Guerreiro



(Warrior - Dir. Gavin O'Connor)

Filmes sobre esporte, por piores que sejam, sempre podem disfarçar todos os seus problemas ao mostrar "o grande desafio" sendo superado no final, seja numa luta, um jogo de basquete, baseball ou qualquer outra competição. Isso normalmente me deixa com um pé atrás sempre que me deparo com um exemplar do gênero. Porém, é sempre bom ser surpreendido, como neste Guerreiro, já que além de iniciar como um cuidadoso estudo de personagens, se encerra gloriosamente, mesmo que não de forma complemente satisfatória.

Voltando a trabalhar com o conflito entre dois irmãos na mesma área profissional (como no correto Força Policial, com Edward Norton e Colin Farrell), Gavin O'Connor acerta em cheio na primeira metade do filme, trabalhando bem com a história simples num clima sóbrio e melancólico, utilizando uma trilha sonora pontual e discreta. Além disso, mesmo que a história se revele previsível, a construção das cenas e dos diálogos é admirável, especialmente nos momentos dolorosos entre pai e filho nas cenas entre Tom Hardy e Nick Nolte.

E por falar nos atores, Guerreiro pertence a estes dois grandes atores: Hardy apresenta uma atuação discreta e surpreendente - seu personagem parece estar sempre prestes a ter uma explosão de violência, e nos instantes em que visivelmente se esforça para controlar seus impulsos estão as melhores cenas do filme, como a conversa numa praia a noite com o irmão. Já Nolte faz a figura paterna, falha, ausente e repleta de remorso, que tenta num último golpe desesperado reatar a relação com os filhos. Está comovente e tem momentos brilhantes, como a recaída no quarto de hotel. Joel Edgerton está bem, competente, mas não tem uma cena sequer que chegue aos pés dos dois, enquanto Jennifer Morrison está carismática, mas apagada, não consegue acrescentar nada.

Da metade para o final, Guerreiro não consegue manter a qualidade: desde a montagem típica mostrando o treinamento dos irmãos, passando pela mudança de tom que o diretor usa para narrar o campeonato, repetindo o único erro de Rocky Balboa, no uso de uma linguagem televisiva dentro da trama, o filme sobrevive pela construção impecável de seus personagens. Mesmo com todos os problemas que surgem no filme, torcer por eles se torna inevitável. E ao mesmo tempo em que o desfecho apresenta uma solução fácil demais, inverossímil, tematicamente é um final admirável e emocionante. O resultado, portanto, representa o que há de típico nas produções do gênero, mas nesse caso específico, isso não o diminui.

NOTA: 8,5

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