará no final de semana, mas parece agir com os impulsos de uma criança, e resolve se dar a liberdade de fazer a própria despedida de solteiro.

Mas a viagem toma outros rumos depois que conhecem Maya (Virginia Madsen) e Stephanie (Sandra Oh). Jack "se apaixona" por Stephanie, e jamais revela que está para se casar, o que deixa Miles numa péssima situação como cúmplice, fragilizando sua relação com Maya, por quem parece se interessar de verdade.

Inicialmente, o filme diverte pela descontração e por parecer despretensioso. Porém, não demora para que Sideways - Entre Umas e Outras se revele um filme surpreendente, tanto pela emoção que vai surgindo na história, quanto pela maneira inteligente e adulta que trabalha seus personagens e suas situações. 

Alexander Payne é um grande diretor de atores, e aqui arranca a melhor performance da carreira de Paul Giamatti, um ator já normalmente brilhante. E se Thomas Haden Church diverte com sua atuação jovial, a fraquinha Sandra Oh também encontra espaço para fazer um bom trabalho. E Virginia Madsen... uau. Linda e sedutora, é impossível não se apaixonar quando ela faz seu monólogo sobre a vida do vinho (como acontece com Miles).

E Sideways ainda guarda um desfecho forte, e repleto de ironias dramáticas (a mais triste delas, diz respeito a uma garrafa de vinho). Não é o típico final que se espera de uma produção tão leve e bem humorada. Mas ela fecha o filme respeitando seus personagens e, principalmente, o público.

NOTA: 10

V de Vingança



Baseado na fantástica Graphic Novel de Alan Moore, V de Vingança é um bom filme de ação que poderia ser muito mais. Transformando as belas metáforas políticas e sociais da obra de Moore em simbolismos óbvios e frágeis, o filme funciona, mas sempre dá a sensação de forçar um pouco a barra. Por outro lado, a idéia de atualizar a história para um período mais atual não chega a incomodar tanto, e em alguns momentos se mostra a decisão correta.

Mas é o clima romântico entre Evey (Natalie Portman) e V (Hugo Weaving) que é usado como fio condutor da história que realmente incomoda. Não que esteja equivocado, mas é muito menos interessante do que o passado de V, ou até mesmo que a investigação do inspetor Finch (Stephen Rea, sempre brilhante). 

Estréia de James McTeigue na direção, ele cria um visual interessante, mas abusa dos efeitos especiais nas cenas de luta. Além disso, a cenografia é certinha demais, os cenários são limpinhos, diferente do que se imaginaria de um futuro num governo totalitário. Por outro lado, o diretor acerta no momento em que Evey é presa e a tortura que sofre (além da história que acaba lendo em sua cela), e a Galeria das Sombras de V é um destaque a parte.

Contando ainda com uma curiosa atuação de John Hurt (provavelmente um contraste com sua participação em 1984), V de Vingança é um bom filme, que mesmo se equilibrando em suas falhas, consegue ser um filme muito superior a média. 

Agora é torcer para que algum diretor faça um remake tão fiel a obra quanto foi feito em Watchmen.

NOTA: 7,5

Bolas em Pânico



Caquinha divertida e inofensiva, um bom passatempo. Não chega a ser tão divertido quanto outros similares como Com a Bola Toda ou Escorregando Para a Glória, mas quem sempre esperou por um filme sobre ping-pong (!) vai ficar satisfeito. 

Bolas em Pânico mostra um ex-jogador promissor do esporte (Dan Fogler, imitando Jack Black) que recebe a chance de participar de um torneio secreto de ping-pong, com outros campeões do mundo. Mas ele vai até lá a mando do FBI, já que o anfitrião do torneio é também um perigoso traficante de armas.

A trama é simples assim e não espere muito mais. Há boas piadas, e as atuações de Thomas Lennon e Christopher Walken são o que o filme tem de melhor (junto com os figurinos de Maggie Q...). Se está procurando uma comédia qualquer para passar o tempo, aqui está uma bela opção. Senão, deixe de lado e siga com sua vida.

NOTA: 6

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